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Gmund, na Suábia, Baviera, Alemanha |
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Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
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Outrora, os habitantes de Gmund, na Suábia (Baviera, Alemanha), construíram magnífica igreja sob a invocação de Santa Cecília, a padroeira dos músicos.
Lírios de prata brilhavam como raios de luar em torno da santa, e rosas de ouro, como o resplendor da aurora, enfeitavam-lhe o altar.
Trajava a santa vestido de prata e calçava riquíssimos sapatos de ouro, porque naquele tempo, não somente na Alemanha, mas no mundo inteiro, os ourives de Gmund eram célebres pelo seu trabalho.
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Santa Cecília, a padroeira dos músicos |
Grande número de peregrinos dirigia-se à capela de santa Cecília, onde constantemente ressoavam sinos melodiosos.
Um dia chegou à cidade um pobre violinista, de faces pálidas e cavadas, e muito magro.
Caminhara durante longo tempo, estava fatigado e não tinha nem mais um pedaço de pão, nem a mais pequenina moeda de cobre.
Entrou na igreja, e tocou seu divino instrumento.
A santa comoveu-se com aquela melodia e com aquela miséria.
Fez um movimento, inclinou-se, descalçou um de seus sapatinhos de ouro e lançou-o nas mãos do pobre menestrel.
Louco de alegria, o mocinho saiu correndo, cantando, e deixou a igreja, dirigindo-se à casa de um ourives, a fim de vender o precioso presente.
O ourives, mal viu o sapato, reconheceu-o e fez prender o jovem músico, tratando-o como ladrão.
Conduziram-no ao juiz, foi julgado e condenado à morte.
Ressoou o sino, funebremente, tangendo pelo que ia morrer.
Numeroso cortejo pôs-se em marcha.
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Anjo músico |
Ouvia-se o canto solene dos monges, e, dominando-o, os sons do violino, porque o inocente músico pedira, como graça especial, que lhe deixassem conservar o instrumento e tocá-lo até seu derradeiro instante.
Quando passavam diante da igreja de Santa Cecília, ele rogou:
— Deixai-me entrar aqui uma última vez, e executar minha última harmonia!
Como a vontade dos que vão morrer é sagrada, permitiram-lho.
Entrou, prostrou-se diante do altar, e com mão trêmula fez vibrar o arco.
A santa, enternecida diante daquela dor, inclinou-se, descalçou o outro sapatinho de ouro e lançou-o às mãos do pobre músico.
Numerosa multidão assistiu àquele milagre, e todos viram como a santa protegia os músicos do povo.
O artista ambulante foi cercado, coroado de flores e carregado em triunfo até o palácio da justiça, onde os magistrados lhe ofereceram lauto banquete.
(Fonte: "Maravilhas do conto popular" - Cultrix, SP, 1960)
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