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domingo, 1 de junho de 2025

Todo o mundo ia atrás de São Francisco

São Francisco, Mosteiro da Luz, São Paulo, pintura de teto realizado pelas freiras em clausura no mosteiro.jpg
São Francisco, Mosteiro da Luz, São Paulo,
pintura de teto realizado pelas freiras em clausura no mosteiro.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Estava uma vez São Francisco no convento da Porciúncula com Frei Masseo de Marignano, homem de grande santidade, discrição e graça em falar de Deus; pela qual coisa São Francisco o amava muito.

Um dia, voltando São Francisco de orar no bosque, e ao sair do bosque, o dito Frei Masseo quis experimentar-lhe a humildade.

Foi-lhe ao encontro e, a modo de gracejo, disse:

— “Por que a ti? Por que a ti? Por que a ti?”

São Francisco respondeu:

— “Que queres dizer?”

São Francisco, anônimo do século XIII.
Disse Frei Masseo:

— “Por que todo o mundo anda atrás de ti e toda a gente parece que deseja ver-te e ouvir-te e obedecer-te?

“Não és homem belo de corpo, não és de grande ciência, não és nobre: donde vem, pois, que todo o mundo anda atrás de ti?”

Ouvindo isto, São Francisco, todo jubiloso em espírito, levantando a face para o céu por grande espaço de tempo, esteve com a mente enlevada em Deus.

E depois, voltando a si, ajoelhou-se e louvou e deu graças a Deus.

E depois, com grande fervor de espírito, voltou-se para Frei Masseo e disse:

— “Queres saber por que a mim? Queres saber por que a mim? Queres saber por que todo o mundo anda atrás de mim?

“Isto recebi dos olhos de Deus altíssimo, os quais em cada lugar contemplam os bons e os maus.

“Porque aqueles olhos santíssimos não encontraram entre os pecadores nenhum mais vil nem mais insuficiente nem maior pecador do que eu.

“E assim, para realizar esta operação maravilhosa, a qual entendeu de fazer, não achou outra criatura mais vil sobre a terra.

“E por isso me escolheu para confundir a nobreza, e a grandeza e a força e a beleza e a sabedoria do mundo.

“Para que se reconheça que toda a virtude, e todo o bem é dele e não da criatura, e para que ninguém se possa gloriar na presença dele.

“Mas quem se gloriar se glorie no Senhor, a quem pertence toda a honra e glória na eternidade”.



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domingo, 19 de maio de 2024

São Francisco pregou às aves e fez calar as andorinhas

São Francisco de Assis prega aos passarinhos (detalhe). Ambrogio Bondone, chamado Giotto  (1266-7 – 1337).
São Francisco de Assis prega aos passarinhos (detalhe).
Ambrogio Bondone, chamado Giotto  (1266-7 – 1337).
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O humilde servo de Cristo São Francisco, pouco tempo depois de sua conversão, tendo já reunido e recebido na Ordem muitos companheiros, entrou a pensar muito e ficou em dúvida sobre o que devia fazer, se somente entregar-se à oração, ou bem a pregar algumas vezes.

E sobre isso desejava muito saber a vontade de Deus.

E porque a humildade que tinha não o deixava presumir de si nem de suas orações, pensou de conhecer a vontade divina por meio das orações dos outros.

Pelo que chamou Frei Masseo e disse-lhe assim:

“Vai a Soror Clara e dize-lhe da minha parte que ela com algumas das mais espirituais companheiras rogue devotamente a Deus seja de seu agrado mostrar-me o que mais me convém: se me dedicar à pregação ou somente à oração.

“E depois vai a Frei Silvestre e dize-lhe o mesmo”.

Este fora no século aquele monsior Silvestre, que vira uma cruz de ouro sair da boca de São Francisco, a qual era tão alta que ia até ao céu e tão larga que tocava os extremos do mundo.

Era este Frei Silvestre de tanta devoção e de tanta santidade, que tudo quanto pedia a Deus obtinha e muitas vezes falava com Deus; e por isso São Francisco tinha por ele grande devoção.

Foi Frei Masseo, e conforme a ordem de São Francisco, deu conta da embaixada primeiramente a Santa Clara e depois a Frei Silvestre.

O qual, logo que a recebeu, imediatamente se pôs em oração e, rezando, obteve a resposta divina, e voltou a Frei Masseo e disse-lhe assim:

São Francisco pregando aos passarinhos. Benozzo Gozzoli (1421 - 1497), Montefalco.
São Francisco pregando aos passarinhos.
Benozzo Gozzoli (1421 - 1497), Montefalco.
“Isto disse Deus para dizeres ao irmão Francisco: que Deus não o chamou a este estado somente para si; mas para que ele obtenha fruto das almas e que muitos por ele sejam salvos”.

Obtida esta resposta, Frei Masseo voltou a Santa Clara para saber o que ela tinha conseguido de Deus; e respondeu que ela e outra companheira tinham obtido de Deus a mesma resposta que tivera Frei Silvestre.

Com isto tornou Frei Masseo a São Francisco; e São Francisco o recebeu com grandíssima caridade, lavando-lhe os pés e preparando-lhe o jantar.

E depois de comer, São Francisco chamou Frei Masseo ao bosque e ali, diante dele, se ajoelhou e tirou o capuz, pondo os braços em cruz, e perguntou-lhe:

“Que é que ordena que eu faça o meu Senhor Jesus Cristo?”

Respondeu Frei Masseo:

“Tanto a Frei Silvestre como a Soror Clara e à irmã, Cristo respondeu e revelou que sua vontade é que vás pelo mundo a pregar, porque ele não te escolheu para ti somente, mas ainda para a salvação dos outros”.

E então São Francisco, ouvindo aquela resposta e conhecendo por ela a vontade de Cristo, levantou-se com grandíssimo fervor e disse:

“Vamos em nome de Deus”.

E tomou como companheiros a Frei Masseo e a Frei Ângelo, homens santos.

E caminhando com ímpeto de espírito, sem escolher caminho nem atalho, chegaram a um castelo que se chamava Savurniano, e São Francisco se pôs a pregar e primeiramente ordenou às andorinhas, que cantavam, que fizessem silêncio até que ele tivesse pregado; e as andorinhas obedeceram.

E ali pregou com tal fervor que todos os homens e todas as mulheres daquele castelo, por devoção, queriam seguir atrás dele e abandonar o castelo.

Mas São Francisco não permitiu, dizendo-lhes:

“Não tenhais pressa e não partais; e ordenarei o que deveis fazer para a salvação de vossas almas”.

E então pensou em criar a Ordem Terceira para a universal salvação de todos .

E assim deixando-os muito consolados e bem dispostos à penitência, partiu-se daí e veio entre Cannara e Bevagna.


São Francisco de Assis prega aos passarinhos, detalhe. Ambrogio Bondone Giotto  (1266-7 – 1337), Louvre, Paris.
São Francisco de Assis prega aos passarinhos, detalhe.
Ambrogio Bondone Giotto  (1266-7 – 1337), Louvre, Paris.
E passando além, com aquele fervor levantou os olhos e viu algumas árvores na margem do caminho, sobre as quais estava uma quase infinita multidão de passarinhos; do que São Francisco se maravilhou e disse aos companheiros:

“Esperai-me aqui no caminho, que vou pregar às minhas irmãs aves”.

E entrando no campo começou a pregar às aves que estavam no chão; e subitamente as que estavam nas árvores vieram a ele e todas ficaram quietas até que São Francisco acabou de pregar; e depois não se partiram enquanto ele não lhes deu a sua bênção.

E conforme contou depois Frei Masseo a Frei Tiago de Massa, andando São Francisco entre elas a tocá-las com a capa, nenhuma se moveu.

A substancia da prédica de São Francisco foi esta:

“Minhas irmãs aves, deveis estar muito agradecidas a Deus, vosso Criador, e sempre em toda parte o deveis louvar, porque vos deu liberdade de voar a todos os lugares, vos deu urna veste duplicada e triplicada; também porque reservou vossa semente na Arca de Noé, a fim de que vossa espécie não faltasse ao mundo; ainda mais lhe deveis estar gratas pelo elemento do ar que vos concedeu.

“Além disto não plantais e não ceifais; e Deus vos alimenta e vos dá os rios e as fontes para beberdes, e vos dá os montes e os vales para vosso refúgio, e as altas arvores para fazerdes vossos ninhos e, porque não sabeis fiar nem coser.

