domingo, 21 de setembro de 2014

Réveillon tumultuado no castelo


Na manhã de Natal do ano de graça de 1212, a fortaleza de Vergy, situada sobre esta célebre e fantástica montanha, estava recoberta com um espesso manto de neve que lhe ficava muito bem.

No vasto pátio, a guarnição tinha aberto caminhos que conduziam às torres de defesa, aos prédios de serviço e aos grandes salões. Estas passagens conferiam à neve o ar de uma renda.

Do alto desse ninho de águia, a paisagem se mostra suntuosa. Os harmoniosos vales apareciam ainda mais suaves pela neve. Por todos os lados se viam aldeiazinhas feéricas de cujas chaminés se desprendiam dezenas de colunas fantasiosas de fumaça azulada e prazenteira.

Uma floresta de altas árvores rodeia o bastião, cada uma das quais se assemelhava a um grande candelabro de prata aceso para a festa.

Pelos caminhos que levam a Vergy grupos de cavalheiros e damas a cavalo chegavam dos castelos vizinhos. Eles pareciam quase desaparecidos entre suas roupagens de lã e seus veludos forrados com pele de raposa.

Seus narizes estavam vermelhos de frio, mas seus olhares brilhavam de alegria. Eram os convidados do Duque Eudes III e da duquesa Alix, que haviam decidido celebrar nesse Natal uma missa de ação de graças pelo nascimento de seu filho Hugo IV, acontecido na primavera.

domingo, 7 de setembro de 2014

A catedral submersa

A "catedral submersa" na baía de Douarnenez
Na sua História da Liga na Bretanha, de fins do século XVI, um certo cônego Moreau escrevia sobre a baía de Douarnenez:

“Encontram-se ainda hoje pessoas antigas que, estando a pescar, sustentam ter visto com frequência, nas baixas marés, velhas ruínas de muralhas”. Segundo essas testemunhas, tratar-se-ia de “grande obra de que nunca se ouviu falar”.

Algumas ruínas parecem indicar construções dos tempos dos romanos, que dominaram a região antes dos celtas.

Por outro lado, em dias de mar calmo, pescadores de Douarnenez diziam ter ouvido muitas vezes soar os sinos sob as águas da baía. E de vez em quando suas redes ou linhas apanhavam curiosos objetos.

Entre a lenda e a história real há sempre uma zona nebulosa, de incerteza. O fato é que Ys sublimou-se na atraente figura de uma bela cidade submersa, com uma catedral magnífica cujos sinos tangem ao sabor das ondas… ou dos anjos!

A beleza dessa lenda excita as imaginações, descrevendo Ys como a mais bela capital do mundo de então. Mais tarde Paris teria ocupado o seu lugar.