domingo, 17 de setembro de 2017

A origem da “Casa do Anjo” em Ingelheim

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Carlos Magno, tendo notado a excelente disposição do terreno de Ingelheim, fez transplantar para ali as cepas do melhor vinho de Orléans. A vinha ganhou o cêntuplo com o transplante.

Foi uma grande alegria para o Imperador, tê-lo tão bem conseguido, tanto que, depois de Aix-la-Chapelle, sua residência preferida era Ingelheim, ou Casa do Anjo. É muito curiosa a origem do nome poético e celeste com que foi batizado o castelo.

Pelo ano de 768, Carlos Magno decidiu construir um palácio que dominasse o Reno, e em 774 ele já estava edificado. Era um prédio magnífico, metade fortaleza, metade palácio, sustentado por cinqüenta colunas de mármore e cinqüenta de granito.

As de mármore foram-lhe enviadas de Roma e de Ravena pelo Papa Estêvão III, e as de granito foram extraídas do Adenwald. Assim, vendo sua nova morada imperial tão felizmente concluída, determinou ali reunir uma dieta. Em consequência, os príncipes e senhores dos arredores foram convocados para aquela grande solenidade.

domingo, 3 de setembro de 2017

O briguento e sua sombra

Doidos briguentos, capela de La Manta, 1420
Doidos briguentos, capela de La Manta, 1420
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Fala para mim se há algo mais pesado que a areia, que o chumbo ou que a massa de ferro.

Sim há. Sabes o que é?

É o homem briguento.

Esse é o pecado mais fátuo, doido e grave que se possa cometer.

E quem fica nele, enquanto não sai desse pecado, não pode se salvar.

Ó briguento, tu és semelhante ao frenético que não respeita ninguém. Esse mataria seu pai, sua mãe e seus irmãos do mesmo jeito que sacrificaria um animal.

E como eu sei disso, posso falar aqui ousadamente e com verdade.

Eu já estive num local em que os próprios religiosos se atacaram para matar uns aos outros.

Vós não percebeis que procedeis pior que os lobos e que os cachorros?

Quereis ver como eu digo a verdade?

Vós podeis vê-la na vossa experiência.

O cão não come a carne de outro cão, tampouco o lobo come a carne de outro lobo, nem mesmo o leão come outro leão, e assim fazem todos os animais.

O briguento age de tal maneira mal que se o irmão, o filinho ou o pai estão contra ele, ele se engenharia para assassiná-los.

Queres ver? Eu quero te contar um exemplo, ó briguento, e tal vez com ele vais pensar melhor.

Houve um louco que caminhava rumo ao oeste e levava uma longa marreta na mão, enquanto que o sol lhe batia nas costas e projetava sua sombra diante dele.

Assim que ele percebeu essa sombra, lhe pareceu que fosse um outro que andava com um bengala na mão como tinha ele.

Então saiu correndo atrás desse outro para lhe dar uma marretada. Porém, a sombra corria do mesmo jeito que ele.

E após ter corrido uma boa distância sem conseguir alcançá-la, ele parou de esgotamento.

Cena de uma revolta camponesa, Jean Froissart  (1337-1405)
Cena de uma revolta camponesa, Jean Froissart  (1337-1405)
Depois se pôs novamente em pé e recomeçou a correr para atingir sua sombra. Até que enfim após correr mais um tanto, chegou a uma curva onde a sombra ficou de lado.

Foi atrás dela até encontrar uma grande pedra onde a sombra tinha ficado ereta e fixa.

Assim que a viu parada com uma bengalona na mão ele foi por cima dela e se assanhou tanto contra sua sombra que acabou se dando uma pancada e rompeu a própria cabeça.

Assim fazem os que brigam. Doidinhos, que por pura insânia quebram sua cabeça e a de todos que estão perto deles!

Ah! Se eu fosse o imperador! Mas me falta o cetro de mando.

Eu os deixaria sem comer. Sim, até que eles abandonem esse pecado. Porque do contrário não se reconciliam jamais e morrem desesperados.

Então, caro briguento. Não queiras te desesperar. Arrepende-te e faz o que eu te ensino.


(Autor: São Bernardino de Siena, “Apologhi e Novellette”, Intratext)



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AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS