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domingo, 22 de março de 2026

A fonte milagrosa de Santa Enimia

Sainte-Enimie (em francês), ou Santa Enimia.
Sainte-Enimie (em francês), ou Santa Enimia.
As flores de lys no vestido indicam sangue real
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No atual departamento de Lozère, ao longo do rio Tarn, encontra-se a vila medieval de Santa Enimia encravada nas rochas.

Seu nome está associado com uma princesa que não poderia deixar este lugar.

E seu estranho nome está ligado a uma legenda.

O fato aconteceu há muito tempo, por volta do ano de 615.

Enimia (ou Emma) foi uma princesa merovíngia, filha do rei Clotário II (584 - 629) e irmã do rei Dagoberto I (602/605 - 638/639).

Ela tinha uma beleza inigualável e atraia muitos pretendentes. Mas Enimia preferia se dedicar a Deus.

Infelizmente, como muitas vezes acontece, seu pai, o rei Clotário II decidiu em sentido contrário. Ele mandou-a chamar na sala e disse:

‒ “Filha, eu tenho observado que Você recusa todos os candidatos!”

‒ “Mas, pai, eu .......”

‒ “Deixe-me falar!”, disse o rei retorcendo seu belo bigode.

‒ “Sim, meu pai", respondeu a nossa Enimia olhando para baixo.

A ermida de Santa Enimia hoje
A ermida de Santa Enimia hoje
‒ “Desse jeito não haverá herdeiro para o reino!"

‒ “Mas, pai, eu ...”

‒ “Simplesmente, eu decido que você fique noiva de um dos meus barões. Assim seja!”

Apesar das lágrimas e dos repetidos pedidos para seu amado pai, ela não obteve a anulação da decisão real.

Desesperada, ela refugiou-se numa pequena capela e rezou a Deus para salvá-la de um casamento que ela não queria.

E eis que ela pegou uma praga, tal vez lepra, que a desfigurou e afastava dela todos os candidatos.

A doença era tão terrível que ela decidiu levar uma vida recolhida e deixar crescer o cabelo para esconder a doença.

Ela fechava-se numa sala escura, onde dormia e rezava.

Curiosamente, suas noites eram perturbadas por um sonho que voltava continuamente.

Uma voz aconselhou-lhe fazer abluções na água da fonte milagrosa de Burle.

Certa manhã, ela decidiu ir à procura dessa fonte maravilhosa.

Depois de uma longa viagem, ela encontrou-a no oco de um vale desconhecido e desabitado.

A princesa leprosa aproximou-se da beira da verde água e, apesar do frio da água, mergulhou inteiramente.

O milagre, então, aconteceu. Ela saiu da água resplandecendo beleza e recuperou o sorriso que tinha perdido havia tantos meses.

Enimia estava em condições de começar a viagem de volta.

Santa Enimia esmaga o dragão.
Ermida de Santa Enimia. A Santa esmaga o dragão.
Mas assim que ela se afastou do vale, a horrível doença reapareceu na sua branca pele.

Ela voltou à fonte e tomou banho muitas vezes.

Porém, cada vez que comparecia diante de seu pai, a horrenda doença voltava a cobrir seu corpo.

‒ “É um sinal divino”, pensou ela. “Eu devo morar junto à fonte”.

Foi assim que ela decidiu estabelecer-se perto da fonte de Burle.

Quando ela podia, ia rezar numa caverna que fica pouco acima da pequena aldeia.

Em torno da gruta da princesa começaram a acontecer prodígios e milagres.

E sua fama de santidade ficou tão grande que ainda muitos séculos depois, os romeiros vão até a aldeia para implorar suas bênçãos e mercês.


Oração de Santa Enimia pedindo a Deus que a conserve sempre virgem


Meu Senhor Deus, cheio de grande doçura

Conserva meu corpo puro de toda desonra,

De maneira que eu nunca possa provar esse prazer vil e malcheiroso

Para que me possas possuir como Vós me desejais

Casta e pura segundo Vossa vontade.

Amem.

Tradução ao português a partir do provençal vertido ao inglês por Simon Gaunt, Professor de Língua e Literatura Francesa, “Gender and Gender in Medieval French Literature”, Cambridge University Press, 11 de mai. de 1995 - 372 páginas

Original em provençal:


Senher Dieus, plen de gran dolsor,

Garda mon cors de dissonor,

Que no’m puescha penre talen

D’aquest deliech lait e puden,

Per so que tu’m pueschas aver

Casta, munda al tieu plazer.

