domingo, 2 de agosto de 2020

Pouco devemos acreditar no demônio (Cantiga 190)

Madonna del Soccorso, Ascoli Satriano, Itália
Madonna del Soccorso, Ascoli Satriano, Itália
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Esta cantiga nos conta o poder de Santa Maria contra as insídias do diabo.

Devemos ter em pouca conta o demônio.

Assim sempre Deus me tenha, porque a Virgem vai nos guardar.

É Ela que nos conduz, é a Virgem que vai nos proteger.

Com pouco juízo obraremos se tivermos o demônio em conta de algo, pois a Virgem nos sustenta-

Ela nos conduz, porque é a Virgem que nos mantém.

Porque o poder do diabo pouco vale, porque de seu mal nos protege a Virgem espiritual que nos conduz; a Virgem espiritual.

O saber das trevas pouco nos causa dano, pois nosso lume e nossa luz é Aquela que viu seu Filho numa Cruz-

É Ela que nos conduz; Ela que viu seu Filho numa Cruz.

Não devemos acreditar nele, nem por ele mal fazer, pois a Virgem vai nos valer.

Ela que nos conduz. Porque a Virgem vai nos valer.

Os enganos do demônio nada são, pois, por nós, tem assento diante de Deus Aquela em quem a Fé permanece, Ela que nos conduz.




Pouco devemos acreditar no demônio (Cantiga 190)  CLIQUE NA FOTO





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domingo, 19 de julho de 2020

Para cada doença, seu remédio

Médico fazendo uma sangria
Médico fazendo uma sangria
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Quem está doente do estômago, vai ao médico.

Mas se lhe ocorre encontrar solução no que está nos livros e diz: “eu quero me curar segundo este autor” vai ler desde o início o livro onde estão os remédios para se curar da cabeça.

E assim achará o remédio que está escrito, mas nunca vai sarar com ele.

Por isso se deve saber que o médico deve procurar as coisas que o doente precisa.

Mas se tu vãs à consulta querendo um remédio determinado dizendo: “dai-me tal e tal coisa” o médico pega o primeiro vidro ou pó que encontra e o dá ao enfermo que não vai curar com isso.

Então se o doente tem necessidade de um remédio que cura o estômago, ele lhe dá um remédio para lhe curar a cabeça ou o braço, e não sarará mais.

E se insiste com mais remédios desse modo jamais curará.

Por isso eu vos digo que querendo sarar de uma enfermidade, é preciso tomar o remédio adaptado à cura da doença.

E a propósito disto: também assim deve agir o sacerdote pregador.

Convém que ele pregue as coisas que são necessárias para a saúde espiritual do povo que o está ouvindo, e não as lindas coisas que ele leu nos livros.

Por isso ele deve dizer: minha intenção é curar vossos defeitos, e não dizer as coisas que vos aprazem ou que me fazem brilhar como erudito. Esse é meu dever.


(Autor: San Bernardino de Siena, “Apologhi e Novellette”, Intratext)



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domingo, 5 de julho de 2020

A origem das pérolas

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Tombou Abel, assassinado pelo invejoso e cruel irmão.

Impulsionada pelo instinto materno, tentou Eva reanimar o filho morto, acariciando longamente seu corpo exânime.

Quando se convenceu de que Abel não despertava mais, desconsolada e aflita, caminhou longa jornada até junto à praia do mar, e aí quedou-se a olhar, assombrada, a extensão das águas até então desconhecidas.

Nesse momento afloraram-lhe aos olhos suas primeiras lágrimas.

Uma após outra, rolaram silenciosamente pela face, e foram cair sobre as pétalas de pequeninas flores, entre os rochedos.

Adão, que havia seguido ocultamente sua esposa, observava de longe, sem ser visto.

Quando Eva se afastou, foi ver o que havia caído dos olhos chorosos da mulher.

Encantado com a forma e o esplendor das gotas minúsculas, tomou-as, escondeu-as no interior de conchas e enterrou-as na areia.

O mar esperou que Adão adormecesse, e ao cair da noite fez um esforço titânico, cresceu, elevou-se, estendeu ondas de espuma até o tesouro escondido, e recolheu feliz as conchas das lágrimas.

Mas as ondas, ao contato com as lágrimas que se haviam transformado em pérolas, também choraram, e até hoje se escuta sua voz plangente junto das praias.

E quando o homem quer uma pérola, tem de escutar primeiro o pranto das vagas, e depois descer à profundidade do mar, onde se ocultam ainda, em modestas conchas, as lágrimas de nossa primeira mãe.



(Athalicio Pithan, "Lendas e Alegorias" - Edições Brasília, Porto Alegre, 1945)


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domingo, 21 de junho de 2020

A lenda do desterrado


Luis Dufaur
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Quem tem pecado muito e teme por sua salvação, que ouça uma lenda alemã adequada.

Um pobre desterrado retornava à pátria após 30 anos de ausência.

Os padecimentos haviam-no encanecido, e o haviam tornado irreconhecível.

À entrada do lugar, topou uns companheiros de sua juventude e estendeu-lhes a mão para saudá-los.

Mas eles recusaram o cumprimento, pois não o reconheceram.

O desterrado foi adiante e viu um irmão seu, com quem havia trabalhado, comido e dormido.

Chamou-o, mas o outro não o reconheceu e o fitou com desprezo.

Pobre desterrado! Entrementes era insultado pela garotada, e mantido debaixo do olho da polícia. Dando mais uns passos, viu à sacada sua irmã.

