segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

São Francisco, o frade orgulhoso e o enviado de Deus


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




No tempo de S. Francisco de Assis vivia um frade que achava estar à altura da inteligência de um anjo.

Aconteceu que um dia São Francisco estava rezando na floresta, quando um jovem veio até a porta do mosteiro e começou a bater bem forte, por tanto tempo, que os frades surpreenderam-se com o barulho. Um deles foi até a porta, abriu-a e disse ao jovem:

— Obviamente você nunca esteve aqui antes, pois não sabe como bater em nossa porta adequadamente.

— Como então devo bater?

— Bata três vezes lentamente, então espere até que os frades possam dizer um Padre Nosso. Se ninguém vier, bata novamente.

— Estou com muita pressa, por isso bati tão forte. Envie-me Frei Elias, pois eu lhe farei uma pergunta. Ele é muito sábio.

Frei Elias ficou ofendido com o modo do pedido, e não queria ver o jovem. Novamente ele começou a bater, tão alto quanto antes. Mais uma vez o frade foi até a porta, e disse:

— Você não observou minhas instruções de como bater.

domingo, 8 de janeiro de 2017

O alcaide-mor de Faria, Nuno Gonçalves

Alcaide de Faria

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A breve distância da vila de Barcelos, nas faldas do Franqueira, alveja ao longe um convento de franciscanos. Aprazível é o sítio, sombreado de velhas árvores.

Sentem-se ali o murmurar das águas e a bafagem suave do vento, harmonia da natureza, que quebra o silêncio daquela solidão — a qual, para nos servirmos de uma expressão de Frei Bernardo de Brito — com a saudade de seus horizontes parece encaminhar e chamar o espírito à contemplação das coisas celestes.

O monte que se alevanta ao pé do humilde convento é formoso, mas áspero e severo, como quase todos os montes do Minho. Da sua coroa descobre-se ao longe o mar, semelhante a mancha azul entornada na face da terra.

O espectador colocado no cimo daquela eminência volta-se para um e outro lado, e as povoações e os rios, os prados e as fragas, os soutos e os pinhais apresentam-lhe o panorama variadíssimo que se descobre de qualquer ponto elevado da província de Entre-Douro e Minho.