domingo, 21 de novembro de 2021

Como Nossa Senhora salvou Constantinopla da sanha dos turcos

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Esta cantiga [Cantiga 28 "Todo logar mui ben pode"] conta como Santa Maria defendeu Constantinopla dos mouros que a combatiam e acreditavam poder tomá-la.

Todo lugar que tem a Santa Maria como escudo pode muito bem ser defendido.

Disso eu vos quero contar, do fundo de meu coração, um milagre dos maiores que fez a Virgem sem par, que não quis se perdesse e fosse vencido o povo que Ela tinha que conservar.

Segundo o escrito que eu mesmo pude achar, após Constantinopla ter sido tomada pelos cristãos, veio um rei pagão para sitiar a vila, com uma hoste de pagãos, muito bravo e sanhudo ele, para tomar a cidade pela força e tornar-se o homem mais temido.


E com toda aquela sanha que possuía, começou a dizer que se ele pudesse tomar a cidade pela força, mandaria matar o povo simples e roubaria os tesouros que este tinha escondido.

Dentro da cidade, conforme tenho ouvido, que Deus me ajude e perdoe, estava São Germano, o santo patriarca, que foi a rogar à Virgem que o povo fosse socorrido por Ela, sem demora, diante daquele atrevido mouro.

Mãe de Deus com anjos. Pedro Serra
Mãe de Deus com anjos. Pedro Serra
E às damas da muito nobre cidade aconselhou, severamente, que fossem acender velas diante da imagem em majestade da Virgem, para que o povo do lugar não fosse atraiçoado nem entregue.

Porém, aquele sultão mouro fez pôr máquinas de guerra que jogavam pedras, as quais os arqueiros lançassem sem cessar.

E assim combatida, a muralha foi logo fendida, e passaram tal e tanto aperto os de dentro, que teriam sido pegos se a Virgem muito santa não se apresentasse no local com seu manto estendido para proteger o muro e evitar que derrubasse.

E naquele momento desceu uma grande legião de santos, que apareceram junto com Ela; e, muito sem sanha, Ela foi pôr seu manto e recebeu muitos tiros que mandou lançar aquele sultão beiçudo.

E aconteceu então que os que combatiam por Deus, tendo concebido grande temor de sua Mãe, saíram dali deixando de golpear, e foram matar aquele Sultão barbudo e liberar o muro já caído.

Aquele sultão – eu não vos minto – acreditou que com falsidade queriam atacá-lo os seus, e começou a apelar para Mafoma, o velho conhecido, para que o viesse ajudar, mas logo ficou decepcionado.

E assim que levantou os olhos para o céu, viu logo a Mãe de Deus coberta com seu véu, pairando sobre a cidade com o manto estendido e recebendo as feridas.

Ao ver isso, logo compreendeu ser pecador, pois viu que aquilo era obra de Nosso Senhor. Por isso, de maneira alguma quis ordenar mais um outro combate e, agindo como homem cordato, entrou na cidade sem que os seus o soubessem.

Aquele sultão pagão foi até São Germano, dizendo-lhe:

– Senhor, a partir de hoje, eu quero por vossa mão tornar-me cristão, ser convertido e abandonar Mafoma, o falso covarde. E eu vos digo logo a razão pela qual decidi isto: segundo diz a vossa Lei, a muito Santa Rainha tenho visto, que veio vos liberar, pois apareceu para mim, e eu quero ser batizado, mas que não fique conhecido.

Seria muito difícil vos contar os grandes dons, ricos e bons, que entregou aquele sultão da Síria, e além do mais deu garantias de que não voltaria a atacar o reino, e assim Deus me proteja, e saiu agradecido.



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domingo, 14 de novembro de 2021

Frei Pacífico em oração viu a alma de Frei Humilde subir ao Céu

São Francisco, Benozzo Gozzoli
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na província da Marca, depois da morte de São Francisco, entraram dois irmãos na Ordem; um teve por nome Frei Humilde e o outro Frei Pacífico, os quais foram homens de grandíssima santidade e perfeição.

E um, isto é, Frei Humilde, estava no convento de Soffiano e ali morreu; o outro estava de família em um convento assaz afastado dele.

Como prouve a Deus, Frei Pacífico, estando um dia em oração num lugar solitário, foi arrebatado em êxtase e viu a alma do seu irmão Frei Humilde subir diretamente ao céu, sem demora nem impedimento, na mesma hora em que deixava o corpo - Sucedeu que, depois de muitos anos, este Frei Pacífico foi posto em família no dito convento de Soffiano, onde seu irmão tinha morrido.

