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segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Santo Natal e Feliz Ano Novo !

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




sábado, 24 de dezembro de 2022

Feliz Natal e abençoado Ano Novo !


Luis Dufaur
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domingo, 18 de dezembro de 2022

O retorno das pombas à catedral de Dijon

As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal
As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na Borgonha, as pedras nunca são brancas por vontade de Deus.

Ao contrário, com o passar dos anos e dos séculos elas ficam bem cinzentas e até pretas.

No alto da catedral, as gárgulas – aquelas esculturas de animais quiméricos colocadas para dar vazão às águas de chuva e qualquer outra sujeira tirada por esta do telhado –, sempre bem alinhadas, estavam mais do que feias.

Mais. Sentiam-se doentes e tristes no seu pétreo silêncio.

Por obra dos entalhadores, elas tinham formas de diabos, monstros e animais horríveis.

O vento, a chuva, as geadas, as fumaças, tudo contribuía para deixá-las mais estragadas, repulsivas e decadentes.

Acontecia também – e ninguém sabia explicar – que as pombas tinham diminuído em número, a ponto de quase desaparecerem.

Só restavam algumas, mas estavam velhas e doentes. Já não se via seu vulto branco no céu e nos galhos das árvores.

A Virgem Negra da catedral de Dijon
A Virgem Negra da catedral de Dijon
Elas não mais arrulhavam como outrora nos jardins.

O Natal foi se aproximando, e com ele o frio, o vento gélido e os nevoeiros do inverno que estragavam as gárgulas.

Uma noite gelou de rachar a pedra, que rachou verdadeiramente numa noite de lua: o gelo fez estourar encanamentos e gárgulas.

Essa tragédia desencadeou uma revolta. Enquanto os homens dormiam, as gárgulas saíram de seu sono pétreo, reuniram-se num conciliábulo noturno e tomaram uma grande decisão.

Dias atrás elas tinham ouvido que na capela da Virgem Negra, na catedral, havia sido montado um grande presépio.

Dizia-se que ali havia velas, luz, calor.

Na véspera, os sinos haviam repicado com maior força e toda a cidade fora visitar o referido presépio.

Mais tarde, as pessoas voltaram felizes às suas casas aquecidas, enquanto as portas da catedral eram fechadas.

Ouviram que o mais belo Menino estava lá
As gárgulas haviam visto aquele espetáculo.

Mais: do alto da catedral, elas contemplavam de um extremo a outro da cidade centenas de janelas iluminadas nos aconchegantes lares.

Ainda ouviram elas que dentro da capela podia-se ver o mais belo bebê que nasceu na Terra.

As gárgulas chegaram a um acordo: embora feitas de pedra estragada pelo frio, elas se refugiariam na capela e falariam com o Menino.

Acabariam com aquele frio e, além do mais, fariam alguma coisa inusual!

Na hora mais pesada da noite, começaram elas a se movimentar, cada uma mais feia do que a outra, mais enegrecida e suja do que a vizinha, mais torta e espantosa do que se podia imaginar.

Agrupadas se pareciam mais com um bando de corvos negros.

Elas eram dezenas e voavam em torno do campanário à procura de alguma entrada. Assim que a descobriram enfiaram-se todas dentro num só e sinistro voo.

Quando o Menino as viu chegar chorou de espanto
Quando o Menino as viu chegar com suas enormes asas pretas e repugnantes bicos pontiagudos, começou a chorar de horror.

Nem sua Mãe conseguia acalmar seu choro de medo.

Apavorados pelo pânico que eles próprios tinham suscitado, os corvos-gárgulas retrocederam.

E se reuniram de lado de fora, numa hora em que a neve começara a cair.

Puseram-se então a discutir o que fazer.

A disputa foi longe e não chegavam a um acordo. Voltar ao teto da catedral? Que horror! Que frio!

Mas fazer chorar um recém-nascido era um crime insuportável!

