domingo, 29 de maio de 2016

Por que Deus quis ser Filho da Virgem

Igreja de Fuentidueña, Segovia, Espanha.
Igreja de Fuentidueña, Segovia, Espanha.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Cantiga 38 do rei de Castela Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María

Esta cantiga conta como a imagem de Santa Maria estendeu o braço e segurou seu Filho, que ia cair devido à pedrada que Lhe jogou um saltimbanco.




Posto que Deus quisesse ser Filho da Virgem, para nos salvar a nós pecadores, por isso eu não me maravilho que Lhe doa ver quem O faz sofrer.

Porque Ela e seu Filho se acham unidos pelo amor, de maneira que nunca ninguém por nada poderá separá-los. Portanto, dão prova de serem muito néscios aqueles que vão contra Ela, acreditando que Ele não se sente concernido.

Isso fazem os malvados, que não querem compreender esse amor, e que a Mãe e o Filho estão de acordo em fazer o bem e castigar o mal.

domingo, 15 de maio de 2016

Frei Pacômio, o monge que voltou 400 anos depois

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Em princípios do século décimo, vivia num convento de beneditinos um santo religioso, chamado frei Pacômio, que não podia compreender como os bem-aventurados não se cansam de contemplar por toda a eternidade as mesmas belezas e gozar dos mesmos gozos.

Um dia mandou-o o Prior a um bosque vizinho, para recolher alguma lenha. Foi com gosto, mas mesmo no trabalho não o largavam as dúvidas.

De repente ouviu a voz de uma avezinha que cantava maravilhosamente entre os ramos. Ergueu-se e viu um animalzinho tão encantador, como jamais vira em sua vida. Saltava de um ramo para outro, cantando, brincando e internando-se na selva.

Seguiu-o frei Pacômio, todo enlevado, sem dar-se conta do tempo nem do lugar.

A certa altura a avezinha atirou aos ares o último e mais doce gorjeio e desapareceu. Lembrando-se então de seu trabalho, frei Pacômio procurou o machado para voltar ao convento.

Mas — coisa estranha! — achou-o enferrujado. Quis pegar o feixe de lenha que ajuntara, mas não o encontrou.

— Alguém mo terá roubado? — pensou.

Pôs-se a andar, mas não encontrava o caminho. Chegou, afinal, à beira do bosque, mas não encontrou o mato que tão bem conhecia. Ali estava agora um campo de trigo, em que trabalhavam homens desconhecidos.

domingo, 1 de maio de 2016

O ladrão e o luar

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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E aconteceu assim: durante a noite um ladrão tentou entrar na casa de um homem rico. Era lua cheia e levou compinchas com ele.

Na casa havia uma janela através da qual entrava o luar. Mas o bom homem dono da casa acordou, ouvindo passos de alguém caminhando pelo telhado e achou que só podiam ser ladrões.

Ele então acordou sua mulher e lhe disse:

– “Fala baixinho: eu escutei passos de ladrões que andam pelo nosso telhado. Quando você ouvir que estão chegando perto, me pergunte em voz clara:

– “Ah, meu marido como é que você conseguiu tanta riqueza como nós temos?”

“E enquanto eu não responder, você continue me perguntando até que eu diga”.

E quando ela ouviu o ladrão, começou a pedir ao marido o que lhe ordenara, e o ladrão começou a ouvir o que eles falavam.

O marido não respondia o que ela lhe perguntava, e ela insistiu várias vezes até que ele disse:

– “Vou te dizer, porque você quer muito saber. Não se reúne tantas riquezas sem ladroeira”.

E a mulher então disse:

– “Como é que pode ser uma coisa dessas? Porque as pessoas que você conhece te têm em conta de homem bom” ...

E ele replicou:

– “É que eu encontrei uma sabedoria para roubar. É uma coisa muito secreta. E muito sutil! De maneira que nunca ninguém suspeitou de mim tal coisa”.

E a mulher disse:

– “Como é que você fez?”