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domingo, 16 de novembro de 2014

Os sete dons que Deus dá, os deu antes à sua Mãe

Nossa Senhora, Menino Jesus e Santos. Simone dei Crocefissi (Bolonha c. 1330 - 1399) Museu do Louvre
Nossa Senhora, Menino Jesus e Santos.
Simone dei Crocefissi (Bolonha c. 1330 - 1399)
Museu do Louvre

Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.

É desses sete dons que vos quero falar, e de como os deu à sua Mãe, de acordo com todos os que ouvi, para que sejam dispostos a servi-la, se guardem de pecar, que assim fazendo o bem fazem.

Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.

O primeiro destes sete dons é para saber como a Deus causar prazer; Àquele que Santa Maria teve em si, para Deus assumir n’Ela a carne com a qual nos julgará.

Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.

De entendimento muito grande é o segundo; mas esse Santa Maria teve em si, porque Deus fez d’Ela sua Mãe, e por meio d’Ele desde os céus sua graça nos envia a nós cá.

Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.

O terceiro é de conselho; com muita grande razão Santa Maria teve; pois de todas as mulheres que houve e haverá nenhuma teve tanta bênção de Deus como Ela teve, e nenhuma outra terá.

Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.

O quarto é a fortaleza; e Ela a teve em si tão grande, que o demônio perdeu seu poder desde o momento em que Deus se fez carne n’Ela e se fez homem.

Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.

O quinto é o dom de ciência, que a Virgem Santa Maria teve grande a ponto de responder bem quando o anjo lhe disse que ela seria Mãe de todo bem, e Ela disse: “Serei sua serva”.

Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.

O sexto é o dom de piedade e que Ela teve em tal grau que todos nas grandes tribulações apelam a Ela e apelarão, e porque em Santa Maria os pecadores têm uma advogada ante Deus, e assim por sempre será.

Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.

O sétimo destes dons é ter de Deus temor; esse teve a Gloriosa, mas sempre com amor; e por isso foi Ela a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus e Homem, que por sempre reinará.

Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.

Por isso, em virtude desses sete dons lhe devemos louvores e roguemos a Ela que nos faça perdoar por seu Filho nossos pecados, e nos evite cair, de maneira que em seu reino vivamos pelos séculos dos séculos.

Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.





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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

São Longino: a narração medieval do centurião que cravou a lança no costado de Jesus


São Longino no momento supremamente trágico de cravar a lança no Coração de Jesus
Procissão em Sevilha, Espanha

Longino foi o centurião (=chefe de cem homens) que, estando de pé com seus soldados perto da Cruz, furou o lado do Salvador com uma lança por ordem de Pilatos.

Mas vendo o sol se obscurecer e o terremoto, ele acreditou.

Passou a acreditar ainda mais quando, segundo relatam alguns autores, esfregando os olhos com o sangue de Nosso Senhor que corria pela lança, estes voltaram logo a enxergar.

Renunciou então à condição militar e, instruído pelos Apóstolos, passou vinte e oito anos na vida monástica em Cesárea de Capadocia, convertendo muitas pessoas à fé com sua palavra e seus exemplos.

Recusando-se sacrificar aos ídolos quando feito prisioneiro pelo governador, este mandou arrancar-lhe todos os dentes e a língua.

Longino, contudo, não perdeu o uso da palavra, e pegando num machado quebrou todos os ídolos dizendo:

São Longino, o centurião miraculado foi um dos primeiros propagadores da Fé de Jesus Cristo. Procissão nas Filipinas
São Longino, o centurião miraculadofoi um
dos primeiros propagadores da Fé de Jesus Cristo.
Procissão nas Filipinas
‒ “Vamos ver se estes são deuses”.

Os demônios saíram na mesma hora dos ídolos e entraram no governador e em todos seus companheiros.

Estes começaram então a praticar toda espécie de doidices, e pulando como cachorros foram prosternar-se aos pés de Longino.

O santo disse aos demônios: “Por que habitais nos ídolos?”.

Eles responderam: “Onde o nome de Cristo não está inscrito ou simbolizado, aí está nossa moradia”.

A Sagrada Lança está conservada na Sainte Chapelle de Paris
A Sagrada Lança está conservada
na Sainte Chapelle de Paris
O governador estava furioso e perdeu a visão. Longino lhe disse:

‒ “Sabe que não serás curado senão após ter-me matado. Com efeito, logo após receber a morte de tuas mãos, rezarei por ti e obterei a saúde de teu corpo e de tua alma”.

Então o governador mandou que cortassem a cabeça de Longino.

Em seguida foi até seu corpo, prosternou-se com lágrimas nos olhos e fez penitência.

Recuperou incontinenti a visão e a saúde, acabando seus dias na prática de boas obras.