Finalmente, decidiram voltar à capela, devagarzinho, em boa ordem, calmamente, com silêncio e disciplina.

Vendo-as o Menino riu
Na segunda vez, vendo-as o Menino riu
Quando o Menino os viu, começou a rir. E o fazia a plenos pulmões de gáudio e satisfação.

Os corvos-gárgulas não acreditavam no que viam. Eles, esses monstros alegravam o Menino?

Eles se olharam uns aos outros e atinaram com estupefação que não se pareciam mais corvos.

A neve que caíra sobre eles do lado de fora os tinha recoberto com seu manto branco.

Vendo-os chegar, a Mãe daquela divina Criança voltou seu olhar com um sorriso apiedado para o tabernáculo, e rogou para que a neve branca e delicada que os cobria nunca mais derretesse.

Se aqueles pássaros não assustaram o Menino era porque sua plumagem tinha ficado suave, sedosa e alva.

Foi assim que numa bela manhã de Natal os habitantes de Dijon viram que as pombas haviam reaparecido voando sobre a catedral.

É por isso também que os guias honestos contam aos turistas que as gárgulas hoje existentes na catedral não são as originais, mas meras cópias.



(Fonte: Sophie e Béatrix Leroy d’Harbonville, “Au rendez-vous de la Légende Bourguignonne”, ed. S.A.E.P., Ingersheim 68000, Colmar, França)




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domingo, 8 de maio de 2022

A pedra do Beuvray

Luis Dufaur
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É uma grande pedra, um penhasco, uma pedra colossal que todos os anos, na noite de Natal, durante a Missa do Galo, gira sobre si mesma.

Existe na Borgonha um grande número dessas pedras misteriosas que giram, abrem-se e deixam ver grutas ou cavidades.

Uma delas está no topo do morro de Beuvray, onde é protegida por um ente estranho: a Wivre.

Esta é uma serpente fabulosa – uma espécie de dragão demoníaco coberto de escamas brilhantes amarelas e verdes quase luminosas, que ao entrechocarem-se produzem um ruído especial e silvam enquanto a Wivre voa e reluz no ar.

Se a pedra de Beuvray requer tão terrível proteção é porque encerra um tesouro. E esse tesouro só é acessível num momento do ano, durante alguns instantes da noite de Natal.

Na hora da Missa, como que incomodado pela celebração dos santos mistérios, o dragão se afasta e – dizem— a pedra se mexe e deixa entrever o a atração sedutora do ouro, das joias resplandecendo discretamente sob a luz das estrelas.

domingo, 19 de dezembro de 2021

Réveillon tumultuado no castelo

Luis Dufaur
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Na manhã de Natal do ano de graça de 1212, a fortaleza de Vergy, situada sobre esta célebre e fantástica montanha, estava recoberta com um espesso manto de neve que lhe ficava muito bem.

No vasto pátio, a guarnição tinha aberto caminhos que conduziam às torres de defesa, aos prédios de serviço e aos grandes salões. Estas passagens conferiam à neve o ar de uma renda.

Do alto desse ninho de águia, a paisagem se mostra suntuosa. Os harmoniosos vales apareciam ainda mais suaves pela neve. Por todos os lados se viam aldeiazinhas feéricas de cujas chaminés se desprendiam dezenas de colunas fantasiosas de fumaça azulada e prazenteira.

Uma floresta de altas árvores rodeia o bastião, cada uma das quais se assemelhava a um grande candelabro de prata aceso para a festa.

Pelos caminhos que levam a Vergy grupos de cavalheiros e damas a cavalo chegavam dos castelos vizinhos. Eles pareciam quase desaparecidos entre suas roupagens de lã e seus veludos forrados com pele de raposa.

Seus narizes estavam vermelhos de frio, mas seus olhares brilhavam de alegria. Eram os convidados do Duque Eudes III e da duquesa Alix, que haviam decidido celebrar nesse Natal uma missa de ação de graças pelo nascimento de seu filho Hugo IV, acontecido na primavera.

