domingo, 24 de novembro de 2013

“Os 12 dias de Natal”

São Gabriel, Rodez, França
São Gabriel, Rodez, França

Há uma bela canção de Natal inglesa intitulada Twelve Days of Christmas (Os 12 dias do Natal), pouco conhecida entre nós.

Ela surgiu durante a época da perseguição anglicana contra os católicos naquele país, no século XVI.

Com a pseudo-reforma protestante, países como a Inglaterra, ao abandonarem o regaço da Santa Igreja e caírem na heresia, começaram a perseguir os católicos, tornando quase impossível a prática da verdadeira Religião.

Para comunicar aos fiéis a sã doutrina e poderem celebrar sem medo de represálias o Natal do Salvador, segundo a tradição da Santa Igreja, católicos ingleses compuseram tal música, que é um catecismo secreto, porquanto expressa em símbolos a realidade de nossa fé.

Ela foi também utilizada muitas vezes pelos católicos durante as perseguições anticristãs e anti-monárquicas da Revolução Francesa.

domingo, 17 de novembro de 2013

Os sarcófagos vazios de Quarré-les-Tombes

São Jorge, catedral de Estocolmo
São Jorge, catedral de Estocolmo

No coração da região de Morvan, na Borgonha (França), entre os límpidos rios Cure e Cousin, uma aldeia tem um nome curioso: Quarré-les-Tombes, algo como o Cercado das Tumbas.

O nome vem da presença sempre inexplicável de grande número de sarcófagos vazios – lá chamados de “pierres carrées”.

A concentração nesse local de milhares de túmulos sem os respectivos restos sempre excitou a imaginação popular.

A história começa no século nono da era cristã. Os normandos – ou vikings – que naquela época eram pagãos, invadiam a França e remontavam os rios a bordo de seus grandes barcos, os drakkar.

Eles não somente matavam, pilhavam e queimavam tudo na sua passagem, mas também arrasavam as igrejas e dispersavam as santas relíquias.

Lutar contra os normandos equivalia não somente libertar o território, mas também partir em cruzada e, por essa via, conquistar o Paraíso.

domingo, 10 de novembro de 2013

A fonte de Santa Reine

A fonte de Santa Reine, Alise, Borgonha
A fonte de Santa Reine, Alise, Borgonha

Havia pouco que a Gália se tornara cristã e os romanos já a atravessavam com estradas retas e seguras, templos de mármore e tijolo, fazendas bem ordenadas que eles chamavam de ‘vila’.

Em Alésia, César havia dado fim a Vercingétorix, acabando com a resistência dos gauleses.

Apesar da lembrança dos dias do sítio implacável, os nobres e os dirigentes empenhavam sua boa vontade em aplainar as dificuldades que podiam eclodir entre os novos senhores que pretendiam ser pacificadores, e os habitantes que povoavam os morros desde tempos imemoriais.

Os pontos de encontro eram a boa acolhida, o bom trato, a paciência, como também o comércio e os casamentos.

Romanos e gauleses trabalhavam para dar coesão ao país.

Porém, os romanos tinham um novo inimigo para combater: a religião cristã que se espalhava de modo cada vez mais rápido e profundo.

Foi nesse momento que um dia chegou a Alésia um certo Olibrius, prefeito do imperador, enviado para combater a nova religião.

Os nobres do burgo fizeram questão de recebê-lo bem. Visitando a casa de um deles, Olibrius deitou o olho em Reine.

domingo, 3 de novembro de 2013

De muitas formas Santa Maria nos protege do mal

Nossa Senhora com o Menino Jesus
Cantiga 258 do rei de Castela Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María
Esta história conta como Santa Maria fez crescer a massa que uma boa mulher preparou para fazer pão.

“Aquela que viu como seu Filho saciava cinco mil homens com cinco pães pode multiplicar o que quiser”.

Por essa mesma razão vou contar-vos um milagre que fez Santa Maria em Provence, assim como eu o encontrei escrito entre muitos outros assim vo-lo contarei, pois sei que vos satisfará grandemente se o escutardes.

Naquela terra, segundo ouvi, houve um ano de muita escassez. Uma mulher muito boa que amava a Virgem Santa Maria mais do que a si mesma e, pelo que sei, dava por amor a Ela muitas esmolas a quem pedia de boa vontade e, segundo suas possibilidades, aos pobres a comida que tinha.

Por causa disso mandava vir muita farinha para poder assar mais tarde pão até fartá-los. Mas, naquele mau ano, consumiu logo todo o pão, inclusive aqueles que assou por conta da colheita, e quando tudo tinha esgotado acudiram até ela pobres muito famintos para pedir-lhe esmola como de costume.

Nesse momento ela estava amassando pão, e sem titubear deu-lhes toda a massa que havia preparado, sem ficar com nada para si.

Entrementes um dos filhos, a quem ela pedira para aquecer bem o forno, disse à sua mãe que podia levar os pães, pois o mesmo estava bem quente.

Envergonhada, ela confessou ao filho: “Por Deus, toda a massa que eu tinha dei para os pobres por amor da Santa Virgem, que é a luz destes meus olhos, para que obtenha que Deus perdoe meus pecados.”

Ouvindo isto, o filho queixou-se abertamente. Muito atrapalhada, a mãe voltou correndo para onde estava a massa que havia doado e verificou que a mesma não tinha sido usada nem estava estragada em nada.