Outras formas de visualizar o blog:

domingo, 27 de julho de 2014

“De muitas formas Santa Maria favorece àqueles que são dEla”

Nossa Senhora de Cluny Abadia Saint Denis, Paris
Nossa Senhora de Cluny
Abadia Saint Denis, Paris
Cantiga 299 do rei de Leão e Castela Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María
Como Santa Maria apareceu a um frade e lhe ordenou dar ao rei a imagem dEla que ele levava

Sobre isso eu queria vos mostrar um milagre, e vos peço ouvir-me com boa atenção, pois por meio dele vos ensinarei a servir Àquela que é um prodígio de bem.

Isto aconteceu a um rei que servia a essa Senhora em tudo quanto podia e se aprazia grandemente louvando-A: por isso lhe aconteceu quanto vos narrarei.

Um frade da Ordem da Estrela levava em seu peito uma imagem em marfim da Virgem que nos guia com seu Filho nos braços (Santa Maria de Espanha), na qual ele tinha muita fé.

Uma noite, deitado em seu leito e já adormecido, viu vir a Mãe de Deus que lhe dizia:

— ”Por que é que levas essa imagem, é um disparate levá-la; vai procurar o rei e a dá a ele de presente; isso me aprazeria muito e farias muito bem nessa obra”.

Tendo dito isso, Ela se afastou, e o frade contou o fato aos outros irmãos que replicaram:

— “Isso é um sonho que não faz sentido”.

Mas ele, ouvindo isso, ficava cada vez mais decidido a dá-la ao rei, e após se repetir o fato três vezes, Ela veio lhe dizer com grande despeito:

— ”Como ousas não dar ao rei aquilo que Eu te mandei dar, e que Eu te agradeceria? Dá a ele, se não sairás prejudicado”.

O frade, antes de completar o terceiro dia, foi contar o acontecido a seu mestre e superior, que lhe disse:

— ”Foi estúpida tua resistência; essa imagem não te convém. Ela está bem para um rei; por isso aconselho-te que lha dês, pois ele saberá honrá-la devidamente, e procura para ti uma mais apropriada”.

E o frade saiu procurando o rei, que estava ouvindo missa.

Tendo-o achado, deu-lhe a imagem, pelo que o rei muito se alegrou de verdade, e, levantando-a com as duas mãos, agradecia-lhe pelo sucedido, abençoava seu santo nome, dizendo: “Bendita sejas, amém”.





CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 20 de julho de 2014

As lendas medievais apresentam o verdadeiro aspecto de Nossa Senhora: a bondade sem limites de uma Mãe

Os devocionários medievais e as lendas sobre a devoção a Nossa Senhora na Idade Média, incluem algumas verdadeiras e outras imaginadas.

Mas todas elas apresentam a graça e a gentileza especial de Maria Santíssima no trato com as almas, de modo indizivelmente ameno e interessante.

Então, não nos interessa saber se o fato narrado é verdadeiro no que se refere à parte dos homens, porque a verdade está naquilo que o conto mostra de verdadeiro a respeito de Nossa Senhora.

Portanto, embora sejam lendas, como são teológicas e mariais, fazem-nos sentir bem quem é Nossa Senhora.

Por exemplo, a história de um menino órfão da Idade Média que tinha uma vontade enorme de ver Nossa Senhora e dava tudo para obter isto, ainda que tivesse de ficar cego.

Então, Nossa Senhora lhe fez saber que obteria a graça de vê-lA se ele aceitasse ficar cego de um olho.

Ele aceitou.

Então, Nossa Senhora lhe apareceu numa formosura resplandecente, imensamente bondosa, régia, condescendente, e ele ficou extasiado.

Quando a visão se dissipou, verificou que estava cego de um olho, não dos dois, e desmaiou. Após acordar, ficou com aquela nostalgia de Nossa Senhora…

Novo pedido e a pergunta: você consente em ficar cego do outro olho?

