domingo, 10 de novembro de 2013

A fonte de Santa Reine

A fonte de Santa Reine, Alise, Borgonha
A fonte de Santa Reine, Alise, Borgonha

Havia pouco que a Gália se tornara cristã e os romanos já a atravessavam com estradas retas e seguras, templos de mármore e tijolo, fazendas bem ordenadas que eles chamavam de ‘vila’.

Em Alésia, César havia dado fim a Vercingétorix, acabando com a resistência dos gauleses.

Apesar da lembrança dos dias do sítio implacável, os nobres e os dirigentes empenhavam sua boa vontade em aplainar as dificuldades que podiam eclodir entre os novos senhores que pretendiam ser pacificadores, e os habitantes que povoavam os morros desde tempos imemoriais.

Os pontos de encontro eram a boa acolhida, o bom trato, a paciência, como também o comércio e os casamentos.

Romanos e gauleses trabalhavam para dar coesão ao país.

Porém, os romanos tinham um novo inimigo para combater: a religião cristã que se espalhava de modo cada vez mais rápido e profundo.

Foi nesse momento que um dia chegou a Alésia um certo Olibrius, prefeito do imperador, enviado para combater a nova religião.

Os nobres do burgo fizeram questão de recebê-lo bem. Visitando a casa de um deles, Olibrius deitou o olho em Reine.


A fonte de Santa Reine
A fonte de Santa Reine
Ela era muito nova, muito bela e reservada. Olibrius ficou apaixonado, mas ao mesmo tempo tinha a missão de aproximar os dois povos. Pediu então ao pai a mão de sua jovem filha.

Porém, Reine se recusou. O pai tentou convencê-la, explicou-lhe todo o bem que o casamento proporcionaria à pequena comunidade e ao país, mostrou-lhe as vantagens de tão belo partido.

Ele lhe rogou, chegou até ameaçá-la, mas Reine tinha uma boa razão para não se casar com Olibrius. No fim, ela confessou: sua babá tinha feito dela uma cristã, e a cristã se recusava casar com um pagão.

A jovem foi jogada na prisão, numa cela escura e minúscula onde ficou privada de beber e comer. As únicas visitas que recebeu foram de seu pai, que foi pressioná-la para que cedesse.

Depois chegaram os carrascos. Talvez a infeliz tivesse cessado de resistir se uma pomba não tivesse aparecido para reconfortá-la na prisão.

Por onde entrou essa pomba? De onde vinha? Ninguém soube.

Santa Reine, Alise, Borgonha
Santa Reine, Alise, Borgonha
Reine disse “não” mais uma vez. Ficou então decidido que seria afogada numa enorme bacia. Ela receava essa morte pelos suplícios morais que ela supunha, mas a preferia antes que renunciar à sua fé.

Porém, seu destino era maior: ela ia se tornar uma mártir, uma santa, e por isso aconteceriam milagres.

No dia do derradeiro suplício aconteceu um grande tremor de terra que abalou o morro e derrubou a bacia. A pomba voltou e depositou uma coroa na testa de Reine.

Alguns acharam que talvez naquele momento sua vontade seria mais forte que a de seu pai. Este, porém, não entendeu assim e, fora de si de tanta cólera, ordenou que cortassem a cabeça da filha.

Desta vez Reine perdeu a vida, mas não foi em vão.

Uma fonte começou a brotar no mesmo ponto onde seu sangue molhou o chão. E a água que ali brotava logo curou doentes e enfermos que se encontravam nas vizinhanças.

Obviamente, com essa água que devolvia a saúde e punha fim aos males propagaram-se a fama da jovem mártir e os milagres da nova religião.

Hoje, no mês de setembro de cada ano, os peregrinos voltam a Alésia para ali beber a água de fonte de Santa Reine.

(Fonte: Sophie e Béatrix Leroy d’Harbonville, “Au rendez-vous de la Légende Bourguignonne”, ed. S.A.E.P., Ingersheim 68000, Colmar, França, págs. 26-27)



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