domingo, 17 de maio de 2015

A lenda de São Goar e o colar de Carlos Magno

São Goar




São Goar foi sacerdote e confessor na cidade de Tréveris (Trier). Sua festa litúrgica, inscrita no Martírológio Romano, comemora-se a 6 de julho. Exerceu grande influência moral na região que vai desde Estrasburgo, na França, até Nimega, na Holanda.

Uma pequena cidade situada às margens do Reno, na Alemanha, leva o nome do Santo. É aí que se pode ouvir o relato de sua lenda.

São Goar era contemporâneo de Carlos Magno, e em consequência assistiu à luta do grande Imperador contra os infiéis. Portanto muito tempo o Santo lamentava amargamente não poder ajudar o filho de Pepino de outro modo, a não ser com suas orações.

São Goar era não somente eremita, mas também barqueiro. Ele estava tomado por essa pena ao ir recolher um viajante na margem direita do Reno, que lhe tinha feito sinais para vir erguê-lo. Nisso, subitamente, veio-lhe uma ideia que lhe pareceu ser de tal maneira uma inspiração do Céu, que resolveu colocá-la em execução no mesmo instante.

Com efeito, assim que São Goar chegou com o viajante ao meio do Reno, ou seja ao ponto onde o rio é mais rápido e profundo, parou de remar e perguntou a seu passageiro de que religião era.

Tendo tomado conhecimento de que estava diante de um herege, deixou o remo, jogou-se sobre ele, batizou-o de uma vez em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo. Em seguida, de medo de que um Batismo assim ministrado perdesse seu efeito salutar, jogou o novo convertido no rio, que o conduziu diretamente ao Paraíso.

O rio Reno na altura de São Goar
O rio Reno na altura de São Goar
Na mesma noite, a alma do afogado apareceu a São Goar e, em vez de lhe fazer censuras sobre a maneira um pouco brutal pela qual o havia forçado a sair deste mundo, agradeceu por haver-lhe alcançado a felicidade eterna.

Não foi preciso mais ao Santo, dadas suas disposições naturais, para lançá-lo nesta nova via apostólica. Assim, a partir daquele memento, poucos dias não foram marcados por alguma nova conversão.

Quando prestava serviço a um católico, pelo contrário, São Goar não se contentava em fazê-lo atravessar o Reno, conduzia-o a sua ermida e lá partilhava com ele os dons que a piedade dos fiéis ali deixava com uma prodigalidade que, aumentando de hora em hora, provava que a reputação do Santo crescia a olhos vistos.

Ora, aconteceu que essa grande reputação chegou até Carlos Magno, que apreciou o meio de conversão adotado por São Goar, e resolveu não deixar um tão poderoso auxiliar sem recompensa.

Ele foi, então, como simples forasteiro para passar o Reno, e tendo feito o sinal de costume, viu chegar até ele o bom eremita. Mas seu desejo de passar o rio incógnito ficou sem resultado, pois Deus tinha gravado em sua fisionomia uma tal majestade, que São Goar reconheceu-o antes mesmo que tivesse posto o pó na barca.

Semelhante hóspede devia deixar marca de sua passagem. Assim, chegando à outra margem, e tendo bebido um vinho que lhe pareceu agradável, Carlos Magno pediu informações sobre a terra que o produzia, e, tomando conhecimento que estava à venda, comprou-a e fez dela presente para o eremita, prometendo enviar-lhe também um barril e um colar.

Efetivamente, algumas semanas depois da passagem do Imperador, São Goar recebeu os dois objetos prometidos. Ambos eram milagrosos e cada um tinha uma propriedade peculiar. O barril permanecia, sempre cheio, contanto que não se tirasse vinho a não ser pela torneira.

Carlos Magno
Quanto ao colar, era algo bem diferente. Na expansão do contacto pessoal, São Goar se tinha queixado a Carlos Magno da má fé dos infiéis, que agora, sabendo dos hábitos de São Goar, em vez de confessarem sua heresia, respondiam pura e simplesmente que eram católicos, atravessavam o rio protegidos por este titulo e, quando estavam na outra margem, bebiam seu vinho e iam embora zombando dele. Não havia remédio para isso, sendo que nada se assemelhava tanto a um católico como um infiel que fazia o sinal da Cruz .

Era este inconveniente que o Imperador Carlos havia prometido obviar, e foi para cumprir sua promessa que enviou o colar.

Com efeito, o colar tinha uma virtude peculiar: apenas tocava a pele, sentia de quem se tratava:
– Se era um católico, permanecia no seu statu quo, e deixava passar tranquilamente o vinho da boca ao estômago;
– Se era um infiel, apertava-se imediatamente até ficar reduzido à metade, de sorte que o bebedor soltava o copo, punha a língua e revirava os olhos. Então, São Goar, que ficava perto dele com uma taça cheia d'água, batizava-o prontamente, e o sistema voltava ao que era antes.