Ele ficou naquela dúvida…

– Consinto! Eu tenho tanta vontade de vê-La mais uma vez, que eu consinto em ficar cego do outro olho!

Então Nossa Senhora lhe apareceu, falou com ele, e quando a visão se dissipou, estava com os dois olhos em perfeito estado!

LEIA A HISTÓRIA COMPLETA EM:

* Um olho por minha Mãe

VEJA TAMBÉM AS CANTIGAS DE SANTA MARIA. CLIQUE AQUI

Eu não me interesso em saber se o fato é verdadeiro, porque o que eu sei é que Nossa Senhora é assim!

Ou seja, Ela pode nos fazer passar por um certo apuro para provar o amor e portanto tirar uma vista e fazer passar por estas angústias.

Mas em última análise Ela acaba sorrindo e, passando pelas necessárias provações, tudo se termina bem com um Seu sorriso.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira excerto de uma palestra de em 18-05-1964, sem revisão do Autor)



CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 29 de junho de 2014

O violinista pobre de Cracóvia

A igreja de São Salvador, em Cracóvia, Polônia.
A igreja de São Salvador, em Cracóvia, Polônia.

A igreja de São Salvador, no bairro de Zwierzyniec de Cracóvia, existe há 900 anos.

Ela teria sido construída pelo príncipe soberano Piotr Wlast, fundador legendário de 77 igrejas.

O arcebispo de Cracóvia lhe havia predito que ele recuperaria a visão, caso fundasse sete igrejas e três conventos.

Cheio de presunção, o soberano decidiu construir 70 igrejas e 30 conventos, dez vezes mais do que pediu o arcebispo. Porém, não recuperou a vista.

Ele recapitulou o que tinha feito e compreendeu seu pecado de orgulho.

E começou então a construir as sete igrejas e três mosteiros ordenados, entre os quais a igreja de São Salvador, fundada por volta do ano 1148.

Lá há um velho quadro que representa a Crucifixão. O singular é que o Crucificado está vestido com longas roupagens suntuosas e calçado com ricas sandálias.

Um dia viu-se um pobre violinista se ajoelhar, com as mãos elevadas ao alto, aos pés do Crucificado.

Ele rezava com fervor e, pegando seu filho, o alçava até o crucifixo. Ele não podia sair para trabalhar, pois criava sozinho seu filho e não podia deixá-lo sem companhia.

Os dois viviam na miséria, mas eram felizes. Até o dia que a criança adoeceu gravemente.

O violinista não tinha dinheiro para curar o menino. Voltou então até a Cruz, ajoelhou-se, e tocando seu violino com emoção, contou a Jesus seu desespero.

O milagre aconteceu. Uma das preciosas sandálias deslizou do pé do Crucificado e caiu no violinista.

Ele agradeceu a Deus, pegou a sandália e foi até a Praça do Mercado para trocá-la por dinheiro.

O violinista pobre de Cracóvia recebe a sandália
O violinista pobre de Cracóvia recebe a sandália
Mas os comerciantes viram essa mercadoria preciosa e chamaram os guardas denunciando um roubo.

Nem os comerciantes nem os guardas podiam acreditar que o próprio Jesus lhe tinha dado a sandália para salvar seu filho único.

O Conselho Municipal tampouco acreditou em suas palavras e naquela noite mesmo ele foi condenado à morte.

O violinista não conseguia convencer ninguém. A execução devia acontecer na manhã do dia seguinte.

Mas, como estipulava a tradição, ele tinha direito a um último desejo. A assembleia ficou pasma quando ele pediu para ir tocar seu violino uma derradeira vez, antes de morrer, diante de Jesus na Cruz.

Na madrugada, e na presença de muitos curiosos, o violinista se ajoelhou diante do Crucifixo e executou sua música enquanto chorava.

Todo mundo entendeu a extensão do desespero de um pai.

E, diante dos olhos de todos, a outra sandália caiu em suas mãos.

O Salvador tinha ouvido novamente suas orações.

Imediatamente o violinista foi liberado. Algum tempo depois, um pintor eternizou o testemunho da misericórdia divina num quadro que ainda hoje está posto no muro.

Durante as guerras, o Crucifixo foi levado embora. Mas o quadro do Cristo com o violinista continua sempre no altar da igreja de São Salvador.

(Fonte: “Légendes de Cracovie”, Wydawnictwo Wam, Cracóvia, 1972, p. 50 a 53)



CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 15 de junho de 2014

O anel de Santa Cunegunda

Santa Cunegunda, capela de Nossa Senhora, Budapest, Hungria
Santa Cunegunda, capela de Nossa Senhora, Budapest, Hungria
O príncipe Boleslau V o Casto procurava uma esposa em algum país vizinho.

Tinha que ser uma princesa e o casamento se decidia na base de cálculos políticos.

Foi assim que ele decidiu casar-se com a princesa Kinga, ou Cunegunda (1224-1292), filha do rei da Hungria.

Ela era a filha bem-amada do rei Bela IV e de Santa Isabel da Hungria, e irmã de Santa Margarida da Hungria.

A bela princesa húngara deu sua mão ao príncipe polonês.

Ela tinha um espírito fino e esclarecido, e pediu a seu pai um dote fora do comum. Contudo não pediu ouro nem dinheiro, nem belos panos, mas um presente que contribuiria muito para a prosperidade de sua nova pátria.

Naquela época o sal era um elemento raríssimo e o rei Bela ofereceu à filha uma das minas de sal que faziam a riqueza da Hungria.

Porém, a mina ficava muito longe da Polônia e a princesa percebia que seria difícil tirar proveito dela.

Ela foi, então, visitar a mina e decidiu levá-la consigo até sua futura pátria.

Para isso, arrancou inesperadamente um anel precioso de sua mão e jogou-o no poço mais fundo da mina, invocando São Francisco e Santa Clara de Assis.

Pouco tempo depois Cunegunda partiu para a Polônia escoltada por cavaleiros poloneses e húngaros.

Os primeiros meses que ela passou no castelo real de Cracóvia lhe fizeram descobrir e experimentar sua nova vida e seus novos servidores pobres e sacrificados.

Santa Cunegunda na mina de sal de Wieliczka
Santa Cunegunda na mina de sal de Wieliczka
Quanto mais passava o tempo, mais ela compreendia que era preciso fazer algo para a felicidade de seus vassalos.

Certo dia, ela pediu a seu esposo licença para procurar um lugar onde cavar para tirar o sal.

No dia seguinte, um grande cortejo acompanhou o casal real, que deixou a cidade e se deteve pela noite na pequena aldeia de Wieliczka, perto de uma floresta.

Cunegunda decidiu intuitivamente que não era necessário ir muito mais longe. Era ali que era preciso escavar. Os trabalhos começaram pela manhã.

Não se sabe ao certo quanto demoraram até acharem os primeiros blocos de sal. O fato é que a jovem rainha acompanhava os trabalhos de perto.

Ela até entrou no poço e acabou saindo alegremente com as primeiras pedras de sal.

Um dia, a soberana percebeu que entre os blocos de sal havia uma coisa que brilhava.

Cunegunda se inclinou, afastou a poeira e recuperou o anel que tinha jogado na mina de Hungria invocando seus padroeiros franciscanos.

Capela de Santa Cunegunda na mina de sal de Wieliczka
Capela de Santa Cunegunda na mina de sal de Wieliczka
Era bem o mesmo, o anel oferecido outrora por seu pai em sua terra natal.

Então ela ficou bem segura. Havia escolhido o local certo para tirar o sal.

Desde então o sal da mina de Wieliczka trouxe muita riqueza para Cracóvia e para a Polônia inteira.

Mas Cunegunda não deixava de procurar meios para tornar seu povo sempre mais próspero.

