segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A flor de sangue do castelo de Ringelstein

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Anselmo foi um bandido um pouco estranho. Ele decidiu encher-se facilmente de dinheiro sequestrando os viajantes pelas estradas.

Num dia de forte nevoeiro, passava um pobre e velho lenhador, fatigado após uma dura jornada de trabalho.

O velho não percebeu o malandro que se aproximava sorrateiramente.

E foi rapidamente dominado, amarrado e arrastado até um esconderijo secreto.

No dia seguinte, a família do lenhador recebeu uma carta explicando que o pobre velho, mencionado como o “chefe da família”, seria libertado em troca de um resgate.

E a família gritou, mas gritou, gritou e gritou de alegria, pois assim se libertaria do ancião, cuja herança seria então dividida.

Anselmo aguardou alguns dias o pagamento em troca da vítima do sequestro.

Mas, nada!

Esse pobre ancião não interessava a ninguém. Além do mais, precisava alimentá-lo.

O lenhador chorava, gemia, rezava e impedia o bandido e seus asseclas de dormir.

domingo, 10 de janeiro de 2016

A fada do castelo de Gratot

E o jovem senhor ficou louco pela moça
que só tinha uma coisa esquisita.
Très Riches Heures du duc de Berry, Museu de Chantilly
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




No antigo Condado de Normandia, perto da cidade de Coutances, morava um jovem da nobre família de Argouges. Esse forte e brilhante cavalheiro adorava passear a cavalo horas a fio.

Um belo dia, próximo de um pequeno lago, ele ouviu um canto melodioso que provinha de uma voz doce. Avançando lentamente, encontrou uma bela dama junto às águas límpidas.

Tão suaves eram seus gestos, tão charmosa sua voz, e tão rara e irreal sua beleza, que o jovem foi logo conquistado por ela.

– “Bom dia... eh ... bela senhorita.

– “Oh, o senhor me pegou de surpresa.

– “Quer dizer... por favor...

– “Não vos escuseis, meu senhor, eu não deixo de cumprir todas as regras. Bom dia, nobre senhor.

– “Bom... eu diria...

– “Hi hi hi hi, o senhor me faz rir com os seus tartamudeios.

– “Bela senhorita, quereis casar comigo?

– “Antes de vos dizer SIM, quero um favor.

– “Farei tudo o que seja de vosso prazer, minha amiga.

– “Eu vos peço de jamais pronunciar na minha presença esta palavras: M.O.R.T.E.

– “Mas por quê?

– “Prometei-me isso e eu me casarei com o senhor.

– “Vossos desejos são ordens!