domingo, 17 de março de 2019

O anel do rei Santo Eduardo


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Certo dia, o rei Santo Eduardo já velho assistia à cerimônia de consagração de uma igreja construída em honra de São João Evangelista.

Nessa hora, um homem muito pobre aproximou-se dele e mendigou-lhe uma esmola “pelo amor de São João”.

O grande monarca passou a mão na bolsa, mas não encontrou nem prata nem ouro.

Santo Eduardo, então, mandou vir seu tesoureiro, mas não foi localizado no meio da multidão. E o pobre seguia implorando esmola.

Santo Eduardo sentia-se muito mal à vontade. Nesse momento lembrou que trazia um anel grande e muito precioso.

 Então, ele o tirou do dedo, e pelo amor de São João o deu ao miserável, que lhe agradeceu gentilmente e desapareceu.

Eis o que aconteceu com o anel.

Aquela mesma noite, muito longe na Palestina, dois peregrinos ingleses extraviaram-se no caminho e ficaram andando no deserto.

O sol já tinha desaparecido por trás das montanhas e os dois homens estavam sós num local desolado.

Eles sabiam que não havia jeito de voltar e que não encontrariam refúgio contra os ladrões e os animais selvagens.

Enquanto se perguntavam o quê fazer, um bando de jovens com roupas brilhantes apareceu diante deles.

 No meio dos jovens estava um ancião, alvíssimo, de cabelos grisalhos, e maravilhoso de se olhar.

‒ “Caros irmãos”, disse ele aos romeiros. “De onde vindes? Qual é vosso credo e vosso berço? De qual reino e de qual rei? O quê vós procurais aqui?”

‒ “Nós somos cristãos e da Inglaterra. Viemos a expiar nossos pecados, procurado os lugares sagrados onde Jesus viveu e morreu. Nosso rei chama-se Eduardo, e nós perdemos a estrada”.

‒ “Vinde atrás de mim, e eu vos conduzirei a uma boa hospedagem pelo amor do rei Eduardo”.

Assim, ele conduziu-os até uma cidade onde encontraram albergue que tinha a ceia servida numa mesa.

E, após terem jantado, eles foram dormir.

Na manhã seguinte o ancião veio até eles, e disse:

‒ “Eu sou João o Evangelista. Pelo amor de Eduardo eu não vos faltarei, e vós chegareis sãos e salvos à Inglaterra.

“Então ireis até Eduardo, e lhe direis que comprastes o anel que ele me deu no dia da consagração da minha igreja, quando eu implorei a ele vestido com pobres roupagens.

“E dizei-lhe que dentro de seis meses ele vai estar comigo no Paraíso”.

Os romeiros voltaram à Inglaterra sem percalços e entregaram o anel ao rei Eduardo junto com a mensagem de São João.

Quando o monarca ouviu que iria morrer em breve, doou todo seu dinheiro aos necessitados, e consagrou o tempo que lhe restava às suas devoções.

Na Catedral de St. Alban, na Inglaterra, venera-se a imagem de Santo Eduardo mostrando seu símbolo: o anel.

E sua festa celebra-se no dia 13 de outubro.




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domingo, 17 de fevereiro de 2019

A dama branca do castelo de Puivert


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Por causa da beleza, real ou imaginária, de uma mulher às vezes os homens cometem os erros mais incríveis, como sugere uma antiga lenda da região de Aude, na França.

Pelo fim do século XIII, uma linda princesa aragonesa foi convidada por Jean de Bruyères, senhor de Puivert para ficar em seu magnífico castelo.

Ela adorava as colinas da paisagem e, sobretudo, meditar olhando para o lago, sentada numa rocha em forma de cadeira esculpida como por arte de magia.

Mas, uma noite de tempestades fez desbordarem os rios e a cheia do lago cobriu a cadeira.

O senhor Jean, muito gentilmente se aproximou e disse à bela:

‒ “Mas, ... mas ... eu vejo muito triste minha senhora.”


‒ “Não, meu Senhor.”

‒ “Princessa, se eu posso ler seus olhos tão azuis que costumam fazer o céu ficar pálido...”

‒ “Não, não, é simples poeira nos olhos...”