(Fonte:

Original em provençal: Bertran de Marseille, “La vie de Sainte Énimie”, poème provençal du XIIIe siècle; pág. 26. https://archive.org/details/laviedesainten00bertuoft/page/6/mode/2up?q=dolsor

Bertran de Marseille, "La vida de santa Enimia", La Canourgue, La Confrérie, 2001, 112 p. (ISBN 2-9516861-0-2), https://fr.wikipedia.org/wiki/Bertran_de_Marseille)

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domingo, 28 de setembro de 2025

O jogral da Virgem


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Muitos peregrinos, vindos dos mais remotos confins da Cristandade, iam à romaria do Santuário de Nossa Senhora de Rocamadour.

Era gente de toda espécie, desde mendigos ou empestados até fidalgos e grandes dignitários da Igreja.

Frequentemente misturavam-se àquela turba alguns indivíduos aloucados, galhofeiros ou poetas, que tanto entoavam uma canção, acompanhando-a com qualquer instrumento, como embasbacavam o povo com malabarismos e trabalhos de saltimbancos.

Singlar era um desses. Jovem, espalhafatoso, tagarela, mas de caráter doce, excelente no uso dos instrumentos musicais e dulcíssimo no cantar.

Alto poeta, encontrava sempre, no momento exato, a palavra mais viva, mais colorida e musical para dizer as coisas.

Além disso, era devoto fiel da Virgem, e por isso fora a Rocamadour.

Rezou diante da imagem. Sabia, porém, que jamais poderia, com orações, dizer-lhe os sentimentos que transbordavam de seu coração.

Uma canção subia-lhe à flor dos lábios, e as pontas de seus dedos formigavam nervosamente, desejosos do instrumento.

Não pôde conter-se: apanhou o alaúde e cantou uma loa suave e ingênua.

O jogral estava emocionado, enlevado, e prostrou-se diante da imagem. Nela, os olhos e as pedrarias do traje fulguravam.

— Senhora — disse-lhe o cantor — estais vendo que eu canto para vós com todo o meu coração. Desejaria saber se meus louvores são recebidos com agrado.

O santuário estava cheio de gente, naquele momento. Todas as pessoas puderam ver um dos círios, saindo do candelabro em que estava colocado, descer até junto do poeta.

Houve um coro de exclamações. Gente corria de todos os cantos, para colocar-se ao lado do jovem:

— Milagre! Milagre!

Depressa chegou a notícia à clausura dos monges, que desceram todos para a igreja.

Os demais ajoelharam-se, confundidos com o povo que elevava fervorosas preces a Nossa Senhora.

Fazendo aquele prodígio, como prêmio ao canto ingênuo e sincero de um simples jogral, acabava Ela de dar a toda aquela gente uma lição de humildade.

Só um homem permanecia em pé.

Fez caminho entre os que estavam ajoelhados, e colocando-se diante do jogral, disse, em voz muito alta:

— Não vos deixeis enganar! Aqui não houve milagre!

Acreditais que a Rainha dos Céus desperdiçaria suas graças numa tolice como esta?

Levantai-vos! Não houve milagre, e sim mistificação deste velhaco, ou talvez sortilégio, arte do diabo.

Primeiro os monges, depois os peregrinos, foram pondo-se todos de pé, e depois afastando-se cautelosamente, um pouco encabulados, como que tomados de vergonha.

Muitos procuravam lugar atrás das colunas ou em algum canto pouco iluminado.

Entretanto, ninguém saiu do templo.

Por sua vez, Singlar ali continuava, ajoelhado diante da Virgem.

Na frente dele, repreendendo-o, um monge tornara a colocar o círio no candelabro.

Os pescoços esticavam-se, gente se punha em pontas de pés.

Todos os olhos estavam fixos no jogral, que pela segunda vez tirava notas dulcíssimas do alaúde e tornava a improvisar um cântico de louvor.

O círio tornou a descer para junto do poeta.

Gritos atroadores do monge retiveram a meio caminho as pessoas que se apressavam para o altar:

— Não vos aproximeis! Isto é obra de bruxaria!

Este homem é um mágico que veio afrontar Nossa Senhora!

Tem pacto com Satanás!

Em vão Singlar negava, os olhos cheios de lágrimas:

— Senhora, não me abandoneis!

O monge tinha apanhado o círio, e retinha-o com força entre as mãos, enquanto dizia:

— Estrela Matutina, Torre de Davi, Mãe do Salvador, não permitas que ante tua imagem o inferno possa agir como deseja!

A canção de Singlar entrava como alfinetadas de gozo no coração de todos.

