domingo, 8 de setembro de 2013

São Vicente, o vinho e o gelo

Os monges cistercienses criaram o vinhedo famoso da Borgonha
Os monges cistercienses criaram o vinhedo famoso da Borgonha

Na Idade Média, os monges cistercienses exploravam a quase totalidade do célebre vinhedo da Borgonha.

E isso com toda justiça, pois foram eles que desbravaram suas terras e plantaram as vinhas.

Pesados comboios saíam regularmente das vinícolas e adegas da região para irem prover as abadias das cidades.

Numa jornada muito fria de dezembro, num desses comboios que seguia para Dijon, dois monges bem agasalhados conduziam as charretes, que a todo o momento escorregavam sobre o gelo.


O destinatário da carga era o abade de São Benigno, e no frio iam os dois monges vinhateiros, sonhando com a acolhida calorosa que lhes reservariam seus irmãos de Dijon.

Antes de partir, os dois não haviam se esquecido de colocar a viagem sob a proteção de São Vicente, padroeiro dos vinicultores, e de Nossa Senhora do Bom Caminho.

Vinhos da Borgonha com nomes de abadias. Fundo: Abadia de Fontenay
Vinhos da Borgonha com nomes de abadias. Fundo: Abadia de Fontenay
Mas naquele dia tudo se passava como se suas orações não tivessem sido ouvidas.

Faltando apenas uma meia hora para eles verem as portas de Dijon, o comboio foi assaltado por uma dezena de homens de rosto patibular.

– “Nós também temos sede”, tentaram explicar. Mas suas intenções de se apoderar da carga estavam perfeitamente claras.

Nas horas graves o temperamento de cada um se revela. Um dos monges ajoelhou-se e começou a implorar a São Vicente.

O outro, louco de cólera diante da ideia de que essa bebida destinada a santos irmãos fosse dessedentar sacrilegamente aqueles bandidos, foi furando os tonéis. Mais valia perder duas barricas de bom vinho do que deixá-las em mãos ímpias.

Mas as reações na aparência contraditórias de ambos se conjugaram de modo feliz, pois enquanto o vinho começou a derramar-se dos tonéis furados, São Vicente fez a temperatura cair a um nível tal que o vinho congelou imediatamente.

Ao mesmo tempo, os tonéis viraram um bloco de gelo e o vinho derramado transformou tonéis, charretes, rodas, e até a própria estrada, numa só peça de gelo.

São Vicente padroeiro dos vinicultores
São Vicente padroeiro dos vinicultores
Os ladrões aplicaram todas as suas forças para separar um elemento do outro, mas só conseguiram rachar a pele de suas mãos.

Vendo baldados seus esforços, desapareceram do mesmo jeito como tinham aparecido.

Então a temperatura aqueceu de novo o suficiente para liberar as charretes, e o comboio repartiu a toda velocidade. Os dois monges conduziram a carga ao seu bom destino.

A narração desta aventura encheu o abade de admiração e de maravilhamento: São Vicente sempre era invocado para afastar as ameaças da geada.

Mas, dessa vez, mandou o gelo para salvar os bons monges e seu vinho.

(Fonte: Sophie e Béatrix Leroy d’Harbonville, “Au rendez-vous de la Légende Bourguignonne”, ed. S.A.E.P., Ingersheim 68000, Colmar, França, págs. 51-52)



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