‒ “Eu vou mandar construir um muro para impedir o pó empregando todas essas pessoas”, disse o senhor.

‒ “Não façais nada, meu senhor, a verdade é outra”, disse a princesa sabendo que esse senhor faria qualquer coisa por ela.

‒ “Diga-me, princesa, eu quero ver seu sorriso”.

‒ “A chuva cobriu meu banco, e eu não posso ouvir os pássaros e o leve sopro do vento nesse local.”

Vendo a tristeza da Bela, o senhor decidiu iniciar o trabalho para regular o nível do lago e, assim, voltar a contemplar o brilho de neve e o sorriso brilhante como o sol em seus olhos tão azuis.

E fez-se assim. Então, durante muitas semanas, todo pareceu radiante para o senhor e para a bela.

E também para a natureza que resplandecia.

Às vezes um pouco de chuva fazia subir o rio, mas a barragem regulava o nível perfeitamente, e quando as gotas haviam desaparecido a bela voltava para o lindo lugar de felicidade.

Mas a “mãe natureza” é mais forte que um amor platônico.

Uma noite, em junho de 1289, a chuva ficou mais violenta, o nível do rio cresceu desmesuradamente, e as águas arrepresadas acabaram arrebentando a barragem do lago.

A enchente engoliu todo o vale e afogaram-se os habitantes da cidade nas encostas da montanha chamada Mirepoix.

A princesa quis ver a gravidade das chuvas, chegou muito perto da correnteza e ela também foi tragada pela enxurrada devastadora.

Desde aquela triste data, no anoitecer, em conversas e vigílias, em voz baixa, os habitantes do vale contam que nas noites de chuva, uma mulher vestida de branco vagueia ao redor do castelo para evitar que os caminhantes sejam vítimas do perigo.




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domingo, 11 de novembro de 2018

Como São Francisco miraculosamente curou o leproso de alma e corpo; e o que a alma lhe disse subindo ao céu

São Francisco, Giovanni da Milano
(ativo entre 1346 e 1369)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O verdadeiro discípulo de Cristo, meu senhor São Francisco, vivendo nesta miserável vida, com todo seu esforço se empenhava em seguir a Cristo perfeito mestre.

De onde advinha frequentes vezes, por divina inspiração, que, de quem ele sarava o corpo, Deus na mesma hora lhe sarava a alma, tal como se lê de Cristo.

Pelo que servia não só voluntariamente os leprosos, mas havia também ordenado que os frades de sua Ordem, andando ou parando pelo mundo, servissem aos leprosos pelo amor de Cristo, o qual quis por nós ser considerado leproso.

Adveio em um lugar próximo ao em que morava São Francisco, servirem os frades em um hospital a leprosos e enfermos, no qual havia um leproso tão impaciente e insuportável e arrogante que cada um acreditava certamente, e assim o era, estar possuído do demônio.

Porque aviltava com palavras e pancadas tão cruelmente a quem o servisse, e, o que era pior, com ultrajes blasfemava contra Cristo bendito e sua Santíssima Mãe, a Virgem Maria, que por nenhum preço se encontrava quem o pudesse ou quisesse servir.

E ainda que os frades procurassem suportar pacientemente as injúrias e vilanias para aumentar o mérito da paciência, no entanto não podiam em sua consciência sofrer as contra Cristo e sua mãe, resolvendo por isso abandonar o dito leproso.

Mas não o quiseram fazer sem falar antes, conforme a Regra, com São Francisco, o qual vivia então em um convento próximo dali.

São Francisco e o lobo, basílica de Santa Fé, New Mexico.
E tendo-lho explicado, São Francisco foi procurar aquele leproso perverso; e aproximando-se dele, saúda-o, dizendo: “Deus te dê a paz, irmão meu caríssimo”.

Respondeu o leproso com arrebatamento: “E que paz posso ter eu de Deus que me tirou a paz e todos os bens e me fez todo podre e asqueroso?”

E São Francisco disse: “Filho, tem paciência; porque as enfermidades do corpo nos são dadas por Deus neste mundo para a salvação da alma, pois são de grande mérito quando suportadas em paz”.

Responde o enfermo: “E como posso suportar com paciência o tormento contínuo que me aflige de dia e de noite? E não somente me aflige essa enfermidade, mas muito pior fazem os teus frades que me deste para me servir, e não me servem como devem”.

