domingo, 21 de junho de 2020

A lenda do desterrado


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Quem tem pecado muito e teme por sua salvação, que ouça uma lenda alemã adequada.

Um pobre desterrado retornava à pátria após 30 anos de ausência.

Os padecimentos haviam-no encanecido, e o haviam tornado irreconhecível.

À entrada do lugar, topou uns companheiros de sua juventude e estendeu-lhes a mão para saudá-los.

Mas eles recusaram o cumprimento, pois não o reconheceram.

O desterrado foi adiante e viu um irmão seu, com quem havia trabalhado, comido e dormido.

Chamou-o, mas o outro não o reconheceu e o fitou com desprezo.

Pobre desterrado! Entrementes era insultado pela garotada, e mantido debaixo do olho da polícia. Dando mais uns passos, viu à sacada sua irmã.

Gritou a ela, com afeição:

— Minha irmã!

Mas também ela o não reconheceu, e lhe virou as costas.

Finalmente, desanimado e humilhado, chegou à casa paterna. Uma velha vestida de luto estava sentada perto da porta. Era sua mãe.

— Ao menos esta reconhecer-me-á — dizia o infeliz.

Aproximou-se dela. A mulher fitou o forasteiro e o reconheceu logo.

— Oh! o meu filho! — exclamou enternecida. Mãe e filho se apertaram num longo abraço.

Eis o que faz a mãe afetuosa. E é o que faz Maria com os pecadores.


(G. Mortarino. J.C., "A palavra de Deus em exemplos" - Paulinas, SP, 1961, pp. 287-288)



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domingo, 7 de junho de 2020

O enforcado de La Piroche

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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La Piroche é uma aldeia que deve ser como todas as outras; a ação se desenrola justamente em 1448; que um dos dois homens é o pai do outro, ambos camponeses, e vão trotando em seus cavalos a uma velocidade até razoável, tendo em vista que carregam camponeses.

— Será que chegaremos a tempo? — perguntava o filho.
— Sim. Vai ser às duas horas, e pela posição do sol deve ser ainda meio-dia.
— Não quero perder, pois tenho muita curiosidade em ver como é. Vão enforcá-lo com a armadura que roubou?
— Exatamente.
— Onde já se viu, o sujeito ter a idéia de roubar uma armadura!
— O difícil não é ter a idéia...
— É ter a armadura, eu bem sei — atalhou o filho, aderindo à brincadeira do pai. — E a armadura era boa?
— Dizem que era magnífica, toda marchetada de ouro.
— E o pegaram quando a levava?
— Sim. É fácil compreender que uma armadura não concorda em ser roubada sem montar um escarcéu de todo tamanho. Ela não queria abandonar o dono.
— Era de aço, e deveria ser muito pesada.
— O ruído que ela produzia despertou o pessoal do castelo.
— E logo puseram a mão no ladrão?
— Não exatamente assim. Primeiro ficaram com medo.
— Quem é roubado sempre sente medo dos ladrões. Se não fosse assim, os ladrões não levariam nenhuma vantagem.

— E também as vítimas não sofreriam nenhuma emoção. Mas o caso é que o pessoal do castelo não se julgava diante de ladrões.
— Diante de quem, então?
— De um fantasma. O infeliz era muito forte, e carregava a armadura de pé, na frente do próprio corpo, mantendo a cintura dela na altura da própria cabeça. Quem via, na obscuridade, tinha a impressão de um gigante. Acrescente a isso o ruído surdo que o ladrão ia fazendo por detrás da ferragem, e entenderá o espanto dos criados. Por azar dele os criados foram acordar o senhor de La Piroche, que não tem medo de vivos nem de defuntos. Ele sozinho o prendeu, amarrou-lhe as mãos e pés e o entregou à sua própria justiça.

— E a sua própria justiça...
— Condenou-o a ser enforcado, revestido da armadura em questão.
— Por que puseram esta cláusula na condenação?
— Ah! Porque o senhor de La Piroche, além de ser um valoroso capitão, é um homem de bom senso, engenhoso, e quis transformar a execução num exemplo para os demais e em proveito para si próprio. Segundo dizem, aquilo que esteve em contato com um enforcado se transforma em talismã para seu dono, e ele quis o delinqüente dentro da armadura para poder recolhê-la depois, e assim contar com uma proteção a mais durante as próximas guerras.
— Bem engenhoso, de fato. Mas é bom nos apressarmos, porque não quero perder o espetáculo.
— Não vale a pena cansar os cavalos, pois vamos prosseguir viagem uma légua depois de La Piroche, e depois ainda voltar a La Poterie.
— Sim, mas como só voltaremos à noite, nossos cavalos poderão descansar umas cinco ou seis horas.

