quinta-feira, 10 de maio de 2012

Como Frei João do Alverne conheceu toda a ordem da santa Trindade


O Frei João do Alverne, porque perfeitamente havia renunciado a todo deleite e consolação mundana e temporal, e em Deus havia posto todo o seu deleite e toda a sua esperança, a divina bondade lhe dera maravilhosas consolações e revelações, especialmente nas solenidades de Cristo.

Pelo que, aproximando-se uma vez a solenidade da Natividade de Cristo, na qual esperava de certo consolação pela doce humanidade de Jesus, o Espírito Santo pôs-lhe na alma tão grande e excessivo amor e fervor da caridade de Cristo, pela qual ele se tinha humilhado, tomando a nossa humanidade, que verdadeiramente lhe parecia ter sido tirada sua alma ao corpo e arder como uma fornalha.

O qual ardor não podendo suportar se agoniava e se derretia inteiramente e gritava em altas vozes; porque, pelo ímpeto do Espírito Santo e pelo excessivo fervor do amor, ele não se podia conter de gritar.

E na hora em que aquele desmesurado fervor lhe vinha, com ele lhe vinha tão forte e certa a esperança de sua salvação, que por nada deste mundo acreditara que se então morresse devesse passar pelas penas do purgatório.


E aquele amor lhe durou bem um meio ano, ainda que aquele excessivo fervor não fosse continuado, mas lhe viesse em certas horas do dia.

E naquele tempo e depois recebeu maravilhosas e muitas visitas e consolações de Deus e muitas vezes foi arrebatado, como viu aquele frade o qual primeiramente escreveu estas coisas: entre as quais, uma noite ficou tão enlevado e arrebatado em Deus que viu nele, Criador, todas as coisas criadas e celestiais e terrenas com todas as suas perfeições e graus e ordens distintas.

E então conheceu claramente como cada coisa criada representava o seu Criador, e como Deus está sobre e dentro e fora e ao lado de todas as coisas criadas.

E conheceu depois um Deus em três pessoas e três pessoas em um Deus, e a infinita caridade a qual fez o filho de Deus se encarnar, por obediência ao Pai.

E finalmente conheceu naquela visão como não há outra via pela qual a alma possa ir a Deus e ter a vida eterna, senão pelo Cristo bendito, o qual é caminho, verdade e vida da alma. Amém.





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2 comentários:

  1. Passei por aqui e gostei do que li
    Nem sempre a fonte do que escrevemos nos somos.
    O que importa é divulgar e colaborar para o Reino de Deus.
    Se pude3r, faça uma visita tambem no meu blog e
    deixe seu parecer. Ficarei feliz.
    crisma2012matao.blogspot.com.br

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  2. José Juarez Batista Leite17 de maio de 2012 11:29

    Os Fioretti de São Francisco são sempre cheios de encanto religioso e espiritual.Proporciona, a quem lê, um doce enlevo da alma.Esse conto de Frei João do Alverne se apresenta como uma verdadeira catequese,confirmando,para nós,algumas importantes verdades da Fé.Que Deus nos conceda um coração e inteligência humildes e simples para sabermos apreciar,devidamente e com piedade,escritos como esse.

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