Ocupava-se cuidadosamente dos vassalos e fazia muita caridade.

Após a morte do rei seu marido, Cunegunda se retirou para um mosteiro fundado por ela mesma em Nowy Sacz e adotou o hábito de religiosa.

Lá ela dorme o sono da bem-aventurança eterna.

Muitos anos depois foi canonizada. E Santa Cunegunda é hoje uma das padroeiras da Polônia e da Lituânia.

(Fonte: “Légendes de Cracovie”, Wydawnictwo Wam, Cracóvia, 1972, p. 32 a 35)



CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 1 de junho de 2014

O pífaro dos Reis, e Natan o lenhador


Gaspar, Belchior e Baltazar iam seguindo a estrela que os conduzia a Belém.

Acamparam, uma noite, perto de uma cabana e pediram hospedagem.

Natan disse-lhes que apenas tinha para sua família, mas que lhes causava pena vê-los expostos ao mau tempo.

Mandou que entrassem, em seguida trouxe-lhes umas braçadas de capim seco para que lhes servissem de cama.

No outro dia, ao despedirem-se de Natan, disseram-lhe os Magos:

— Olha! Não temos dinheiro, mas deixamos-te esta singela lembrança.

E Baltazar entregou-lhe um pífaro (pequena flauta), dizendo:
— Toca-o, e os teus desejos se cumprirão. Será para ti uma fonte de riquezas enquanto tratares bem os pobres.

Tendo partido os Reis, disse Natan à esposa:
— Disseram que não tinham dinheiro, e eu o vi em tamanha abundância! E ainda me pagaram com uma flauta.
— Mas eles não te disseram que a tocasse, que se cumpririam os teus desejos?
— Ah! Isso é verdade! Vamos experimentar.

domingo, 18 de maio de 2014

Os pombos da Praça do Mercado


A Praça do Mercado é o coração palpitante de atividade de Cracóvia.

Sua história é milenar e transcorre aos pés da grande igreja de Nossa Senhora.

Entre igrejas, palácios, casas burguesas, lojas populares e carruagens puxadas por cavalos, voam pombas em quantidades notáveis.

De onde vieram? Como chegaram até lá? Por que ficam nessa praça? Aguardam alguma coisa?

Os habitantes de Cracóvia os amam especialmente. Por quê?

No fim do século XIII, o príncipe Henrique IV, o Probo, estava instalado no trono de Cracóvia.

Porém, ele não era rei, uma vez que a Polônia estava dividida em vários principados autônomos sem um monarca que os reunisse.

O príncipe Henrique queria reuni-los todos de novo sob um só soberano.

domingo, 4 de maio de 2014

Os três pássaros de argila

Santa Maria dos Reis, Laguardia, Espanha
Santa Maria dos Reis, Laguardia, Espanha

Antigamente o lago de Tiberíades não tinha esse nome. Foi somente algum tempo depois do fato que eu vou contar, que o filho do cruel Herodes construiu às suas margens a cidade que ele chamou Tiberíades, para fazer a sua corte.

O belo lago chamava-se Kinnereth, que quer dizer harpa, porque seus contornos harmoniosos dão exatamente a forma do instrumento musical tão familiar ao rei David.

Naqueles dias, após uma grande tempestade na montanha, caía a tarde e o vento levava a última nuvem. O lago retomava sua calma habitual, e os numerosos pássaros que o visitam freqüentemente — corvos-marinhos, pelicanos, gaivotas, alciões, martins-pescadores — haviam, do modo mais belo, começado seus vôos e seus cânticos.

Na aldeiazinha de Nazaré, três crianças brincavam numa estrada, muito ocupadas em construir uma parede ou barragem para conter a água do caminho. Depois, assim que esboçaram um pequeno lago parecido com o Kinnereth, tiveram a idéia de povoá-lo também de pássaros — pássaros de argila, claro.

