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Ao iniciar a campanha de Sevilha, em 1247, o Rei São Fernando III enviou mensagem ao Grão-mestre da Ordem de Santiago, D. Pelayo Correa, para que acertasse alguns assuntos próximo a Badajoz, e depois fosse a Sevilha.
Assim ele o fez, conquistando com seus monges-cavaleiros várias cidades pelo caminho.
Ao passar por Figueira da Serra, foi atacado por uma numerosa hoste de muçulmanos, muito superior à que tinha consigo.
Vendo que a batalha se prolongava, e que começava a anoitecer, D. Pelayo rezou à Virgem, suplicando-lhe que mantivesse a luz do dia: "Señora, ten tu día" (Senhora, segurai vosso dia).
O sol parou no céu durante o tempo suficiente para que os cavaleiros de Santiago pudessem vencer a batalha.
Desde então a serra se chamou Serra de Tentudía.
Como memória e agradecimento, o Grão-mestre estabeleceu ali um mosteiro-fortaleza, que ainda hoje existe, e em cuja capela, junto ao altar-mor, está sua sepultura.
(Fonte: José Maria de Mena, "Entre la Cruz y la Espada - San Fernando" - RC Editores, Sevilha, 1990, pp. 64-65)
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Um dia o rei García de Navarra foi caçar.
Embora tivesse grande afeição pelo nobre exercício, seu espírito estava muito inquieto com a política e a guerra para apreciar as belezas naturais e a animação do jogo.
Uma perdiz voou repentinamente e um ágil falcão foi lançado contra ela.
A perdiz voou e voou sem ser atingida pelo impetuoso pássaro da arrogância.
O rei e os seus servos mordiam esporas e percorriam as estradas, entre carvalhos e faias, seguindo o voo da brava perdiz que tanto ludibriava o melhor dos falcoeiros do monarca.
Virgen de la Cueva, em Santa Maria la Real de Nájera
A perdiz, pressentindo a ave inimiga por perto, atravessou o rio Najerilla e entrou num bosque profundo e sombreado que se encontrava na margem ocidental, mesmo junto ao mosteiro de Santa María de Nájera.
O falcão seguia sua presa como uma flecha, e um e outro foram vistos se perdendo na mata.
O rei, julgando que a pobre perdiz já havia caído sob as garras afiadas do falcão, entrou na floresta.
Eles não puderam encontrar nada.
O falcão e a perdiz tinham desaparecido de tal maneira que os rastreadores mais astutos confessavam estar exaustos.
Finalmente, o rei viu uma caverna escura e acreditando que a caça poderia ter se refugiado ali, ele entrou.
A caverna era profunda e escura, e o rei ordenou algumas tochas para iluminar o caminho.
Grande foi a surpresa do monarca quando, à luz bruxuleante dos machados trazidos por seus servos, avistou uma imagem de Nossa Senhora que parecia estar escondida naquele lugar remoto.
Diante da imagem havia uma pequena e humilde vasilha de porcelana, dessas chamadas de terraço, e no chão um sino.
Mas o que causou o espanto de todos foi ver que aos pés da Virgem estavam o falcão e a perdiz em companhia amiga.
Don García e seus companheiros julgaram tudo o que havia acontecido como uma maravilha sobrenatural e voltaram atrás.
Santa Maria la Real de Nájera
Mais tarde, o rei mandou erguer ali um mosteiro.
O sino foi levantado, e viu-se que nele havia uma inscrição que dizia, em latim:
“Mente sã e espontânea: honra a Deus e liberdade ao país”.
Mais tarde, em memória daquele achado, foi instituída a Ordem do Terreiro, recordando a humilde vasilha encontrada aos pés da Santa Mãe de Deus.
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Como Santa Maria do Porto curou um filho do Mestre Pedro de Marselha. Aquela que nos mostra os caminhos para irmos ao Paraíso, tem poder para sarar velhos, jovens e crianças. Poder tem para sarar o velho, se tal o merece, e outro igual para o mancebo, se ele teve boa juventude, e também o menino, se algum mal lhe acontece quando sofre enfermidades sendo muito pequenino.
Aquela que ao Paraíso ...
E sobre isso a Virgem Santa Maria fez em Sevilha um milagre muito grande, Ela que a rogos de seu Filho ao inferno não nos mande por causa dos nossos pecados, mas que no seu Paraíso queira nos tornar vizinhos.
Aquela que ao Paraíso ...
Esse milagre foi feito na cidade de Sevilha a um menininho que estava muito doente de verdade, filho do Mestre Pedro de Marselha, que fora abade e depois se tornou leigo, e teve dois filhos muitos franzinos.
