domingo, 24 de fevereiro de 2013

A ponte de Ledea

Puente de Burgui, Navarra
Puente de Burgui, Navarra

O rei mouro Abderramam tinha que passar pela Navarra, de regresso da França. O rei Dom Sancho ao saber disso, enviou mensageiros aos vales de Roncal, Salazar e Aezoa, com ordem de que reunissem todos os homens disponíveis e lutassem contra os mouros.

Os roncaleses e os de Salazar dispuseram-se a cumprir a ordem do monarca. Ao toque de sinos dos povoados, os homens deixaram suas ocupações e tomando as armas que podiam dispor, foram atacar Abderramam.

Mas os aezoanos disseram que eles não eram homens de guerra, e que sua obrigação consistia em cultivar e guardar as terras. Mas, se Abderramam aparecesse por aí, o receberiam com fogo.

Assim foram os de Roncal e os de Salazar, que se dirigiram ao encontro da hoste moura. Iam cheios de fúria. Decididos a vencer os inimigos da Fé.


E na ponte de Ledea deu-se a batalha. Mesmo sendo os mouros muito numerosos, os navarros os derrotaram.

Os de Salazar mataram a Abderramam, cortando-lhe a cabeça. Quão orgulhosos estavam de seu sangrento troféu!

Puente de la Reina, Navarra
Puente de la Reina, Navarra
Pensavam em apresentar este ao próprio rei Sancho, que sem dúvida recompensaria o valor dos habitantes de Salazar.

Os de Roncal invejaram a sorte de seus vizinhos. E durante o regresso, numa noite pegaram a cabeça do rei mouro e cortaram-lhe a língua.

E assim quando se apresentaram diante do rei, e os soldados de Salazar mostraram a cabeça, os roncaleses disseram que haviam eles cortado a cabeça do rei mouro, e como prova apresentaram a língua.

Por pouco não se trataram a pauladas diante do Rei.

Mas este os apaziguou. E deu a cada um dos triunfadores um escudo de armas.

Os de Salazar deviam ter em seu escudo um lobo com um cordeiro na boca, os roncaleses um zorro, indicando sua astúcia.

E por fim, Dom Sancho deu aos aezoanos também seu escudo: um javali deitado à sombra de uma árvore, para significar a mediocridade dos habitantes de Aezoa. (pag. 45)

(Fonte: V. Garcia de Diego, Antologia de Leyendas de la Literatura Universal, Editorial Labor S.A., Madrid-Espanha, 1ª edição, 1953).



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