“Deus vos veste a vós e aos vossos filhinhos; muito vos ama o vosso Criador, pois vos faz tantos benefícios, e portanto guardai-vos, irmãs minhas, do pecado de ingratidão e empregai sempre os meios de louvar a Deus”.

Dizendo-lhes São Francisco estas palavras, todos e todos estes passarinhos começaram a abrir os bicos, a estender os pescoços, e a abrir as asas, e a reverentemente inclinar as cabeças para o chão, e por seus atos e seus cantos a demonstrar que as palavras do santo pai lhes deram grandíssima alegria.

São Francisco de Assis prega aos passarinhos, Ambrogio Bondone Giotto  (1266-7 – 1337), Louvre, Paris.
São Francisco de Assis prega aos passarinhos,
Ambrogio Bondone Giotto  (1266-7 – 1337), Louvre, Paris.
E São Francisco juntamente com elas se rejubilava, se deleitava, se maravilhava muito com tal multidão de pássaros e com a sua belíssima variedade e com a sua atenção e familiaridade; pelo que ele devotamente nelas louvava o Criador.

Finalmente, terminada a pregação, São Francisco fez sobre elas o sinal-da-cruz e deu-lhes licença de partir.

E então todas aquelas aves em bando se levantaram no ar com maravilhosos cantos.

E depois, seguindo a cruz que São Francisco fizera, dividiram-se em quatro grupos: um voou para o oriente e outro para o ocidente, o terceiro para o meio-dia, o quarto para o aquilão.

E cada bando cantava maravilhosamente; significando que como por São Francisco, gonfaloneiro da cruz de Cristo, lhes fora pregado e sobre elas feito o sinal-da-cruz, segundo o qual se dividiram, cantando, pelas quatro partes do mundo.

Assim a pregação da cruz de Cristo renovada por São Francisco devia ser levada por ele e por seus irmãos a todo o mundo; os quais frades como os pássaros, nada de próprio possuindo neste mundo, confiam a vida unicamente à Providência de Deus.

Em louvor de Cristo. Amém.



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domingo, 14 de abril de 2024

Como São Francisco domesticou o ferocíssimo lobo de Gubbio

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Eu vos quero contar uma coisa que tal vez vos parecerá excecional.

No tempo em que São Francisco morava na cidade de Gúbio apareceu no condado um lobo grandíssimo, terrível e feroz, o qual não somente devorava os animais como os homens, de modo que todos os citadinos estavam tomados de grande medo..

Frequentes vezes ele se aproximava da cidade; e todos andavam armados quando saíam da cidade, como se fossem para um combate; contudo quem sozinho o encontrasse não se poderia defender. E o medo desse lobo chegou a tanto que ninguém tinha coragem de sair da cidade.

Pelo que São Francisco, tendo compaixão dos homens do lugar, quis sair ao encontro do lobo, se bem que os citadinos de todo não o aconselhassem: e fazendo o sinal da santa cruz, saiu. da cidade com os seus companheiros, pondo toda a sua confiança em Deus. E temendo os outros ir mais longe, São Francisco tomou o caminho que levava ao lugar onde estava o lobo.

E eis que, vendo muitos citadinos, os quais tinham vindo para ver aquele milagre, o dito lobo foi ao encontro de São Francisco com a boca aberta: e chegando-se a ele São Francisco fez o sinal da cruz e o chamou a si, e disse-lhe assim:

“Vem cá, irmão lobo, ordeno-te da parte de Cristo que não faças mal nem a mim nem a ninguém”.

Coisa admirável! Imediatamente após São Francisco ter feito a cruz, o lobo terrível fechou a boca e cessou de correr; e dada a ordem, vem mansamente como um cordeiro e se lança aos pés de São Francisco como morto.

São Francisco e o lobo, catedral de Gubbio, Itália
São Francisco e o lobo, catedral de Gubbio, Itália
Então São Francisco lhe falou assim:

“Irmão lobo, tu fazes muitos danos nesta terra, e grandes malefícios, destruindo e matando as criaturas de Deus sem sua licença; e não somente mataste e devoraste os animais, mas tiveste o ânimo de matar os homens feitos à imagem de Deus; pela qual coisa és digno da forca, como ladrão e homicida péssimo: e toda a gente grita e murmura contra ti, e toda esta terra te é inimiga.

