domingo, 27 de novembro de 2016

O cofre de oro do castelo de Dreistein

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Na região de Ottrot havia muitos castelos. Infelizmente, o tempo transformou-os em ruínas.

Mas, há pessoas que acham que eles ainda estão habitados pelos fantasmas dos antigos e riquíssimos senhores. Isso deu origem à lenda do “cofre de oro do castelo de Dreistein”.

Há muito tempo, uma moça passeava sozinha pela floresta à procura de alguns fungos para reforçar sua pobre sopa, aliás, bem fraca.

Seus olhos estavam fatigados após procurar tanto entre o capim o pouco que havia de comestível naquela época de seca.

Por trás de um pequeno mato ela ficou surpresa vendo um homem belo, vestido como um príncipe que caminhava galantemente no bosque.

‒ “Deve ser que meus olhos estão fatigados demais e me enganam”, pensou ela.



Lutzelbourg, ruínas do castelo
Certamente, ela deve ter pronunciado a frase em voz alta, pois a figura voltou-se para ela.

Mas como ela era magra como uma palha, o homem galante não conseguiu vê-la, e continuou então a fazer seu caminho.

‒ “Vai ser interessante ir atrás dele, pensou. Assim vou ter uma história para contar voltando a casa”.

Esse belo moço não parecia caminhar, mas pairar sobre o chão, de tal maneira seus movimentos estavam cheios de graça. A moça seguia-o sempre a certa distância para não chamar a atenção.

Assim, ela foi se afastando cada vez mais de sua aldeia até chegar perto das ruínas do castelo de Dreistein.

Nesse momento, ela viu faiscar com mil resplendores ... um cofre cheio de ouro e joias !....

Tentando se elevar para ver melhor, ela pisou num galho seco e o ruído fez que o jovem se voltasse para ela. Ela ficou muito confusa, porque uma moça virgem e direita como ela não deve ir atrás de um homem.

Mas, o gentil-homem não se mostrou incomodado. Até, pelo contrário, fez-lhe sinal de se aproximar para ver o tesouro.

Ela avançou porque aquele belo homem não parecia perigoso e as joias pareciam tão lindas.

‒ “A gente nunca deve desperdiçar a ocasião de agradar os próprios olhos”, pensou.

Mas, curiosamente, quanto mais ela avançava, mais o jovem afundava na gruta que há embaixo das ruínas do castelo. Mas, isso não a preocupava. Ela estava hipnotizada pelo cofre. Até que, em fim, o jovem desapareceu na noite negra de uma gruta sem fundo.

Lutzelbourg, caverna
A moça estava perto do cofre, quando, subitamente, um animal gigantesco, deforme e feroz surgiu do fundo do negro abismo.

O jovem gentil-homem viria em seu auxílio. Não!

Os olhos do monstro desencarnado eram ameaçadores. A mandíbula era gigantesca e seus aterrorizantes dentes apontavam para ela.

Ela compreendeu logo que esse monstro de ultra-tumba protegia o tesouro e que não lhe faria mal se ela não o tocava. O que fazer?

Ela decidiu voltar na aldeia para falar com seu prometido. Quando acabou o relato, o futuro marido disse-lhe:

‒ “Mas, como Vc. pôde ser tão covarde?”

‒ “Mas...”

‒ “Algumas moedas desse cofre não teriam significado uma perda para o dono, mas para todos nós teria significado a mudança de nossa vida”, berrou ele.

Monte Santa Odila, padroeira da Alsácia
‒ “Quer dizer, Vc. sabe...”

‒ “Bom, e o que é que falou esse cachorro guardião do cofre?”, tempesteou ele.

‒ “Vc. é tão forte e corajoso... eu te guio e te mostro o local. Aí, vc. pega as moedas e também um colar para mim”, sussurrou ela langorosamente.

Eles partiram. Ele ia a toda e ela com reserva e prudência.

Mas, a decepção foi grande. Nenhum sinal do gentil-homem, cão nenhum e, sobre tudo, nada de cofre.

Nem mesmo uma moedinha pelo chão.

Nada!

O enigma do cofre e do cachorro percorreu a região toda. Todo o mundo queria sua parte do butim.

Mas, jamais apareceu homem, cachorro ou tesouro.

A verdadeira riqueza provém do trabalho honesto e nunca de sonhos de olhos abertos.




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