Outras formas de visualizar o blog:

domingo, 7 de setembro de 2014

A catedral submersa

A "catedral submersa" na baía de Douarnenez
Na sua História da Liga na Bretanha, de fins do século XVI, um certo cônego Moreau escrevia sobre a baía de Douarnenez:

“Encontram-se ainda hoje pessoas antigas que, estando a pescar, sustentam ter visto com frequência, nas baixas marés, velhas ruínas de muralhas”. Segundo essas testemunhas, tratar-se-ia de “grande obra de que nunca se ouviu falar”.

Algumas ruínas parecem indicar construções dos tempos dos romanos, que dominaram a região antes dos celtas.

Por outro lado, em dias de mar calmo, pescadores de Douarnenez diziam ter ouvido muitas vezes soar os sinos sob as águas da baía. E de vez em quando suas redes ou linhas apanhavam curiosos objetos.

Entre a lenda e a história real há sempre uma zona nebulosa, de incerteza. O fato é que Ys sublimou-se na atraente figura de uma bela cidade submersa, com uma catedral magnífica cujos sinos tangem ao sabor das ondas… ou dos anjos!

A beleza dessa lenda excita as imaginações, descrevendo Ys como a mais bela capital do mundo de então. Mais tarde Paris teria ocupado o seu lugar.

Um provérbio em língua bretã diz: “Depois que se inundou a cidade de Ys / Nada de mais belo se encontrou igual a Paris”.

Então a roda do destino deverá inverter-se, porque outro refrão diz: “Quando Paris for submersa, / A cidade de Ys ressurgirá”.

Ao tomar conhecimento de um sucinto relato dessa lenda, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira fez uma linda aplicação à fase da vida em que as pessoas ainda não perderam a sua inocência primaveril.

Teoricamente, todo católico que seja inteiramente fiel à graça sobrenatural poderia conservar a inocência até o final de sua vida. Na realidade, porém, a debilidade humana dificilmente o alcança.

Mas é possível! Muitos santos e santas conservaram a inocência mesmo em meio aos mais violentos combates, exteriores ou interiores, no anonimato de uma cela de convento como na vida pública ou familiar de um leigo. Assim uma Santa Teresinha do Menino Jesus, um São Francisco de Assis e tantos outros.

E quanto mais avançam os anos, tanto mais é pungente essa luta. É nessa fase que a pessoa, se não resolver ser santa, pode tornar-se cética, pragmática, materialista, sensual, ou simplesmente perder a fé!

Entretanto, se ela conservou um fundo de fidelidade à virtude, de religiosidade, de honestidade, de vergonha, ela poderá ainda ser tocada pelo eco dos sinos de uma catedral submersa no seu mar interior!

As infidelidades, pecados e omissões poderão ter obscurecido a visão maravilhosa da vida eterna, que afirmamos no Credo. Então nos sentimos num mundo em que a nossa Ys ideal está sepultada no mar dos nossos crimes ou da nossa vida banal sem Deus!

Entretanto, como os pescadores bretões, de vez em quando ouvimos o tanger de sinos que das profundezas nos traz à memória o mundo ideal para o qual fomos criados.

É o apelo da graça, ou da inocência! Em qualquer idade podemos abraçá-la e estabelecer com ela um conúbio para a eternidade. Creio ser bem esta a relação da lendária catedral submersa de Ys com a reconquista da inocência, na consideração de Plinio Corrêa de Oliveira.

(Autor: Gabriel José Wilson. Catolicismo, março 2014).

Um escritor virulentamente anticristão nos fornece um exemplo da persistência dos apelos dessa inocência apesar de uma vida ostensivamente pecaminosa. Trata-se de Ernest Renan que abandonou o seminário para viver atacando a Igreja no século XIX.

No livro “Lembranças da infância e da juventude” (“Souvenirs d'enfance et de jeunesse” Calmann Lévy Éditeur, 1897) escreveu:

“Uma das lendas mais espalhadas na Bretanha fala de uma pretensa cidade de Ys, que numa época desconhecida, teria sida engolida pelo mar.

