domingo, 22 de janeiro de 2023

A janela do eremita

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A vista do Céu torna leves os mais duros sofrimentos.

Um piedoso eremita, que Deus tinha provado com longos e penosos sofrimentos, foi visitado em sua cela por alguns de seus amigos.

Maravilhados da suma tranquilidade e alegria que em seu rosto transparecia, perguntaram-lhe como se mostrava tão alegre e paciente em meio de tantos padecimentos.

Sorrindo, o eremita apontou para a janela da sua cela e disse:

— Aquela janela torna-me suportável e leve toda a dor.

— Como pode ser isto? — perguntou um dos visitantes.

— Por meio daquela janela eu vejo o Céu, e esta vista me conforta e anima a padecer por Jesus Cristo todos os meus sofrimentos.



(Pe. Alexandrino Monteiro, S.J., "A Moral em Exemplos" - Mensageiro da Fé, Bahia, 1955, vol. II, p. 184)


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domingo, 15 de janeiro de 2023

São Save e o diabo

Diabo tortura precitos nos inferno. Hans Memling (1430 - 1494)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Um dia São Save, ou Saint Savin pelo seu nome francês, tinha de ir a uma aldeia, que ficava sobre uma montanha.

Subindo o caminho alcantilado, viu o diabo que vinha pelo lado oposto. No mesmo momento em que pôs os olhos no santo, o diabo quis fugir, mas havia altos barrancos em ambos os lados da passagem estreita, e ele não teve jeito de escapar.

Quisesse ou não quisesse, tinha que continuar e encontrar-se com São Save. Quando estavam bem próximos, São Save cumprimentou-o:
— Deus o ajude, viajante!
— Minha viagem não é de sua conta!,  respondeu o diabo, zangado.
— Quem é você?
— E que lhe importa saber quem sou eu?
— Aonde vai?
— Também isso não lhe diz respeito.
— Que gostaria você de fazer?
— Bem, eu gostaria de plantar verduras, se tivesse um pouco de terra e um sócio tal como o senhor.
— Se é isso que deseja, irmão, serei seu sócio. Mas primeiro vamos decidir a respeito do que fazer: o que semearemos, e quem deve comprar a semente?
— Embora eu deteste trabalhar com o senhor, padre, farei isso, com a condição de estabelecermos um contrato de negócios. Não quero ser seu subordinado, de maneira alguma. Temos que ser sócios com direitos iguais.

Conversaram sobre várias verduras, durante algum tempo, e resolveram cultivar cebolas, para começar. Encontraram um campo nas proximidades, semearam as sementes de cebolas e esperaram que elas crescessem.

A abadia de Saint-Savin-sur-Gartempe, na França
Depressa as hastes verdes irromperam da terra. O diabo vinha frequentemente festejar seus olhos com aquela sua bonita plantação.

Claro está que jamais lhe ocorreu olhar o que havia na terra, por baixo das hastes verdes.

Quando as cebolas estavam no seu melhor ponto, São Save chamou o diabo, e assim lhe falou:
— Agora, aquilo tudo é nosso. Isto é, metade me pertence e a outra metade pertence a você. Trate de decidir qual é a metade que prefere.
— Ficarei com a parte que fica acima da terra, e o senhor pode ficar com a outra.
— Está bem — disse o santo, sorrindo.

Logo depois de terem feito aquela combinação, as cebolas começaram a amadurecer. O diabo vinha sempre vê-las, mas agora já não se mostrava tão jubiloso, pois as hastes verdes iam ficando amarelas e secando.

Quando as cebolas ficaram inteiramente maduras, tudo quanto ficava acima da terra tornou-se arruinado e inútil. Foi então que São Save chegou ao campo, cavou e retirou da terra as grandes cebolas vermelhas, e levou-as consigo.

O diabo ficou muito triste e muito zangado, e resolveu vingar-se do santo.
— Tentemos outra vez, amigo — disse ele.
— Eu gostaria que fizéssemos outro contrato de trabalho.
— Está bem, sócio, mas que iremos plantar, desta vez?

Discutiram durante alguns momentos, e finalmente resolveram plantar repolhos.
— Veja lá, sócio: desta vez eu ficarei com a metade que fica sob a terra, e o senhor ficará com a outra metade, a que fica por cima.
— Como quiser, sócio — respondeu cortesmente o santo.

São Clemente, primeiro bispo de Metz encadeia o demônioSemearam os repolhos, e depressa as folhas começaram a aparecer acima da terra. Eram bem bonitas de se ver: grandes rodas verdes, pareciam crescer dia a dia. O diabo estava muito satisfeito, e dizia sempre, para si próprio:
— Já que há tanto acima da terra, quanto deverá haver debaixo dela!
E felicitava-se, por ter escolhido tão sensatamente.