Eram portanto dois presentes inapreciáveis e bem pensados para estarem juntos: o barril e o colar.

São Goar percebeu o valor desse dom. Assim, não só durante toda a sua vida fez uso dele, mas ainda ordenou aos monges ― que se tinham reunido em torno dele, e que ainda em sua vida haviam fundado uma abadia, da qual ele era o superior ‒ de fazerem uso dele depois de sua morte.

Os monges não se omitiram, e o colar e o barril milagrosos atravessaram séculos conservando seu poder.


(Fonte : Alexandre Dumas, « Excursions sur lés bords du Rhin - Impressions de Voyage », Calmann-Levy Editeurs, Paris, Tomo II, pp. 49 a 56).


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domingo, 3 de maio de 2015

O Rei Midas: o avarento que morreu de fome

Tudo o que tocava virava ouro... até morrer de fome!!!
Tudo o que tocava virava ouro... até morrer de fome!!!



Narra a mitologia que o rei Midas era muito avarento.

Por ter tratado bem a Sileno, seu prisioneiro, recebeu dos deuses a grande recompensa de converter em ouro tudo quanto sua mão tocasse. Uma bela fortuna, não é verdade?

Fora de si de contente, aquele rei tocou seu bastão, e o bastão se converteu em ouro cintilante.

Tocou a parede, e a parede tornou-se num bloco de ouro preciosíssimo. No palácio real, tudo agora era ouro.

O rei assentou-se à mesa para o jantar. A sopa, apenas lhe tocou os lábios, tornou-se ouro. O pão, a carne, tudo ouro.

De sorte que Midas não pôde tomar alimento algum, e depois de alguns dias ia morrendo de fome, embora rodeado de ouro.

Assim diz a fábula. Mas eu vos digo, em outro sentido, que também nós possuímos um meio de converter em ouro — isto é, em mérito preciosíssimo — todas as nossas obras.

Esse meio é: conformar sempre e em tudo a nossa vontade com a vontade de Deus.


(Pe. Francisco Alves, C.SS.R., "Tesouro de Exemplos" - Vozes, Petrópolis, 1953)


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domingo, 5 de abril de 2015

A catedral de Lund




Em Zchonen, cidade universitária e primeiro arcebispado da Escandinávia, ergue-se formosa catedral romana.

Debaixo do coro, abre-se grande e bela cripta. Dizem todos que a igreja nunca será terminada, que sempre faltará alguma coisa, e que o motivo é este:

Quando São Lourenço chegou a Lund, a fim de pregar o Catolicismo, desejou construir uma igreja, mas carecia dos meios necessários e não sabia onde arranjá-los.

Pensando constantemente no seu objetivo, teve um dia a surpresa de ver na sua frente um gigante, que se ofereceu para em pouco tempo erguer o templo, contanto que São Lourenço adivinhasse o seu nome antes do fim.

Se não o conseguisse, o gigante receberia como prêmio da aposta o Sol, a Lua ou os olhos do santo. Este, confiando em Nossa Senhora, não teve o menor receio e aceitou a imposição.

Iniciou-se a construção, e dentro em pouco o templo estava quase pronto.

São Lourenço, pensando tristemente em como descobrir o nome do gigante, pois evidentemente não queria de maneira nenhuma desfazer-se dos seus olhos, tão necessários para a glória de Deus.

Um dia, percorrendo as ruas da cidade, sentiu-se cansado e resolveu sentar-se na encosta de uma colina.

Do interior da colina chamou-lhe a atenção o pranto de uma criança e a voz de uma mulher que cantava:
— Durma bem, durma bem, filhinho meu, que amanhã regressa o bom Finn, seu pai, e você brincará com o Sol ou a Lua, ou então com os olhos de Lourenço.

O santo, ouvindo aquilo, alegrou-se imensamente. Sabia, por fim, o nome do gigante. Imediatamente voltou para a igreja, e viu o gigante sentado já no teto, preparando-se para colocar a última pedra.

Gritou-lhe:
— Ó Finn, coloque bem a última pedra!

O gigante, enfurecido, atirou a pedra para longe, afirmando que a igreja jamais ficaria terminada, e desapareceu. A partir daquele dia, falta na igreja sempre alguma coisa.

(A. Della Nina, "Enciclopédia Universal da Fábula": Contos da Suécia - Editora das Américas, SP, 1957)


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domingo, 22 de março de 2015

O grão de trigo

Germinação do trigo



Num dia de outono, triste e frio, saiu um homem a semear. Levando no braço esquerdo o saco de grãos, caminhava lentamente. A cada passo lançava um dos grãos — belo trigo, sadio e redondo — e os grãos caíam, rolavam e se escondiam na terra negra e arejada.