Entre os visitantes que se dirigiam a Vergy havia um cortejo particularmente destacado: era o de Dom Arnaud II, abade de Cîteaux, grande personagem a quem o Duque pedira que prestigiasse com sua presença a cerimônia e celebrasse a missa pelo bebê.

Dom Arnaud aceitou. Uma escolta de cavaleiros e homens de armas deixou então a fortaleza para ir a seu encontro e trazê-lo por um bom caminho, garantindo ao mesmo tempo sua segurança contra os percalços de uma terra onde abundam os lobos e os bandidos de estrada.

Familiares e amigos começaram a se reunir. Assistidos por suas respectivas mães e sogras, Eudes e Alix acolhiam os convidados na grande sala do castelo.

Tudo estava previsto para que e o frio e as fadigas da viagem se desfizessem junto ao grande fogo da lareira. Vinhos quentes e calorosas palavras de boas-vindas faziam o resto.

Cada um tinha um quarto reservado segundo sua condição, tendo Dom Arnaud recebido a mais bela peça do alojamento destinado aos cônegos.

O crepúsculo foi deslumbrante. Os convidados subiram em grande número nas muralhas e para ver o disco vermelho desaparecer por trás das densas florestas da serra de Bruant. O pôr do sol de inverno naquela região é sempre feérico.

O céu transparente da noite deixou brilhar uma constelação de estrelas. O ambiente ficou sobrenatural, os portadores de tocheiros iam e viam, lançando suas sombras em movimento sobre as pedras e fazendo faiscar os cristais de neve.

Tocheiros foram instalados ao longo de todo o caminho que conduzia à capela, as velas foram acesas. Naquela noite, a pequena igreja românica ia estar cheia como jamais esteve.

Abriram-se as portas e o personagem mais importante entrou primeiro: o abade de Cîteaux, sem dúvida, seguido pelo Duque e a Duquesa, depois pelas babás Mahaut e Adeline que levavam o berço do futuro Hugo IV. Logo em seguida vinham a família, os amigos e os convidados. No fim as portas foram fechadas.

O clero e os coroinhas estavam reunidos detrás do altar. Os olhos de toda a assistência estavam postos naquele que era chamado na época de “Papa dos cistercienses”.

Ninguém prestou atenção num monge de hábito escuro escondido atrás de uma coluna da capela lateral. Um grande capuz ocultava-lhe a cabeça, mas um observador atento teria ficado surpreso contemplando na sombra seus olhares negros desprovidos de amenidade.

Ele tinha essas silhuetas flexíveis que permitem passar despercebido e parecia absorto em fervorosa oração.

O abade subiu ao altar e começou o Introito da Missa de meia-noite: “Dominus dixit ad me; filius meus es tu...”

No momento em que ele pronunciava essas palavras, uma rajada de ar quente apagou velas e candeias, inclusive a lâmpada a óleo que ardia dia e noite junto ao Santíssimo Sacramento.

Um murmúrio de surpresa percorreu a nave da igreja, mas o oficiante não perdeu seu sangue frio e continuou como se nada tivesse acontecido, enquanto o bedel reacendia os pavios.

Depois, precedido pela cruz processional e pelos coroinhas, o oficiante deixou o presbitério em direção à nave, cantando o Kyrie com os fiéis.

Mas, a meio-caminho suas pernas se recusaram ir mais longe, como se tivessem ficado de chumbo. Ele já não mais podia fingir desconhecer este segundo fenômeno.

Seu canto ficou afogado em sua garganta. Os fiéis estavam profundamente perturbados vendo nesses fatos maus presságios para o futuro Duque.

Não podendo avançar, o abade se viu obrigado a voltar para o altar. Ninguém observou que o abade tinha se detido exatamente à altura onde estava aquele monge em oração.

Porém, a Missa continuou, com os cantos gregorianos mais emocionantes que de costume. Não era para menos, pois entre os presentes havia valorosos cavaleiros que deram prova de sua bravura no sítio de São João d’Acre, por ocasião da Cruzada.