Um deles fez qualquer coisa disforme, que tinha a pretensão de assemelhar-se a esses belos corvos-marinhos de grandes asas, que vêm de longe para caçar seus peixes. O outro procurava transformar seu barro em pelicano, e fazia grande esforço para manter equilibrada a cabeça enorme e a bolsa suspensa ao pescoço. O terceiro aperfeiçoava, com a delicadeza de suas mãozinhas, uma gaivota colocada na margem.

Entretanto anoiteceu. A Lua já se fazia ver, e as primeiras luzes se acendiam na aldeia. Indiferentes à escuridão que os envolvia, os meninos prosseguiam seus delicados trabalhos, Mas de repente ouviu-se uma voz chamando alguém:
— Lucas!
Lucas, que pela segunda vez tentava equilibrar o bico do corvo-marinho sobre o bastão que lhe servia de pescoço, estava muito entretido em seu trabalho, para responder ao chamado.
— Lucas! Lucas! Lucas! — repetiu a voz.

domingo, 20 de abril de 2014

A ponte e a haste da Cruz


Conta-nos uma lenda de antanho que, a um homem que deveria fazer grande jornada, deram a carregar pesada cruz, dizendo-lhe que ela o levaria à salvação.

Tendo feito pequena parte do trajeto, vencido e desanimado pelo cansaço, deliberou ele cortar um pedaço da longa haste de sua carga.

Mais aliviado, pôs-se de novo a caminho, e jornadeou até o ponto em que a estrada subia por uma encosta longa e pedregosa.

Ali sentiu mais o peso da cruz.

Doíam-lhe os ombros, tinha as pernas trôpegas, arfava e suava.

Na irreflexão da impaciência, pôs o seu fardo no chão, e outra vez o mutilou.

Partiu. Alcançou o sopé do outeiro, e se viu às margens de um rio sem ponte.

Só então observou que outros viajantes ali chegados levavam também pesadas cruzes de longas hastes.

domingo, 6 de abril de 2014

O trombeteiro de Nossa Senhora

Igreja de Nossa Senhora, Cracóvia, Polônia
Conta-se até no longínquo Cazaquistão uma história ligada à mais alta torre da igreja de Nossa Senhora em Cracóvia.

Com 81 metros de altura, ela é conhecida como a Torre da Guarda. Ainda hoje é o ponto mais alto da cidade.

A vida nunca foi fácil em nenhuma parte, mas era especialmente difícil nos inícios da Polônia.

As cidades da Europa Central eram atacadas por hordas de bárbaros pagãos vindos da Mongólia, acumpliciados por vezes com aliados locais.

Em face do perigo, os conselheiros municipais de Cracóvia decidiram que um guarda ficaria sempre a postos no alto da torre de Nossa Senhora.

Do alto, ele alertaria os habitantes tão logo visse os mongóis se aproximarem.

Durante muitos anos, os guardas cumpriram sua missão a contento, alertando os habitantes da cidade diante das ameaças.

domingo, 23 de março de 2014

Santa Maria, Senhor

Nossa Senhora com o Menino Jesus, Rottenbuch, Alemanha
Nossa Senhora com o Menino Jesus, Rottenbuch, Alemanha
Cantiga 350 do rei de Leão e Castela Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María
ESTA É EM LOUVOR DE SANTA MARIA

Santa Maria, Senhor,
valei-nos onde mister for.

E valei-nos, Santa Maria,
pois precisamos que nos valhas,
pois tu por nos noite e dia
com o diabo disputas
e ainda penas
para encobrir nossas faltas,
e por nos dar alegria
com Deus sempre trabalhas,
pois tu es advogada
do povo pecador.
Santa Maria, Senhor,
valei-nos onde mister for.

domingo, 9 de março de 2014

O cavalo Lajkonik

A parada de Lajkonik se repete todos os anos em lembrança do épico feito
A parada de Lajkonik se repete todos os anos em lembrança do épico feito

Durante a Idade Média, a cidade polonesa de Cracóvia foi ficando cada vez mais bela e brilhante. Para ela se voltavam os povos vizinhos.