Aconteceu que um grão de trigo se achou de repente sozinho, entre dois torrões de terra preta e úmida. E o grãozinho ficou muito, muito triste. Tudo estava escuro e úmido, e a escuridão e a umidade aumentavam cada vez mais, pois o nevoeiro se transformara numa chuvinha enfadonha, ao aproximar-se a noite. Dava à gente vontade de se entregar ao desespero.

E foi o que fez o grãozinho de trigo. Começou a esquadrinhar a memória, procurando lembrar-se dos bons tempos que haviam ficado para trás.

Trigal na França
Pensou nos dias em que ele se elevava numa esbelta espiga, acariciado pelo sol, embalado ao vento, sentindo-se tão bem como uma criança nos braços da mãe. Todo o enorme trigal verde-acinzentado estava cheio de altivas espigas, e lá em cima, no céu azul, resplandecia o sol, e as cotovias cantavam desde o romper do dia até o anoitecer.

E quando o sol se punha, não ficava tudo frio e úmido como agora, mas um suave orvalho descia, como uma onda refrescante, sobre o grão aquecido pelo sol. E uma grande lua, toda de ouro, brilhava docemente sobre as plantações que amadureciam. Era o bom tempo!

Mas chegara o dia terrível em que a foice sibilou pelos campos, e com um som roufenho abriu caminho através das espigas.

Depois dela vieram os segadores com seus ancinhos, e as espigas foram amarradas em feixes e amontoadas nas carroças. O trigal se assemelhava agora a um campo de batalha, do qual continuamente as ambulâncias retiravam os mortos e feridos.

E chegara ainda o dia mais terrível em que, para a debulha, o mangual dançou sobre o grão dourado, estendido na eira, batendo-o sem piedade, com o furor de um soldado que luta às cegas. Dispersaram-se as espigas — estas pequenas famílias de grãos reunidos desde a mais tenra infância — e os grãos isolados voaram cada um para o seu lado.

No saco de grãos, em todo caso, ainda se encontravam em sociedade. Mas agora era o abandono completo, a triste solidão, a destruição certa.

No dia seguinte a grade passou sobre o campo, e nosso grão de trigo se viu em trevas ainda mais espessas, com terra por cima dele, terra por baixo, terra por todos os lados. E a umidade continuou. O grãozinho se sentiu bem doente. Compreendeu que qualquer coisa se quebrava e fermentava dentro dele. Por toda parte a água o encharcava, e não havia um só cantinho seco em suas entranhas. Parecia estar à morte.

Enviou então um último pensamento, uma última saudade cheia de melancolia, ao tempo ensolarado de sua vida, e murmurou esta queixa:
— Oh! Por que fui eu criado, se devia terminar de maneira tão horrível? Teria sido muito melhor para mim se jamais tivesse conhecido a luz do sol.

Então, a este pobre ser abandonado fez-se ouvir uma voz, uma voz que parecia vir do interior da terra:
— Não tenhas medo, não perecerás. Abandona-te com confiança e de bom grado, e eu te prometo uma vida melhor. Morre, pois é esta a minha vontade, e tu viverás.
— Quem sois vós que me falais? — perguntou o grão de trigo, enquanto o invadia um grande sentimento de respeito, pois a voz parecia falar a toda a terra, e mesmo ao universo inteiro.
— Eu sou aquele que te criou, e que agora te quer criar de novo.

Então o pobre grão de trigo, que morria, abandonou-se à vontade de seu Criador, e não mais se preocupou consigo.

Numa manhã de primavera, um rebentozinho verde enfiou a cabeça para fora da terra úmida. O sol brilhava. Da terra aquecida se desprendia um calor gostoso. E lá em cima, no ar azulado, cantava um bando incalculável de cotovias.

O grão de trigo — pois quem mais poderia ser aquele rebento verde? — olhou ao derredor, com grande alvoroço. Tinha de fato voltado à vida.

Tornava a ver o sol e a ouvir cantar as cotovias. E não estava só, pois em todo o campo via outros brotinhos verdes, um exército inteiro, e neles reconheceu seus irmãos e suas irmãs.

Então a jovem planta se sentiu tão cheia de alegria de viver, que lhe pareceu um dever de gratidão elevar-se até o céu e acariciá-lo com suas folhas. E era como se a mesma alegria reconhecida tivesse dado asas às cotovias que se elevavam nos ares. Seu canto se tornava mais claro e mais puro, à medida que subiam.

