domingo, 25 de dezembro de 2016

Como a Igreja Católica canta o Natal

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O Natal é cantado por todos os povos com seus estilos próprios, em Vladivostock, no Ceilão, no Pamir, ou em qualquer recanto do mundo. Porque a alma universal da Igreja Católica está em todas as latitudes.

Porém, a Igreja, Ela mesma, comemora o Natal com seu canto próprio: o cantochão, cantado a uma só voz, sem ritmo, sem acompanhamento, sem ornatos, aproveitando o som das palavras para sublinhar seu significado profundo.


Mas, transmitindo uma alegria serena que sobe diretamente ao Céu, um recolhimento que exclui todas as coisas da Terra, sem agitação nem folia, dizendo com toda naturalidade o que tem a dizer.

O cantochão é a voz da Igreja cantando o dom do Espírito Santo, que Deus a ela comunicou por meio de Nossa Senhora.

Na extrema simplicidade de cada uma das palavras cantadas está contida uma catedral de significados e imponderáveis.

O canto da “Ave Maria” é um sublime exemplo.

São Gabriel apresentou-se diante de uma Virgem, e disse que Ela conceberia do Divino Espírito Santo e seria a Mãe de Deus.

O Evangelho narra com toda simplicidade: “Ave Maria, cheia de graça...”

Com essa singeleza, o arcanjo transmite a mensagem aguardada durante milênios pelos Patriarcas e pelos Profetas.

A Santíssima Virgem ficou perplexa e o anjo lhe esclareceu.

Veja vídeo
Vídeo: Como a Igreja Católica
canta o Natal

Ela então deu a resposta mais dócil do mundo: “Eis aqui a Escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra” ‒ “Ecce Ancilae Domini, fiat mihi secundum verbum tuum”.

Serena, tranqüila, admiravelmente disse tudo. Tudo simples e inocente, mas com elevadíssimo significado.

Cada palavra reflete a ordem do universo como uma catedral sonora.

Ó serenidade, ó tranqüilidade, Ó dignidade e caráter profundamente religioso como o cantochão!

É a voz da Igreja cantando o dom que Deus concedeu a Nossa Senhora, ao sopro do Espírito Santo!

Assim a Igreja comemora o Natal, Ela, a alma dos tesouros de todos os Natais diferentes da Terra!

Vídeo: Como a Igreja Católica canta o Natal




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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Santo Natal e Feliz Ano Novo !

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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domingo, 11 de dezembro de 2016

Natal: a lenda do Menino Jesus do Espinho

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Uma piedosa lenda de Natal conta que o Menino Jesus sentado num troneto brincou tecendo uma coroa de espinhos.

E um espinho machucou seu dedo indicador da mão direita.

Nesse momento, com ciência profética, Ele previu os sofrimentos que haveria de aceitar para redimir o genro humano.

Veja vídeo
CLIQUE PARA VIDEO:
o sonho do Menino
Jesus do Espinho
Em sua doçura de criança e na candura de sua inocência infinita Ele pressentiu as dores lancinantes de sua Paixão e Morte na Cruz.

Contemplou também a glória de sua Ressurreição.

escola de Murillo
Anteviu a Redenção da humanidade, o triunfo universal da Igreja e da Cristandade.

Na iconografia tradicional, o Menino Jesus do Espinho aparece sentado numa poltrona com braços de madeira, estofada em veludo vermelho, meditando sobre os futuros tormentos da Paixão.

Numa outra tela do célebre pintor espanhol Francisco de Zurbarán (1598-1664)  o Menino Deus contempla o dedo sangrando.

O rosto mais sereno parece velado pelo presságio do sofrimento vindouro trazido pela ferida.

Assim também e representado na tela da escola de Murillo.


Visite nossas páginas dedicadas ao Natal.

Anônimo sevilhano
É uma clara premonição da Paixão de Cristo, através de uma descrição suave e melancólica.

O contraste entre a inocência e a doçura da criança com o horror da tortura toca os mais nobres sentimentos dos fiéis.

E inspira uma meditação apropriada para o Advento, período litúrgico iniciado no último domingo de novembro, tempo penitencial que nos prepara para bem receber no Natal ao Menino Jesus.

A piedosa lenda tem, aliás, diversas narrações em volta do tema central.

No vídeo, oferecemos uma delas adaptada para a imagem.



Video: o Menino Jesus do Espinho




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domingo, 27 de novembro de 2016

O cofre de oro do castelo de Dreistein

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na região de Ottrot havia muitos castelos. Infelizmente, o tempo transformou-os em ruínas.

Mas, há pessoas que acham que eles ainda estão habitados pelos fantasmas dos antigos e riquíssimos senhores. Isso deu origem à lenda do “cofre de oro do castelo de Dreistein”.

Há muito tempo, uma moça passeava sozinha pela floresta à procura de alguns fungos para reforçar sua pobre sopa, aliás, bem fraca.

Seus olhos estavam fatigados após procurar tanto entre o capim o pouco que havia de comestível naquela época de seca.

Por trás de um pequeno mato ela ficou surpresa vendo um homem belo, vestido como um príncipe que caminhava galantemente no bosque.

‒ “Deve ser que meus olhos estão fatigados demais e me enganam”, pensou ela.

Lutzelbourg, ruínas do castelo
Certamente, ela deve ter pronunciado a frase em voz alta, pois a figura voltou-se para ela.

Mas como ela era magra como uma palha, o homem galante não conseguiu vê-la, e continuou então a fazer seu caminho.

‒ “Vai ser interessante ir atrás dele, pensou. Assim vou ter uma história para contar voltando a casa”.

Esse belo moço não parecia caminhar, mas pairar sobre o chão, de tal maneira seus movimentos estavam cheios de graça. A moça seguia-o sempre a certa distância para não chamar a atenção.

Assim, ela foi se afastando cada vez mais de sua aldeia até chegar perto das ruínas do castelo de Dreistein.

Nesse momento, ela viu faiscar com mil resplendores ... um cofre cheio de ouro e joias !....

Tentando se elevar para ver melhor, ela pisou num galho seco e o ruído fez que o jovem se voltasse para ela. Ela ficou muito confusa, porque uma moça virgem e direita como ela não deve ir atrás de um homem.

Mas, o gentil-homem não se mostrou incomodado. Até, pelo contrário, fez-lhe sinal de se aproximar para ver o tesouro.

Ela avançou porque aquele belo homem não parecia perigoso e as joias pareciam tão lindas.

‒ “A gente nunca deve desperdiçar a ocasião de agradar os próprios olhos”, pensou.

Mas, curiosamente, quanto mais ela avançava, mais o jovem afundava na gruta que há embaixo das ruínas do castelo. Mas, isso não a preocupava. Ela estava hipnotizada pelo cofre. Até que, em fim, o jovem desapareceu na noite negra de uma gruta sem fundo.

Lutzelbourg, caverna
A moça estava perto do cofre, quando, subitamente, um animal gigantesco, deforme e feroz surgiu do fundo do negro abismo.

O jovem gentil-homem viria em seu auxílio. Não!

Os olhos do monstro desencarnado eram ameaçadores. A mandíbula era gigantesca e seus aterrorizantes dentes apontavam para ela.

Ela compreendeu logo que esse monstro de ultra-tumba protegia o tesouro e que não lhe faria mal se ela não o tocava. O que fazer?

Ela decidiu voltar na aldeia para falar com seu prometido. Quando acabou o relato, o futuro marido disse-lhe:

‒ “Mas, como Vc. pôde ser tão covarde?”

‒ “Mas...”

‒ “Algumas moedas desse cofre não teriam significado uma perda para o dono, mas para todos nós teria significado a mudança de nossa vida”, berrou ele.

Monte Santa Odila, padroeira da Alsácia
‒ “Quer dizer, Vc. sabe...”

‒ “Bom, e o que é que falou esse cachorro guardião do cofre?”, tempesteou ele.

‒ “Vc. é tão forte e corajoso... eu te guio e te mostro o local. Aí, vc. pega as moedas e também um colar para mim”, sussurrou ela langorosamente.

Eles partiram. Ele ia a toda e ela com reserva e prudência.

Mas, a decepção foi grande. Nenhum sinal do gentil-homem, cão nenhum e, sobre tudo, nada de cofre.

Nem mesmo uma moedinha pelo chão.

Nada!

O enigma do cofre e do cachorro percorreu a região toda. Todo o mundo queria sua parte do butim.

Mas, jamais apareceu homem, cachorro ou tesouro.

A verdadeira riqueza provém do trabalho honesto e nunca de sonhos de olhos abertos.




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domingo, 13 de novembro de 2016

O exorcismo de Frei Garin
e os artifícios do diabo para perdé-lo

Montserrat, panoramica
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em 859, sendo Conde de Barcelona Vifredo o Zeloso, havia na montanha de Montserrat um anacoreta chamado Garin, que possuía grande virtude e piedade.

Todas as manhãs subia nos picos das montanhas, para louvar a Deus em sua grandeza, e quando voltava à sua gruta o sino da igreja de São Acisdo tocava sozinho para saudá-lo. O demônio, muito contrariado, se propôs a perdê-lo, e para isto empregou todas as suas armas.

Uma manhã, Frei Garin subiu a São Jerônimo, o pico mais alto de Montserrat, com o afã de ver mais de perto o céu, de sentir-se mais próximo de Deus. Porém, naquele dia, pela primeira vez, o demônio o tentou a olhar para o lindo campo, em vez de olhar para o céu.

Contemplou longamente as serras de Valência e de Aragão. Embevecido, avistou Mallorca e os campos de Catalunha. Ao ver-se acima de todos, sentiu-se orgulhoso de sua própria grandeza. Dominava tudo, tudo podia contemplar. Sentia-se dono de tudo.

Montserrat, panoramica

Naquela manhã, quando desceu até sua gruta, depois de ter rezado com menos devoção que de costume, o sino de São Acisdo tocou, em lugar dos habituais toques alegres, um som triste, como de lamento. O demônio descobriu que o anacoreta não era invulnerável a defeitos e debilidades humanas.

Ao pé da montanha de Montserrat abre-se um poço que ainda hoje se chama do diabo. Desse poço, Lúcifer saiu uma tarde para traçar planos com o demônio que havia enviado contra o anacoreta. Lúcifer ordenou ao diabo que fosse ao palácio do Conde de Barcelona, o famoso palácio de Validauva, e se apossasse do espírito de Riquilda, a filha do Conde, que era uma jovem riquíssima e virtuosa.

Feito isto, o diabo devia sugerir ao conde que unicamente a oração de Frei Garin diante de Riquilda, em Montserrat, durante nove dias, poderia livrá-la do espírito do mal.

Lúcifer reservou também a si um importante papel. Disfarçado de ermitão, se dirigiu à montanha. Escolheu uma gruta entre as muitas que há entre as rochas, e esperou um momento oportuno para sair ao encontro de Frei Garin.

Ao cair da tarde do dia seguinte, o viu subir a São Jerônimo. Fingindo que rezava, foi ao seu encontro.

Frei Garin, surpreendido ao vê-lo, perguntou quando havia vindo a Montserrat. O falso frade, mentindo, lhe disse que há trinta anos fazia penitência naquela abrupta montanha.

Levou-o à sua gruta, onde só faltava a cruz. Quando Frei Garin notou isto, o velho ermitão lhe disse que as cruzes e imagens custavam muito dinheiro, o que ele não tinha. Por outro lado, a grandeza de Deus era tanta, que lhe parecia pouca coisa venerar as imagens. Deus também não poderia encerrar-se em quatro paredes.

Seu altar eram aquelas tremendas montanhas. Seu templo, o universo. Assim, nesse tom, continuou falando o velho "ermitão", conquistando por completo o coração puro e bondoso de Frei Garin, que o escutava entusiasmado. Desde aquele dia, todas as tardes subia o jovem para consultar o velho em suas dúvidas, suas vacilações, sobretudo quanto ao que sentia e pensava.

Entretanto, no palácio de Validauva estava Riquilda vestindo-se uma manhã, para dirigir-se à igreja e fazer suas orações. Tinha a janela aberta, e por ela entravam e saíam livremente os pássaros. Entre eles entrou um pardal, que se aproximou da jovem e cantou ao seu ouvido alegres cânticos, inspirando-lhe estranhos pensamentos e sensações que nunca tinha tido.

Olhou-se no espelho e sentiu-se mais bela do que de costume. Instintivamente se adornou com colares de pérolas e jóias que nunca usava. Para pôr o colar, tirou a cruz benta que levava desde que nascera. No mesmo momento caiu, rolando pelo chão. Empalideceu e começou a soltar horríveis gritos.

A condessa, assustada, correu ao quarto de sua filha. Ao vê-la em convulsões, como se estivesse sofrendo grandes dores, chamou um médico judeu de grande talento e fama. O médico, depois de examinar a enferma, declarou que aquele mal não podia ser curado pela medicina. Riquilda estava possessa.

Todo o palácio era dor e consternação. Por ordem do Conde Vifredo, que muito gostava de Riquilda, tomaram a jovem e a levaram à catedral bizantina. Ali ataram-na numa coluna, ante o altar da cripta.

O velho sacerdote cingiu a cintura de Riquilda com uma estola e ordenou ao diabo que abandonasse o corpo da jovem. Então, ante o terror e a surpresa de todos, ouviu-se uma voz rouca e profunda, que dizia que somente abandonaria o corpo da jovem se fosse ordenado a Frei Garin, o anacoreta de Montserrat, que ficasse rezando aos pés de Riquilda durante nove dias e nove noites.

Ao ouvir estas palavras, o Conde Vifredo ordenou que se organizasse imediatamente a procura de Frei Garin. Por fim encontraram-no, e disseram-lhe a condição que o demônio havia imposto para sair do corpo da jovem.

Frei Garin foi até o velho ermitão, para consultá-lo sobre a delicada questão. Este, logo ao ouvir o problema, recomendou que sem demora Frei Garin cumprisse o que o demônio havia proposto. Inclusive ele, o velho ermitão, o acompanharia nesta ocasião durante os nove dias e nove noites.

Assim, Frei Garin começou a rezar diante da jovem condessa, a fim de terminar a possessão. E Lúcifer começou a tentá-lo, para que pecasse com a jovem.

Frei Garin, através da oração, resistiu fortemente, mas pouco a pouco, esquecendo-se de sua fraqueza, de sua contingência, foi cada vez mais confiando em suas próprias forças, até que no nono dia ele cedeu à tentação e pecou com a jovem.

Nisto chegou o velho falso ermitão. Logo que o viu, Frei Garin, arrependido, correu para contar-lhe o sucedido. O velho disse então que só haveria perdão se Frei Garin matasse a jovem e a enterrasse ali mesmo.

Diante do velho ermitão, Frei Garin, com um punhal, matou a jovem Riquilda. Depois os dois a enterraram, e no momento em que sobre a pobre donzela caía a última porção de terra, o velho ermitão, transformando-se de novo em demônio, estalou em uma sonora gargalhada, que retumbou lugubremente por toda a montanha.

Frei Garin compreendeu então que havia sido vítima de um engano horroroso. Mas isso não reduzia em nada a maldade de seu duplo pecado. O penitente caiu sobre a tumba, chorando desesperadamente, e ouviu o sino de São Acisdo, que sozinho tocava finados pela morte da filha do conde.

Frei Garin partiu na mesma noite a caminho de Roma, para pedir perdão a Deus. Pelo mesmo caminho que fez para chegar à cidade eterna, retornou depois andando de quatro, cumprindo a penitência imposta pelo Santo Padre.

Pois, como havia pecado como animal, como animal devia viver, comendo ervas e raízes que arrancasse do chão com os dentes, até que Deus ordenasse outra coisa.

Atravessou o Llogrebat e voltou à sua gruta, onde encontrou o crucifixo no chão. Desde então, todos os dias chorava Frei Garin, recordando seus pecados. Também choravam os condes no palácio de Valudauva, em Barcelona, pelo estranho desaparecimento de sua filha, que não conseguiam entender.

Nada sabiam de Riquilda e de Frei Garin, até que um dia, saindo Vifredo nos arredores de Montserrat, se aproximou do lugar onde se havia despedido de sua filha meses antes. Ali chorou o conde abundantemente.

Nossa Senhora dos Desamparados, ValenciaDe repente, muito perto do lugar onde estava o conde, soou um corno de caça. Correu o conde pressuroso, e viu seus cavaleiros que estavam encurralando um estranho animal desconhecido.

Vendo que não era uma fera, o laçaram e levaram arrastando até Barcelona. Ali o deixaram abandonado num canto do palácio, porque outro acontecimento mais importante chamou a atenção do conde.

A condessa deu à luz um menino. O batismo foi celebrado com grande pompa, e ao serem cantadas as gestas do conde, entre as quais figurava a morte do dragão em São Lourenço, recordaram-se do monstro que haviam capturado em Montserrat.

O conde pediu que o trouxessem, para observá-lo. Feito isto, todos o contemplaram com admiração.

Alguns achavam que tinha certa semelhança com um homem; outros, que sua maneira de andar lembrava um urso. O monstro aceitava as carícias humildemente e beijava os pés de seus convidados.

Entretanto, acordou o recém-nascido, e abrindo os olhos, contemplou longamente o monstro. Ante a surpresa geral, falou o recém-nascido:
— Levanta-te, Frei Garin, que Deus já te perdoou.

Levantou-se então Frei Garin, deixando a todos consternados. O conde pediu contas do paradeiro de sua filha. Frei Garin lhe contou que estava morta, e pediu castigo para seu horrendo crime. O conde, magnânimo, perdoou a quem Deus já havia perdoado.

Os condes quiseram que se rezasse uma Missa no lugar onde descansavam os restos mortais de sua filha. Anos mais tarde se erigiu ali um mosteiro de monjas beneditinas, em memória da filha do conde.


(Fonte: V. Garcia de Diego, "Antología de Leyendas de la Literatura Universal" - Labor, Madrid, 1953)


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