Mostrando postagens com marcador Menino Jesus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Menino Jesus. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de fevereiro de 2024

O fruto que o Menino Jesus aceitou de um menino pobre

Menino Jesus do Pensamento, escola espanhola
Menino Jesus do Pensamento, escola espanhola
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Nada mais comovedor do que a lenda do pequenino predileto da Virgem Mãe e do Menino Jesus, o Bem-aventurado Hermano José.

Menino de maravilhosa pureza de coração, fugia com a maior cautela de companheiros mal educados e de jogos ruidosos.

Pelo contrário, em parte alguma gostava mais de estar do que na igreja, e a sua delícia particular era orar diante das imagens da Mãe de Deus, que já tinha escolhido por Mãe sua.

Seu nome era Hermano. Ainda hoje se mostra em Colônia, na Igreja de Santa Maria do Capitólio, o lugar onde, segundo uma piedosa tradição, com filial singeleza conversava com o Menino Jesus e sua Santa Mãe.

Ali saudava Maria, quando ia para a escola. Para ali se retirava, enquanto os seus condiscípulos jogavam ou se entregavam a outros brinquedos próprios da idade.

Uma vez levava Hermano consigo uma formosa maçã, e lhe veio a ideia de oferecê-la ao Menino Jesus.

Estendeu a mãozinha para a imagem, e — oh! prodígio! — a maçã foi aceita.

Outra vez, durante o inverno, apareceu o pobre menino descalço diante da imagem e ajoelhou-se para orar, a tremer de frio. Nisto perguntou-lhe Maria:

— Hermano, por que andas descalço, com tamanho frio?
— Porque não tenho sapatos — respondeu.

Então Maria apontou para uma pedra, e disse:
— Vai àquela pedra, e lá encontrarás o dinheiro de que precisas. Quando no futuro te faltar alguma coisa, vai sempre lá procurar, com toda a confiança.

Quando os outros meninos perceberam que Hermano encontrava dinheiro naquele local, também começaram a fazer buscas.

Mas, como não eram tão puros nem tão bons como Hermano, e como não tinham grande amor a Maria, não encontravam nada. O dinheiro estava lá só para Hermano.

A sua pureza era tamanha, que mais tarde, quando tomou o hábito no convento de Steinfeld, ao seu nome juntaram o do esposo virginal de Maria, e desde então ficou chamando-se Hermano José.


(Fonte: Pe. Adolfo de Doss, S.J., "A Pérola das Virtudes" - Porto, 1958)


CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Os três pássaros de argila

Santa Maria dos Reis, Laguardia, Espanha
Santa Maria dos Reis, Laguardia, Espanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Antigamente o lago de Tiberíades não tinha esse nome. Foi somente algum tempo depois do fato que eu vou contar, que o filho do cruel Herodes construiu às suas margens a cidade que ele chamou Tiberíades, para fazer a sua corte.

O belo lago chamava-se Kinnereth, que quer dizer harpa, porque seus contornos harmoniosos dão exatamente a forma do instrumento musical tão familiar ao rei David.

Naqueles dias, após uma grande tempestade na montanha, caía a tarde e o vento levava a última nuvem.

O lago retomava sua calma habitual, e os numerosos pássaros que o visitam freqüentemente — corvos-marinhos, pelicanos, gaivotas, alciões, martins-pescadores — haviam, do modo mais belo, começado seus vôos e seus cânticos.

Na aldeiazinha de Nazaré, três crianças brincavam numa estrada, muito ocupadas em construir uma parede ou barragem para conter a água do caminho.

Depois, assim que esboçaram um pequeno lago parecido com o Kinnereth, tiveram a idéia de povoá-lo também de pássaros — pássaros de argila, claro.

Um deles fez qualquer coisa disforme, que tinha a pretensão de assemelhar-se a esses belos corvos-marinhos de grandes asas, que vêm de longe para caçar seus peixes.

O outro procurava transformar seu barro em pelicano, e fazia grande esforço para manter equilibrada a cabeça enorme e a bolsa suspensa ao pescoço.

O terceiro aperfeiçoava, com a delicadeza de suas mãozinhas, uma gaivota colocada na margem.

Entretanto anoiteceu. A Lua já se fazia ver, e as primeiras luzes se acendiam na aldeia.

Indiferentes à escuridão que os envolvia, os meninos prosseguiam seus delicados trabalhos,

Mas de repente ouviu-se uma voz chamando alguém:

— Lucas!

Lucas ainda não se mexeu. Foi preciso que sua mãe o chamasse mais uma vez.

