domingo, 21 de fevereiro de 2016

Não queiras para os outros o que não queres para ti

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Entre os lavradores e viajantes da Catalunha, o nome de Ferreol era muito temido. Nas noites de tempestade, quando a água bate com fúria nas rochas, o bandido Ferreol e seus companheiros aguardavam em seus postos, para assaltar qualquer infeliz e roubar-lhe a bolsa, e quiçá deixá-lo estendido sem vida em um matagal.

Por toda parte se narravam as façanhas do bando, que levava o terror a todos os que tinham que passar pelos montes e bosques, lugares preferidos de Ferreol e seus companheiros.

Um dia, ao pôr-do-sol, quando o crepúsculo enchia de sombras as proximidades das montanhas, um frade caminhava a passos largos. Ia rezando com devoção suas orações, e não percebeu a aparição de dois homens no meio do caminho.

Estes pararam o bom religioso, dizendo-lhe:
— Irmão, passe-nos a bolsa!
O frade, surpreendido, lhes respondeu que não levava nada consigo.

Bandidos como eram, o conduziram então, com os olhos vendados, à cova onde o bando estava reunido. Ferreol, sentado junto ao fogo, entretinha-se em afiar com grande cuidado sua adaga. Os bandidos tiveram grande surpresa com a chegada de seus companheiros e do frade.