No outono, quando os repolhos estavam em seu melhor ponto, São Save veio ao campo, cortou as cabeças e levou-as, deixando as raízes duras para o diabo.

Logo depois dele chegou o diabo com um grande séquito, pronto para dar uma esplêndida festa de regozijo pelo seu sucesso. Adiantou-se lentamente, com tocadores de gaitas de fole, cantores, dançarinos e muitas outras pessoas em sua esteira. Ao chegar ao campo, fez sinal a todos para que parassem e o observassem — para que o admirassem, era isso que ele sinceramente esperava.

Ajoelhou-se no chão e cavou uma raiz, com gestos elegantes. Não pôde acreditar em seus olhos. Tendo visto as raízes secas e duras por toda parte, precisou, mais uma vez, confessar seu fracasso. O rosto dele ficou verde de fúria e desapontamento, mas não quis que as coisas ficassem assim. Despediu seus acompanhantes, encolerizado, e apressou-se a ir ter com São Save.

São Miguel Arcanjo resgata alma que estava sendo levada pelo diabo, Allemans-du-Dropt, Lot-et-Garonne
São Miguel Arcanjo resgata alma
que estava sendo levada pelo diabo.
Allemans-du-Dropt, Lot-et-Garonne
— Caro sócio, tenho grande prazer neste nosso trabalho em conjunto. Façamos outro contrato em relação às verduras que vamos plantar agora.
— Se esse é o seu gosto, sócio, também eu estou disposto a continuar, porque também estou gostando do nosso trabalho em comum. Que será, desta vez? Talvez batatas?
— Oh! muito bem... batatas, era isso mesmo que eu tinha em mente quando vim falar com o senhor. Só que eu desejo ficar com a parte de cima da terra, e o senhor ficará com a de baixo.
— Está bem, fica assim combinado — confirmou São Save, afastando-se.

No tempo certo, logo no começo da primavera, semearam batatas. O tempo estava bom, e depressa apareceram as folhas verdes sobre a terra. Quando as batatas deram flor, o diabo sacudia o corpo, rindo e dizendo consigo mesmo:
— Desta vez agarrei o padre Save: ele terá tempo bastante para se arrepender de sua escolha.
Ria na cara do santo, que suportava aquilo com grande paciência, e esperava pelo outono.

A flor da batata transformou-se em semente, as grandes folhas verdes encolheram, ficaram amarelas e apodreceram. O diabo não ria, agora. Quase chorou de despeito quando São Save veio cavar suas batatas e levá-las para seu carro. O diabo quase rebentava de fúria, mas ainda assim esperava poder tirar sua vingança.
— Vamos continuar com o nosso contrato de negócios — disse ele ao santo. — Estou tão habituado a trabalhar com o senhor, agora, que me aborreceria de morte, se deixasse de fazê-lo.
— Trabalharemos juntos enquanto você tiver prazer nisso, sócio. Ainda não tentamos plantar trigo. Vamos tratar disso?
— Como quiser, meu caro sócio — respondeu o santo, tão cortesmente como de costume.

Semearam trigo, que no tempo devido cresceu e amadureceu. Quando as espigas douradas estavam pesadas de grãos, São Save chamou vários trabalhadores, que cortaram habilmente o trigo com suas foices.

O diabo, entretanto, estava pensando nas riquezas subterrâneas, mas ficou amargamente desapontado, mais uma vez. Não levou muito tempo a perceber que só a haste espinhenta ficara para ele. Gritou de cólera, e foi ter direito com São Save.
— Bem, padre, quero plantar uma vinha com o senhor. Se conseguir levar vantagem sobre mim, não mais seremos sócios.
Monge copista medieval
Monge copista medieval
— Seja assim, meu amigo. Deixarei a você a escolha, como sempre fiz — disse São Save.

Plantaram uma vinha. Dessa vez levaram três anos a esperar os frutos. No terceiro ano, belos cachos verdes começaram a crescer nas vinhas. São Save e o diabo vieram dar uma olhadela à sua propriedade e decidiram dividir tudo. São Save perguntou ao diabo:
— Que deseja agora, sócio: o caldo claro ou a massa espessa?
— Ficarei com a massa espessa, e o senhor pode ficar com o caldo claro — disse imediatamente o diabo.

Quando os cachos amadureceram, São Save apanhou-os da vinha e colocou-os num tonel. Logo depois derramava vinho fino em barricas, deixando o resto para o diabo.

O diabo ficou furioso outra vez, mas algo ocorreu-lhe: derramou água sobre o restante, e assim obteve a aguardente. São Save viu-o remexendo-se em torno do tonel, e perguntou-lhe:
— Que está fazendo, sócio?
— Destilando aguardente, irmão.
— Deixe-me prová-la, para ver que gosto tem.
— Com muito prazer, sócio.