Pai e filho prosseguiram caminho conversando, e meia hora depois chegaram a La Piroche. Havia grande afluxo de gente na ampla praça diante do castelo, onde se havia erguido o patíbulo: uma preciosa forca de madeira muito boa, na verdade pouco alta, mas o suficiente para que a morte desenvolvesse o seu trabalho entre o solo e a extremidade da corda.

O condenado podia contar com um lindo panorama para morrer, pois ficaria com o rosto voltado para o oceano. Seria um consolo, embora me pareça bem insuficiente. O mar estava azul, e de vez em quando deslizava pelo azul do céu uma nuvem branca, como um anjo que dirigisse a Deus uma prece.

Os dois companheiros se aproximaram do patíbulo o quanto puderam, para não perder nenhum detalhe do que ia acontecer. Tinham a vantagem de estar montados, e podiam ver melhor sem se cansar. Não esperaram muito. Pouco antes das duas horas abriu-se a porta do castelo e apareceu o condenado, precedido da guarda e seguido do carrasco.

Vinha com a armadura, montado de costas em um burro sem arreios. As mãos estavam amarradas às costas. A julgar pela postura, tendo em vista que o rosto estava encoberto pelo elmo, devia estar pouco à vontade, e fazendo as mais tristes reflexões.

Levaram-no até o patíbulo, e começou a desenrolar-se ante o réu uma cena pouco agradável. O verdugo acabava de encostar a sua escada na forca, e o capelão lia o processo do alto de um estrado. O condenado não se movia, e espalhou-se o boato de que ele resolvera morrer antes de ser alçado à forca, para desgosto dos espectadores.

Mandaram que ele apeasse do animal e se aproximasse do verdugo, mas ele continuou imóvel. Indecisão que compreendemos facilmente. Então o verdugo o agarrou pelos cotovelos, desceu-o do burro e o pôs de pé no chão. Ao dizer que o pôs de pé, não mentimos, mas mentiríamos se disséssemos que permaneceu assim, pois em dois minutos havia percorrido dois terços do alfabeto, o que na linguagem corrente quer dizer que em vez de permanecer reto como um I, havia chegado ao Z.

Durante esse tempo o capelão terminara a leitura da sentença.
— O condenado tem algo a pedir? — perguntou.
— Sim — respondeu o desgraçado, com voz rouca e triste.
— O que deseja?
— Quero meu indulto.
Não sei se a palavra farsante já havia sido inventada, mas a ocasião para isso era sem dúvida muito boa.

O senhor de La Piroche deu de ombros e ordenou ao verdugo que pusesse mãos à obra. Este começou a subir decididamente a escada do patíbulo, com toda a força de que dispunha para separar uma alma do corpo.

Tratou também de fazer subir na frente o condenado, o que não era tarefa fácil, pois os condenados inventam toda sorte de dificuldades para morrer. Para fazê-lo subir, o executor da justiça teve de recorrer ao meio de que já se valera para fazê-lo descer do animal: agarrou-o pela cintura e o foi empurrando para cima.
— Bravo! — gritou a multidão.

Não havia recurso, e ele teve de subir. Então o verdugo passou destramente o nó corrediço da forca em torno do pescoço, deu um empurrão nas costas do condenado e o lançou no espaço. Um imenso clamor acolheu esse desenlace previsto, e um estremecimento correu a multidão.

Por grande que seja o crime que tenha cometido, um homem que morre na forca está sempre, ao menos durante um instante, acima dos que o vêem morrer. O enforcado balançou durante dois ou três minutos na ponta da corda. Como tinha direito a isso, debateu-se, contorceu-se, e depois ficou imóvel — o caminho inverso do Z ao I. Os espectadores ficaram olhando ainda durante algum tempo, logo se dividiram em grupos e tomaram caminho de casa.

Os dois camponeses também retomaram o caminho.
— Ser enforcado por não ter podido roubar uma armadura é um pouco caro, não acha? — perguntou o pai.
— Gostaria de saber o que ele teria feito com a armadura, se tivesse conseguido levá-la.
— De fato ele foi mais castigado por um crime que não cometeu.
— Sim, mas teve a intenção de cometê-lo.
— E basta a intenção para...
— É perfeitamente justo.

Chegando ao alto de uma montanha, olharam para trás, a fim de contemplar pela última vez a silhueta do desconhecido. Vinte minutos depois chegaram ao povoado seguinte, de onde deviam voltar à noite.

