domingo, 21 de abril de 2013

A fidelidade do leão de Godofredo de Tours


Entre os nobres cavaleiros de Provença que partiram para as Cruzadas contra os infiéis, havia um senhor chamado Godofredo de Tours, de grande valor, guerreiro tão heroico como jamais se conheceu.

Nos combates era o primeiro a se lançar sem se preocupar em cobrir seu corpo contra os dardos e as pedras. Galopava até os esquadrões árabes invocando a proteção do Senhor. Tal era sua fama que em todos os exércitos era conhecido e admirado o seu heroísmo!

Um dia cavalgava ele numa clareira, com outros cavaleiros, seguido de numerosos pajens.

De repente ouviram uns terríveis rugidos de leão. Todos, exceto Godofredo, tomados de pânico, fugiram com medo de cair nas garras da fera.

Mas Godofredo, vendo que seu cavalo não lhe obedecia, pegou sua espada, desceu do cavalo e dirigiu-se à floresta onde estava o leão.

Avançou disposto a lutar contra a fera, mas quando penetrou na mata, viu assombrado um terrível espetáculo.

Não eram rugidos de cólera do leão, senão de muita dor.

Uma serpente havia habilmente aprisionado o leão enquanto este dormia, de maneira tal que ele não podia esboçar nenhuma reação.

A serpente apertava-o com o propósito de matá-lo a fim de enguli-lo depois.

domingo, 7 de abril de 2013

“Não queiras para os outros o que não queres para ti”

Ermida de San Ferreol
Entre os lavradores e viajantes da Catalunha, o nome de Ferreol era muito temido.

Nas noites de tempestade quando a agua bate com fúria nas rochas, o bandido Ferreol e seus companheiros aguardavam em seus postos para assaltar qualquer infeliz e roubar-lhe a bolsa e quiçá deixá-lo estendido sem vida em um matagal.

Por todas as partes se narravam as novas do bando que levava o terror a todos os que tinham que passar pelos montes e bosques, que eram os lugares preferidos de Ferreol e seus companheiros.

Um dia, ao por do sol, em que o crepúsculo enchia de sombras as proximidades das montanhas, um frade caminhava a passos largos.

Ia rezando com devoção suas orações. Assim não percebeu a aparição de dois homens no meio do caminho. Estes pararam o bom religioso, dizendo-lhe:

– Ei irmão, passe-nos a bolsa!

O frade, surpreendido, lhes respondeu, dizendo que não levava nada consigo.

Bandidos como eram, o conduziram então, com os olhos vendados à cova onde o bando estava reunido.