O diabo entregou um copo de aguardente. São Save provou uma vez, duas vezes, e na terceira vez abençoou a bebida e persignou-se. O diabo não pôde aguentar aquilo e fugiu, gritando:
— De agora em diante essa bebida será remédio para os velhos e loucura para os jovens!

Desapareceu, e nunca mais voltou aos lugares onde sabia que se poderia encontrar um padre virtuoso.

("Maravilhas do conto popular" - Cultrix, SP, 1960)


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sábado, 24 de dezembro de 2022

Feliz Natal e abençoado Ano Novo !


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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domingo, 18 de dezembro de 2022

O retorno das pombas à catedral de Dijon

As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal
As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Na Borgonha, as pedras nunca são brancas por vontade de Deus.

Ao contrário, com o passar dos anos e dos séculos elas ficam bem cinzentas e até pretas.

No alto da catedral, as gárgulas – aquelas esculturas de animais quiméricos colocadas para dar vazão às águas de chuva e qualquer outra sujeira tirada por esta do telhado –, sempre bem alinhadas, estavam mais do que feias.

Mais. Sentiam-se doentes e tristes no seu pétreo silêncio.

Por obra dos entalhadores, elas tinham formas de diabos, monstros e animais horríveis.

O vento, a chuva, as geadas, as fumaças, tudo contribuía para deixá-las mais estragadas, repulsivas e decadentes.

Acontecia também – e ninguém sabia explicar – que as pombas tinham diminuído em número, a ponto de quase desaparecerem.

Só restavam algumas, mas estavam velhas e doentes. Já não se via seu vulto branco no céu e nos galhos das árvores.

A Virgem Negra da catedral de Dijon
A Virgem Negra da catedral de Dijon
Elas não mais arrulhavam como outrora nos jardins.

O Natal foi se aproximando, e com ele o frio, o vento gélido e os nevoeiros do inverno que estragavam as gárgulas.

Uma noite gelou de rachar a pedra, que rachou verdadeiramente numa noite de lua: o gelo fez estourar encanamentos e gárgulas.

Essa tragédia desencadeou uma revolta. Enquanto os homens dormiam, as gárgulas saíram de seu sono pétreo, reuniram-se num conciliábulo noturno e tomaram uma grande decisão.

Dias atrás elas tinham ouvido que na capela da Virgem Negra, na catedral, havia sido montado um grande presépio.

Dizia-se que ali havia velas, luz, calor.

Na véspera, os sinos haviam repicado com maior força e toda a cidade fora visitar o referido presépio.

Mais tarde, as pessoas voltaram felizes às suas casas aquecidas, enquanto as portas da catedral eram fechadas.

Ouviram que o mais belo Menino estava lá
As gárgulas haviam visto aquele espetáculo.

Mais: do alto da catedral, elas contemplavam de um extremo a outro da cidade centenas de janelas iluminadas nos aconchegantes lares.

Ainda ouviram elas que dentro da capela podia-se ver o mais belo bebê que nasceu na Terra.

As gárgulas chegaram a um acordo: embora feitas de pedra estragada pelo frio, elas se refugiariam na capela e falariam com o Menino.

Acabariam com aquele frio e, além do mais, fariam alguma coisa inusual!

Na hora mais pesada da noite, começaram elas a se movimentar, cada uma mais feia do que a outra, mais enegrecida e suja do que a vizinha, mais torta e espantosa do que se podia imaginar.

Agrupadas se pareciam mais com um bando de corvos negros.

Elas eram dezenas e voavam em torno do campanário à procura de alguma entrada. Assim que a descobriram enfiaram-se todas dentro num só e sinistro voo.

Quando o Menino as viu chegar chorou de espanto
Quando o Menino as viu chegar com suas enormes asas pretas e repugnantes bicos pontiagudos, começou a chorar de horror.

Nem sua Mãe conseguia acalmar seu choro de medo.

Apavorados pelo pânico que eles próprios tinham suscitado, os corvos-gárgulas retrocederam.

E se reuniram de lado de fora, numa hora em que a neve começara a cair.

Puseram-se então a discutir o que fazer.

A disputa foi longe e não chegavam a um acordo. Voltar ao teto da catedral? Que horror! Que frio!

Mas fazer chorar um recém-nascido era um crime insuportável!

Finalmente, decidiram voltar à capela, devagarzinho, em boa ordem, calmamente, com silêncio e disciplina.

Vendo-as o Menino riu
Na segunda vez, vendo-as o Menino riu
Quando o Menino os viu, começou a rir. E o fazia a plenos pulmões de gáudio e satisfação.

Os corvos-gárgulas não acreditavam no que viam. Eles, esses monstros alegravam o Menino?