Quando amanheceu o dia seguinte, dois soldados saíram do castelo para remover o cadáver do enforcado e recolher a armadura. Mas encontraram uma situação que nem de longe poderiam imaginar: tudo estava no lugar, mas o enforcado e a armadura haviam desaparecido. Julgaram que estavam sonhando, esfregaram os olhos, mas o fato era real.

O enforcado e a armadura haviam sumido. E o mais extraordinário é que a corda não estava cortada nem rompida, permanecia como antes do enforcamento.

Os soldados foram anunciar ao senhor de La Piroche o que viram, mas este não quis acreditar, e decidiu confirmar com seus próprios olhos. Sendo tão poderoso, pensava que um mísero enforcado não ousaria desobedecer-lhe, e o encontraria onde o mandara ficar. Mas não viu nada além do que os outros haviam visto. Que teria acontecido? Não havia dúvida de que na véspera o sentenciado ficara bem morto ante os olhos de todos.

Teria um outro ladrão aproveitado as trevas noturnas para roubar a armadura? Mas se fosse assim, teria deixado o cadáver, que de nada lhe adiantaria. Será que os amigos e parentes do morto quiseram dar-lhe uma sepultura cristã? A hipótese não era absurda, mas o delinqüente não tinha amigos nem familiares. Mesmo se os tivesse, eles teriam se limitado a carregar o cadáver, deixando a armadura. O que pensar do ocorrido?

Desolado pela perda da armadura, o senhor de La Piroche mandou publicar a promessa de uma recompensa de dez moedas de ouro, para quem entregasse o culpado, desde que com a roupa usada na execução. Ninguém se apresentou. Foram revistadas todas as casas, mas nada se encontrou. Fizeram então vir de Rennes um sábio, e lhe puseram a pergunta:
— Como é que um enforcado morto pôde fazer para livrar-se da corda que o mantinha no ar?
Depois de oito dias de meditação o sábio respondeu:
— Ele não conseguiu soltar-se.
Apresentaram-lhe então a seguinte pergunta:
— Um ladrão que não conseguiu roubar enquanto vivo, e que foi condenado à morte por roubo, pode roubar depois de morto?
O sábio respondeu que sim. Indagado como poderia ter conseguido essa façanha, respondeu que não sabia. E era o maior sábio da época, naquelas paragens.

O sábio foi embora, e as pessoas preferiram ficar com a convicção de que o enforcado era um feiticeiro.

Passou-se um mês de inquéritos, buscas e consultas, enquanto a forca permanecia no mesmo lugar, humilhada, triste e desprezada por sua atitude inominável de abuso de confiança. O senhor de La Piroche já se dispunha a resignar-se com a perda da armadura, quando num certo dia, ao despertar, ouviu um alarido na praça da execução. Logo depois o capelão entrou espavorido nos seus aposentos.
— Senhor, sabeis o que aconteceu?
— Não, mas gostaria de saber.
— O enforcado reapareceu, e está lá na forca.
— Com a armadura?
— Sim, com a vossa armadura.
— E está morto?
— Completamente. Mas...
— Mas o quê?
— Quando foi enforcado ele usava esporas?
— Não.
— Pois agora usa. Além disso, agora o elmo não está na cabeça, como no dia da execução. Está enforcado com a cabeça descoberta, e o elmo está cuidadosamente colocado no chão.
— Vamos ver logo tudo isso, senhor capelão.

O senhor de La Piroche correu à praça, já cheia de curiosos. De fato lá estava o enforcado com o pescoço no laço da corda, e logo abaixo o corpo revestido da armadura. Era prodigioso.
— Arrependeu-se e voltou a enforcar-se — dizia um.
— Sempre esteve aí — dizia outro. — Nós é que não o víamos.
— Mas por que usa esporas? — perguntou um terceiro.
— Sem dúvida por que vem de longe, e quis chegar rápido.
— Se fosse comigo, não importa se longe ou perto, eu não teria voltado de jeito nenhum.

Entre comentários sérios e outros nem tanto, todos olhavam a cara contorcida do morto. Quanto ao senhor de La Piroche, só pensava em assegurar a posse da sua preciosa armadura. O cadáver foi descido, retirada a armadura, e depois o recolocaram para ser comido pelos corvos. O que sem dúvida nos lembra versos como os que colocávamos na primeira página dos nossos livros escolares:

Morreu Pierrô enforcado
Por ter um livro roubado.
Não corra tão grande risco,
Devolva este ao Francisco.

