domingo, 16 de outubro de 2016

Como São Francisco conhecia os segredos das consciências

São Francisco. Vicente Carducho (1576 ou 1578 - 1638)
São Francisco. Vicente Carducho (1576 ou 1578 - 1638)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Como Nosso Senhor Jesus Cristo disse no Evangelho: “Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem a mim”, etc., assim o bem-aventurado Pai São Francisco, como bom pastor, sabia por divina revelação de todos os méritos e virtudes de seus companheiros, e assim conhecia seus defeitos.

Razão pela qual ele sabia prover com ótimo remédio, isto é, humilhando os soberbos e exaltando os humildes, vituperando os vícios, louvando as virtudes; como se lê nas admiráveis revelações que tivera daquela sua primitiva família.

Entre as quais se fala que uma vez estando São Francisco com a dita família em um convento a tratar de Deus, e Frei Rufino não estando com eles naquela conversação, mas estava na floresta em contemplação.

Continuando a conversação sobre Deus, eis que Frei Rufino sai da floresta e passa um pouco diante deles.

Então São Francisco, vendo-o, voltou-se para os companheiros e lhes perguntou dizendo-lhes:

“Dizei-me qual acreditais que seja a mais santa alma, a qual Deus tenha agora no mundo?”

E respondendo-lhe acreditarem que fosse a dele, São Francisco lhes disse:

Encontro de São Francisco e São Domingos, Benozzo Gozzoli
Encontro de São Francisco e São Domingos, Benozzo Gozzoli
“Caríssimos irmãos, eu próprio sou o homem mais indigno e mais vil que Deus tem neste mundo; mas vedes aquele Frei Rufino, o qual sai agora da floresta?

“Deus me revelou que a alma dele é uma das três mais santas almas que Deus tem neste mundo; e firmemente vos digo que não duvidarei de chamar-lhe em vida São Rufino, porque sua alma está confirmada em graça e santificada e canonizada no céu por Nosso Senhor Jesus Cristo”.

E estas palavras não dizia São Francisco em presença do dito Frei Rufino.

Igualmente, como São Francisco conhecia os defeitos de seus frades, compreende-se claramente em Frei Elias, ao qual muitas vezes repreendia pela sua soberba, e em Frei João da Capela, ao qual predisse que se devia enforcar, e naquele frade a quem o demônio apertava a garganta ao ser repreendido por desobediência, e em muitos outros frades, cujos defeitos ocultos e virtudes conhecia pela revelação de Cristo bendito.

Amém.




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