Nesse tempo os frades, a pedido dos senhores de Brunforte, mudaram o convento para um outro lugar; pelo que, entre outras coisas trasladaram as relíquias dos santos frades que haviam morrido naquele convento. 

 
E chegando à sepultura de Frei Humilde, o seu irmão Frei Pacífico retirou-lhe os ossos e lavou-os com bom vinho e depois os envolveu numa toalha branca, e com grande reverência e devoção os beijava e chorava.

Por isso os outros frades se maravilharam e não recebiam bom exemplo: porque, sendo ele homem de grande santidade, parecia que, por amor sensual e secular, chorava seu irmão, e que maior devoção mostrava por estas relíquias, do que pelas dos outros frades que tinham sido de não menos santidade do que Frei Humilde, e eram dignas de reverência como as dele.

E conhecendo Frei Pacífico a sinistra imaginação dos frades, os satisfez humildemente e lhes disse:

“Irmãos meus caríssimos, não vos admireis de que tivesse feito com os ossos do meu irmão o que não fiz com os dos outros; porque, bendito seja Deus, não se trata, como credes, de amor carnal, mas isso fiz porque, quando meu irmão passou desta vida, orando eu em um lugar deserto e afastado, vi sua alma pelo caminho certo subir ao céu; e portanto estou certo de que seus ossos são santos e ele deve estar no paraíso. E se Deus me tivesse concedido tanta certeza dos outros frades, a mesma reverência renderia aos ossos deles”.

Pela qual coisa os frades, vendo-lhe a santa e devota intenção, ficaram bem edificados com ele e louvaram a Deus, o qual faz assim coisas maravilhosas aos santos frades seus.

Em louvor de Cristo. Amém.



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domingo, 7 de novembro de 2021

Nossa Senhora não deixou sair o ladrão

Luis Dufaur
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Cantiga de Santa Maria 302 “A Mãe de Jesus Cristo”; Cantiga 424 “Pois que dos Reis é Nosso Senhor”, de Affonso X, o Sábio, rei de Leão e Castela (1221-1284)
Esta cantiga é do homem que furtou a seu companheiro o dinheiro da esmola em Santa Maria de Montserrat e não conseguiu sair da igreja enquanto não o devolveu.

A Mãe de Jesus Cristo, que é Senhora de nobreza, não consente que na sua casa se cometam furtos nem vilanias.

E sobre isto eu vou vos contar um grande milagre que homens de confiança me contaram como sendo muito verdadeiro, e juraram ter sido feito por Santa Maria de Montserrat, incluindo o que fez um homem ruim para manifestar sua vileza.

Esse homem foi em romaria com muita outra gente e juntou-se a um outro procurando companhia; quando chegou a noite, roubou-lhe a sacola com o dinheiro que trazia, para aumentar seu pecúlio.

No dia seguinte, pela manha, após ouvirem as Missas, os que tinham participado ali saíram da igreja, mas ele não conseguiu sair e isso foi percebido por muitos.

Santa Maria, que está com Deus nas alturas, não o consentiu enquanto ele não se arrependesse sinceramente, confessasse seu pecado e devolvesse ao outro tudo o que tinha furtado, reconhecendo diante de todos sua culpa e saindo envergonhado pelo seu malfeito.

Assim foi feito em tudo, pois esse foi o desígnio da piedosa e verdadeira Mãe de Deus, santa e muito justiceira, que não quis que na sua casa fossem feitas de maneira alguma coisas inconvenientes nem miseráveis ladroeiras.

Cantiga 302 & Cantiga 424 "A Madre de Jhesu-Cristo & Pois que dos Reys Nostro Sennor"

domingo, 24 de outubro de 2021

A catedral submersa

A "catedral submersa" na baía de Douarnenez
Luis Dufaur
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Na sua História da Liga na Bretanha, de fins do século XVI, um certo cônego Moreau escrevia sobre a baía de Douarnenez:

“Encontram-se ainda hoje pessoas antigas que, estando a pescar, sustentam ter visto com frequência, nas baixas marés, velhas ruínas de muralhas”. Segundo essas testemunhas, tratar-se-ia de “grande obra de que nunca se ouviu falar”.

