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domingo, 5 de maio de 2024

Como o arcebispo Turpin soube
da partida de Carlos Magno para o Céu

Visão do arcebispo Turpin, vendo ao rei islâmico Marsile, inimigo de Carlos Magno levado ao inferno pelos demônios, Bibliothèque National de France, doc. FR2813_01_038
Visão do arcebispo Turpin, vendo ao rei islâmico Marsile, inimigo de Carlos Magno
levado ao inferno pelos demônios, Bibliothèque National de France, doc. FR2813_01_038
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






"Eu Turpin, arcebispo de Reims, estando em Viena, após ter celebrado a Missa em minha capela, como estava só para dizer minhas horas, tendo começado o Deus, in adjutorium meum, ouvi passar sob minhas janelas um grande bando que atraiu minha atenção; ele marchava em meio a muito barulho e clamores.

Abri a vidraça para ver o que causava esse tumulto; e, adiantando a cabeça, reconheci que era uma legião de demônios, mas tão numerosos que não era possível contá-la.

Ainda que eles fossem a grandes passos, percebi entre eles um demônio menos alto que os outros, cujo aspecto, contudo, era horrível.

Ele era precedido por um primeiro grupo, e marchava na liderança do segundo, que se entrelaçava após ele, a alguns passos de distância.

Eu o conjurei, no nome do Criador e pela fé cristã, de me declarar in loco aonde ele ia com esses grupos.

– Nós vamos, me respondeu ele, nos aproveitar da alma de Carlos Magno, que, nesse momento, parte desse mundo.

– Ides, eu lhe disse; e, pela mesma ordem que já vos destes, eu vos adjuro de passar novamente por aqui para me relatar o que tereis feito.

Ele se afastou. Desde que ele desapareceu com os seus, me coloquei a recitar o primeiro salmo da terça.

Mal havia terminado, quando ouvi todos esses demônios que retornavam.

A história de Turpin, manuscrito medieval
A história de Turpin, manuscrito medieval
Seu tumulto me obrigou a ir até a mesma janela, de onde eu os vi tristes, inquietos e abatidos.

Perguntei àquele que tinha falado comigo, para me declarar o que eles tinham feito e qual tinha sido o resultado de sua marcha.

– Muito mal, respondeu ele. Mal tínhamos chegado ao encontro, quando nos vimos intimados, com o arcanjo Miguel vindo até nós com suas falanges; estávamos, contudo, próximos de nos apoderar da alma de Carlos.

Mas dois homens sem cabeça, São Tiago da Galícia e São Dionísio de França, patronos do império dos Francos, estavam presentes na hora da morte de Carlos.

Eles colocaram, em um dos pratos de uma balança, todas as boas obras do príncipe que acabava de falecer.

Eles reuniram ali as igrejas, as abadias e os outros monumentos piedosos que ele tinha edificado, com os ornamentos e os diversos acessórios do culto do qual ele os tinha dotado.

Carlos Magno.Albrecht Dürer 1471 – 1528).
Não pudemos reunir muitos pecados para levantar o outro prato; e tão logo, as falanges de Miguel, felizes com nossa confusão e alegres por ter elevado a alma do monarca, nos flagelaram tão vivamente que eles agravaram a aflição de nosso insucesso.

Eu, Turpin, fui assegurado que a alma do príncipe, meu mestre, tinha sido elevada ao céu pelas mãos dos anjos bem-aventurados, pelo peso de suas boas obras, e pela proteção dos santos que reverenciou e serviu durante sua vida.

Logo, fiz vir meus clérigos, ordenei que soassem todos os sinos da cidade; e fiz dizer missas; distribui esmolas aos pobres; enfim, orei pela alma de Carlos, na esperança fundada de aliviar o peso de sua purificação.

Ao mesmo tempo, testemunhei a todos aqueles o que vira e que estava certo da morte do Imperador.

Dez dias depois, recebi uma carta que me trazia todos os detalhes do ocorrido, e me instruía que o santo monarca tinha sido enterrado na igreja que ele mesmo tinha fundado, em Aix-la-Chapelle."




(Autor: J. Collin de Plancy, “Légendes de l'autre monde”, Paris, Henri Plon, p.69, apud Annales Historiae).


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domingo, 7 de abril de 2024

Frei Garin e os artifícios do diabo

Montserrat, panoramica
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Em 859, sendo Conde de Barcelona Vifredo o Zeloso, havia na montanha de Montserrat um anacoreta chamado Garin, que possuía grande virtude e piedade.

Todas as manhãs subia nos picos das montanhas, para louvar a Deus em sua grandeza, e quando voltava à sua gruta o sino da igreja de São Acisdo tocava sozinho para saudá-lo.

O demônio, muito contrariado, se propôs a perdê-lo, e para isto empregou todas as suas armas.

Uma manhã, Frei Garin subiu a São Jerônimo, o pico mais alto de Montserrat, com o afã de ver mais de perto o céu, de sentir-se mais próximo de Deus.

Porém, naquele dia, pela primeira vez, o demônio o tentou a olhar para o lindo campo, em vez de olhar para o céu.

Contemplou longamente as serras de Valência e de Aragão. Embevecido, avistou Mallorca e os campos de Catalunha. Ao ver-se acima de todos, sentiu-se orgulhoso de sua própria grandeza.

Dominava tudo, tudo podia contemplar. Sentia-se dono de tudo.

Montserrat, panoramica

Naquela manhã, quando desceu até sua gruta, depois de ter rezado com menos devoção que de costume, o sino de São Acisdo tocou, em lugar dos habituais toques alegres, um som triste, como de lamento.

O demônio descobriu que o anacoreta não era invulnerável a defeitos e debilidades humanas.

Ao pé da montanha de Montserrat abre-se um poço que ainda hoje se chama do diabo.

Desse poço, Lúcifer saiu uma tarde para traçar planos com o demônio que havia enviado contra o anacoreta.

Lúcifer ordenou ao diabo que fosse ao palácio do Conde de Barcelona, o famoso palácio de Validauva, e se apossasse do espírito de Riquilda, a filha do Conde, que era uma jovem riquíssima e virtuosa.

Feito isto, o diabo devia sugerir ao conde que unicamente a oração de Frei Garin diante de Riquilda, em Montserrat, durante nove dias, poderia livrá-la do espírito do mal.

Lúcifer reservou também a si um importante papel. Disfarçado de ermitão, se dirigiu à montanha.

Escolheu uma gruta entre as muitas que há entre as rochas, e esperou um momento oportuno para sair ao encontro de Frei Garin.

Ao cair da tarde do dia seguinte, o viu subir a São Jerônimo. Fingindo que rezava, foi ao seu encontro.

Frei Garin, surpreendido ao vê-lo, perguntou quando havia vindo a Montserrat. O falso frade, mentindo, lhe disse que há trinta anos fazia penitência naquela abrupta montanha.

Levou-o à sua gruta, onde só faltava a cruz. Quando Frei Garin notou isto, o velho ermitão lhe disse que as cruzes e imagens custavam muito dinheiro, o que ele não tinha.

Por outro lado, a grandeza de Deus era tanta, que lhe parecia pouca coisa venerar as imagens. Deus também não poderia encerrar-se em quatro paredes.

Seu altar eram aquelas tremendas montanhas. Seu templo, o universo. Assim, nesse tom, continuou falando o velho "ermitão", conquistando por completo o coração puro e bondoso de Frei Garin, que o escutava entusiasmado.

Desde aquele dia, todas as tardes subia o jovem para consultar o velho em suas dúvidas, suas vacilações, sobretudo quanto ao que sentia e pensava.

Entretanto, no palácio de Validauva estava Riquilda vestindo-se uma manhã, para dirigir-se à igreja e fazer suas orações.

Tinha a janela aberta, e por ela entravam e saíam livremente os pássaros.

Entre eles entrou um pardal, que se aproximou da jovem e cantou ao seu ouvido alegres cânticos, inspirando-lhe estranhos pensamentos e sensações que nunca tinha tido.

Olhou-se no espelho e sentiu-se mais bela do que de costume. Instintivamente se adornou com colares de pérolas e jóias que nunca usava. Para pôr o colar, tirou a cruz benta que levava desde que nascera.