Aquela que ao Paraíso ...
Dessa mulher ele tinha um filho que mais amava. Era o mais velho, que caiu doente de tão grande doença, que por morto já o julgavam. Ele e a mãe, com muita dor, julgavam-se culpados.
Aquela que ao Paraíso ...
E com a excessiva dor que tinha a mãe, ela encomendou o filho ao Porto de Santa Maria, prometendo que, se vivesse, logo iria em romaria com toda espécie de presentes.
Aquela que ao Paraíso ...
Não houve o que não oferecesse, mas não tinham dinheiro, nem ovelhas, nem carneiros que pudessem para dar, e os seus parentes tampouco queriam lhes dar, e só tinham dois frangos capões.
Aquela que ao Paraíso ...
E com uma promessa como essa, ainda que muito pequenina, aprouve à Virgem, que dos Céus é Rainha, fazer com que o moço pedisse de comer, e foi assim curado, acabando indo brincar com os outros mocinhos.
Aquela que ao Paraíso ...
Quando isto viu Mestre Pedro, à guisa de louvores à Gloriosa mandou assar os dois capões que criava, os fez assar e ofereceu a seu filho comê-los, mandando servir bons vinhos.
Aquela que ao Paraíso ...
Interpretado pela Schola Cantorum Basiliensis Aquela que ao Paraíso leva” (Cantigas de Santa Maria 389)
Esta cantiga conta como a imagem de Santa Maria estendeu o braço e segurou seu Filho, que ia cair devido à pedrada que Lhe jogou um saltimbanco.
Posto que Deus quisesse ser Filho da Virgem, para nos salvar a nós pecadores, por isso eu não me maravilho que Lhe doa ver quem O faz sofrer.
Porque Ela e seu Filho se acham unidos pelo amor, de maneira que nunca ninguém por nada poderá separá-los.
Portanto, dão prova de serem muito néscios aqueles que vão contra Ela, acreditando que Ele não se sente concernido.
Isso fazem os malvados, que não querem compreender esse amor, e que a Mãe e o Filho estão de acordo em fazer o bem e castigar o mal.
Foi por isso que, há já muito tempo, aconteceu de o conde de Poitiers querer entabular batalha contra o rei da França.
Para isso reuniu suas tropas em Chateauroux, num mosteiro de monges enclaustrados, que o conde mandou dispersar porque suspeitava que fossem entrega-lo aos franceses.
Enquanto os monges estavam sendo expulsos, pessoas muito más foram se meter no mosteiro: vagabundos, jogadores de dados, e outros, que levavam vinho para vender.
E entre esses desventurados havia um que, quando começava a perder, injuriava os santos e a Rainha sem igual.
Mas uma mulher, que havia entrado na igreja por causa de seus pecados, foi até a sacristia onde os monges costumavam revestir-se dos sagrados ornamentos quando iam dizer as missas.
Ali estavam bem entalhados na pedra Deus e sua Mãe, logo se ajoelhou diante deles e começou a se culpar de seus pecados.
Virgem das Cruzadas, Puy-de-Dome, França.
Quando o saltimbanco a viu, voltou-se com olhar irado e começou a maltratá-la, dizendo:
– “Velha, estão muito enganados os que querem acreditar nas imagens de pedra; e para que vejas quão enganados estão, eu vou espancar esses ídolos pintados.”
E logo foi lhes jogar uma pedra, que acertou no Filho, que tinha os dois braças alçados em atitude de bênção.
E embora não tenha quebrado os dois, um logo caiu. Mas a Mãe pôs sobre ele os braços para levantá-lo, deixando cair a flor que tinha entre os dedos.
Maiores milagres ainda Deus mostrou ali, porque fez correr sangue brilhante da ferida do Menino Jesus sobre os panos dourados que vestiam a Mãe, que ficou com o busto nu.
Embora Ela não gritasse, começou a chorar e voltou os olhos tão irados, que todos os que podiam vê-la ficaram tão espantados que nem ousavam olhá-la.
E os demônios se reuniram logo contra aquele que tinha feito essa coisa, e porque eram homicidas bem pagos foram logo por cima dele e o mataram.
Outros dois saltimbancos endemoninhados que estavam ali tentaram esconder o corpo do facínora morto.
Sem embargo, os endiabrados com grande raiva começaram a ser todos consumidos e se afogaram no rio, porque o demônio não lhes deu trégua, para que fossem escarmentados todos quantos disto ouvissem falar.