“Mostra-se em diversos pontos da costa, o local dessa cidade fabulosa e os pescadores vos apresentam estranhas narrações.

“Nos dias de tempestade, garantem eles, vê-se em meio às ondas a ponta das agulhas de suas igrejas. Nos dias de calmaria, ouve-se subir do fundo dos abismos marítimos o toque dos sinos, modulando o ritmo do dia.

“Com frequência me parece que eu tenho no fundo do coração uma cidade de Ys que toca ainda sinos que obstinadamente convocam para os ofícios sacros uns fiéis que já não ouvem mais.

“Por vezes eu me detenho para prestar ouvidos a essas trêmulas vibrações, que me parecem provir de profundezas infinitas, como se fossem vozes vindas de outro mundo. Na medida em que eu me aproximo da velhice, sobretudo, eu me deleito durante o repouso do verão prestando atenção nesses rumores longínquos de uma Atlântida desaparecida”.

Era o apelo da graça, da inocência, que ainda se fazia ouvir num coração empedernido no mal!





CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 24 de agosto de 2014

A pedra do Beuvray

É uma grande pedra, um penhasco, uma pedra colossal que todos os anos, na noite de Natal, durante a Missa do Galo, gira sobre si mesma.

Existe na Borgonha um grande número dessas pedras misteriosas que giram, abrem-se e deixam ver grutas ou cavidades.

Uma delas está no topo do morro de Beuvray, onde é protegida por um ente estranho: a Wivre.

Esta é uma serpente fabulosa – uma espécie de dragão demoníaco coberto de escamas brilhantes amarelas e verdes quase luminosas, que ao entrechocarem-se produzem um ruído especial e silvam enquanto a Wivre voa e reluz no ar.

Se a pedra de Beuvray requer tão terrível proteção é porque encerra um tesouro. E esse tesouro só é acessível num momento do ano, durante alguns instantes da noite de Natal.

Na hora da Missa, como que incomodado pela celebração dos santos mistérios, o dragão se afasta e – dizem— a pedra se mexe e deixa entrever o a atração sedutora do ouro, das joias resplandecendo discretamente sob a luz das estrelas.

Aqueles que abandonam o dever sagrado da Missa poderiam então entrar na gruta e pegar o que puderem antes de a Wivre voltar.

O atrativo do espetáculo e o apetite do lucro, não se importando em pecar contra Deus, tentaram a mais de um temerário. Porém, ninguém voltou a ver aqueles que pretenderam enganar a Wivre.

Uma viúva morava na aldeia mais próxima do lugar. Ela era muito pobre e tinha em filho muito engraçadinho para criar.

Todos os anos, no Natal, ela queria tratá-lo muito especialmente e dar-lhe presentes na proporção de seu amor. Mas como o dinheiro lhe faltava cruelmente, ela precisava antes de tudo lutar para dar-lhe de comer e aquecer sua pobre casa.

Subitamente, a pobre mulher começou a sonhar com o tesouro de Beuvray: “Algumas peças de ouro – pensava ela – seriam suficientes para nos fazer viver durante anos. Isso não seria nada para a Wivre...”

E ela tanto sonhou que um dia começou a transformar essas quimeras numa firme decisão.

Ao fazer certa vez o caminho da igreja, ela se afastou das vizinhas que iam com ela à Missa de Galo.

Ela levava consigo seu filho, que a escuridão da noite e a sofreguidão da mãe enchiam de terror. Ele se pendurava na saia da mãe, dificultando a cada vez mais empinada ascensão; lá encima a neve tinha virado gelo.

A mulher deu os últimos passos com o menino nos braços, quase correndo, e sua esperança lhe multiplicava as forças.

Por fim, ela chegou ofegante ao topo. A lenda não mentira, a pedra havia mudado de lugar. A mãe e o menino entraram na cavidade aberta e viram brilhar o ouro, as pedras preciosas, a prata, as joias, o tesouro completo.

Ela sabia que não tinha um instante a perder: tirou sua capa e, em sucessivas viagens, começou a depositar nela tudo quanto suas mãos endurecidas pelo frio podiam pegar.

O menino esquecera seus temores diante da beleza de todas essas coisas que brilhavam.