Subia, retilínea, pura, clara, até a Virgem de Rocamadour...

O círio deu um salto, e das mãos do monge foi ter à mão direita do jogral.

Mesmo aquele monge tombou de joelhos.

Um "Ave!" espontâneo, vibrante, maravilhoso, brotou de todas as gargantas.



(Maravilhas do conto popular - Cultrix, SP, 1960)


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domingo, 14 de setembro de 2025

O ermitão de Covadonga

Luis Dufaur
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Como escondida nas escarpadas montanhas dos Picos de Europa, nas Astúrias, no norte da Espanha, acha-se a Caverna Sagrada de Covadonga, um lugar rico em história e significado religioso.

Este santuário católico asturiano é tanto um destino espiritual quanto um símbolo da resiliência histórica da Espanha.

A caverna está associada ao esforço cristão dos primórdios da Reconquista, para recuperar terras do domínio muçulmano. Desde um remoto fato heroico e milagroso tornou-se um local de peregrinação para fiéis e um destino de pesquisa para aficionados por história.

As origens da caverna como local de culto são lendárias.

Tradições cristãs locais afirmam que Pelágio (o famoso Don Pelayo, não confundir com o herege britânico de mesmo nome), um nobre visigodo e futuro líder da Reconquista, perseguiu um criminoso até uma caverna nos Picos de Europa.

Ao chegar lá, ele encontrou um eremita orando à Virgem Maria.

O eremita pediu a Pelágio que poupasse a vida do homem, pois ele havia buscado a proteção da Virgem.

Milagrosamente Don Pelayo derrota os muçulmano. Pintura de Augusto Ferrer Dalmau
Milagrosamente Don Pelayo derrota os muçulmano. 
Pintura de Augusto Ferrer Dalmau
Ele também previu que Pelágio um dia se refugiaria na mesma caverna.

Essa profecia se cumpriu durante a Batalha de Covadonga, em 718, quando Pelágio e seu pequeno grupo de combatentes enfrentaram desafiadoramente as forças muçulmanas.

Segundo crônicas muçulmanas, Pelágio e seus homens se esconderam na caverna e sobreviveram graças ao mel encontrado nas fendas da rocha.

Os relatos cristãos enfatizam a intervenção milagrosa da Virgem Maria, cuja proteção foi considerada a chave para uma improvável vitória.

Isso marcou o início da Reconquista, um momento decisivo na história espanhola.

Após a vitória, o Rei Afonso I das Astúrias homenageou a Virgem Maria construindo uma capela na caverna.

Dedicado a Nossa Senhora de Covadonga (nome derivado de cova domnica, "Gruta de Nossa Senhora") — carinhosamente chamada de La Santina — o santuário tornou-se um importante local para peregrinos cristãos.

A Caverna Sagrada também abrigava altares dedicados a São João Batista e Santo André, e foi confiada a monges beneditinos.

A estátua mariana original foi perdida em um incêndio em 1777, mas uma imagem de madeira da Virgem com o Menino, do século XVI, doada pela Catedral de Oviedo, tomou seu lugar e permanece lá até hoje.

No século XIX, o Bispo Benito Sanz y Forés liderou os esforços de restauração da Gruta Sagrada, culminando na construção de uma nova capela em estilo românico.

O arquiteto Luis Menéndez-Pidal projetou a estrutura atual, inaugurada em 1874.

A estátua da Virgem desapareceu brevemente durante a Guerra Civil Espanhola e foi encontrada na embaixada espanhola na França em 1939.




Fonte: Aleteia

domingo, 20 de julho de 2025

O sol parou para derrotar os mouros

Pôr do sol em Tentudía. Cruz evocativa

Luis Dufaur
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Ao iniciar a campanha de Sevilha, em 1247, o Rei São Fernando III enviou mensagem ao Grão-mestre da Ordem de Santiago, D. Pelayo Correa, para que acertasse alguns assuntos próximo a Badajoz, e depois fosse a Sevilha.

Assim ele o fez, conquistando com seus monges-cavaleiros várias cidades pelo caminho.

Ao passar por Figueira da Serra, foi atacado por uma numerosa hoste de muçulmanos, muito superior à que tinha consigo.

Vendo que a batalha se prolongava, e que começava a anoitecer, D. Pelayo rezou à Virgem, suplicando-lhe que mantivesse a luz do dia: "Señora, ten tu día" (Senhora, segurai vosso dia).

O sol parou no céu durante o tempo suficiente para que os cavaleiros de Santiago pudessem vencer a batalha.

