domingo, 17 de novembro de 2013

Os sarcófagos vazios de Quarré-les-Tombes

São Jorge, catedral de Estocolmo
São Jorge, catedral de Estocolmo

No coração da região de Morvan, na Borgonha (França), entre os límpidos rios Cure e Cousin, uma aldeia tem um nome curioso: Quarré-les-Tombes, algo como o Cercado das Tumbas.

O nome vem da presença sempre inexplicável de grande número de sarcófagos vazios – lá chamados de “pierres carrées”.

A concentração nesse local de milhares de túmulos sem os respectivos restos sempre excitou a imaginação popular.

A história começa no século nono da era cristã. Os normandos – ou vikings – que naquela época eram pagãos, invadiam a França e remontavam os rios a bordo de seus grandes barcos, os drakkar.

Eles não somente matavam, pilhavam e queimavam tudo na sua passagem, mas também arrasavam as igrejas e dispersavam as santas relíquias.

Lutar contra os normandos equivalia não somente libertar o território, mas também partir em cruzada e, por essa via, conquistar o Paraíso.

domingo, 10 de novembro de 2013

A fonte de Santa Reine

A fonte de Santa Reine, Alise, Borgonha
A fonte de Santa Reine, Alise, Borgonha

Havia pouco que a Gália se tornara cristã e os romanos já a atravessavam com estradas retas e seguras, templos de mármore e tijolo, fazendas bem ordenadas que eles chamavam de ‘vila’.

Em Alésia, César havia dado fim a Vercingétorix, acabando com a resistência dos gauleses.

Apesar da lembrança dos dias do sítio implacável, os nobres e os dirigentes empenhavam sua boa vontade em aplainar as dificuldades que podiam eclodir entre os novos senhores que pretendiam ser pacificadores, e os habitantes que povoavam os morros desde tempos imemoriais.

Os pontos de encontro eram a boa acolhida, o bom trato, a paciência, como também o comércio e os casamentos.

Romanos e gauleses trabalhavam para dar coesão ao país.

Porém, os romanos tinham um novo inimigo para combater: a religião cristã que se espalhava de modo cada vez mais rápido e profundo.

Foi nesse momento que um dia chegou a Alésia um certo Olibrius, prefeito do imperador, enviado para combater a nova religião.

Os nobres do burgo fizeram questão de recebê-lo bem. Visitando a casa de um deles, Olibrius deitou o olho em Reine.

domingo, 3 de novembro de 2013

De muitas formas Santa Maria nos protege do mal

Nossa Senhora com o Menino Jesus
Cantiga 258 do rei de Castela Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María
Esta história conta como Santa Maria fez crescer a massa que uma boa mulher preparou para fazer pão.

“Aquela que viu como seu Filho saciava cinco mil homens com cinco pães pode multiplicar o que quiser”.

Por essa mesma razão vou contar-vos um milagre que fez Santa Maria em Provence, assim como eu o encontrei escrito entre muitos outros assim vo-lo contarei, pois sei que vos satisfará grandemente se o escutardes.

Naquela terra, segundo ouvi, houve um ano de muita escassez. Uma mulher muito boa que amava a Virgem Santa Maria mais do que a si mesma e, pelo que sei, dava por amor a Ela muitas esmolas a quem pedia de boa vontade e, segundo suas possibilidades, aos pobres a comida que tinha.

Por causa disso mandava vir muita farinha para poder assar mais tarde pão até fartá-los. Mas, naquele mau ano, consumiu logo todo o pão, inclusive aqueles que assou por conta da colheita, e quando tudo tinha esgotado acudiram até ela pobres muito famintos para pedir-lhe esmola como de costume.

Nesse momento ela estava amassando pão, e sem titubear deu-lhes toda a massa que havia preparado, sem ficar com nada para si.

Entrementes um dos filhos, a quem ela pedira para aquecer bem o forno, disse à sua mãe que podia levar os pães, pois o mesmo estava bem quente.

Envergonhada, ela confessou ao filho: “Por Deus, toda a massa que eu tinha dei para os pobres por amor da Santa Virgem, que é a luz destes meus olhos, para que obtenha que Deus perdoe meus pecados.”

Ouvindo isto, o filho queixou-se abertamente. Muito atrapalhada, a mãe voltou correndo para onde estava a massa que havia doado e verificou que a mesma não tinha sido usada nem estava estragada em nada.