(Fonte : “La Légende Dorée”, de Jacques de Voragine nouvellement traduite en français par l'abbé J.-B. M. Roze, Édouard Rouveyre, Éditeur, 76, Rue de Seine, 76, Paris, MDCCCCII).



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domingo, 19 de outubro de 2014

A espada de São Martinho

São Martinho de Tours. Museu de Cluny, Paris.
São Martinho de Tours. Museu de Cluny, Paris.

O Conde de Besalu era um valente que derrotou os mouros em muitas batalhas. Onde havia perigo, lá estava ele com seu exército, e não tardava em dar boa conta das turbas infiéis.

Um dia, estando em seu castelo, veio um de seus guardas dizer-lhe que sabia de boa fonte que os mouros subiam de Bañolas em direção a Santa Pau. Imediatamente o Conde reuniu os seus leais, e saiu para enfrentar os mouros e impedir-lhes o avanço.

Quando os encontrou, no mesmo instante arremeteu contra eles com o ímpeto que lhe era peculiar. Mas em pleno combate sua espada se quebrou. Não era o Conde homem que se conformasse vendo pelejar seus soldados, mas não lhe era possível seguir lutando desarmado.

Recordou-se então de que muito perto daquele lugar encontrava-se uma ermida dedicada a São Martinho. Abandonou o combate uns momentos, para dirigir-se a esse lugar. Uma vez ali, ajoelhou-se aos pés do Santo e lhe pediu, com todo o fervor, que ele o livrasse do apuro em que se encontrava.

Estava de joelhos, absorto na oração ao Santo, quando viu que a imagem deste se movia, e São Martinho, sacando sua espada, ofereceu-a ao Conde.

Levantou-se o cavaleiro, todo jubiloso, e para certificar-se do que seus olhos estavam vendo, esticou a mão para pegar a espada. Com firmeza a tomou, e depois de dar graças a Deus de todo o coração, saiu depressa em auxílio de seus homens, que estavam perdendo terreno.

Besalú, a cidade do milagre da espada de São Martinho de Tours
Besalú, a cidade do milagre da espada de São Martinho de Tours
Começou a distribuir golpes com sua espada à direita e à esquerda. Seus homens recobraram o valor que haviam perdido momentaneamente, e redobraram seus esforços. Em poucas horas jaziam mortos todos os mouros que haviam iniciado o combate contra a Santa Fé.

Os cristãos subiram então até Besalu. Quando chegaram a Colsatrapa, sentaram-se para descansar, enquanto contemplavam o panorama de Mirana y Mor. Os soldados elogiaram o Conde pelo seu valor.

Ele porém contestou, dizendo que São Martinho lhe emprestara a espada. Seus homens duvidaram, e ele, para provar a força da espada, deu um forte golpe numa pedra que havia ali, partindo-a em dois.

Essa pedra ainda existe. Hoje é conhecida por "Pedra Cortada".

(V. Garcia de Diego, "Antologia de Leyendas de la Literatura Universal" - Labor, Madrid, 1953, p. 92)


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domingo, 5 de outubro de 2014

Quem bem servir a Virgem irá ao Paraíso

Madonna, Lorenzo da Viterbo
Esta cantiga mostra como Santa Maria fez passar 300 anos ao monge depois do canto de um passarinho, pois acabava de pedir lhe fosse mostrado o bem que sentem as almas que estão no Paraíso.



“Quem bem servir à Virgem, irá ao Paraíso.”

Sobre isso quero vos contar agora um grande milagre que fez Santa Maria a um monge que sempre lhe pedia para ver o bem que há no Paraíso, e que ele o visse antes de morrer.

Veja o foi capaz de fazer a Gloriosa; fê-lo entrar num jardim já muitas vezes percorrido. Mas naquele dia fez que descobrisse uma fonte muito pura e formosa, e ele se sentou junto a ela.

E depois de lavar muito bem as suas mãos, disse: “Ah! Virgem, quando acontecerá de eu poder ver um pouco do gáudio do Paraíso que tanto Vos tenho pedido, antes de sair desta terra e assim eu saiba o galardão que teria aquele que pratica o bem?”

Assim que o monge acabou a oração, ouviu logo um passarinho que cantava tão belamente, que se esqueceu de tudo, e ficou ali a ouvir aquele maravilhoso som.

Ele encontrara tão grande prazer naquele canto e naquela canção que se passaram 300 anos ou mais, acreditando ter ficado por muito pouco tempo, como acontece com os monges quando visitam periodicamente o vergel.

Voou depois o passarinho, fato que lhe causou muita pena, e pensou: “Tenho de sair daqui, pois os meus irmãos de hábito vão querer saber onde eu estou”.