Que teria acontecido, para possibilitar ao ladrão escapar depois de enforcado, e depois voltar a enforcar-se? Várias hipóteses foram levantadas, mas uma delas me parece a mais digna de crédito. Vou relatá-la como me foi contada.

Quando os dois camponeses, pai e filho, regressavam à noite para casa, resolveram passar perto do castelo, para dar uma última olhada ao enforcado. Ao aproximar-se, ouviram gemidos e uma espécie de oração, que pareciam vir do cadáver. Um tanto apavorados, resolveram pegar a escada do verdugo, e o filho subiu por ela até a altura da cabeça do enforcado.
— É você que está se queixando?
— Sim.
— Portanto você ainda está vivo?
— Acho que sim.
— E está arrependido do que fez?
— Sim.
— Então vou retirá-lo daí. Como o Evangelho manda socorrer os que sofrem, e você está sofrendo, vou socorrê-lo para que empregue a vida em fazer o bem. Deus prefere uma alma arrependida a um corpo castigado.

O pai e o filho desataram a corda, e só então entenderam por que estava ainda vivo. Em vez de apertar o pescoço do ladrão, a corda apertava o pino de encaixe do elmo. Por isso ele ficara suspenso, mas não enforcado. A cabeça havia encontrado uma espécie de ponto de apoio dentro do elmo, permitindo-lhe respirar e viver até o momento em que os dois camponeses regressaram.

Recolheram o enforcado com a armadura e voltaram para La Poterie, onde o ladrão ficou aos cuidados das mulheres da casa, mãe e filha.

Mas não é coisa freqüente um ladrão mudar de condição. Na casa só havia duas coisas roubáveis: o cavalo e a moça, donzela de dezesseis anos. O ex-enforcado resolveu levar ambos, pois precisava de um cavalo e se enamorara da moça. Uma noite ele arreou o cavalo, vestiu a armadura, calçou esporas para fazer o cavalo andar mais depressa, e foi buscar a moça, com intenção de levá-la na garupa.

A jovem despertou e começou a gritar. Pai e filho acudiram logo e o ladrão tentou escapar, mas era tarde. Os dois o pegaram e decidiram fazer justiça por sua própria conta, completando o mau trabalho do verdugo.

Amarraram o ladrão montado no cavalo e o levaram à praça de La Piroche. Penduraram-no na mesma forca, mas desta vez pelo pescoço do condenado, e não pelo da armadura, que não tinha nenhuma culpa no cartório para ser enforcada, e o elmo foi cuidadosamente depositado no chão.

Se alguém conhece uma explicação melhor para o mistério, estou pronto a aceitá-la, mas esta me pareceu suficiente.


(Alexandre Dumas Fº, in R. Menéndez Pidal, "Antología de cuentos" - Labor, Barcelona, 1953)



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domingo, 24 de maio de 2020

Um olho por minha Mãe


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Um menino órfão que vivia aos cuidados dos padres da Catedral de Notre Dame, começou a andar um pouco triste e pensativo.

O padre vendo a tristeza no rosto inocente se aproximou e perguntou-lhe:

– O que está acontecendo? Por que tens andado pensativo e tão triste?

– É que eu vejo que muitos meninos tem uma mãe para poderem abraçar, mas eu não tenho nenhuma – respondeu o menino.

O padre se compadecendo da situação daquele menino inocente, lhe falou com um sorriso caridoso:

– Meu filho, você não sabe que você tem a Mãe mais bonita de todas as Mães? Para as crianças órfãs, Nossa Senhora assume uma maternidade toda especial.

Todo contente e já confortado, saiu de lá com a convicção alegre de que sua Mãe era a mais bonita de todas as Mães…

Toda a vez que ia à Catedral, rezava de modo mais especial, porém com um pedido inesperado: o menino queria ver sua Mãe pessoalmente.

Para isso não só rezava, mas fazia sacrifícios também.

Num desses dias maravilhosos do mês de maio, Paris estava toda florida. A Catedral estava toda ornada com flores.

Logo pela manhã o menino apareceu desmaiado perto da imagem de Nossa Senhora.

Sendo socorrido pelo Padre e cercado pelos fiéis, o menino acorda nos braços do religioso com um sorriso celestial.

Perguntam-lhe o que aconteceu e ele responde:

– Minha Mãe atendeu meu pedido, Nossa Senhora me apareceu e ela é realmente a mais bonita de todas as Mães.

– Mas o que aconteceu com seus olhos? – respondeu-lhe o padre, vendo o olho direito do menino branco e opaco como se tivesse passado uma lixa.

