domingo, 29 de junho de 2014

O violinista pobre de Cracóvia

A igreja de São Salvador, em Cracóvia, Polônia.
A igreja de São Salvador, em Cracóvia, Polônia.

A igreja de São Salvador, no bairro de Zwierzyniec de Cracóvia, existe há 900 anos.

Ela teria sido construída pelo príncipe soberano Piotr Wlast, fundador legendário de 77 igrejas.

O arcebispo de Cracóvia lhe havia predito que ele recuperaria a visão, caso fundasse sete igrejas e três conventos.

Cheio de presunção, o soberano decidiu construir 70 igrejas e 30 conventos, dez vezes mais do que pediu o arcebispo. Porém, não recuperou a vista.

Ele recapitulou o que tinha feito e compreendeu seu pecado de orgulho.

E começou então a construir as sete igrejas e três mosteiros ordenados, entre os quais a igreja de São Salvador, fundada por volta do ano 1148.

Lá há um velho quadro que representa a Crucifixão. O singular é que o Crucificado está vestido com longas roupagens suntuosas e calçado com ricas sandálias.

Um dia viu-se um pobre violinista se ajoelhar, com as mãos elevadas ao alto, aos pés do Crucificado.

Ele rezava com fervor e, pegando seu filho, o alçava até o crucifixo. Ele não podia sair para trabalhar, pois criava sozinho seu filho e não podia deixá-lo sem companhia.

Os dois viviam na miséria, mas eram felizes. Até o dia que a criança adoeceu gravemente.

O violinista não tinha dinheiro para curar o menino. Voltou então até a Cruz, ajoelhou-se, e tocando seu violino com emoção, contou a Jesus seu desespero.

domingo, 15 de junho de 2014

O anel de Santa Cunegunda

Santa Cunegunda, capela de Nossa Senhora, Budapest, Hungria
Santa Cunegunda, capela de Nossa Senhora, Budapest, Hungria
O príncipe Boleslau V o Casto procurava uma esposa em algum país vizinho.

Tinha que ser uma princesa e o casamento se decidia na base de cálculos políticos.

Foi assim que ele decidiu casar-se com a princesa Kinga, ou Cunegunda (1224-1292), filha do rei da Hungria.

Ela era a filha bem-amada do rei Bela IV e de Santa Isabel da Hungria, e irmã de Santa Margarida da Hungria.

A bela princesa húngara deu sua mão ao príncipe polonês.

Ela tinha um espírito fino e esclarecido, e pediu a seu pai um dote fora do comum. Contudo não pediu ouro nem dinheiro, nem belos panos, mas um presente que contribuiria muito para a prosperidade de sua nova pátria.

Naquela época o sal era um elemento raríssimo e o rei Bela ofereceu à filha uma das minas de sal que faziam a riqueza da Hungria.

Porém, a mina ficava muito longe da Polônia e a princesa percebia que seria difícil tirar proveito dela.

Ela foi, então, visitar a mina e decidiu levá-la consigo até sua futura pátria.

Para isso, arrancou inesperadamente um anel precioso de sua mão e jogou-o no poço mais fundo da mina, invocando São Francisco e Santa Clara de Assis.

Pouco tempo depois Cunegunda partiu para a Polônia escoltada por cavaleiros poloneses e húngaros.

domingo, 1 de junho de 2014

O pífaro dos Reis, e Natan o lenhador


Gaspar, Belchior e Baltazar iam seguindo a estrela que os conduzia a Belém.

Acamparam, uma noite, perto de uma cabana e pediram hospedagem.

Natan disse-lhes que apenas tinha para sua família, mas que lhes causava pena vê-los expostos ao mau tempo.

Mandou que entrassem, em seguida trouxe-lhes umas braçadas de capim seco para que lhes servissem de cama.

No outro dia, ao despedirem-se de Natan, disseram-lhe os Magos:

— Olha! Não temos dinheiro, mas deixamos-te esta singela lembrança.

E Baltazar entregou-lhe um pífaro (pequena flauta), dizendo:
— Toca-o, e os teus desejos se cumprirão. Será para ti uma fonte de riquezas enquanto tratares bem os pobres.

Tendo partido os Reis, disse Natan à esposa:
— Disseram que não tinham dinheiro, e eu o vi em tamanha abundância! E ainda me pagaram com uma flauta.
— Mas eles não te disseram que a tocasse, que se cumpririam os teus desejos?
— Ah! Isso é verdade! Vamos experimentar.