Então São Francisco, conhecendo pela divina revelação que este leproso estava possuído do espírito mau, foi e se pôs em oração e suplicou devotamente a Deus por ele.

E terminada a oração, volta a ele e diz-lhe: “Filho, quero servir-te eu, porque não estas contente com os outros”.

“Esta bem, disse o enfermo; que me podes fazer mais do que os outros?”

Responde São Francisco: “Farei o que quiseres”.

Disse o leproso: “Quero que me laves todo o corpo; porque tenho cheiro tão ruim, que nem mesmo eu me posso suportar”.

São Francisco expulsa os demonios de Arezzo, Benozzo Gozzoli
Então São Francisco mandou ferver água com muitas ervas aromáticas: depois lhe tira a roupa e começa a lavá-lo com as suas mãos, enquanto outro irmão punha-lhe água em cima.

E por divino milagre, onde São Francisco tocava com suas mãos, desaparecia a lepra e a carne ficava perfeitamente curada.

E quando começou a carne a sarar, também começou a alma a sarar; donde o leproso, vendo-se começar a curar, começou a ter grande compunção e arrependimento dos seus pecados e a chorar amarissimamente: de modo que, enquanto o corpo se limpava por fora da lepra pela lavagem com água, a alma se limpava por dentro do pecado pela contrição e pelas lágrimas.

São Francisco, João de Flandes
E ficando completamente sarado quanto ao corpo e quanto à alma, humildemente reconheceu sua culpa e disse chorando em altas vozes:

“Ai de mim, que sou digno do inferno pelas vilanias e injúrias que fiz e disse aos frades e pela impaciência e pelas blasfêmias que disse contra Deus”.

E perseverou por quinze dias em amargo pranto por seus pecados e em pedir misericórdia a Deus, confessando-se ao padre inteiramente.

E São Francisco, vendo um milagre tão expressivo, o qual Deus tinha operado pelas mãos dele, agradeceu a Deus e partiu-se, indo daí a terras muito distantes: porque por humildade queria fugir de toda a glória humana, e em todas as suas operações só procurava a honra e a glória de Deus e não a própria.

Pois, como foi do agrado de Deus, o dito leproso, curado do corpo e da alma, após quinze dias de penitência, enfermou de outra enfermidade: e armado com os santos sacramentos da santa madre Igreja, morreu santamente; e sua alma, indo ao paraíso, apareceu nos ares a São Francisco, que estava em uma selva em oração, e disse-lhe:

“Reconheces-me?”

“Quem és?”, disse São Francisco.

E ele disse: “Sou o leproso, o qual Cristo bendito sarou por teus méritos, e hoje vou à vida eterna, pelo que rendo graças a Deus e a ti. Bendito sejam tua alma e teu corpo e benditas as tuas palavras e obras: porque por ti muitas almas se salvarão no mundo: e saibas que não há dia no mundo no qual os santos anjos e os outros santos não deem graças a Deus pelos santos frutos que tu e a Ordem tua fazeis em diversas partes do mundo: e portanto toma coragem e agradece a Deus e fica com a sua bênção”.

E ditas estas palavras subiu para o céu; e São Francisco ficou muito consolado.

Em louvor de Cristo. Amém.



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domingo, 28 de outubro de 2018

Cantiga de Santa Maria 113: “Pela razão hei de obedecer”

Luis Dufaur
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Esta história é a da grande pedra que caiu do morro sobre a igreja de Montserrat, e que desceu diretamente para arrebentar a igreja toda e o mosteiro.

Eu acho muito razoável que as pedras obedeçam à Mãe do Rei porque, quando Ele morreu por nós as pedras se racharam.

Este é um grande milagre que eu ouvi contar.

Que em Monserrat fez a Virgem, e ainda hoje se vê bem ali, com uma pedra que mexia e que chegou a cair.

E caiu de tal jeito que, se Deus a deixasse prosseguir, poderia destruir toda a igreja.

Mas, Deus não quis sofrer isto para defender a igreja de sua Mãe gloriosa, a Rainha espiritual.