Quando o conde soube o que tinha acontecido, acompanhado de cavaleiros armados foi se apear diante da igreja, e um desses cavaleiros mais atrevidos falou assim:
“Isto me faz doer o coração; ide procurar a pedra e trazei-ma, para ver se Ela quererá me sarar da pedra que entrou, rachando meu queixo, e por cujo conserto tive que pagar muitos dinheiros em vão”.
Quando isso falou, pôs sob a imagem suas pernas, lados e cabeça, e logo seus ossos ficaram bem soldados e ele expeliu uma pedra pela boca.
Vendo isso todos ficaram maravilhados, e ele colocou a pedra diante da imagem sobre o altar, sendo testemunhado por homens honrados.
É desses sete dons que vos quero falar, e de como os deu à sua Mãe, de acordo com todos os que ouvi, para que sejam dispostos a servi-la, se guardem de pecar, que assim fazendo o bem fazem.
Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.
O primeiro destes sete dons é para saber como a Deus causar prazer; Àquele que Santa Maria teve em si, para Deus assumir n’Ela a carne com a qual nos julgará.
Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.
De entendimento muito grande é o segundo; mas esse Santa Maria teve em si, porque Deus fez d’Ela sua Mãe, e por meio d’Ele desde os céus sua graça nos envia a nós cá.
Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.
O terceiro é de conselho; com muita grande razão Santa Maria teve; pois de todas as mulheres que houve e haverá nenhuma teve tanta bênção de Deus como Ela teve, e nenhuma outra terá.
Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.
O quarto é a fortaleza; e Ela a teve em si tão grande, que o demônio perdeu seu poder desde o momento em que Deus se fez carne n’Ela e se fez homem.
Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.
O quinto é o dom de ciência, que a Virgem Santa Maria teve grande a ponto de responder bem quando o anjo lhe disse que ela seria Mãe de todo bem, e Ela disse: “Serei sua serva”.
Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.
O sexto é o dom de piedade e que Ela teve em tal grau que todos nas grandes tribulações apelam a Ela e apelarão, e porque em Santa Maria os pecadores têm uma advogada ante Deus, e assim por sempre será.
Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.
O sétimo destes dons é ter de Deus temor; esse teve a Gloriosa, mas sempre com amor; e por isso foi Ela a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus e Homem, que por sempre reinará.
Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.
Por isso, em virtude desses sete dons lhe devemos louvores e roguemos a Ela que nos faça perdoar por seu Filho nossos pecados, e nos evite cair, de maneira que em seu reino vivamos pelos séculos dos séculos.
Os sete dons que Deus dá, à sua Mãe os deu já.
Vídeo: Cantiga 418. "Os sete dões que dá Deus, os deu antes à sua Mãe"
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Santiago de Compostela e o 'botafumeiro'
Contos medievais: ensino sábio e verdadeiro
“Em poucos momentos da história a literatura se revestiu de caráter tão “engajado” e participativo como na Idade Média.
“Nada é mais estranho à mentalidade medieval que certo esteticismo do tipo ‘a arte pela arte’, ou a redução da obra literária a mero objeto de entretenimento e evasão.
“Ao contrário, o escritor daqueles tempos sentia-se imbuído da tarefa de instruir os leitores.
“Mesmo um simples conto de aventuras, afirma um poeta da segunda metade do séc. XII, é ocasião de oferecer ensinamentos ao público.
“’Não é sábio’, diz Chrétien de Troyes, ‘quem não difunde seus conhecimentos, se Deus lhe dá oportunidade de fazê-lo’.”
Foi com um misto de respeito e de amor que estudamos longamente essas tradições inumeráveis de gerações fiéis, nas quais a fé e a poesia cristãs, as mais altas lições da religião e as mais deliciosas criações da imaginação se confundiam numa união tão intima que não sabemos como separá-las.
Mesmo se não tivéssemos a felicidade de crer com inteira simplicidade nas maravilhas do poder divino que elas relatam, jamais sentiríamos a coragem de menosprezar as crenças inocentes que tocaram e encantaram milhões de nossos irmãos durante tantos séculos.
Tudo o que elas podem encerrar, mesmo de pueril, se eleva e se santifica a nossos olhos, por ter sido o objeto da fé de nossos pais, daqueles que estavam mais próximos de Cristo do que nós.
Longe disto, confessamos em alta voz que ai encontramos muitas vezes socorro e consolação. E não somos os únicos.
Porque, se por toda porte as pessoas que se dizem esclarecidas e sábias as desprezam, há ainda refúgios nos quais essas doces crenças permaneceram caras aos pobres e aos simples.