No mesmo momento caiu, rolando pelo chão. Empalideceu e começou a soltar horríveis gritos.

A condessa, assustada, correu ao quarto de sua filha. Ao vê-la em convulsões, como se estivesse sofrendo grandes dores, chamou um médico judeu de grande talento e fama.

O médico, depois de examinar a enferma, declarou que aquele mal não podia ser curado pela medicina. Riquilda estava possessa.

Todo o palácio era dor e consternação. Por ordem do Conde Vifredo, que muito gostava de Riquilda, tomaram a jovem e a levaram à catedral bizantina.

Ali ataram-na numa coluna, ante o altar da cripta.

O velho sacerdote cingiu a cintura de Riquilda com uma estola e ordenou ao diabo que abandonasse o corpo da jovem.

Então, ante o terror e a surpresa de todos, ouviu-se uma voz rouca e profunda, que dizia que somente abandonaria o corpo da jovem se fosse ordenado a Frei Garin, o anacoreta de Montserrat, que ficasse rezando aos pés de Riquilda durante nove dias e nove noites.

Ao ouvir estas palavras, o Conde Vifredo ordenou que se organizasse imediatamente a procura de Frei Garin.

Por fim encontraram-no, e disseram-lhe a condição que o demônio havia imposto para sair do corpo da jovem.

Frei Garin foi até o velho ermitão, para consultá-lo sobre a delicada questão. Este, logo ao ouvir o problema, recomendou que sem demora Frei Garin cumprisse o que o demônio havia proposto.

Inclusive ele, o velho ermitão, o acompanharia nesta ocasião durante os nove dias e nove noites.

Assim, Frei Garin começou a rezar diante da jovem condessa, a fim de terminar a possessão. E Lúcifer começou a tentá-lo, para que pecasse com a jovem.

Frei Garin, através da oração, resistiu fortemente, mas pouco a pouco, esquecendo-se de sua fraqueza, de sua contingência, foi cada vez mais confiando em suas próprias forças, até que no nono dia ele cedeu à tentação e pecou com a jovem.

Nisto chegou o velho falso ermitão. Logo que o viu, Frei Garin, arrependido, correu para contar-lhe o sucedido.

O velho disse então que só haveria perdão se Frei Garin matasse a jovem e a enterrasse ali mesmo.

Diante do velho ermitão, Frei Garin, com um punhal, matou a jovem Riquilda.

Depois os dois a enterraram, e no momento em que sobre a pobre donzela caía a última porção de terra, o velho ermitão, transformando-se de novo em demônio, estalou em uma sonora gargalhada, que retumbou lugubremente por toda a montanha.

Frei Garin compreendeu então que havia sido vítima de um engano horroroso. Mas isso não reduzia em nada a maldade de seu duplo pecado.

O penitente caiu sobre a tumba, chorando desesperadamente, e ouviu o sino de São Acisdo, que sozinho tocava finados pela morte da filha do conde.

Frei Garin partiu na mesma noite a caminho de Roma, para pedir perdão a Deus.

Pelo mesmo caminho que fez para chegar à cidade eterna, retornou depois andando de quatro, cumprindo a penitência imposta pelo Santo Padre.

Pois, como havia pecado como animal, como animal devia viver, comendo ervas e raízes que arrancasse do chão com os dentes, até que Deus ordenasse outra coisa.

Atravessou o Llogrebat e voltou à sua gruta, onde encontrou o crucifixo no chão.

Desde então, todos os dias chorava Frei Garin, recordando seus pecados. Também choravam os condes no palácio de Valudauva, em Barcelona, pelo estranho desaparecimento de sua filha, que não conseguiam entender.

Nada sabiam de Riquilda e de Frei Garin, até que um dia, saindo Vifredo nos arredores de Montserrat, se aproximou do lugar onde se havia despedido de sua filha meses antes. Ali chorou o conde abundantemente.

Nossa Senhora dos Desamparados, ValenciaDe repente, muito perto do lugar onde estava o conde, soou um corno de caça. Correu o conde pressuroso, e viu seus cavaleiros que estavam encurralando um estranho animal desconhecido.