Enquanto carregava um último punhado de riquezas, a mãe ouviu um ruído surdo que a assustou, mal tendo tempo de reagir.

Um assobio espantoso anunciava que o dragão infernal voltava. Era preciso sair logo do local. Ela tentou pegar a mão de seu filho, mas sua saia ficou presa num espinheiro. E a pedra se fechou.

Ela começou a chamá-lo baixinho, para não atrair a serpente, depois falou seu nome cada vez mais alto, e no fim berrava e chorava, clamando por ele sem cessar.

A mãe compreendeu que o menino tinha ficado prisioneiro da pedra de Beuvray.

Só no amanhecer teve coragem de voltar ao lar. A casa estava silenciosa, sem os risos e as brincadeiras que faziam sua felicidade e que para ela, na realidade, valiam mais que todos os tesouros da Terra.

Todos os dias pela tarde ela voltava a subir o morro, e gemendo, suplicando, regando-a com suas lágrimas, girava em torno da pedra achando que com isso poderia apiedar a sinistra guardiã. As estações do ano passaram, mas ela não desanimava.

Veio por fim a noite de Natal, e uma esperança louca a fez como que voar: ela voltou ao topo do morro durante a Missa de Galo e viu que a pedra tinha girado mais uma vez.

Ela teve muito medo, pois na hora de aproximar-se da gruta aberta imaginava encontrar apenas uma comovedora pequena ossada.

Pedra do morro de Beuvray
Mas com sua pele rosada e as bochechas bem cheias, o menino estava sempre ali, brincando. Ele tinha crescido um pouco mais e não parecia em nada atemorizado. Tão logo viu a mãe, pulou em seu pescoço.

Ela o levou e deixou o buraco fechar-se, nada temendo quando ouviu a Wivre voltar. Lembrou-se apenas de que no ano anterior se esquecera de pegar a capa, que ela encontrou exatamente no local onde deixara; mas esta só continha pedras de cor cinza.

Ela percebeu então que não se podia roubar impunemente o ouro da Wivre, pois essa serpente trocava por pedra o ouro de alguém que lhe tocasse.

A mãe compreendeu ainda que a criança lhe fora devolvida porque sua perda a tinha feito esquecer o botim...

No ano seguinte, os dois foram cumprir a Lei de Deus e assistir à Missa da meia-noite. Dois anos sem Natal na vida de um menino é muita coisa.

As mães da Borgonha contam esta história a seus filhos para ensinar-lhes que o amor materno vale mais do que todas as riquezas deste mundo.

É por isso que elas os chamam de “meu tesouro”.

(Fonte: Sophie e Béatrix Leroy d’Harbonville, “Au rendez-vous de la Légende Bourguignonne”, ed. S.A.E.P., Ingersheim 68000, Colmar, França, págs. 38-42)



CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 10 de agosto de 2014

A cidade de Ys, no fundo da “baía dos mortos”

Ys, a cidade da lenda, sepultada na baía de Douarnenez, na Bretanha, França
Ys, a cidade da lenda, sepultada na baía de Douarnenez, na Bretanha, França

Entre a lenda e a história real há sempre uma zona nebulosa de incerteza. O fato é que a figura de uma cidade submersa, com uma catedral magnífica cujos sinos tangem ao sabor das ondas, ainda hoje excita as imaginações.

A misteriosa Bretanha é uma das mais interessantes regiões da França. Imensa plataforma que avança sobre o Atlântico, ao sul da Grã-Bretanha, ela é castigada por toda espécie de ventos e marés, como também o foi por invasões, ao longo de sua história milenar.

Os primeiros celtas chamaram-na Armor — “Terra voltada para o mar”. Daí o nome de Península Armórica, que ainda hoje a designa.

Na sua extremidade sul formou-se a Cornualha, nome que parece vir da Cornwall britânica, a península mais ocidental da Inglaterra.

Ocupada por gauleses, romanos, celtas, várias vezes saqueada pelos normandos, a Bretanha constituiu-se em reino até o século X, e depois em poderoso ducado, antes de ser incorporada definitivamente à França com os casamentos sucessivos de Ana de Bretanha com Carlos VIII e Luís XII, ambos filhos do astuto Luís XI.