Por isso desviou a pedra de tal maneira que não pudesse fazer mal e a fez descer tão devagar que depois não pôde mais girar.

Mas, os monges, que nessa hora cantavam a missa da Mãe de Deus, quando ouviram o grande ruído, disseram:

“Senhor, somos vossos, e não nos deixeis perecer nem morrer de mala morte”.

Dizendo isto, saíram da igreja e viram o rochedo ali onde tinha caído, porque Deus o tinha desviado e começaram a abençoar a Deus e à Virgem e seu poder.

Esse milagre tão grande, que Deus fez, em honra à muito distinguida, sua Mãe gloriosa, podem vê-lo todos aqueles que vão a Montserrat, e nisto encontram gáudio, e por própria iniciativa depositam ali suas oferendas.



(Fonte: Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María, Cantiga 113 : “Por razon tenno d' obedecer”




Vídeo: Cantiga de Santa Maria 113







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domingo, 14 de outubro de 2018

O caos dos rochedos do « Pas de Soucy »

“Vou ganhar essa!”, fanfarronava grosso o Maligno
Luis Dufaur
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Nas gargantas do rio Tarn, uma acumulação imensa de rochedos parece querer barrar a passagem do rio.

Esta curiosa formação geológica tal vez esteja na origem da lenda do “Soussich do Tarn”, ou do “Caos do Pas de Souci”.

Após sua miraculosa cura na fonte de Burle, a princesa Santa Enimia projetou construir no local uma casa de oração para freiras.

Hélas! Como acontece com freqüência, Belzebu ouviu falar do projeto, e entrou no mais profundo desacordo.

Para pior, o diabo via que o prédio começava a subir.

Então, aproveitou a noite para destruí-lo com um só sopro.

A garganta do rio Tarn
Quando o vento uivava ele aplicava todas suas forças para derrubar a obra sem que os pedreiros percebessem a sua pérfida intervenção.

A jovem princesa era ajudada por alguns aldeões que de cada vez reconstruiam os fundamentos do mosteiro.

Mas, na noite, com toda a potência de seu bafo maldito, o diabo o jogava por terra.

A princesa ordenou que a obra fosse vigiada pelos próprios aldeões durante a noite.

Mas, como a jornada de trabalho era dura, vários deles estavam muito cansados e, no fim, dormiam.

Belzebu sempre à espreita, toda semana regozijava-se estragando o “trabalinho” dos homens enquanto estes se davam ao sono…

A princesa Santa Enímia
Os aldeões estavam desesperados. E nem mesmo as palavras de encorajamento da princesa eram suficientes.

‒ “Vou ganhar essa!”, fanfarronava grosso o Maligno no fundo do inferno.

A princesa voltou a sua gruta para refletir.

‒ “O que é que eu posso fazer contra um ser tão poderoso?” perguntava-se ela.

‒ “Combate-lo”, sussurrou uma voz nas suas costas.

‒ “Mas como?. Eu não tenho armas!”, respondeu a filha do rei levantando os olhos em direção à voz.

‒ “Sim, Vossa Alteza tem a maior das armas.”

‒ “O quê ...”

‒ “Por certo, diante do Maligno, Vossa Alteza terá necessidade de um pouco de ajuda”, acrescentou a voz.

Ela ergueu a cabeça e viu a ... Santo Hilário.

Com o reforço do santo, o combate contra o ser do tridente não foi tão desigual.

Os dois engajaram uma luta gigantesca contra Belzebu.

A "Roque Sourde"
Não dá para traduzir em palavras o horror daquela batalha.

Conta-se que certa vez Santa Enimia perseguida por Satanás pulou de pedra em pedra com ágeis passos.

Vendo-a, os rochedos tocados pelas suas orações, tiveram pena dela e conspiraram contra o tirano dos infernos.

A fantástica disposição do “Pas de Souci” não seria outra coisa senão o resultado desse combate gigante até que a enorme pedra conhecida como “Roque Sourde” despencou e esmagou o diabo com sua massa.

Diz-se, porém, que o pai da mentira conseguiu escapulir de baixo da pedra, e jurou voltar...

Outros garantem que ele não está longe, pois sua cauda ficou pressa sob o rochedo.

Por isso mesmo é melhor não se aproximar demais dele...


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