Lucas, que pela segunda vez tentava equilibrar o bico do corvo-marinho sobre o bastão que lhe servia de pescoço, estava muito entretido em seu trabalho, para responder ao chamado.

— Lucas! Lucas! Lucas! — repetiu a voz.

E desta vez, afinal, de má vontade, decidiu-se a abandonar seu pobre corvo-marinho.

Assim que ele saiu, aquela obra-prima desmoronou e deixou de ser um corvo, mesmo de barro.

— Marcos! — chamou logo depois uma outra voz no crepúsculo.

— Já vou! Já vou! — respondeu ele. Mas não se mexeu, tentando reparar rapidamente a catástrofe.

— Marcos! Marcos! — retomou a voz, impaciente e com um certo azedume.

E também foi preciso que a mãe o chamasse uma terceira vez.

Desta vez Marcos obedeceu, não sem ter dado um pontapé em sua obra-prima, jogando-a dentro d’água, encolerizado.

Ficou apenas à margem do lago, ou do pequeno mar, iluminado pela Lua, o terceiro menino, que alisava sua gaivota de argila.

— Jesus! — chamou uma mulher na soleira da porta.

A voz muito doce encheu a noite, como um perfume o faria.

Logo o menino se levantou, deixando sua gaivota de barro.

E a gaivota de barro voou.



(Fonte: Jérome Tharaud, "Les contes de La Vierge" - Plon, Paris)



CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 5 de dezembro de 2021

O Menino Jesus do Espinho

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Uma piedosa lenda de Natal conta que o Menino Jesus sentado num troneto brincou tecendo uma coroa de espinhos.

E um espinho machucou seu dedo indicador da mão direita.

Nesse momento, com ciência profética, Ele previu os sofrimentos que haveria de aceitar para redimir o genro humano.

Veja vídeo
CLIQUE PARA VIDEO:
o sonho do Menino
Jesus do Espinho
Em sua doçura de criança e na candura de sua inocência infinita Ele pressentiu as dores lancinantes de sua Paixão e Morte na Cruz.

Contemplou também a glória de sua Ressurreição.

escola de Murillo
Anteviu a Redenção da humanidade, o triunfo universal da Igreja e da Cristandade.

Na iconografia tradicional, o Menino Jesus do Espinho aparece sentado numa poltrona com braços de madeira, estofada em veludo vermelho, meditando sobre os futuros tormentos da Paixão.

Numa outra tela do célebre pintor espanhol Francisco de Zurbarán (1598-1664)  o Menino Deus contempla o dedo sangrando.

O rosto mais sereno parece velado pelo presságio do sofrimento vindouro trazido pela ferida.

Assim também e representado na tela da escola de Murillo.


Visite nossas páginas dedicadas ao Natal.

Anônimo sevilhano
É uma clara premonição da Paixão de Cristo, através de uma descrição suave e melancólica.

O contraste entre a inocência e a doçura da criança com o horror da tortura toca os mais nobres sentimentos dos fiéis.

E inspira uma meditação apropriada para o Advento, período litúrgico iniciado no último domingo de novembro, tempo penitencial que nos prepara para bem receber no Natal ao Menino Jesus.

A piedosa lenda tem, aliás, diversas narrações em volta do tema central.

No vídeo, oferecemos uma delas adaptada para a imagem.




Vídeo: o Menino Jesus do Espinho




CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 26 de abril de 2020

O menino que dava seu pão ao Menino Jesus

"Siempre Real Santo Niño de Malolos", Filipinas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Vivia na cidade de Veneza um homem muito rico. Sua grande fortuna lhe permitia uma vida de luxo e comodidades.

Mas ele estava entristecido, sem poder desfrutar nada, pois todos os seus filhos morriam.

Tinha o coração triste, e nada o podia consolar.

Com satisfação trocaria todas as suas riquezas pelos filhos, embora ficasse na miséria, mas com eles.

Um único filho pequeno lhe restava.

Amedrontado com a ideia de perder também aquele, confiou-o ao abade de um mosteiro, convencido de que só a intervenção divina poderia conservar-lhe a vida.

O menino cresceu no mosteiro, em meio à dedicação de todos os monges, que gostavam dele e o atendiam.

Sempre alegre, percorria os claustros ou brincava nos jardins, onde admirava as flores ou comia os frutos que colhia.

Ele era o único menino ali.

Um dia, enquanto tomava sua merenda, entrou pela primeira vez na igreja, impressionando-se com a suntuosidade.

Ficou admirando com grande curiosidade a imagem da Virgem, que tinha nos braços o Menino Jesus, e alegrou-se por encontrar ali outro menino como ele.