domingo, 9 de fevereiro de 2014

A espada de Cracóvia

As duas torres da igreja de Nossa Senhora
As duas torres da igreja de Nossa Senhora
Na praça central de Cracóvia, Polônia, ergue-se rumo aos céus a suntuosa igreja de Nossa Senhora.

Ela é tão bela, tão grande e tão bem localizada, que muitos ficam convencidos de que é a catedral da cidade.

Entretanto a catedral, também magnífica, fica na cidadela de Cracóvia, conhecida como Wawel, junto ao Palácio Real e outros prédios históricos admiráveis.

A igreja de Nossa Senhora começou a ser construída por volta de 1220 sobre os fundamentos de um antigo templo em estilo românico várias vezes reformado e que era a igreja principal da Praça do Mercado.

Ela apresenta duas torres de altura vertiginosa, coroadas por dois maravilhosos conjuntos de torrezinhas e agulhas muito diferentes, aliás, em cada torre principal.

A mais alta é conhecida como Torre da Guarda e do alto dela trombeteiros que se revezam anunciam ininterruptamente a hora, de dia e de noite, em direção dos quatro cantos principais da cidade.

A menos alta é chamada a Torre dos Sinos, pois nela há um imenso sino que, segundo uma outra lenda, no século XV foi levado até o topo por Stanislas Ciolek, um homem de força inaudita.

Por que as duas torres têm alturas diferentes?

Quando as autoridades municipais de Cracóvia decidiram reformar a igreja e elevar duas torres colossais, escolheram dois irmãos.


Ambos eram arquitetos célebres na cidade e verdadeiros mestres na profissão.

O mais velho e experiente no ofício ensinara ao mais jovem como fazer belíssimos prédios.

Os dois aceitaram o desafio conscientes da responsabilidade, e juraram cumpri-lo empregando todas suas forças e engenho.
A torre do irmão mais velho
A torre do irmão mais velho

Porém, cada um sonhava internamente que sua torre seria a mais bela e a mais admirada da cidade.

E escolheram estratégias diferentes.

O mais velho trabalhava intensamente, cobrando muito esforço dos pedreiros.

Ele havia concebido o projeto de concluir mais rápido sua torre para que as pessoas ficassem admiradas com a sua habilidade e superioridade no ofício.

O menor sonhou com uma torre esbelta e flamejante, e aplicou-se judiciosamente em estabelecer fundamentos muito sólidos.

O mais velho concluiu logo sua torre e apresentou-a com orgulho aos conselheiros municipais.

Mas dia após dia seus pensamentos ficavam mais entrevados vendo a torre de seu irmão subir a olhos vistos.

Os espíritos intrigantes espalhavam que ele havia ensinado tão bem o ofício ao irmão menor que este acabaria superando o mais velho.

Uma noite estourou uma disputa entre ambos. O mais velho ficou exasperado e cravou um facão no coração do caçula.

Para esconder seu crime ele jogou o corpo no rio Vístula, que banha a cidade.

O facão de Cracóvia
O facão de Cracóvia
Após a desaparição do arquiteto, a construção da Torre Norte, ou do Sino, ficou interrompida.

O Conselho municipal decidiu que os trabalhos não prosseguiriam.

A torre inconclusa foi recoberta com uma espécie de elmo, que hoje pode ser visto, e ficou menor.

O bispo fixou a data da consagração da igreja.

Porém, o irmão mais velho não conseguia viver com a consciência suja pelo sangue do irmão.

O dia em que o arcebispo consagrou a igreja restaurada, ele confessou seu pecado a Deus e a todos os fiéis.

Logo a seguir, ele se jogou desde o alto da torre feita pelo irmão, segundo uns; segundo outros, ele se suicidou com o mesmo facão com que matou o irmão.

Esse facão se encontra hoje pendurado do muro do Pavilhão dos Panos, no centro da Praça do Mercado, diante da igreja, num local estreito em que todo mundo que passa não pode deixar de ver.

Ele está preso sob um arco por um anel de ferro. Ele lembra aos que por ali passam todo o mal que o orgulho e a inveja podem causar.

P.S.: Segundo dizem os habitantes de Cracóvia, a espada está ali também como uma advertência aos comerciantes: das penas que na Idade Média eles podiam incorrer caso praticassem preços injustos ou adulterassem as mercadorias.

(Fonte: “Légendes de Cracovie”, Wydawnictwo Wam, Cracóvia, 1972, p. 10 a 12)



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