E uma voz, que desta vez não vinha de dentro da terra, mas do alto, disse:
— Se o grão de trigo não morrer depois de lançado à terra, nada produzirá. Mas se morrer, produzirá muito fruto.

(G. Delcuve SJ e A. de Marneffe SJ, "Testemunhas de Cristo" - Companhia Editora Nacional, SP, 1951)


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quarta-feira, 18 de março de 2015

A morte de São José

São José em agonia, igreja de São José, Rio de Janeiro
São José em agonia, igreja de São José, Rio de Janeiro

Gregório Vivanco Lopes

No dia 19 de março comemora-se a festa de São José. A propósito, é oportuno reproduzir o Conto inspirado no conjunto escultural representando São José em agonia (foto), que se venera na igreja de São José, no centro do Rio de Janeiro, ao lado da Assembleia Legislativa.

São José chegara ao fim de seus dias. Ninguém como ele, entre tantos varões veneráveis que o precederam na santidade, fora incumbido de missão tão alta. Ele era o guarda e protetor do Filho de Deus feito homem e de sua Mãe santíssima.

Deus Pai o escolhera pessoalmente para esse mister elevado entre todos. E São José cumprira sua missão com tanta perfeição, tanta dignidade, tanta humildade junto a seus inefáveis protegidos, tanta força e astúcia contra os inimigos de Jesus, insuflados por toda parte pelo demônio, que esteve inteiramente à altura dos desígnios divinos.

Tanto quanto é possível a uma simples criatura, ele teve proporção com o sublime encargo de ser esposo da Santíssima Virgem e pai adotivo do Verbo de Deus encarnado.

Quanto isto significa!

São José, altar mor da igreja de São José, Rio de Janeiro
São José, altar mor da igreja de São José,
Rio de Janeiro
Aproximava-se, porém, o tempo em que Jesus iria iniciar sua missão pública; a Virgem Maria não mais se encontrava na situação de uma jovem mãe que precisa de proteção diante de um mundo hostil e de línguas aleivosas.

A missão de São José chegara magnificamente a seu termo, e ele agonizava placidamente.

De um lado e de outro da cama, Nosso Senhor e Nossa Senhora, emocionados, o contemplavam com amor e gratidão, tristes porque ele partia, mas supremamente consolados por saber que o aguardava a melhor das recompensas celestes.

Do lado de fora, como quer uma antiga tradição, a morte impaciente mas temerosa não ousava entrar para recolher sua presa, pois esperava um sinal do Altíssimo, postado ao lado do moribundo.

São José tivera sempre tal veneração pela Virgem Santíssima, uma ideia tão elevada de seus méritos e virtudes, tal respeito por sua virgindade imaculada, que jamais ousara tocar sequer um fio de seu cabelo.

Agora, posto ele em seu leito de morte, a Santíssima Virgem, como recompensa por tanta dedicação lhe segura a mão, num supremo ato de reconhecimento e amizade.

Aquele toque quase divino comunicou a São José, ainda lúcido, tal alegria sobrenatural, que ele, varão castíssimo, sentiu sua alma invadida por uma graça de superior virginalidade, como se a inundasse um rio de águas puríssimas, cristalinas e benfazejas.

Essa sensação inefável –– até então para ele desconhecida, porque acima do que a natureza humana pode alcançar –– o elevou a um patamar de indizível união com Deus, inacessível à nossa compreensão atual, mas que um dia no Céu ele poderá nos contar.

Estava São José nesse verdadeiro êxtase, quando sentiu pousar sobre seu ombro direito a mão amiga do Filho de Deus. Incontinenti, viu-se submerso em Deus, e Deus nele.

Era a visão beatífica, não concedida até então a nenhum mortal, pois o acesso ao Céu fora fechado pelo pecado de Adão, e lhe era comunicada por antecipação, ainda que fugazmente.

São José notou em seguida que uma coorte de pessoas se aproximava dele. Reconheceu na primeira fila o patriarca Abraão e o profeta Moisés, seguidos de todos os justos que o haviam precedido com o sinal da fé.

Só então ele se deu conta de que não estava mais nesta Terra, e que adentrara os umbrais do Limbo.

São José em agonia, igreja de São José, Rio de Janeiro, detalhe
São José em agonia, igreja de São José, Rio de Janeiro, detalhe
Todos os habitantes daquele lugar o interrogavam atropeladamente: Quando se consumará a Redenção?

Quando nos será aberto o Paraíso celeste que tanto esperamos, alguns há milhares de anos?

Como é o Filho de Deus? E sua Mãe Santíssima, como é a sua presença?

São José a todos respondia com atenção e bondade, mas já começando a sentir uma saudade imensa daqueles dois seres perfeitíssimos, com quem conviveu tão proximamente nesta Terra de exílio.


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