Algumas ruínas parecem indicar construções dos tempos dos romanos, que dominaram a região antes dos celtas.

Por outro lado, em dias de mar calmo, pescadores de Douarnenez diziam ter ouvido muitas vezes soar os sinos sob as águas da baía. E de vez em quando suas redes ou linhas apanhavam curiosos objetos.

Entre a lenda e a história real há sempre uma zona nebulosa, de incerteza. O fato é que Ys sublimou-se na atraente figura de uma bela cidade submersa, com uma catedral magnífica cujos sinos tangem ao sabor das ondas… ou dos anjos!

A beleza dessa lenda excita as imaginações, descrevendo Ys como a mais bela capital do mundo de então. Mais tarde Paris teria ocupado o seu lugar.

Um provérbio em língua bretã diz: “Depois que se inundou a cidade de Ys / Nada de mais belo se encontrou igual a Paris”.

Então a roda do destino deverá inverter-se, porque outro refrão diz: “Quando Paris for submersa, / A cidade de Ys ressurgirá”.

Ao tomar conhecimento de um sucinto relato dessa lenda, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira fez uma linda aplicação à fase da vida em que as pessoas ainda não perderam a sua inocência primaveril.

Teoricamente, todo católico que seja inteiramente fiel à graça sobrenatural poderia conservar a inocência até o final de sua vida. Na realidade, porém, a debilidade humana dificilmente o alcança.

Mas é possível! Muitos santos e santas conservaram a inocência mesmo em meio aos mais violentos combates, exteriores ou interiores, no anonimato de uma cela de convento como na vida pública ou familiar de um leigo.

Assim uma Santa Teresinha do Menino Jesus, um São Francisco de Assis e tantos outros.

E quanto mais avançam os anos, tanto mais é pungente essa luta.

É nessa fase que a pessoa, se não resolver ser santa, pode tornar-se cética, pragmática, materialista, sensual, ou simplesmente perder a fé!

Entretanto, se ela conservou um fundo de fidelidade à virtude, de religiosidade, de honestidade, de vergonha, ela poderá ainda ser tocada pelo eco dos sinos de uma catedral submersa no seu mar interior!

As infidelidades, pecados e omissões poderão ter obscurecido a visão maravilhosa da vida eterna, que afirmamos no Credo.

Então nos sentimos num mundo em que a nossa Ys ideal está sepultada no mar dos nossos crimes ou da nossa vida banal sem Deus!

Entretanto, como os pescadores bretões, de vez em quando ouvimos o tanger de sinos que das profundezas nos traz à memória o mundo ideal para o qual fomos criados.

É o apelo da graça, ou da inocência! Em qualquer idade podemos abraçá-la e estabelecer com ela um conúbio para a eternidade.

Creio ser bem esta a relação da lendária catedral submersa de Ys com a reconquista da inocência, na consideração de Plinio Corrêa de Oliveira.


(Autor: Gabriel José Wilson. Catolicismo, março 2014).

Um escritor virulentamente anticristão nos fornece um exemplo da persistência dos apelos dessa inocência apesar de uma vida ostensivamente pecaminosa. Trata-se de Ernest Renan que abandonou o seminário para viver atacando a Igreja no século XIX.

No livro “Lembranças da infância e da juventude” (“Souvenirs d'enfance et de jeunesse” Calmann Lévy Éditeur, 1897) escreveu:

“Uma das lendas mais espalhadas na Bretanha fala de uma pretensa cidade de Ys, que numa época desconhecida, teria sida engolida pelo mar.

“Mostra-se em diversos pontos da costa, o local dessa cidade fabulosa e os pescadores vos apresentam estranhas narrações.

“Nos dias de tempestade, garantem eles, vê-se em meio às ondas a ponta das agulhas de suas igrejas. Nos dias de calmaria, ouve-se subir do fundo dos abismos marítimos o toque dos sinos, modulando o ritmo do dia.

“Com frequência me parece que eu tenho no fundo do coração uma cidade de Ys que toca ainda sinos que obstinadamente convocam para os ofícios sacros uns fiéis que já não ouvem mais.

“Por vezes eu me detenho para prestar ouvidos a essas trêmulas vibrações, que me parecem provir de profundezas infinitas, como se fossem vozes vindas de outro mundo. Na medida em que eu me aproximo da velhice, sobretudo, eu me deleito durante o repouso do verão prestando atenção nesses rumores longínquos de uma Atlântida desaparecida”.