Foram assim nascendo em torno dela aldeias e cidadezinhas que viviam dependentes de sua riqueza, arte e comércio.

Uma dessas cidadezinhas que deitou raízes na beira esquerda do rio Vístula chamava-se Zwierzyniec.

Ela era habitada por barqueiros que transportavam mercadorias e toras pelo rio.

O trabalho não era fácil e pedia muito sacrifício, coragem, força e resistência nas dificuldades.

Eles não sabiam, mas certa vez uma horda tártara planejou atacar Cracóvia, aproveitando que durante o dia suas portas ficavam abertas.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Como a mãe de Cristo, São João Evangelista e São Francisco disseram a Frei Conrado qual deles sofreu maior dor da paixão de Cristo

Ordem Terceira de São Francisco, São Paulo, altar mor.
Ordem Terceira de São Francisco, São Paulo, altar mor.
No tempo em que moravam juntos na custódia de Ancona, no convento de Forano, Frei Conrado e Frei Pedro os quais eram duas luzentes estrelas na província da Marca e dois homens celestiais.

Entre os dois havia tanto amor e tanta caridade, que parecia terem ambos o mesmo coração e uma mesma alma.

E se ligaram por este pacto: que qualquer consolação que a misericórdia de Deus lhes desse, deviam revelar um ao outro por caridade.

Firmado entre ambos este pacto, sucedeu que um dia estava Frei Pedro em oração e pensando devotamente na paixão de Cristo.

E como a Beatíssima Mãe de Cristo e São João, diletíssimo discípulo, e São Francisco estivessem pintados ao pé da cruz, pela dor mental crucificados com Cristo, teve ele o desejo de saber qual dos três tinha sofrido dor maior com a paixão de Cristo.

Se a mãe, que o tinha gerado, ou o discípulo, o qual havia dormido sobre o peito, ou São Francisco, que com ele estava crucificado.

E permanecendo nesse devoto pensamento, aparece-lhe a Virgem Maria com São João Evangelista e com São Francisco, vestidos de nobilíssimas vestes de glória bem-aventurada; mas São Francisco parecia vestido de vestes mais belas do que S. João.

E estando Frei Pedro todo espantado com esta visão, S. João o confortou e disse-lhe:

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A espada de Cracóvia

As duas torres da igreja de Nossa Senhora
As duas torres da igreja de Nossa Senhora
Na praça central de Cracóvia, Polônia, ergue-se rumo aos céus a suntuosa igreja de Nossa Senhora.

Ela é tão bela, tão grande e tão bem localizada, que muitos ficam convencidos de que é a catedral da cidade.

Entretanto a catedral, também magnífica, fica na cidadela de Cracóvia, conhecida como Wawel, junto ao Palácio Real e outros prédios históricos admiráveis.

A igreja de Nossa Senhora começou a ser construída por volta de 1220 sobre os fundamentos de um antigo templo em estilo românico várias vezes reformado e que era a igreja principal da Praça do Mercado.

Ela apresenta duas torres de altura vertiginosa, coroadas por dois maravilhosos conjuntos de torrezinhas e agulhas muito diferentes, aliás, em cada torre principal.

A mais alta é conhecida como Torre da Guarda e do alto dela trombeteiros que se revezam anunciam ininterruptamente a hora, de dia e de noite, em direção dos quatro cantos principais da cidade.

A menos alta é chamada a Torre dos Sinos, pois nela há um imenso sino que, segundo uma outra lenda, no século XV foi levado até o topo por Stanislas Ciolek, um homem de força inaudita.

Por que as duas torres têm alturas diferentes?

Quando as autoridades municipais de Cracóvia decidiram reformar a igreja e elevar duas torres colossais, escolheram dois irmãos.