domingo, 26 de novembro de 2017

A folgança e a honra não partilham moradia

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Uma vez o conde Lucanor voltava muito cansado, sofrido e pobre de uma batalha. Porém, antes que pudesse descansar, chegou-lhe a notícia de que se preparava mais uma guerra.

Muitos dos seus o aconselharam a descansar por certo tempo. Só depois poderia decidir o que achasse mais conveniente.

O conde perguntou a Patrônio sua opinião sobre este assunto.

Patrônio lhe disse:

— Senhor, para que possais fazer o melhor e mais conveniente, gostaria muito de vos contar a resposta que deu certa vez o conde Fernán González a seus vassalos.

O conde perguntou a Patrônio o que lhes tinha dito.

— Senhor conde – contou Patrônio – quando o conde Fernán González venceu ao rei Almanzor em Hacinas, muitos de seus soldados morreram e muitos dos sobreviventes, inclusive ele próprio, receberam graves feridas.

Antes que pudessem ser curados, soube o conde que o rei de Navarra ia atacar suas terras. Por isso, ordenou aos seus a se aprontarem para lutar contra os navarros.

Seus soldados lhe responderam que os cavalos estavam cansados, que eles também estavam, e que embora isso não os impedisse de entrar em combate, não devia fazê-lo, porque ele e todos os demais estavam malferidos, pelo que convinha aguardar até que todos estivessem curados.



Quando o conde viu que todos reusavam a luta, dirigiu-se a eles com estas palavras, valorizando mais a honra que o cansaço:

— Amigos, não abandonemos a empresa por causa das feridas, pois as novas que agora nos causarão, farão com que nos esqueçamos das recebidas em Hacinas, diante do mouro Almanzor.

Sepulcro de Fernán González tendo junto dois pendões de Castela
Vendo os seus que o conde não se preocupava nem com o cansaço nem com as feridas para defender sua honra e sua terra, marcharam junto com ele. O conde e seus soldados ganharam essa nova batalha e saíram vitoriosos.

Vós, senhor Conde Lucanor, se quiserdes fazer o que se deve para defender os vossos, as vossas terras e elevar a vossa honra, nunca sintais a dor, as fadigas ou os perigos, mas agi de maneira que os novos perigos e dores vos façam esquecer os passados.

O conde viu que esse exemplo era bom, seguiu-o e lhe foi muito bem.

E julgando o Infante Don Juan que este conto era muito bom, mandou guardá-lo neste livro e acrescentou os versos que dizem assim:

Tende isto por certo, pois é verdade provada:
que a folgança e a honra não partilham morada.






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