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domingo, 20 de julho de 2025

O sol parou para derrotar os mouros

Pôr do sol em Tentudía. Cruz evocativa

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Ao iniciar a campanha de Sevilha, em 1247, o Rei São Fernando III enviou mensagem ao Grão-mestre da Ordem de Santiago, D. Pelayo Correa, para que acertasse alguns assuntos próximo a Badajoz, e depois fosse a Sevilha.

Assim ele o fez, conquistando com seus monges-cavaleiros várias cidades pelo caminho.

Ao passar por Figueira da Serra, foi atacado por uma numerosa hoste de muçulmanos, muito superior à que tinha consigo.

Vendo que a batalha se prolongava, e que começava a anoitecer, D. Pelayo rezou à Virgem, suplicando-lhe que mantivesse a luz do dia: "Señora, ten tu día" (Senhora, segurai vosso dia).

O sol parou no céu durante o tempo suficiente para que os cavaleiros de Santiago pudessem vencer a batalha.

Mosteiro de TentudíaDesde então a serra se chamou Serra de Tentudía.

Como memória e agradecimento, o Grão-mestre estabeleceu ali um mosteiro-fortaleza, que ainda hoje existe, e em cuja capela, junto ao altar-mor, está sua sepultura.



(Fonte: José Maria de Mena, "Entre la Cruz y la Espada - San Fernando" - RC Editores, Sevilha, 1990, pp. 64-65)



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domingo, 30 de junho de 2024

Por que Deus quis ser Filho da Virgem

Igreja de Fuentidueña, Segovia, Espanha.
Igreja de Fuentidueña, Segovia, Espanha.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Cantiga 38 do rei de Castela Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María

Esta cantiga conta como a imagem de Santa Maria estendeu o braço e segurou seu Filho, que ia cair devido à pedrada que Lhe jogou um saltimbanco.




Posto que Deus quisesse ser Filho da Virgem, para nos salvar a nós pecadores, por isso eu não me maravilho que Lhe doa ver quem O faz sofrer.

Porque Ela e seu Filho se acham unidos pelo amor, de maneira que nunca ninguém por nada poderá separá-los.

Portanto, dão prova de serem muito néscios aqueles que vão contra Ela, acreditando que Ele não se sente concernido.

Isso fazem os malvados, que não querem compreender esse amor, e que a Mãe e o Filho estão de acordo em fazer o bem e castigar o mal.

Foi por isso que, há já muito tempo, aconteceu de o conde de Poitiers querer entabular batalha contra o rei da França.

Para isso reuniu suas tropas em Chateauroux, num mosteiro de monges enclaustrados, que o conde mandou dispersar porque suspeitava que fossem entrega-lo aos franceses.

Enquanto os monges estavam sendo expulsos, pessoas muito más foram se meter no mosteiro: vagabundos, jogadores de dados, e outros, que levavam vinho para vender.

E entre esses desventurados havia um que, quando começava a perder, injuriava os santos e a Rainha sem igual.

Mas uma mulher, que havia entrado na igreja por causa de seus pecados, foi até a sacristia onde os monges costumavam revestir-se dos sagrados ornamentos quando iam dizer as missas.

Ali estavam bem entalhados na pedra Deus e sua Mãe, logo se ajoelhou diante deles e começou a se culpar de seus pecados.

Virgem das Cruzadas, Puy-de-Dome, França.
Virgem das Cruzadas, Puy-de-Dome, França.
Quando o saltimbanco a viu, voltou-se com olhar irado e começou a maltratá-la, dizendo:

– “Velha, estão muito enganados os que querem acreditar nas imagens de pedra; e para que vejas quão enganados estão, eu vou espancar esses ídolos pintados.”

E logo foi lhes jogar uma pedra, que acertou no Filho, que tinha os dois braças alçados em atitude de bênção.
E embora não tenha quebrado os dois, um logo caiu. Mas a Mãe pôs sobre ele os braços para levantá-lo, deixando cair a flor que tinha entre os dedos.

Maiores milagres ainda Deus mostrou ali, porque fez correr sangue brilhante da ferida do Menino Jesus sobre os panos dourados que vestiam a Mãe, que ficou com o busto nu.

Embora Ela não gritasse, começou a chorar e voltou os olhos tão irados, que todos os que podiam vê-la ficaram tão espantados que nem ousavam olhá-la.