Sob o ponto de vista puramente histórico, as tradições populares, e notadamente aquelas que se ligam à religião, se não têm uma certeza matemática, se não são o que se chama de fatos positivos, ao menos tiverem força, e exerceram sobre as paixões e os costumes dos povos uma influência muito maior que os fatos mais incontestáveis para a razão humana.
A este titulo certamente merecem a atenção e o respeito de todo historiador sério e solidamente crítico.
São Luis, morrendo pela Cruz além mares, invocava com fervor a humilde pastora, padroeira de sua capital.
Os bravos espanhóis, fustigados pelos mouros, viam Santiago misturar-se em suas fileiras. E, voltando à carga, mudavam logo sua derrota em vitória.
Os cavaleiros e os nobres senhores tinham por modelos e patronos São Miguel e São Jorge; por senhoras de suas piedosas cogitações, Santa Catarina e Santa Margarida; e, se lhes acontecia de morrerem prisioneiros e mártires pela fé, pensavam em Santa Inês, a menina que tinha também dobrado o pescoço sob o ferro do carrasco.
Não acabaríamos mais se tentássemos especificar os inumeráveis laços que ligavam assim o Céu e a Terra, se penetrássemos nesta vasta esfera na qual todas as afeições e deveres da vida mortal encontravam-se entrelaçados com proteções imortais, na qual as almas, mesmo as mais desamparadas e solitárias, encontravam todo um mundo de consolações e de interesses, ao abrigo das decepções daqui de baixo. Todas essas piedosas tradições, umas locais, outras pessoais, se eclipsavam e se confundiam naquelas que o mundo inteiro repetia a respeito de Maria.
Rainha da Terra e Rainha de Céu, enquanto todas as frontes e corações estavam inclinados diante dEla, todos os espíritos eram inspirados por Sua gloria; enquanto o mundo cobria-se de santuários, de catedrais elevadas em Sua honra, a imaginação dessas gerações poéticas não cessava de falar da descoberta de novas perfeições, de novas belezas, no seio dessa beleza suprema.
Cada dia via brotar alguma legenda mais maravilhosa, algum novo adereço de jóias que o reconhecimento do mundo oferecia Àquela que lhe havia reaberto as portas do Céu, repovoado as fileiras dos anjos, tirado aos homens o direito de se queixar do pecado de Eva; à humilde serva coroada por Deus com a coroa que Miguel arrancara a Lúcifer, precipitando-o nos infernos.
“Ah! ― exclama Walter ― cantemos sempre esta doce Virgem, a quem Seu Filho nada sabe recusar. Eis a nossa consolação suprema: é, no Céu, fazermos tudo o que Ela quiser.”
E cheia de inquebrantável confiança no objeto de tanto amor, convencida de sua vigilância materna, a Cristandade encomendava-se a Ela em todas as suas penas e perigos, e se repousava nessa confiança:
Mas Nossa Senhora está desperta... Jamais Ela, a gloriosa, Foi sonolenta ou preguiçosa...
Fonte : Charles de Montalembert, « Histoire de Sainte Élisabeth de Hongrie », Pierre Téqui, Libraire-Éditeur, Paris, 1930, pp, 141 a 151.
Todas as pessoas acrescentam algo de poético ao mundo. A todas as coisas acrescentamos algo de poético. É uma necessidade incontornável. Canções, histórias e poesia são a bela túnica com a qual nosso espírito reveste o mundo.
Somente as personalidades que surgem da imaginação, como os heróis, as grandes figuras da História — Carlos magno, por exemplo — são as que se põem para a fantasia de um povo como representantes de forças superiores e misteriosas.
É como se os homens do dia-a-dia, na sua sede de maravilhoso, adornassem os grandes personagens com forças e poderes que eles na realidade não chegaram a ter. Eles desejam que assim tivesse sido no passado, porque o homem não pode viver sem o maravilhoso.
Em quase todos os países se cogita de tesouros enterrados e seus guardiões, de castelos fantásticos, de sinos submersos que emergem das profundezas da água, e que tocam.
Por isso existe nas lendas algo de respeitável, digno de honra. Mesmo que aquilo que contêm nunca tenha acontecido, no entanto elas são reais, pelo fato de revelarem o sentimento da humanidade como Deus o criou.
Com certeza se trata de uma instituição sábia o fato de que do fundo do coração acrescentamos algo de criativo àquilo que vemos, ouvimos e apalpamos com as mãos. Isso se chama poesia.
Ela é uma dádiva de Deus aos homens, e se ela encontra eco nas suas almas, alegra ao mesmo tempo os homens e seu Altíssimo doador.