domingo, 28 de junho de 2015

A Cidade do Pavão

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A umas léguas de Paleacate, porto da costa de Coromandel, no meio das brenhas da vegetação tropical, encontrava-se no século de quinhentos uma cidade morta e deserta.

[Nota: Costa de Coromandel é o nome dado à faixa marítima de Tamil Nadu, no sudeste da Índia, banhada pelo oceano Índico. Em Chenai, antiga Madrás se venera o túmulo de São Tomé Apóstolo]

Grande cidade, evidentemente, a julgar pelos montões de pedras, ricamente esculpidas, e colunas ornadas de finos lavores, que se viam espalhadas pelo matagal – ruínas de templos, palácios e outros edifícios imponentes, agora a esboroar-se debaixo do sol escaldante do Estio e chuvas da monção.

Cidade destruída pela invasão das hordas muçulmanas – diziam alguns –, devassada por uma incursão catastrófica do mar que tragou a população e arrasou as casas – opinavam outros.

Fosse como fosse, muito se contava do esplendor antigo de Meliapor, dos seus trezentos templos e maravilhosos paços.

O seu nome significava Cidade do Pavão, porque entre as aves outra não há mais formosa do que o pavão.

Não era todavia para contemplar restos de glórias transactas, que os viajantes ainda visitavam a Cidade do Pavão. Era que sobre estas ruínas pairava uma auréola de santidade.

Corria fama por todo o Oriente de que a extinta Meliapor guardava as relíquias dum santo.

domingo, 14 de junho de 2015

Nossa Senhora e a monja fugitiva do mosteiro

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Num antigo e austero mosteiro habitava uma monja muito jovem, chamada Beatriz, de grande piedade em sua vida religiosa e profundamente devota de Santa Maria, a quem consagrara a metade de sua vida.

Continuamente a viam de joelhos diante do seu altar, em fervorosa veneração, oferecendo sua esplêndida juventude e angélica pureza à sua Santíssima Mãe.

A abadessa e todas as irmãs do convento lhe professavam grande carinho, por sua bondade e doçura, e a nomearam para o cargo de sacristã da igreja, que ela desempenhava com grande zelo.

Porém, sendo Beatriz extraordinariamente bela, despertou a paixão de um clérigo que freqüentava o mosteiro. Tentou convencê-la a fugir do convento com ele. Mas Beatriz, que a princípio resistia com firmeza, sentia desfalecer suas forças ante os embates daquela forte tentação.

Procurava rezar, porém sua devoção se havia convertido em aridez de espírito, e sua imaginação voava muito longe, sentindo fastio na oração. Numa ocasião em que a igreja estava deserta, o enamorado conseguiu enfim que a monja consentisse em fugir com ele.