E os demônios se reuniram logo contra aquele que tinha feito essa coisa, e porque eram homicidas bem pagos foram logo por cima dele e o mataram.

Outros dois saltimbancos endemoninhados que estavam ali tentaram esconder o corpo do facínora morto.

Sem embargo, os endiabrados com grande raiva começaram a ser todos consumidos e se afogaram no rio, porque o demônio não lhes deu trégua, para que fossem escarmentados todos quantos disto ouvissem falar.

Quando o conde soube o que tinha acontecido, acompanhado de cavaleiros armados foi se apear diante da igreja, e um desses cavaleiros mais atrevidos falou assim:

“Isto me faz doer o coração; ide procurar a pedra e trazei-ma, para ver se Ela quererá me sarar da pedra que entrou, rachando meu queixo, e por cujo conserto tive que pagar muitos dinheiros em vão”.

Quando isso falou, pôs sob a imagem suas pernas, lados e cabeça, e logo seus ossos ficaram bem soldados e ele expeliu uma pedra pela boca.

Vendo isso todos ficaram maravilhados, e ele colocou a pedra diante da imagem sobre o altar, sendo testemunhado por homens honrados.





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domingo, 31 de março de 2024

Como Nossa Senhora converteu um mouro

Nossa Senhora com o Menino Jesus. Barnaba da Modena (1328-1386), Museu do Louvre, Paris.
Nossa Senhora com o Menino Jesus.
Barnaba da Modena (1328-1386), Museu do Louvre, Paris.
Luis Dufaur
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Cantiga 46 do rei de Castela Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María

Esta Cantiga conta como a imagem de Santa Maria, que um mouro guardava com honra em sua casa, deu leite pelos seus peitos.




Para que sejam mais conhecidos seus milagres, a Virgem faz alguns diante de homens sem fé.

E isto aconteceu como vou contar-vos e como o apreendi. Um mouro com grande hoste de Ultramar foi guerrear contra os cristãos e roubar os desprevenidos.

Aquele mouro fez estragos nas terras em que pôde entrar, e tudo o que roubou levou consigo. E muito satisfeito levou tudo à sua terra, para repartir todos os objetos roubados que tinha coletado.

Daquele conjunto que repartiu, guardou para si uma imagem da Virgem que lhe pareceu não ter igual, e depois de examiná-la muito, a fez preservar e guardar envolvida em panos de ouro.

Com frequência ia vê-la e, de si para si, dizia e raciocinava que não podia acreditar que Deus tivesse querido se encarnar e tomar carne de uma mulher.

“Perdidos estão todos aqueles que acreditam nisso”, dizia ele, “porque não consigo entender que Deus se desse tanto trabalho, nem que se humilhasse tanto.

“Pois ele que é tão grande não pode se encerrar no corpo de uma mulher e andar suando entre gente baixa, como dizem que andou para salvar o mundo.

“Mas, se de tudo isso que Ele mostrou, Ele quisesse vir até mim para me mostrar, eu me tornaria cristão logo e sem demora, e receberia o crisma junto com esses mouros barbudos”.

Mal pôde continuar o mouro com esses raciocínios, quando viu os dois peitos da imagem, como sendo de viva carne, dos quais emanava leite.

Quando viu coisa semelhante, sem mentir se pôs a chorar e fez vir um clérigo que o batizou. E depois disso, sem falta, fez que os seus se tornassem cristãos e, além do mais, praticou outras obras boas conhecidas.


Video: Cantiga 46 de Santa Maria






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domingo, 21 de maio de 2023

Na natureza pode Deus mostrar sua figura,
ou a de sua Mãe

Nossa Senhora do Rosário, dita de los Humeros, Sevilha, Espanha.
Nossa Senhora do Rosário, dita de los Humeros, Sevilha, Espanha.
Luis Dufaur
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Cantiga 342 & 127 do rei de Castela Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María

Como Nossa Senhora fez aparecer sua imagem entre umas pedras de mármore em Constantinopla.


“Com razão pode Deus mostrar a sua imagem ou à de Sua Mãe na natureza, pois Ela quis mostrá-la”.