Era o apelo da graça, da inocência, que ainda se fazia ouvir num coração empedernido no mal!





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domingo, 10 de outubro de 2021

Don Galcerán De Pinós, o cruzado liberado por Santo Estevão

Santo Estevão, Salamanca
Santo Estevão, Salamanca
Luis Dufaur
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No século XII, Afonso, Imperador de Castela, sustinha renhidas batalhas contra o rei mouro de Granada.

O Conde de Barcelona acudiu em sua ajuda, fretando naves catalãs e genovesas.

Era almirante das primeiras, Galcerán Guerras de Pinós. Em seu afã das vitórias, se adiantou demasiado no território mouro e caiu prisioneiro.

Seus pais, os senhores de Bagá, estavam desesperados. O Conde de Barcelona se pôs em tratos com o Rei de Granada, para ver que resgate pedia pelo almirante Galcerán.

O Rei de Granada, enfurecido por ter perdido Almería, pediu um resgate exorbitante: cem mil dobles, cem cavalos brancos, cem vacas bragadas, cem panos de ouro de Tanis, e o que era pior de tudo, mais cem donzelas.

Os senhores de Bagá se aterrorizaram ante a última condição e decidiram que, apesar de muita dor que lhes causava ter o filho cativo dos mouros, não podiam consentir, para que ele fosse devolvido, que tantos pais sofressem a dor de ver perdidas para sempre suas filhas.

Não obstante, foram muitos os argumentos dos poderosos senhores que opinaram que o povo devia sacrificar-se, e que o almirante representava uma grande ajuda para a Cristandade.

Aquele que tivesse quatro filhas, devia entregar duas; o que tivesse duas, daria uma, e o que tivesse uma seria sorteado com outro que tivesse uma também.

Recolheram por fim, tudo quanto o Rei mouro de Granada queria e partiram, para embarcar na praia da Salon.

Santo Estevão, catedral de Newcastle
Santo Estevão, catedral de Newcastle
Entretanto, Galcerán Guerras de Pinós, estava encerrado numa masmorra imunda, sofrendo todos os horrores da escravidão. Com ele se achava também o cavaleiro Sancerni, senhor de Sull.

Várias vezes haviam tentado fugir, sem conseguir. Outras tantas quiseram subornar a seus guardas, e tampouco tiveram êxito.

Galcerán, que era mais jovem sonhava constantemente com sua casa de Bagá, seus salões, seus jardins e sua capela. A lembrança disso trouxe a sua mente o desejo de encomendar-se a Santo Estevão, o patrono de sua casa.

Rezou com grande fervor, encomendando ao santo sua salvação. Terminada sua reza, os cativos viram que se havia aberto a porta de sua masmorra e um homem celestial, aproximando-se de D. Galceran levou-o para fora.

O almirante sempre cortês e caritativo, parou na porta, indicando com o olhar ao senhor de Sull, que ficaram muito assustado.

Então o santo falou, para que ele também se encomenda-se ao seu patrono.

Fez assim, o cavaleiro de Sancerní, rezando com o mesmo fervor a ao Dionizio, o qual não deixou de acudir, libertando a ele também.

Ambos se encontraram caminhando livres à meia-noite e com grande surpresa, se encontraram com o clarear do dia em Tarragona.

Continuando pelos caminhos de Bagá, vieram de pronto uma multidão silenciosa que marchava em direção contrária.

Perguntaram aonde iam, e um homem de gesto grave e dolorido lhes respondeu que se dirigiam para Granada pagar o resgate de Dom Galcerán e de D. Sancerní, para o qual haviam sacrificado cem donzelas.

Os cavaleiros, então, se deram a conhecer, e entre felicitações a Deus empreenderam todos o caminho até Tarragona.

Mais tarde, quando Valencia foi libertada, o almirante mandou levantar a igreja de Santo Estevão, daquela capital, em ação de graças.

Hoje, entretanto, se recorda a aventura que tanta angustia proporcionou a tantas famílias do senhor de Galcerán, de pais e filhos, se conta as peripécias dos cavaleiros, cujos sepulcros se conservam na história do mosteiro de Santo Creno. (p.198 e 199)


(Fonte: V. Garcia de Diego, Antologia de Leyendas de la Literatura Universal, Editorial Labor S.A., Madrid-Espanha, 1ª edição, 1953).



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