“Mas eu quero, irmão lobo, fazer a paz entre ti e eles; de modo que tu não mais os ofenderás e eles te perdoarão todas as passadas ofensas, e nem homens nem cães te perseguirão mais”.

Ditas estas palavras, o lobo, com o movimento do corpo e da cauda e das orelhas e com inclinação de cabeça, mostrava de aceitar o que São Francisco dizia e de o querer observar.

Então São Francisco disse: “Irmão lobo, desde que é de teu agrado fazer e conservar esta paz, prometo te dar continuamente o alimento enquanto viveres, pelos homens desta terra, para que não sofras fome; porque sei bem que pela fome é que fizeste tanto mal. Mas, por te conceder esta grande graça, quero, irmão lobo, que me prometas não lesar mais a nenhum homem, nem a nenhum animal: prometes-me isto?”

E o lobo, inclinando a cabeça, fez evidente sinal de que o prometia. E São Francisco disse: “Irmão lobo, quero que me dês prova desta promessa, a fim de que possa bem confiar“.

São Francisco e o lobo, EUA
E estendendo São Francisco a mão para receber o juramento, o lobo levantou o pé direito da frente, e domesticamente o pôs sobre a mão de São Francisco, dando-lhe o sinal como podia.

E então disse São Francisco: “Irmão lobo, eu te ordeno em nome de Jesus Cristo que venhas agora comigo sem duvidar de nada, e vamos concluir esta paz em nome de Deus”.

E o lobo obediente foi com ele, a modo de um cordeiro manso; pelo que os citadinos, vendo isto, muito se maravilharam.

E subitamente esta novidade se soube em toda a cidade; pelo que toda a gente, homens e mulheres, grandes e pequenos, jovens e velhos, vieram à praça para ver o lobo com São Francisco.

E estando bem reunido todo o povo, São Francisco se pôs em pé e pregou-lhe dizendo, entre outras coisas, como pelos pecados Deus permite tais pestilências; e que muito mais perigosa é a chama do inferno, a qual tem de durar eternamente para os danados, do que a raiva do lobo, o qual só pode matar o corpo; quanto mais é de temer a boca do inferno, quando uma tal multidão tem medo e terror da boca de um pequeno animal!

“Voltai, pois, caríssimos, a Deus, e fazei digna penitência dos vossos pecados, e Deus vos livrará do lobo no tempo presente, e no futuro do fogo infernal”.

E acabada a prédica, disse São Francisco: “Ouvi, irmãos meus; o irmão lobo, que está aqui diante de vós, prometeu-me e prestou-me juramento de fazer as pazes convosco e de não vos ofender mais em coisa alguma, se lhe prometerdes de dar-lhe cada dia o alimento necessário; e eu sirvo de fiador dele de que firmemente observará o pacto de paz”.

Então todo o povo a uma voz prometeu nutri-lo continuadamente. E São Francisco diante de todos disse ao lobo: “E tu, irmão lobo, prometes observar com estes o pacto de paz, e que não ofenderás nem aos homens nem aos animais nem a criatura nenhuma?”

E o lobo ajoelha-se e inclina a cabeça, e com movimentos mansos de corpo e de cauda e de orelhas demonstra, quanto possível, querer observar todo o pacto.

Mosteiro de São Bernardino, Hollidaysburg, PA, Estados Unidos
Província franciscana da Imaculada Conceição.
Disse São Francisco: “Irmão lobo, quero, do mesmo modo que me prestaste juramento desta promessa, também diante de todo o povo me dês segurança de tua promessa, e que não me enganarás sobre a caução que prestei por ti”.


Então o lobo, levantando a pata direita, colocou-a na mão de São Francisco.

Pelo que, depois deste fato, e de outros acima narrados, houve tanta alegria e admiração em todo o povo, tanto pela devoção do santo, e tanto pela novidade do milagre e tanto pela pacificação do lobo, que todos começaram a clamar para o céu, louvando e bendizendo a Deus, o qual lhes havia mandado São Francisco, que por seus méritos os havia livrado da boca da besta cruel.

E depois o dito lobo viveu dois anos em Gúbio; e entrava domesticamente pelas casas de porta em porta, sem fazer mal a ninguém, e sem que ninguém lho fizesse; e foi nutrido cortesmente pela gente; e andando assim pela cidade e pelas casas, jamais nenhum cão ladrava atrás dele.