Cheia de mistérios, é uma terra fértil em lendas e tradições imemoriais.

Santos, calvários, menires, peregrinações dos perdões… uma riqueza de tradições e costumes que fazem da Bretanha uma região especial, cheia de mitos e legendas. É o caso do rei Artur e seus cavaleiros da távola redonda.

O Santo Graal da legenda teria sido o cálice usado por Nosso Senhor na Santa Ceia.

José de Arimateia, membro do Sinédrio e discípulo oculto do Divino Mestre, teria trazido da Terra Santa esse cálice, contendo algumas gotas do Preciosíssimo Sangue de Cristo.

Na península Armórica, o discípulo teria vivido numa floresta para depois desaparecer sem deixar traços.

Outra lenda da Bretanha concerne a cidade de Ys, ou Is, sepultada no fundo do mar na baía de Douarnenez, a “baía dos mortos”.

Construída sobre um pólder e protegida por um dique, Ys teria sido a capital da Cornualha sob o rei Gradlon, o Grande, no século VI.

Enormes comportas permitiam evacuar as águas que vinham dos rios e proteger a cidade das marés altas. O rei guardava pessoalmente a chave das portas do mar, como eram conhecidas as comportas.

Gradlon tinha uma filha chamada Dahud ou Ahés. A princesa, em toda a cidade, era conhecida por seus costumes dissolutos.

Gwenolé (ou Guenole), um santo monge da região, vinha frequentemente a Ys e advertia os seus habitantes, mas estes não lhe davam ouvidos.

A fuga do rei Gradlon. Evariste Vital Luminais (1822–1896). Musée des Beaux-Arts, Quimper
A fuga do rei Gradlon.
Evariste Vital Luminais (1822–1896). Musée des Beaux-Arts, Quimper
Deus permitiu então que o demônio se introduzisse no palácio real sob a forma de um formoso jovem e seduzisse a filha do rei, a quem o príncipe das trevas pediu como prova de amor que ela abrisse as comportas que protegiam a cidade.

Dahud roubou as chaves do pai quando este dormia e fez a vontade diabólica.

A maré estava alta quando as eclusas foram abertas. As águas invadiram logo as ruas e as casas da cidade, apanhando de surpresa os seus habitantes, a maioria dos quais adormecidos.

Deus permitiu que o rei fosse despertado por Gwenolé alguns instantes antes da tragédia. O soberano saltou sobre o seu cavalo e fugiu precipitadamente, levando a filha na garupa do animal.

Mas, enquanto o cavalo do monge ia rápido como o vento, o de Gradlon esgotava-se rapidamente com o peso da pecadora. As ondas já alcançavam os fugitivos.

Gwenolé ordenou então ao rei que, se quisesse salvar-se, devia separar-se de sua filha; Gradlon recusou-se. As águas começaram a cobrir os cascos do animal.

O santo renovou então sua ordem e, finalmente, o rei obedeceu. No mesmo instante, seu cavalo deu um salto e como que libertado de um grande peso, disparou.

Logo o rei e o monge atingiam terra firme enquanto o mar cobria toda a cidade de Ys, até seus mais altos monumentos.

Depois Gradlon teria feito de Quimper a sua nova capital e terminado seus dias em penitência, falecendo em odor de santidade.

(Autor: Gabriel José Wilson. Catolicismo, março 2014).

CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 27 de julho de 2014

“De muitas formas Santa Maria favorece àqueles que são dEla”

Nossa Senhora de Cluny Abadia Saint Denis, Paris
Nossa Senhora de Cluny
Abadia Saint Denis, Paris
Cantiga 299 do rei de Leão e Castela Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María
Como Santa Maria apareceu a um frade e lhe ordenou dar ao rei a imagem dEla que ele levava

Sobre isso eu queria vos mostrar um milagre, e vos peço ouvir-me com boa atenção, pois por meio dele vos ensinarei a servir Àquela que é um prodígio de bem.

Isto aconteceu a um rei que servia a essa Senhora em tudo quanto podia e se aprazia grandemente louvando-A: por isso lhe aconteceu quanto vos narrarei.

