domingo, 21 de janeiro de 2018

Santa Maria pode curar qualquer veneno

Madonna del Soccorso, Tiberio d'Assisi, Museu de San Francisco
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Cantiga 189 do rei de Castela Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María



Esta Cantiga é sobre um homem que ia rumo a Santa Maria de Salas e encontrou um dragão no caminho e o matou. Mas ele ficou leproso e depois Santa Maria o curou.

“Bem pode Santa Maria curar de toda peçonha, pois ela é a Mãe d’Aquele que esmagou o basilisco e o dragão”.

A respeito disso, aconteceu um milagre a um homem de Valência, que ia em romaria a Salas sozinho e sem companhia, porque confiava muito em Santa Maria.

Mas se enganou de estrada e foi surpreso à noite, quando estava numa floresta, por uma estranha figura que avançava rumo a ele.

Era uma besta toda feita com jeito de dragão, que o deixou espantado. Mas ele não fugiu dela, pois temeu que se fugisse ela o alcançaria.

E à Virgem bendita elevou logo sua oração, para que o resguardasse da morte, da desgraça e da perdição.

Tendo concluído a oração, fez uma grande força sobre si próprio, avançou por cima da besta e lhe deu um golpe de espada com seu velho espadão, que a cortou pelo meio, de maneira que lhe partiu o coração em duas partes.

domingo, 23 de julho de 2017

Não cairmos em vergonha (Cantiga 94)

Nossa Senhora da Misericórdia, Sano di Pietro (1405-1481), col. privada.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Cantiga 94 do rei de Castela Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María

Esta cantiga fala como Santa Maria ficou servindo no lugar da freira que fugiu do mosteiro.


“A Virgem Maria trata sempre de nos livrar de pecar e de errar”.

E nos protege de pecar, e até quer nos encobrir quando caímos em pecado; depois nos faz arrepender e praticar a emenda dos pecados que cometemos.

Sobre isto, quero mostrar um milagre que numa abadia quis mostrar a Santa Rainha sem par que nos guia.

Havia lá uma freira que, segundo fiquei sabendo, era uma jovem formosa e, além do mais, sabia guardar a regra da Ordem, e nenhuma outra era tão diligente em aproveitar tudo o que tinham, e por isso lhe deram a tesouraria.

Mas o demônio, ao qual aquilo não agradava, a fez apaixonar-se de tal maneira por um cavaleiro, que não lhe dava repouso, até que conseguiu que ela saísse do mosteiro.

domingo, 22 de março de 2015

O grão de trigo

Germinação do trigo



Num dia de outono, triste e frio, saiu um homem a semear. Levando no braço esquerdo o saco de grãos, caminhava lentamente. A cada passo lançava um dos grãos — belo trigo, sadio e redondo — e os grãos caíam, rolavam e se escondiam na terra negra e arejada.

Aconteceu que um grão de trigo se achou de repente sozinho, entre dois torrões de terra preta e úmida. E o grãozinho ficou muito, muito triste. Tudo estava escuro e úmido, e a escuridão e a umidade aumentavam cada vez mais, pois o nevoeiro se transformara numa chuvinha enfadonha, ao aproximar-se a noite. Dava à gente vontade de se entregar ao desespero.

E foi o que fez o grãozinho de trigo. Começou a esquadrinhar a memória, procurando lembrar-se dos bons tempos que haviam ficado para trás.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

A cotovia




Existe na Polônia uma bela e comovente lenda sobre a criação da cotovia.

Quando Deus viu que os primeiros homens, expulsos do paraíso, trabalhavam duramente, e durante trabalho inclinavam tristemente a cabeça para o solo, tomou um punhado de terra e lançou-a ao ar...

E este punhado de terra assim lançado por Deus, transformou-se num passarinho, a primeira cotovia, cujo canto faz elevar para o céu a cabeça do homem e conforta o lavrador banhado em suor.

A cotovia da nossa vida terrestre é a nossa fé inquebrantável em Deus. Quando nossa cabeça fatigada se inclina para a terra, a fé levanta-a para as alturas.

Quando as ondas do sofrimento quase nos sepultam; a fé nos alenta. E quando o sofrimento da existência nos crava na cruz, a fé nos dá de novo consolação e alívio.

A lenda continua. A pequena cotovia quis mostrar-se reconhecida para com Deus e enquanto o Salvador percorria, pregando, a Palestina, todos os dias pousava na janela da Virgem Maria.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

As quatro barras catalunhas

Escudo da Catalunha
Escudo da Catalunha
Os normandos invadiram a França, no reinado de Carlos I.

O Imperador enviou a seu sobrinho Vifredo, o Veloso, Conde de Barcelona, uma carta, na qual pedia-lhe que o socorresse com os seus guerreiros.

O Conde marchou imediatamente com seu exército que entrou na batalha, vencendo os normandos, que se retiraram vencidos.

Uma flecha acertou o peito de Vifredo, no coração. Foi retirado a uma tenda, onde o visitou o Imperador.

O tio quis recompensar a seu sobrinho por esta lançada dando-lhe riquezas e bens.

Mas ele recusou toda recompensa, lamentando apenas que, apesar das muitas vitórias que havia obtido, em diversas batalhas nas quais havia tomado parte, seu escudo de armas ainda era liso: campo dourado, sem insígnias que revelava as suas muitas gestas.

O Imperador Carlos molhou, então, na ferida de Vifredo os quatro dedos de sua mão direita, e os passou de cima para baixo no escudo, marcando nele as quatro barras de sangue que ainda hoje adornam o escudo de Catalunha, Valencia e Aragão.

(Fonte: V. Garcia de Diego, Antologia de Leyendas de la Literatura Universal, Editorial Labor S.A., Madrid-Espanha, 1ª edição, 1953).