Mosteiro de TentudíaDesde então a serra se chamou Serra de Tentudía.

Como memória e agradecimento, o Grão-mestre estabeleceu ali um mosteiro-fortaleza, que ainda hoje existe, e em cuja capela, junto ao altar-mor, está sua sepultura.



(Fonte: José Maria de Mena, "Entre la Cruz y la Espada - San Fernando" - RC Editores, Sevilha, 1990, pp. 64-65)



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domingo, 30 de junho de 2024

Por que Deus quis ser Filho da Virgem

Igreja de Fuentidueña, Segovia, Espanha.
Igreja de Fuentidueña, Segovia, Espanha.
Luis Dufaur
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Cantiga 38 do rei de Castela Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María

Esta cantiga conta como a imagem de Santa Maria estendeu o braço e segurou seu Filho, que ia cair devido à pedrada que Lhe jogou um saltimbanco.




Posto que Deus quisesse ser Filho da Virgem, para nos salvar a nós pecadores, por isso eu não me maravilho que Lhe doa ver quem O faz sofrer.

Porque Ela e seu Filho se acham unidos pelo amor, de maneira que nunca ninguém por nada poderá separá-los.

Portanto, dão prova de serem muito néscios aqueles que vão contra Ela, acreditando que Ele não se sente concernido.

Isso fazem os malvados, que não querem compreender esse amor, e que a Mãe e o Filho estão de acordo em fazer o bem e castigar o mal.

Foi por isso que, há já muito tempo, aconteceu de o conde de Poitiers querer entabular batalha contra o rei da França.

Para isso reuniu suas tropas em Chateauroux, num mosteiro de monges enclaustrados, que o conde mandou dispersar porque suspeitava que fossem entrega-lo aos franceses.

Enquanto os monges estavam sendo expulsos, pessoas muito más foram se meter no mosteiro: vagabundos, jogadores de dados, e outros, que levavam vinho para vender.

E entre esses desventurados havia um que, quando começava a perder, injuriava os santos e a Rainha sem igual.

Mas uma mulher, que havia entrado na igreja por causa de seus pecados, foi até a sacristia onde os monges costumavam revestir-se dos sagrados ornamentos quando iam dizer as missas.

Ali estavam bem entalhados na pedra Deus e sua Mãe, logo se ajoelhou diante deles e começou a se culpar de seus pecados.

Virgem das Cruzadas, Puy-de-Dome, França.
Virgem das Cruzadas, Puy-de-Dome, França.
Quando o saltimbanco a viu, voltou-se com olhar irado e começou a maltratá-la, dizendo:

– “Velha, estão muito enganados os que querem acreditar nas imagens de pedra; e para que vejas quão enganados estão, eu vou espancar esses ídolos pintados.”

E logo foi lhes jogar uma pedra, que acertou no Filho, que tinha os dois braças alçados em atitude de bênção.
E embora não tenha quebrado os dois, um logo caiu. Mas a Mãe pôs sobre ele os braços para levantá-lo, deixando cair a flor que tinha entre os dedos.

Maiores milagres ainda Deus mostrou ali, porque fez correr sangue brilhante da ferida do Menino Jesus sobre os panos dourados que vestiam a Mãe, que ficou com o busto nu.

Embora Ela não gritasse, começou a chorar e voltou os olhos tão irados, que todos os que podiam vê-la ficaram tão espantados que nem ousavam olhá-la.

E os demônios se reuniram logo contra aquele que tinha feito essa coisa, e porque eram homicidas bem pagos foram logo por cima dele e o mataram.

Outros dois saltimbancos endemoninhados que estavam ali tentaram esconder o corpo do facínora morto.

Sem embargo, os endiabrados com grande raiva começaram a ser todos consumidos e se afogaram no rio, porque o demônio não lhes deu trégua, para que fossem escarmentados todos quantos disto ouvissem falar.

Quando o conde soube o que tinha acontecido, acompanhado de cavaleiros armados foi se apear diante da igreja, e um desses cavaleiros mais atrevidos falou assim:

“Isto me faz doer o coração; ide procurar a pedra e trazei-ma, para ver se Ela quererá me sarar da pedra que entrou, rachando meu queixo, e por cujo conserto tive que pagar muitos dinheiros em vão”.

Quando isso falou, pôs sob a imagem suas pernas, lados e cabeça, e logo seus ossos ficaram bem soldados e ele expeliu uma pedra pela boca.

Vendo isso todos ficaram maravilhados, e ele colocou a pedra diante da imagem sobre o altar, sendo testemunhado por homens honrados.





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