Um frade da Ordem da Estrela levava em seu peito uma imagem em marfim da Virgem que nos guia com seu Filho nos braços (Santa Maria de Espanha), na qual ele tinha muita fé.

Uma noite, deitado em seu leito e já adormecido, viu vir a Mãe de Deus que lhe dizia:

— ”Por que é que levas essa imagem, é um disparate levá-la; vai procurar o rei e a dá a ele de presente; isso me aprazeria muito e farias muito bem nessa obra”.

Tendo dito isso, Ela se afastou, e o frade contou o fato aos outros irmãos que replicaram:

— “Isso é um sonho que não faz sentido”.

Mas ele, ouvindo isso, ficava cada vez mais decidido a dá-la ao rei, e após se repetir o fato três vezes, Ela veio lhe dizer com grande despeito:

— ”Como ousas não dar ao rei aquilo que Eu te mandei dar, e que Eu te agradeceria? Dá a ele, se não sairás prejudicado”.

O frade, antes de completar o terceiro dia, foi contar o acontecido a seu mestre e superior, que lhe disse:

— ”Foi estúpida tua resistência; essa imagem não te convém. Ela está bem para um rei; por isso aconselho-te que lha dês, pois ele saberá honrá-la devidamente, e procura para ti uma mais apropriada”.

E o frade saiu procurando o rei, que estava ouvindo missa.

Tendo-o achado, deu-lhe a imagem, pelo que o rei muito se alegrou de verdade, e, levantando-a com as duas mãos, agradecia-lhe pelo sucedido, abençoava seu santo nome, dizendo: “Bendita sejas, amém”.





CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 20 de julho de 2014

As lendas medievais apresentam o verdadeiro aspecto de Nossa Senhora: a bondade sem limites de uma Mãe

Os devocionários medievais e as lendas sobre a devoção a Nossa Senhora na Idade Média, incluem algumas verdadeiras e outras imaginadas.

Mas todas elas apresentam a graça e a gentileza especial de Maria Santíssima no trato com as almas, de modo indizivelmente ameno e interessante.

Então, não nos interessa saber se o fato narrado é verdadeiro no que se refere à parte dos homens, porque a verdade está naquilo que o conto mostra de verdadeiro a respeito de Nossa Senhora.

Portanto, embora sejam lendas, como são teológicas e mariais, fazem-nos sentir bem quem é Nossa Senhora.

Por exemplo, a história de um menino órfão da Idade Média que tinha uma vontade enorme de ver Nossa Senhora e dava tudo para obter isto, ainda que tivesse de ficar cego.

Então, Nossa Senhora lhe fez saber que obteria a graça de vê-lA se ele aceitasse ficar cego de um olho.

Ele aceitou.

Então, Nossa Senhora lhe apareceu numa formosura resplandecente, imensamente bondosa, régia, condescendente, e ele ficou extasiado.

Quando a visão se dissipou, verificou que estava cego de um olho, não dos dois, e desmaiou. Após acordar, ficou com aquela nostalgia de Nossa Senhora…

Novo pedido e a pergunta: você consente em ficar cego do outro olho?

Ele ficou naquela dúvida…

– Consinto! Eu tenho tanta vontade de vê-La mais uma vez, que eu consinto em ficar cego do outro olho!

Então Nossa Senhora lhe apareceu, falou com ele, e quando a visão se dissipou, estava com os dois olhos em perfeito estado!

LEIA A HISTÓRIA COMPLETA EM:

* Um olho por minha Mãe

VEJA TAMBÉM AS CANTIGAS DE SANTA MARIA. CLIQUE AQUI

Eu não me interesso em saber se o fato é verdadeiro, porque o que eu sei é que Nossa Senhora é assim!

Ou seja, Ela pode nos fazer passar por um certo apuro para provar o amor e portanto tirar uma vista e fazer passar por estas angústias.

Mas em última análise Ela acaba sorrindo e, passando pelas necessárias provações, tudo se termina bem com um Seu sorriso.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira excerto de uma palestra de em 18-05-1964, sem revisão do Autor)



CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS