domingo, 31 de maio de 2015

As doze palavras ditas e retornadas

Bíblia de Carlos V. Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda.
Bíblia de Carlos V. Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Era uma vez um homem muito trabalhador e honrado, mas infeliz em todo negócio em que se metia. Tinha ele devoção ao Anjo da Guarda, rezando todos os dias em sua intenção.

Cada vez mais pobre, o homem perdeu a paciência, e um dia gritou, desesperado com sua triste sina:
— Acuda-me o diabo, que o Anjo da Guarda não me quer ajudar!

Apareceu um sujeito alto, todo vestido de preto, barbudo e feio, com uma voz roufenha e desagradável:
— Aqui estou! Aqui estou! Que é que queres de mim?
— Quero ficar rico.

O diabo indicou uma gruta onde havia um tesouro enterrado, e disse:
— Daqui a vinte anos voltarei para buscar-te. Se não disseres as doze palavras ditas e retornadas, serás meu para toda a eternidade.

O homem começou a viver folgadamente, em festas e alegrias, cercado de amigos e de mulheres.

O tempo foi passando, e uma noite ele lembrou-se de que estava condenado às penas do inferno. Só se soubesse as doze palavras ditas e retornadas...
— Isso deve ser fácil — disse ele consigo. — Todo mundo deve saber.

domingo, 17 de maio de 2015

A lenda de São Goar e o colar de Carlos Magno

São Goar
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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São Goar foi sacerdote e confessor na cidade de Tréveris (Trier). Sua festa litúrgica, inscrita no Martírológio Romano, comemora-se a 6 de julho. Exerceu grande influência moral na região que vai desde Estrasburgo, na França, até Nimega, na Holanda.

Uma pequena cidade situada às margens do Reno, na Alemanha, leva o nome do Santo. É aí que se pode ouvir o relato de sua lenda.

São Goar era contemporâneo de Carlos Magno, e em consequência assistiu à luta do grande Imperador contra os infiéis. Portanto muito tempo o Santo lamentava amargamente não poder ajudar o filho de Pepino de outro modo, a não ser com suas orações.

São Goar era não somente eremita, mas também barqueiro. Ele estava tomado por essa pena ao ir recolher um viajante na margem direita do Reno, que lhe tinha feito sinais para vir erguê-lo. Nisso, subitamente, veio-lhe uma ideia que lhe pareceu ser de tal maneira uma inspiração do Céu, que resolveu colocá-la em execução no mesmo instante.

Com efeito, assim que São Goar chegou com o viajante ao meio do Reno, ou seja ao ponto onde o rio é mais rápido e profundo, parou de remar e perguntou a seu passageiro de que religião era.

domingo, 3 de maio de 2015

O Rei Midas: o avarento que morreu de fome

Tudo o que tocava virava ouro... até morrer de fome!!!
Tudo o que tocava virava ouro... até morrer de fome!!!
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Narra a mitologia que o rei Midas era muito avarento.

Por ter tratado bem a Sileno, seu prisioneiro, recebeu dos deuses a grande recompensa de converter em ouro tudo quanto sua mão tocasse. Uma bela fortuna, não é verdade?

Fora de si de contente, aquele rei tocou seu bastão, e o bastão se converteu em ouro cintilante.

Tocou a parede, e a parede tornou-se num bloco de ouro preciosíssimo. No palácio real, tudo agora era ouro.

O rei assentou-se à mesa para o jantar. A sopa, apenas lhe tocou os lábios, tornou-se ouro. O pão, a carne, tudo ouro.

De sorte que Midas não pôde tomar alimento algum, e depois de alguns dias ia morrendo de fome, embora rodeado de ouro.

Assim diz a fábula. Mas eu vos digo, em outro sentido, que também nós possuímos um meio de converter em ouro — isto é, em mérito preciosíssimo — todas as nossas obras.

Esse meio é: conformar sempre e em tudo a nossa vontade com a vontade de Deus.