domingo, 29 de outubro de 2017

Os três pinheiros de Thann


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Na cidade de Thann, na Alsácia, França, todos os anos, no dia 30 de junho, os habitantes queimam três pinheiros na praça central da cidade.

A festa vem de um fato curioso da Idade Média.

Na metade do século XII vivia na Itália um santo homem chamado Thiébaut.

Ele era bispo da cidade de Gubbio, na Umbria. Ele viveu sempre acompanhado de seu servidor.

Um dia, se sentindo mal lhe disse:

‒ “Aproxima-te fiel servidor”.

‒ “Cá estou, monsenhor”.

‒ “Há muitos anos, tu me serves lealmente, eu devo te recompensar”.

‒ “Não, monsenhor, já é uma honra vos servir”.

‒ “Escuta em lugar de falar... Quando eu partirei desta terra...”

‒ “Não fale isso...”

Igreja de Thann na noite
Igreja de Thann na noite
‒ “Chega, escuta bem! Eu quero que quando eu morrer, tu fiques com meu anel de bispo... shh!... É uma ordem!”

Foi assim que no ano do Senhor de 1160, o bispo São Thiébaut partiu para o céu.

Fazendo como lhe fora ordenado, o servidor foi tirar o anel do santo.

Mas, quanto mais ele tentava tirá-lo do dedo do morto, tanto mais ele se recusava a sair.

Ele puxou, puxou, puxou, até que arrancou o dedo.

Ele ficou totalmente perplexo, mas afinal acreditou se tratar seguramente de um sinal divino.

Ele, então, encaixou “anel e dedo” no seu cajado de peregrino e voltou a pé para sua terra natal, a Lorena.

A rota é longa desde a Itália até sua cidade no leste da França.

Numa noite do ano 1161, ele chegou a Thann, cidadinha custodiada por um imenso castelo.

Como ele estava fatigado, decidiu dormir na orla da floresta. Ele apoiou o cajado num pinheiro e dormiu.

Na manha seguinte, ele comeu rapidamente alguns pedaços de seu pão, e foi partir novamente.

Aproximou-se do pinheiro para pegar o cajado.

Mas, aconteceu o mesmo que com o anel. Ele não conseguia tirá-lo do lugar.

Ele puxou, puxou, e... nada! Seu cajado tinha deitado raízes.

Naquela hora o senhor do castelo de Engelbourg ficou pasmo vendo um curioso fenômeno que acontecia na orla do bosque.

Ele viu três luzes que brilhavam no alto de um pinheiro.

Ele acorreu para o local e encontrou o servidor que não conseguia tirar o cajado com a relíquia do santo bispo.

Os dois contaram tudo o que sabiam e concluíram que em tudo isso havia um sinal divino.

Um e outro prometeram construir uma capela no local.

E então, o cajado ficou solto e a disposição.



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domingo, 15 de outubro de 2017

Dona Truã

Leiteira normanda em Greville, Jean-François Millet (1814 – 1875),
Los Angeles County Museum of Art
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Certa feita, o Conde Lucanor falou a Patrônio desta maneira:

— Patrônio, um homem veio me propor uma coisa e me mostrou o meio de consegui-la.

Eu posso te garantir que traz tantas vantagens que, se com a ajuda de Deus sair bem, vai me ser de grande utilidade e proveito, pois os benefícios se somam uns aos outros e no fim serão muito grandes.

Então contou a Patrônio tudo quanto sabia.

Após ouvi-lo, Patronio respondeu ao conde:

— Senhor Conde Lucanor, sempre ouvi dizer que o prudente fica dentro das realidades e desdenha as fantasias, pois muitas vezes àqueles que vivem delas lhes acontece o mesmo que a dona Truã.

O conde perguntou o que tinha acontecido com ela.

— Senhor conde – disse Patrônio –, havia uma mulher chamada dona Truã que era mais pobre do que rica. Certo dia ela se dirigia ao mercado com uma panela cheia de mel na cabeça.

domingo, 1 de outubro de 2017

O Poço do Diabo no castelo de Fleckenstein

Diabo mascando precitos. Coppo di Marcovaldo, batistero da catedral de Florença.
Diabo mascando precitos. Coppo di Marcovaldo, batistero da catedral de Florença.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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O altaneiro castelo de Fleckenstein fica na Alsácia, França. Hoje a fortaleza medieval está em ruínas.

Mas ela tem um poço de mais de 70 metros de profundidade inteiramente entalhado na rocha. Essa façanha não parece humana e fez nascer a lenda do Poço do Diabo de Fleckenstein:


“O ponto débil de todo castelo é a água. Se ficar sem ela o inimigo podia exigir a rendição.

“Por isso o senhor feudal de Fleckenstein fiz vir os melhores entendidos em poços da região. E eles se puseram a trabalhar encarniçadamente. Eles queriam topar o desafio!

“Dia após dia, semana após semana, o poço se aprofundava, mas nenhuma gota d’água aparecia para refrescá-los.

“Após um ano de um trabalho de Hércules, eles tinham atingido uma profundidade “próxima do centro da terra”, como eles diziam.

“Ali, os raios do sol não podiam mais iluminá-los e eles trabalhavam numa obscuridade desconhecida.

“E nunca encontravam a água!

“Foi então que apareceu um estranho poceiro. Ninguém conhecia-o.