Gritou a ela, com afeição:

— Minha irmã!

Mas também ela o não reconheceu, e lhe virou as costas.

Finalmente, desanimado e humilhado, chegou à casa paterna. Uma velha vestida de luto estava sentada perto da porta. Era sua mãe.

— Ao menos esta reconhecer-me-á — dizia o infeliz.

Aproximou-se dela. A mulher fitou o forasteiro e o reconheceu logo.

— Oh! o meu filho! — exclamou enternecida. Mãe e filho se apertaram num longo abraço.

Eis o que faz a mãe afetuosa. E é o que faz Maria com os pecadores.


(G. Mortarino. J.C., "A palavra de Deus em exemplos" - Paulinas, SP, 1961, pp. 287-288)



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domingo, 7 de junho de 2020

O enforcado de La Piroche

Luis Dufaur
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La Piroche é uma aldeia que deve ser como todas as outras; a ação se desenrola justamente em 1448; que um dos dois homens é o pai do outro, ambos camponeses, e vão trotando em seus cavalos a uma velocidade até razoável, tendo em vista que carregam camponeses.

— Será que chegaremos a tempo? — perguntava o filho.
— Sim. Vai ser às duas horas, e pela posição do sol deve ser ainda meio-dia.
— Não quero perder, pois tenho muita curiosidade em ver como é. Vão enforcá-lo com a armadura que roubou?
— Exatamente.
— Onde já se viu, o sujeito ter a idéia de roubar uma armadura!
— O difícil não é ter a idéia...
— É ter a armadura, eu bem sei — atalhou o filho, aderindo à brincadeira do pai. — E a armadura era boa?
— Dizem que era magnífica, toda marchetada de ouro.
— E o pegaram quando a levava?
— Sim. É fácil compreender que uma armadura não concorda em ser roubada sem montar um escarcéu de todo tamanho. Ela não queria abandonar o dono.
— Era de aço, e deveria ser muito pesada.
— O ruído que ela produzia despertou o pessoal do castelo.
— E logo puseram a mão no ladrão?
— Não exatamente assim. Primeiro ficaram com medo.
— Quem é roubado sempre sente medo dos ladrões. Se não fosse assim, os ladrões não levariam nenhuma vantagem.

domingo, 24 de maio de 2020

Um olho por minha Mãe


Luis Dufaur
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Um menino órfão que vivia aos cuidados dos padres da Catedral de Notre Dame, começou a andar um pouco triste e pensativo.

O padre vendo a tristeza no rosto inocente se aproximou e perguntou-lhe:

– O que está acontecendo? Por que tens andado pensativo e tão triste?

– É que eu vejo que muitos meninos tem uma mãe para poderem abraçar, mas eu não tenho nenhuma – respondeu o menino.

O padre se compadecendo da situação daquele menino inocente, lhe falou com um sorriso caridoso:

– Meu filho, você não sabe que você tem a Mãe mais bonita de todas as Mães? Para as crianças órfãs, Nossa Senhora assume uma maternidade toda especial.

Todo contente e já confortado, saiu de lá com a convicção alegre de que sua Mãe era a mais bonita de todas as Mães…

Toda a vez que ia à Catedral, rezava de modo mais especial, porém com um pedido inesperado: o menino queria ver sua Mãe pessoalmente.

Para isso não só rezava, mas fazia sacrifícios também.

domingo, 10 de maio de 2020

Como Santa Clara foi miraculosamente transportada, na noite de Natal, à igreja de São Francisco e aí assistiu ao ofício


Luis Dufaur
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Estando uma vez Santa Clara gravemente enferma, tanto que não podia ir dizer o oficio na igreja com as outras freiras, chegando a solenidade da Natividade de Cristo, todas as outras foram a Matinas.

E ela ficou sozinha no leito, malcontente por não poder juntamente com as outras ir e ter aquela consolação espiritual.

Mas Jesus Cristo, seu esposo, não querendo deixá-la assim desconsolada, fê-la miraculosamente transportar à igreja de São Francisco e assistir a todo o ofício e à missa da meia-noite.

E, além disto, receber a santa comunhão e depois ser trazida ao leito.

domingo, 26 de abril de 2020

O menino que dava seu pão ao Menino Jesus

"Siempre Real Santo Niño de Malolos", Filipinas
Luis Dufaur
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Vivia na cidade de Veneza um homem muito rico. Sua grande fortuna lhe permitia uma vida de luxo e comodidades.

Mas ele estava entristecido, sem poder desfrutar nada, pois todos os seus filhos morriam.

Tinha o coração triste, e nada o podia consolar.

Com satisfação trocaria todas as suas riquezas pelos filhos, embora ficasse na miséria, mas com eles.

Um único filho pequeno lhe restava.

Amedrontado com a ideia de perder também aquele, confiou-o ao abade de um mosteiro, convencido de que só a intervenção divina poderia conservar-lhe a vida.

O menino cresceu no mosteiro, em meio à dedicação de todos os monges, que gostavam dele e o atendiam.

Sempre alegre, percorria os claustros ou brincava nos jardins, onde admirava as flores ou comia os frutos que colhia.

Ele era o único menino ali.

Um dia, enquanto tomava sua merenda, entrou pela primeira vez na igreja, impressionando-se com a suntuosidade.

Ficou admirando com grande curiosidade a imagem da Virgem, que tinha nos braços o Menino Jesus, e alegrou-se por encontrar ali outro menino como ele.