quinta-feira, 18 de março de 2010

A Ponte do Diabo de Thueyts

Igreja da cidadinha de Thueyts
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Em Ardèche, a pequena cidade de Thueyts parece muito calma. Mas essa tranquilidade esconde um terrível segredo.

Na origem dele está uma ponte muito antiga que atravessa o rio Ardèche.

Há muito tempo, um casalzinho de adolescentes de Thueyts ficou secretamente namorado. E combinaram de se encontrar numa pequena mata.

Essa mata era bonita e muito cheia de folhas, mas ficava de outro lado do rio e não havia ponte. A única solução era caminhar três léguas para cruzar pela ponte da cidade vizinha.

A solução era fatigante.

Um belo dia, o rapaz foi até o córrego e tempesteou violentamente dando fortes brados:

‒ “A quem lhe ocorreu fazer este barranco de pedra? Por acaso nós somos amaldiçoados para não termos uma ponte igual que nossos vizinhos? Não é justo!”

“O que te falta para ter a felicidade, meu maravilhoso amigo?”
Subitamente, vindo de não se sabe onde, um curioso personagem aproximou-se do moço louco de sentimentalismo:

‒ “O que te acontece meu amigo”, sussurrou melosamente o desconhecido.

‒ “Bem, nada, apenas um desabafo” respondeu o doido de amor.

‒ “Chega disso meu jovem companheiro. Como é que um rapaz tão belo, tão forte, tão inteligente e tão esperto pode lamentar alguma coisa?”

O moço sentiu o peito estufar.

‒ “O que te falta para ter a felicidade, meu maravilhoso amigo?”, prosseguiu o singular ignoto.

‒ “Nada que tu possas fazer!”, exclamou o inexperiente.

‒ “Você acredita? Eu tenho muitos colegas que me ajudam com frequência, e nada me é impossível!” gracejou o forasteiro.

‒ “Uma ponte! Eu quero uma ponte! Aqui! Onde nós estamos! Mas, isso é uma tarefa impossível”, gemeu exasperado o jovem seduzido.

‒ “Ohhhh, só isso! Não há nada mais fácil!”

O bisonho galante não era tão bobo e percebeu que aquela figura esquisita era um enviado satânico. Mas, ele quis mostrar perspicácia e respondeu:

A ponte do conto, Thueyts
‒ “Eu acho que você quer me pedir algo em troca, ide satanizar outro, bom homem”, disse achando ter feito um belo jogo de palavras.

‒ “Nada disso, eu só tenho vontade de vos agradar”.

‒ “O quê?” falou surpreso o jovem melado.

‒ “Agora eu tenho que partir. Já é tarde, mas eu voltarei”, murmurou o ser misterioso com voz que parecia sair de um túmulo.

Alguns dias depois, os habitantes de Thueyts descobriram uma ponte que atravessava magnificamente o rio Ardèche. Os apressados amantes foram os primeiros a testá-lo. Porém, nunca voltaram.

Desde aquele dia, o povo está convencido que os casais adolescentes que o atravessam desaparecem.

Alguns pensam no diabo. O pároco lembra sempre aos fiéis que Deus pune aqueles que alimentam amores ilegítimos.

E nas noites em que o vento bate com força, os velhos habitantes dizem ouvir os gemidos dos precitos no inferno.



CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

quinta-feira, 4 de março de 2010

Como o velho conde se fez ermitão


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O velho conde Guy de Maience habitava um castelo às margens do Reno, lá adiante, perto da embocadura do rio, não longe do "mar salgado".

Era um infatigável caçador, e tivera em toda sua vida apenas duas belas paixões: a batalha e a caça do bosque.

Ora, um dia em que ele perseguia um veado pela floresta adentro, não foi pequena sua surpresa, e nem sua irritação, ao ver o animal se refugiar no pequeno quintal de uma ermida.

E logo o ermitão caiu a seus pés pedindo clemência pelo animal já sem fôlego:

— "Não, não! Não há clemência" — exclamou o conde.

E lançou no animal o grande dardo que tinha na mão.

Mas a flecha, mal dirigida, atingiu o eremita e lhe atravessou o coração.

Os anjos desceram do céu para recolher sua alma.

Nada pôde exprimir então a dor do assassino involuntário:

"Eu juro tomar o lugar deste que matei — diz ele — e viver nesta ermida até o fim de minha vida!"

E o nobre terminou seus dias como piedoso ermitão.


(Fonte: Léon Gautier, "La Chevalerie")



CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS