domingo, 26 de junho de 2016

As lendas da Torre Sem Veneno

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Acima de Grenoble, no pé das montanhas de Vercors, um pedaço de muro vigia o vale de Grésivaudan.

Essa ruína tem uma história, a dos senhores de Seyssinet. Aliás, sobre ela corre não uma lenda, mas muitas.



Terra de Jerusalém

Para que seus senhores partissem na Cruzada, o Delfim prometeu conceder terra aos corajosos. O senhor de Pariset soube quais terras lhe seriam doadas.

Era um belo lugar para construir seu castelo. Mas, estava infestado de cobras!

Tendo concluído vitoriosamente sua Cruzada, ele trouxe uma sacola com terra recolhida junto ao Santo Sepulcro em Jerusalém.

Ele lembrava que no jardim do Paraíso, o diabo entrou dentro da serpente e que desde então esse animal rasteiro infestava a terra. Ele achou que só uma terra que tocou em Nosso Senhor poderia expulsá-lo.

Voltando, espalhou a preciosa terra e o milagre aconteceu. Ele pôs em fuga todos os répteis venenosos que infestavam a região.

E um fabuloso castelo foi levantado naquele local antigamente amaldiçoado.

domingo, 12 de junho de 2016

O que aconteceu com o rei Ricardo da Inglaterra
quando pulou no mar para lutar contra os mouros

El Conde Lucanor, ilustração Víctor G. Ambrus
El Conde Lucanor, ilustração Víctor G. Ambrus.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



Certa feita, o conde Lucanor afastou-se com seu conselheiro Patronio e lhe falou assim:

– Patronio, eu confio muito em seu juízo. E sei que você sabe aconselhar como nenhuma outra pessoa no mundo. Por isso vos peço aconselhar-me como melhor sabes no que vou dizer agora.

Você sabe muito bem que não sou mais jovem e, desde que nasci até agora, cresci e vivi sempre envolvido em guerras, às vezes contra os mouros, outras vezes com os cristãos, e na maioria delas contra reis, senhores, ou vizinhos.

Em minhas lutas com meus irmãos cristãos, embora eu tentasse que a culpa não fosse minha, foi inevitável que muitos inocentes recebessem um grande dano.

Fiz penitência por isso e por outros pecados que cometi contra Deus Nosso Senhor. Porém, vejo que nada nem ninguém neste mundo pode ter certeza de que hoje não vai morrer.

E tenho certeza de que, posta a minha idade, não vou viver muito mais tempo e sei que devo comparecer diante de Deus, que é juiz que não se deixa enganar por palavras.

É um Juiz que julga cada um por suas boas ou más ações. E eu tenho certeza de que, se Deus achar em mim pecados que merecem o castigo eterno, não poderei evitar as dores do inferno, e não há nada de bom neste mundo que possa aliviar a dor eterna.