Finalmente, depois de dois anos o irmão lobo morreu de velhice: pelo que os citadinos tiveram grande pesar, porque, vendo-o andar assim mansamente pela cidade, se lembravam melhor da virtude e da santidade de São Francisco.

Em louvor de Cristo. Amém.



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domingo, 14 de janeiro de 2024

Como São Francisco conhecia os segredos das consciências

São Francisco. Vicente Carducho (1576 ou 1578 - 1638)
São Francisco. Vicente Carducho (1576 ou 1578 - 1638)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Como Nosso Senhor Jesus Cristo disse no Evangelho: “Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem a mim”, etc., assim o bem-aventurado Pai São Francisco, como bom pastor, sabia por divina revelação de todos os méritos e virtudes de seus companheiros, e assim conhecia seus defeitos.

Razão pela qual ele sabia prover com ótimo remédio, isto é, humilhando os soberbos e exaltando os humildes, vituperando os vícios, louvando as virtudes; como se lê nas admiráveis revelações que tivera daquela sua primitiva família.

Entre as quais se fala que uma vez estando São Francisco com a dita família em um convento a tratar de Deus, e Frei Rufino não estando com eles naquela conversação, mas estava na floresta em contemplação.

Continuando a conversação sobre Deus, eis que Frei Rufino sai da floresta e passa um pouco diante deles.

Então São Francisco, vendo-o, voltou-se para os companheiros e lhes perguntou dizendo-lhes:

“Dizei-me qual acreditais que seja a mais santa alma, a qual Deus tenha agora no mundo?”

E respondendo-lhe acreditarem que fosse a dele, São Francisco lhes disse:

Encontro de São Francisco e São Domingos, Benozzo Gozzoli
Encontro de São Francisco e São Domingos, Benozzo Gozzoli
“Caríssimos irmãos, eu próprio sou o homem mais indigno e mais vil que Deus tem neste mundo; mas vedes aquele Frei Rufino, o qual sai agora da floresta?

“Deus me revelou que a alma dele é uma das três mais santas almas que Deus tem neste mundo; e firmemente vos digo que não duvidarei de chamar-lhe em vida São Rufino, porque sua alma está confirmada em graça e santificada e canonizada no céu por Nosso Senhor Jesus Cristo”.

E estas palavras não dizia São Francisco em presença do dito Frei Rufino.

Igualmente, como São Francisco conhecia os defeitos de seus frades, compreende-se claramente em Frei Elias, ao qual muitas vezes repreendia pela sua soberba, e em Frei João da Capela, ao qual predisse que se devia enforcar, e naquele frade a quem o demônio apertava a garganta ao ser repreendido por desobediência, e em muitos outros frades, cujos defeitos ocultos e virtudes conhecia pela revelação de Cristo bendito.

Amém.




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domingo, 19 de novembro de 2023

A prédica de Santo Antônio no consistório

Santo Antônio, Sevilha
Luis Dufaur
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O maravilhoso vaso do Espírito Santo, meu senhor Santo Antônio de Pádua, também de Lisboa, um dos discípulos escolhidos e companheiros de São Francisco, ao qual São Francisco chamava seu vigário.

Pregando uma vez em consistório diante do Papa e dos cardeais (no qual consistório havia homens de diversas nações.

Isto é, gregos, latinos, franceses, alemães, eslavos e ingleses e de outras diversas línguas do mundo).

Inflamado do Espírito Santo tão eficazmente, tão devotamente, tão sutilmente, tão docemente e tão claramente e intuitivamente expôs e falou a palavra de Deus, que todos os que estavam em consistório, conquanto usassem línguas diversas, claramente lhe entendiam as palavras distintamente como se ele tivesse falado na língua de cada um.

Santo Antônio, Ambrose Benson, catedral de Segovia
E todos estavam estupefatos e lhes parecia que se havia renovado o antigo milagre dos apóstolos no tempo de Pentecostes, os quais falavam por virtude do Espírito Santo em todas as línguas.

E diziam juntos um para o outro com admiração:

‒ “Não é de Espanha este que prega? E como ouvimos nós em seu falar o nosso idioma?”

O papa semelhantemente considerando e maravilhando-se da profundeza das palavras dele, disse:

‒ “Este é verdadeiramente arca do Testamento e armário da Escritura divina”.

Em louvor de Cristo. Amém.



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