Vendo que não era uma fera, o laçaram e levaram arrastando até Barcelona. Ali o deixaram abandonado num canto do palácio, porque outro acontecimento mais importante chamou a atenção do conde.

A condessa deu à luz um menino. O batismo foi celebrado com grande pompa, e ao serem cantadas as gestas do conde, entre as quais figurava a morte do dragão em São Lourenço, recordaram-se do monstro que haviam capturado em Montserrat.

O conde pediu que o trouxessem, para observá-lo. Feito isto, todos o contemplaram com admiração.

Alguns achavam que tinha certa semelhança com um homem; outros, que sua maneira de andar lembrava um urso. O monstro aceitava as carícias humildemente e beijava os pés de seus convidados.

Entretanto, acordou o recém-nascido, e abrindo os olhos, contemplou longamente o monstro. Ante a surpresa geral, falou o recém-nascido:

— Levanta-te, Frei Garin, que Deus já te perdoou.

Levantou-se então Frei Garin, deixando a todos consternados. O conde pediu contas do paradeiro de sua filha. Frei Garin lhe contou que estava morta, e pediu castigo para seu horrendo crime.

O conde, magnânimo, perdoou a quem Deus já havia perdoado.

Os condes quiseram que se rezasse uma Missa no lugar onde descansavam os restos mortais de sua filha. Anos mais tarde se erigiu ali um mosteiro de monjas beneditinas, em memória da filha do conde.


(Fonte: V. Garcia de Diego, "Antología de Leyendas de la Literatura Universal" - Labor, Madrid, 1953)


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domingo, 17 de março de 2024

A Ponte do Diabo em Thueyts

Igreja da cidadinha de Thueyts
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Em Ardèche, a pequena cidade de Thueyts parece muito calma. Mas essa tranquilidade esconde um terrível segredo.

Na origem dele está uma ponte muito antiga que atravessa o rio Ardèche.

Há muito tempo, um casalzinho de adolescentes de Thueyts ficou secretamente namorado. E combinaram de se encontrar numa pequena mata.

Essa mata era bonita e muito cheia de folhas, mas ficava de outro lado do rio e não havia ponte. A única solução era caminhar três léguas para cruzar pela ponte da cidade vizinha.

A solução era fatigante.

Um belo dia, o rapaz foi até o córrego e tempesteou violentamente dando fortes brados:

‒ “A quem lhe ocorreu fazer este barranco de pedra? Por acaso nós somos amaldiçoados para não termos uma ponte igual que nossos vizinhos? Não é justo!”

“O que te falta para ter a felicidade, meu maravilhoso amigo?”
Subitamente, vindo de não se sabe onde, um curioso personagem aproximou-se do moço louco de sentimentalismo:

‒ “O que te acontece meu amigo”, sussurrou melosamente o desconhecido.

‒ “Bem, nada, apenas um desabafo” respondeu o doido de amor.

‒ “Chega disso meu jovem companheiro. Como é que um rapaz tão belo, tão forte, tão inteligente e tão esperto pode lamentar alguma coisa?”

O moço sentiu o peito estufar.

‒ “O que te falta para ter a felicidade, meu maravilhoso amigo?”, prosseguiu o singular ignoto.

‒ “Nada que tu possas fazer!”, exclamou o inexperiente.

‒ “Você acredita? Eu tenho muitos colegas que me ajudam com frequência, e nada me é impossível!” gracejou o forasteiro.

‒ “Uma ponte! Eu quero uma ponte! Aqui! Onde nós estamos! Mas, isso é uma tarefa impossível”, gemeu exasperado o jovem seduzido.

‒ “Ohhhh, só isso! Não há nada mais fácil!”

O bisonho galante não era tão bobo e percebeu que aquela figura esquisita era um enviado satânico. Mas, ele quis mostrar perspicácia e respondeu:

A ponte do conto, Thueyts
‒ “Eu acho que você quer me pedir algo em troca, ide satanizar outro, bom homem”, disse achando ter feito um belo jogo de palavras.

‒ “Nada disso, eu só tenho vontade de vos agradar”.

‒ “O quê?” falou surpreso o jovem melado.