Posto que Deus ao criar as coisas como elas são, ou de outras muitas outras formas caso tivesse querido, não teve nem tem de fazer esforço algum, nem se preocupa em demasia em lhes dar forma, pois Ele, sendo quem é, tem poder próprio do início ao fim.

Portanto, se nas pedras faz aparecer figuras, ninguém deve achar estranho que o faça até nas ervas, pois é Ele que as faz nascer e lhes proporciona muitas cores para que elas sejam de nosso agrado.

Por isso aconteceu em Constantinopla, como eu fiquei sabendo, que o Bom Imperador Manuel mandou fazer uma muito nobre igreja, e segundo me contaram, mandou trazer mármores de muito longe para cortá-los pelo meio e assim fazer grandes chapas para a base do altar de Nossa Senhora, Mãe de Nosso Senhor.

E quando as serravam viram em seu interior uma imagem pintada a cores, como se a tivesse querido pintar o próprio Deus, segurando em seus braços Aquele que assumiu a carne d’Ela.

O Imperador quando soube, cavalgou até o local, e vendo a imagem, imediatamente a venerou e a fez colocar junto à porta por onde todos deviam entrar.

E ali se encontra até nossos dias, para edificação e devoção de todos. Isso fez Nossa Senhora pelo fato de que Ela por sua graça pode amolecer o coração do mau, assim como pode moldar a pedra embora muito dura.

Fonte: sh4m69. Interpretes/Performers: Ensemble Constantinople




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domingo, 23 de abril de 2023

O milagre de Santa Cecília para o violinista ambulante

Gmund, na Suábia, Baviera, Alemanha
Luis Dufaur
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Outrora, os habitantes de Gmund, na Suábia (Baviera, Alemanha), construíram magnífica igreja sob a invocação de Santa Cecília, a padroeira dos músicos.

Lírios de prata brilhavam como raios de luar em torno da santa, e rosas de ouro, como o resplendor da aurora, enfeitavam-lhe o altar.

Trajava a santa vestido de prata e calçava riquíssimos sapatos de ouro, porque naquele tempo, não somente na Alemanha, mas no mundo inteiro, os ourives de Gmund eram célebres pelo seu trabalho.

Santa Cecília, a padroeira dos músicos
Grande número de peregrinos dirigia-se à capela de santa Cecília, onde constantemente ressoavam sinos melodiosos.

Um dia chegou à cidade um pobre violinista, de faces pálidas e cavadas, e muito magro.

Caminhara durante longo tempo, estava fatigado e não tinha nem mais um pedaço de pão, nem a mais pequenina moeda de cobre.

Entrou na igreja, e tocou seu divino instrumento.

A santa comoveu-se com aquela melodia e com aquela miséria.

Fez um movimento, inclinou-se, descalçou um de seus sapatinhos de ouro e lançou-o nas mãos do pobre menestrel.

Louco de alegria, o mocinho saiu correndo, cantando, e deixou a igreja, dirigindo-se à casa de um ourives, a fim de vender o precioso presente.

O ourives, mal viu o sapato, reconheceu-o e fez prender o jovem músico, tratando-o como ladrão.

Conduziram-no ao juiz, foi julgado e condenado à morte.

Ressoou o sino, funebremente, tangendo pelo que ia morrer.

Numeroso cortejo pôs-se em marcha.

Anjo músico
Ouvia-se o canto solene dos monges, e, dominando-o, os sons do violino, porque o inocente músico pedira, como graça especial, que lhe deixassem conservar o instrumento e tocá-lo até seu derradeiro instante.

Quando passavam diante da igreja de Santa Cecília, ele rogou:

— Deixai-me entrar aqui uma última vez, e executar minha última harmonia!

Como a vontade dos que vão morrer é sagrada, permitiram-lho.

Entrou, prostrou-se diante do altar, e com mão trêmula fez vibrar o arco.

A santa, enternecida diante daquela dor, inclinou-se, descalçou o outro sapatinho de ouro e lançou-o às mãos do pobre músico.

Numerosa multidão assistiu àquele milagre, e todos viram como a santa protegia os músicos do povo.

O artista ambulante foi cercado, coroado de flores e carregado em triunfo até o palácio da justiça, onde os magistrados lhe ofereceram lauto banquete.



(Fonte: "Maravilhas do conto popular" - Cultrix, SP, 1960)


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