– É que Nossa Senhora me pediu um sacrifício em troca. Ela me apareceu mas disse que eu não iria enxergar mais do olho direito.

O Milagre se espalhou como um vendaval pela região.

Muitas pessoas iam na Catedral pela manhã, só para ver o menino rezar para a Santíssima Virgem.

Perguntavam a ele o que ele estava pedindo desta vez. E ele sempre respondia:

– Quero ver novamente minha Mãe que está no Céu.

– Mas e se Nossa Senhora lhe pedir o outro olho e você ficar definitivamente cego? – retrucavam.

Ao que respondia:

– Minha Mãe que está no Céu é tão linda, que depois de vê-la novamente, não quero ver mais nada neste mundo.

E assim passou-se um mês de orações e penitências.

E certa manhã, enquanto rezava diante da imagem de Nossa Senhora, o menino ergueu a cabeça, sorriu e desmaiou novamente.

Todos os que estavam no local perguntavam entre si, se o menino teria visto a Santíssima Virgem novamente.


O tumulto de pessoas estava tornando-se grande.

O Padre acolheu o menino nos braços novamente e chamava-o pelo nome…

Na sua face tinha um brilho extraordinário… Ainda com os olhos fechados o menino exclamou:

– Eu vi minha Mãe!

E ao abrir os olhos, os dois estavam normais.

Nossa Senhora tinha restituído o olho direito do menino, deixando-o com a visão perfeita.

Quão bondosa é nossa Mãe que está no Céu, mas muitas vezes para que ela atenda nossos pedidos, ela manda uma provação para testar a nossa fé.





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domingo, 10 de maio de 2020

Como Santa Clara foi miraculosamente transportada, na noite de Natal, à igreja de São Francisco e aí assistiu ao ofício


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Estando uma vez Santa Clara gravemente enferma, tanto que não podia ir dizer o oficio na igreja com as outras freiras, chegando a solenidade da Natividade de Cristo, todas as outras foram a Matinas.

E ela ficou sozinha no leito, malcontente por não poder juntamente com as outras ir e ter aquela consolação espiritual.

Mas Jesus Cristo, seu esposo, não querendo deixá-la assim desconsolada, fê-la miraculosamente transportar à igreja de São Francisco e assistir a todo o ofício e à missa da meia-noite.

E, além disto, receber a santa comunhão e depois ser trazida ao leito.

Voltando as freiras para junto de Santa Clara, acabado o oficio em São Damião, disseram-lhe:

‒ “Ó nossa mãe, Soror Clara, que grande consolação tivemos nesta noite de santa Natividade!

“Prouvesse a Deus que houvésseis estado conosco!”

E Santa Clara respondeu:

‒ “Graças e louvores rendo ao meu Senhor Cristo bendito, irmãs minhas e filhas caríssimas.

“Porque a todas as solenidades desta santíssima noite e maiores do que as que assististes, assisti eu com muita consolação de minha alma.

“Porque, por procuração do meu Pai São Francisco e pela graça de meu Senhor Jesus Cristo, estive presente na igreja do meu Pai São Francisco.

“E com as minhas orelhas corporais e mentais ouvi o canto e o som dos órgãos que aí tocaram; e lá mesmo recebi a santa comunhão.

“E por tanta graça a mim concedida rejubilai-vos e agradecei a Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Amém.


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domingo, 26 de abril de 2020

O menino que dava seu pão ao Menino Jesus

"Siempre Real Santo Niño de Malolos", Filipinas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Vivia na cidade de Veneza um homem muito rico. Sua grande fortuna lhe permitia uma vida de luxo e comodidades.

Mas ele estava entristecido, sem poder desfrutar nada, pois todos os seus filhos morriam.

Tinha o coração triste, e nada o podia consolar.

Com satisfação trocaria todas as suas riquezas pelos filhos, embora ficasse na miséria, mas com eles.

Um único filho pequeno lhe restava.

Amedrontado com a ideia de perder também aquele, confiou-o ao abade de um mosteiro, convencido de que só a intervenção divina poderia conservar-lhe a vida.

O menino cresceu no mosteiro, em meio à dedicação de todos os monges, que gostavam dele e o atendiam.

Sempre alegre, percorria os claustros ou brincava nos jardins, onde admirava as flores ou comia os frutos que colhia.

Ele era o único menino ali.

Um dia, enquanto tomava sua merenda, entrou pela primeira vez na igreja, impressionando-se com a suntuosidade.

Ficou admirando com grande curiosidade a imagem da Virgem, que tinha nos braços o Menino Jesus, e alegrou-se por encontrar ali outro menino como ele.