E assim tomou a trilha que o conduzia ao mosteiro. Ei que se depara com um grande pórtico que jamais tinha visto, e exclamou: “Valha-me Santa Maria!” É este o meu mosteiro? O que será de mim?

Em seguida entrou na igreja e grande foi o pavor que tiveram os monges quando o viram. O prior se dirige a ele e lhe pergunta: “Amigo, quem és tu e o que procuras aqui?”

Disse ele: “Procuro meu abade, que há pouco deixei e ao prior e aos frades dos quais me separei quando fui ao jardim; quem me poderá dizer onde estão?”

Quando o abade ouviu isso pensou tratar-se de um louco, mas ao saber bem o que tinha acontecido, disse: Quem ouviu tão grande maravilha como a que Deus fez a ele pelos rogos de sua Mãe, a Virgem de incomensurável valor?

E A louvemos por isto, pois quem A louvar, não louvará mais coisa alguma criada. “Por Deus que é muito justo fazê-lo, pois a garantia de tudo o que pedimos, Ele nos concede, e aqui ficou demonstrado o que nos há de ser dado”.

Video: Quem bem servir a Virgem irá ao Paraíso






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domingo, 21 de setembro de 2014

Réveillon tumultuado no castelo


Na manhã de Natal do ano de graça de 1212, a fortaleza de Vergy, situada sobre esta célebre e fantástica montanha, estava recoberta com um espesso manto de neve que lhe ficava muito bem.

No vasto pátio, a guarnição tinha aberto caminhos que conduziam às torres de defesa, aos prédios de serviço e aos grandes salões. Estas passagens conferiam à neve o ar de uma renda.

Do alto desse ninho de águia, a paisagem se mostra suntuosa. Os harmoniosos vales apareciam ainda mais suaves pela neve. Por todos os lados se viam aldeiazinhas feéricas de cujas chaminés se desprendiam dezenas de colunas fantasiosas de fumaça azulada e prazenteira.

Uma floresta de altas árvores rodeia o bastião, cada uma das quais se assemelhava a um grande candelabro de prata aceso para a festa.

Pelos caminhos que levam a Vergy grupos de cavalheiros e damas a cavalo chegavam dos castelos vizinhos. Eles pareciam quase desaparecidos entre suas roupagens de lã e seus veludos forrados com pele de raposa.

Seus narizes estavam vermelhos de frio, mas seus olhares brilhavam de alegria. Eram os convidados do Duque Eudes III e da duquesa Alix, que haviam decidido celebrar nesse Natal uma missa de ação de graças pelo nascimento de seu filho Hugo IV, acontecido na primavera.

Entre os visitantes que se dirigiam a Vergy havia um cortejo particularmente destacado: era o de Dom Arnaud II, abade de Cîteaux, grande personagem a quem o Duque pedira que prestigiasse com sua presença a cerimônia e celebrasse a missa pelo bebê.

Dom Arnaud aceitou. Uma escolta de cavaleiros e homens de armas deixou então a fortaleza para ir a seu encontro e trazê-lo por um bom caminho, garantindo ao mesmo tempo sua segurança contra os percalços de uma terra onde abundam os lobos e os bandidos de estrada.

Familiares e amigos começaram a se reunir. Assistidos por suas respectivas mães e sogras, Eudes e Alix acolhiam os convidados na grande sala do castelo.

Tudo estava previsto para que e o frio e as fadigas da viagem se desfizessem junto ao grande fogo da lareira. Vinhos quentes e calorosas palavras de boas-vindas faziam o resto.

Cada um tinha um quarto reservado segundo sua condição, tendo Dom Arnaud recebido a mais bela peça do alojamento destinado aos cônegos.

O crepúsculo foi deslumbrante. Os convidados subiram em grande número nas muralhas e para ver o disco vermelho desaparecer por trás das densas florestas da serra de Bruant. O pôr do sol de inverno naquela região é sempre feérico.

O céu transparente da noite deixou brilhar uma constelação de estrelas. O ambiente ficou sobrenatural, os portadores de tocheiros iam e viam, lançando suas sombras em movimento sobre as pedras e fazendo faiscar os cristais de neve.

Tocheiros foram instalados ao longo de todo o caminho que conduzia à capela, as velas foram acesas. Naquela noite, a pequena igreja românica ia estar cheia como jamais esteve.

Abriram-se as portas e o personagem mais importante entrou primeiro: o abade de Cîteaux, sem dúvida, seguido pelo Duque e a Duquesa, depois pelas babás Mahaut e Adeline que levavam o berço do futuro Hugo IV. Logo em seguida vinham a família, os amigos e os convidados. No fim as portas foram fechadas.

O clero e os coroinhas estavam reunidos detrás do altar. Os olhos de toda a assistência estavam postos naquele que era chamado na época de “Papa dos cistercienses”.