‒ “Agora eu tenho que partir. Já é tarde, mas eu voltarei”, murmurou o ser misterioso com voz que parecia sair de um túmulo.

Alguns dias depois, os habitantes de Thueyts descobriram uma ponte que atravessava magnificamente o rio Ardèche. Os apressados amantes foram os primeiros a testá-lo. Porém, nunca voltaram.

Desde aquele dia, o povo está convencido que os casais adolescentes que o atravessam desaparecem.

Alguns pensam no diabo. O pároco lembra sempre aos fiéis que Deus pune aqueles que alimentam amores ilegítimos.

E nas noites em que o vento bate com força, os velhos habitantes dizem ouvir os gemidos dos precitos no inferno.



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domingo, 5 de novembro de 2023

Rico sem trabalhar

O tesouro do castelo de Hohenstein
O tesouro do castelo de Hohenstein
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Ainda sobram umas ruínas do castelo de Hohenstein, na Alemanha.

Elas não dão ideia da grandeza daquela cidadela medieval, e da riqueza de seu senhor.

Mas, em volta dela, corre ma lenda. Ela conta que:

“Há já muito tempo, naquela densa floresta, um lenhador trabalhava duramente perto da cidadela.

“O lenhador, entretanto, acariciava um sonho. Ele até falava em alta voz, quando ninguém o ouvia:

‒ “Que tal ficar rico sem trabalhar? Uma sorte, um inesperado, e a gente acha um tesouro. Ah! Nunca mais trabalhar... que bom!

“O diabo que andava por ali perto pegou a coisa no ar e aprontou uma das dele.

“Quando os últimos raios de sol desapareceram por trás da colina, o lenhador parou seu serviço e pegou o caminho de volta.

“O demônio tinha ali montado uma arapuca.

“Como de pura sorte o lenhador julgou perceber entre as ruínas do castelo uma curiosa pilha de materiais transparentes e desconhecidos.

“Pareciam com asas de besouros, insetos que havia em grande quantidade naquele bosque.

“Ele achou estranho, mas ele estava certo que ninguém acreditaria se contava ter achado isso.

Ruínas do castelo de Hohenstein
Ruínas do castelo de Hohenstein
“De fato, os besouros não se reúnem nesse número para morrerem juntos.

“Ele, então coletou a mancheia essa estranha matéria e a colocou delicadamente na sua bolsa.

“Mas, eis que se afastando das ruínas, a matéria começou a pesar cada vez mais.

“Sem dúvida, a fadiga de uma jornada particularmente difícil e longa fazia sentir seus efeitos.

“Ele já não conseguia caminhar mais com aquele peso todo. Não podia mais!

“Se livrar desse peso tornou-se sua maior preocupação.

“Perto do fosso da antiga muralha, ele jogou todo o conteúdo de sua bolsa.

“Nessa hora, em lugar de asas de besouro caíram belas moedas de oro que sumiram entre as pedras e as fendas do fosso.

“Os olhos do lenhador abriram-se enormes, ele estava fascinado pela descoberta!

“Ouro! Rico... riquíssimo... sem trabalhar... por um simples acaso... um mero achado...!

“Ele tentou tudo o que podia para recuperar as moedas, remexeu a terra, levantou as pedras, arrancou o capim...

Ruínas do castelo de Hohenstein
“Mas tudo foi em vão! As moedas se escondiam entre as ruínas do castelo.

“Ele então lembrou aquela pilha esquisita ao lado do caminho e voltou.

“Ele ficaria rico... para sempre... moedas de ouro.... muitas moedas... muito ouro...

“Ele voltou a procurar as asas de besouro. Mas, ... não ficava nada.

“Tudo havia desaparecido.

“Ele não quis acreditar.

“O sonho dele era mais forte do que tudo.

“Começou a procurar, procurar, procurar...

“Desde aquele dia, quando a noite começa a descer perto das ruínas fantasmais do castelo, os passeantes perdidos contam que uma figura estranha remexe o fosso da velha praça forte.

“Eles não sabem, mas é o lenhador que sonhava de olhos abertos em ficar rico sem trabalhar e que há séculos escava as ruínas à procura de seu cobiçado tesouro.”





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