Eles se olharam uns aos outros e atinaram com estupefação que não se pareciam mais corvos.

A neve que caíra sobre eles do lado de fora os tinha recoberto com seu manto branco.

Vendo-os chegar, a Mãe daquela divina Criança voltou seu olhar com um sorriso apiedado para o tabernáculo, e rogou para que a neve branca e delicada que os cobria nunca mais derretesse.

Se aqueles pássaros não assustaram o Menino era porque sua plumagem tinha ficado suave, sedosa e alva.

Foi assim que numa bela manhã de Natal os habitantes de Dijon viram que as pombas haviam reaparecido voando sobre a catedral.

É por isso também que os guias honestos contam aos turistas que as gárgulas hoje existentes na catedral não são as originais, mas meras cópias.



(Fonte: Sophie e Béatrix Leroy d’Harbonville, “Au rendez-vous de la Légende Bourguignonne”, ed. S.A.E.P., Ingersheim 68000, Colmar, França)




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domingo, 4 de dezembro de 2022

Os caminhos da vida

Luis Dufaur
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Encaminhavam-se três viajantes para um país longínquo, em busca de honras e fortunas.

Por algum tempo, andaram juntos, consultando o mesmo roteiro, comendo do mesmo pão e dormindo sob a mesma tenda.

Apesar de ser o rumo determinado com relativa facilidade pelas constelações, começaram eles a preocupar-se com os acidentes do terreno e bem cedo suas opiniões se dividiram.

Por esse tempo, atravessavam uma vasta zona deserta e sentiram-se aflitos ao ver quase terminada a provisão de água.

Temendo as torturas da sede, depois de acalorada discussão, resolveram separar-se dois deles, tomando caminhos que lhes pareciam mais razoáveis.

O primeiro, desprezando o mapa, que levavam, saiu sozinho pelo areial ardente, ansioso por achar uma fonte e depois o país remoto. Andou dias e dias, até se esgotarem todos os recursos para a longa viagem.

Em meio de sua angústia, entreviu, ao longe, um córrego de águas cristalinas. Correu para ele, fazendo os derradeiros esforços para chegar à margem. Mas tombou moribundo e sem esperanças, quando verificou que a corrente era apenas uma enganadora miragem.

O segundo viajante também desprezou o roteiro e seguiu o rumo aconselhado por outros, antes da partida, homens que jamais quiseram arriscar-se a empreender a perigosa jornada.

Após alguns dias de inauditas canseiras, viu, à distância, o que lhe pareceu um lago. Estugou o passo até chegar à margem e exultou de alegria ao ver que tinha água fresca à disposição.

Mas sofreu, em seguida, decepção amarga, ao provar da água e verificar que era salgada. Tinha diante de si apenas um braço de mar, avançando por solitárias regiões. Ali mesmo expirou exânime o louco aventureiro.

Mas o terceiro caminhante agiu doutro modo. Assentado na areia, poupando as forças, examinou detidamente o roteiro, orientou-se pelas estrelas e foi-lhe fácil, afinal, acertar com uma quase apagada vereda.

Alcançou breve um delicioso oásis, onde descansou, comeu frutos e bebeu água fresca e límpida. Uma caravana que passava, levou-o seguramente á terra desejada e ai encontrou muito mais do que havia sonhado em honras e riqueza!

Um velho contou esta história à um grupo de jovens, que o escutava atentamente e acrescentou:

‒ Meus filhos: o roteiro, que nos ensina o caminho para o país longínquo, é a Palavra de Deus,Nosso Senhor.

O primeiro viajante é o homem que, desprezando os ensinamentos sagrados, deixando de olhar para o alto e preocupando-se apenas com os interesses mundanos, se dirige tão somente com a fraca luz de sua inteligência. No final da vida, verifica que perseguiu miragens enganadoras e já não tem mais forças nem tempo para retroceder.

O segundo viajante é o que espera achar o rumo através da filosofia e da opinião dos homens. Segue conselhos, faz esforços bem intencionados, porém tudo em vão, porque seus conselheiros são homens que apenas dizem: “Fazei assim”, e eles mesmos nunca empreenderam a heróica jornada.

Mas o terceiro viajante é o que lê atentamente a Sagrada Escritura, medita nos seus profundos ensinamentos, olha para o alto e obedece com fidelidade aos divinos preceitos. A despeito de toda a aridez da vida, não tarda a encontra-se no consolador oásis da fé e são as virtudes evangélicas que o levam, pela graça divina, à presença de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quereis um conselho? Não desprezeis, filhos meus, esse roteiro, enquanto fazeis vossa jornada pelo caminho da vida!


(Athalicio Pithan, Lendas e Alegorias, Edições Brasília, Porto Alegre, 1ª edição, 1945, p. 13-15).



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