Ninguém prestou atenção num monge de hábito escuro escondido atrás de uma coluna da capela lateral. Um grande capuz ocultava-lhe a cabeça, mas um observador atento teria ficado surpreso contemplando na sombra seus olhares negros desprovidos de amenidade.

Ele tinha essas silhuetas flexíveis que permitem passar despercebido e parecia absorto em fervorosa oração.

O abade subiu ao altar e começou o Introito da Missa de meia-noite: “Dominus dixit ad me; filius meus es tu...”

No momento em que ele pronunciava essas palavras, uma rajada de ar quente apagou velas e candeias, inclusive a lâmpada a óleo que ardia dia e noite junto ao Santíssimo Sacramento.

Um murmúrio de surpresa percorreu a nave da igreja, mas o oficiante não perdeu seu sangue frio e continuou como se nada tivesse acontecido, enquanto o bedel reacendia os pavios.

Depois, precedido pela cruz processional e pelos coroinhas, o oficiante deixou o presbitério em direção à nave, cantando o Kyrie com os fiéis.

Mas, a meio-caminho suas pernas se recusaram ir mais longe, como se tivessem ficado de chumbo. Ele já não mais podia fingir desconhecer este segundo fenômeno.

Seu canto ficou afogado em sua garganta. Os fiéis estavam profundamente perturbados vendo nesses fatos maus presságios para o futuro Duque.

Não podendo avançar, o abade se viu obrigado a voltar para o altar. Ninguém observou que o abade tinha se detido exatamente à altura onde estava aquele monge em oração.

Porém, a Missa continuou, com os cantos gregorianos mais emocionantes que de costume. Não era para menos, pois entre os presentes havia valorosos cavaleiros que deram prova de sua bravura no sítio de São João d’Acre, por ocasião da Cruzada.

Chegada a hora da Elevação, todo mundo aguardava o toque da sineta para se ajoelhar sobre o chão de pedra. Mas por mais que o coroinha tocasse a sineta, som algum se ouvia!

Todos receberam a comunhão. Chegara por fim o momento de o bebê ser consagrado a Deus.

Contudo, uma trovoada interrompeu o abade, um relâmpago iluminou a igreja, e todas as lâmpadas apagaram-se de novo. Uma luminosidade amarela e um odor de enxofre escaparam da capela lateral.

Desta vez a desordem atingiu um auge: os guardas abriram as portas, e a multidão, que não mais aguentava, precipitou-se para fora.

Vários guardas foram atropelados e jogados por terra por um ser impetuoso cuja sombra gigantesca enveredou pelo caminho do Grande Rochedo.

Como anfitrião cônscio de seus deveres, o duque Eudes deu ordens para que os convidados fossem conduzidos logo para a grande sala de jantar onde o festim estava preparado.

Entretanto ninguém tinha fome, nem ousava levantar o olhar ou romper o silêncio.

Por fim, Dom Arnaud se animou a falar: com sua voz forte e sempre calma, ele explicou o que tinha acontecido, não sem antes dar sua bênção.

Ele disse que essas manifestações provinham de Lúcifer, o qual durante muito tempo viveu em Vergy disfarçado no triste cavaleiro Rodolfo, aquele que dizia vir das margens do Reno e que tentara seduzir em vão Margarita de Vergy.

Desde então ele manifesta seu despeito agindo em torno da fortaleza.

Dom Arnaud prometeu celebrar uma Missa de exorcismo no dia seguinte.

Novamente aberta a capela, descobriu-se que as lajes da capela lateral estavam completamente carbonizadas.

Nos anos que se seguiram os visitantes vinham vê-las, com um misto de curiosidade e temor.

Essa estranha noite de Natal continuou a correr de boca em boca durante muito tempo na Borgonha.

Mas o demônio achava que não tinha desabafado todo seu ódio contra a poderosa fortaleza de Vergy.

E encontrou um instrumento no rei Henrique IV, que foi um caudilho protestante nas guerras de religião.

Esse rei ordenou destruir o castelo. Ao canteiro da demolição viu-se então chegar um homem extremamente alto, de força hercúlea, que assumia trabalhos desmesurados; destruía com tanto zelo que nem olhava para as horas suplementares.

Até se comenta no vale de Vergy que em todos os anos, durante a noite de Natal, estranhos fogos faiscantes e espectros de sans-culottes fazem uma sarabanda por cima das ruínas do castelo.

Mas ninguém foi tão louco para ir verificar se isso é verdade.

(Fonte: Sophie e Béatrix Leroy d’Harbonville, “Au rendez-vous de la Légende Bourguignonne”, ed. S.A.E.P., Ingersheim 68000, Colmar, França, págs. 55-58)



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