Chegada a hora da Elevação, todo mundo aguardava o toque da sineta para se ajoelhar sobre o chão de pedra. Mas por mais que o coroinha tocasse a sineta, som algum se ouvia!

Todos receberam a comunhão. Chegara por fim o momento de o bebê ser consagrado a Deus.

Contudo, uma trovoada interrompeu o abade, um relâmpago iluminou a igreja, e todas as lâmpadas apagaram-se de novo. Uma luminosidade amarela e um odor de enxofre escaparam da capela lateral.

Desta vez a desordem atingiu um auge: os guardas abriram as portas, e a multidão, que não mais aguentava, precipitou-se para fora.

Vários guardas foram atropelados e jogados por terra por um ser impetuoso cuja sombra gigantesca enveredou pelo caminho do Grande Rochedo.

Como anfitrião cônscio de seus deveres, o duque Eudes deu ordens para que os convidados fossem conduzidos logo para a grande sala de jantar onde o festim estava preparado.

Entretanto ninguém tinha fome, nem ousava levantar o olhar ou romper o silêncio.

Por fim, Dom Arnaud se animou a falar: com sua voz forte e sempre calma, ele explicou o que tinha acontecido, não sem antes dar sua bênção.

Ele disse que essas manifestações provinham de Lúcifer, o qual durante muito tempo viveu em Vergy disfarçado no triste cavaleiro Rodolfo, aquele que dizia vir das margens do Reno e que tentara seduzir em vão Margarita de Vergy.

Desde então ele manifesta seu despeito agindo em torno da fortaleza.

Dom Arnaud prometeu celebrar uma Missa de exorcismo no dia seguinte.

Novamente aberta a capela, descobriu-se que as lajes da capela lateral estavam completamente carbonizadas.

Nos anos que se seguiram os visitantes vinham vê-las, com um misto de curiosidade e temor.

Essa estranha noite de Natal continuou a correr de boca em boca durante muito tempo na Borgonha.

Mas o demônio achava que não tinha desabafado todo seu ódio contra a poderosa fortaleza de Vergy.

E encontrou um instrumento no rei Henrique IV, que foi um caudilho protestante nas guerras de religião.

Esse rei ordenou destruir o castelo. Ao canteiro da demolição viu-se então chegar um homem extremamente alto, de força hercúlea, que assumia trabalhos desmesurados; destruía com tanto zelo que nem olhava para as horas suplementares.

Até se comenta no vale de Vergy que em todos os anos, durante a noite de Natal, estranhos fogos faiscantes e espectros de sans-culottes fazem uma sarabanda por cima das ruínas do castelo.

Mas ninguém foi tão louco para ir verificar se isso é verdade.

(Fonte: Sophie e Béatrix Leroy d’Harbonville, “Au rendez-vous de la Légende Bourguignonne”, ed. S.A.E.P., Ingersheim 68000, Colmar, França, págs. 55-58)



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domingo, 5 de dezembro de 2021

O Menino Jesus do Espinho

Luis Dufaur
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Uma piedosa lenda de Natal conta que o Menino Jesus sentado num troneto brincou tecendo uma coroa de espinhos.

E um espinho machucou seu dedo indicador da mão direita.

Nesse momento, com ciência profética, Ele previu os sofrimentos que haveria de aceitar para redimir o genro humano.

Veja vídeo
CLIQUE PARA VIDEO:
o sonho do Menino
Jesus do Espinho
Em sua doçura de criança e na candura de sua inocência infinita Ele pressentiu as dores lancinantes de sua Paixão e Morte na Cruz.

Contemplou também a glória de sua Ressurreição.

escola de Murillo
Anteviu a Redenção da humanidade, o triunfo universal da Igreja e da Cristandade.

Na iconografia tradicional, o Menino Jesus do Espinho aparece sentado numa poltrona com braços de madeira, estofada em veludo vermelho, meditando sobre os futuros tormentos da Paixão.

Numa outra tela do célebre pintor espanhol Francisco de Zurbarán (1598-1664)  o Menino Deus contempla o dedo sangrando.

O rosto mais sereno parece velado pelo presságio do sofrimento vindouro trazido pela ferida.

Assim também e representado na tela da escola de Murillo.


Visite nossas páginas dedicadas ao Natal.

Anônimo sevilhano
É uma clara premonição da Paixão de Cristo, através de uma descrição suave e melancólica.

O contraste entre a inocência e a doçura da criança com o horror da tortura toca os mais nobres sentimentos dos fiéis.

E inspira uma meditação apropriada para o Advento, período litúrgico iniciado no último domingo de novembro, tempo penitencial que nos prepara para bem receber no Natal ao Menino Jesus.

A piedosa lenda tem, aliás, diversas narrações em volta do tema central.

No vídeo, oferecemos uma delas adaptada para a imagem.




Vídeo: o Menino Jesus do Espinho




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domingo, 13 de dezembro de 2020

São Nicolau: bispo inflexível que obteve o impossível

São Nicolau ressuscita um jovem, Ambrogio Lorenzetti.
Luis Dufaur
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QUANDO O SENHOR quis chamá-lo a Si, ele pediu-Lhe que lhe mandasse os seus anjos. 

Então, inclinou a cabeça, viu os anjos que se dirigiram a ele, e logo se deitou no chão, munindo-se com o crucifixo e, dizendo o Salmo “Em Ti, Senhor, esperei ...” até “nas tuas mãos”, e entregou o espírito, no ano do Senhor de 343, enquanto se ouvia a melodia dos coros celestes.

Foi sepultado num sepulcro de mármore; da cabeceira brotava uma fonte de azeite e dos pés uma fonte de água; e, até hoje, tem emanado dos seus membros um óleo sagrado que restituiu a saúde a muitos.

Sucedeu-lhe um homem bom que, por invejas, foi deposto da sua cátedra; desde que foi deposto, o azeite deixou de correr, voltando a fluir logo que para ela voltou a ser chamado.

Passado muito tempo, os turcos destruíram Mira, mas quarenta e dois soldados de Bari foram lá com quatro monges que lhes mostraram o túmulo de São Nicolau; abriram-no e levaram com toda a reverência os seus ossos, que nadavam em azeite, para a cidade de Bari, no ano do Senhor de 1087.

domingo, 6 de dezembro de 2020

São Nicolau padroeiro dos navegantes, inimigo do diabo e da idolatria, terror dos maus governantes

São Nicolau salva os marinheiros, Museu de San Marco, Florenca
Luis Dufaur
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CERTO DIA, alguns marinheiros que estavam em perigo, dirigiram-lhe por entre lágrimas esta oração:

‒ Nicolau, servo de Deus, se é verdade o que ouvimos a teu respeito, faz que agora o experimentemos.

Imediatamente lhes apareceu alguém parecido com ele, que lhes disse:

‒ Eis-me aqui, pois me chamastes!

E começou a ajudá-los nos mastros, nos cabos e nos outros aparelhos da nau, e logo a tempestade cessou. 

Depois, quando foram à sua igreja, reconheceram-no, embora nunca o tivessem visto nem alguém lho indicasse. Então deram graças a Deus e a ele pela sua salvação; o Santo, porém, ensinou-os a atribuir o milagre à misericórdia divina e à fé que haviam demonstrado, mas não aos seus méritos.

HOUVE TEMPO em que toda a região de São Nicolau foi assolada por uma fome tão grande que todos ficaram sem alimentos. 

Quando o homem de Deus ouviu que estavam no porto uns barcos carregados de trigo, foi logo lá e pediu aos marinheiros que lhe dessem, ao menos, cem moios [antiga unidade de medida] por cada nave, para matar a fome aos que estavam em perigo. Eles responderam-lhe: