domingo, 13 de janeiro de 2013

A conversão do príncipe muçulmano
e a impotência do diabo

Iguzquiza
Nos dias de Garcia o Temerário, Rei de Navarra, aconteceu que Abderramán entrou em Navarra com seu exército, chegando até a terra de Estela.

Quando o monarca soube que o Rei de Córdoba viera ao seu reino com tão grande exército, pediu socorro a seu irmão, o Rei das Astúrias.

Abderramán ficou na vila de Logroño com o grosso de seu exército e enviou a Navarra um príncipe mouro, muito poderoso.

Este príncipe era secretamente devoto de Nossa Senhora, e tinha por costume rezar a Ave Maria.


Aconteceu que o demônio teve grande ira por ver isto, e fazendo-se homem, pôs-se a serviço do príncipe como mordomo, durante 14 anos.

Chegando o nobre senhor mouro às terras de Estela, a um lugar que hoje chama-se Igusquiza, andava, uma manhã, o cavaleiro passeando por um corredor, rezando a Ave Maria e tendo diante de si o mordomo, quando subitamente veio voando um astor (velaz, no dialeto vasconço), trazendo no bico a saudação de Nossa Senhora, escrita com letras divinas. Pousou o pássaro na mão do príncipe.

Inflamado pelo calor do Espírito Santo, e encomendando-se a Maria, viu logo entrar pela porta o Apóstolo Santo André, enviado por Deus para o converter.

Santo André, Santa Maria de los Reyes, Álava, Espanha

O diabo, quando viu isto, quis logo fugir, mas Santo André não consentiu, obrigando-o a declarar suas intenções. Depois disto desapareceu, deixando o local cheio de maus odores, em meio a um barulho infernal.

O cavaleiro, ajoelhado aos pés do glorioso apóstolo, recebeu o batismo, foi armado cavaleiro por Santo André e se chamou Andrés Medrano Velaz.

Tomou por armas o astor na mão com a Ave Maria no bico, em um campo colorido, e as aspas de Santo André por orla. Assim esse nobre cavaleiro foi feito defensor dos cristãos e defensor da Igreja.

Tal conversão foi tão grande derrota para os muçulmanos, que maior não poderia ter recebido o Rei Abderramán. O nobre Dom Andrés Velaz perseguia os muçulmanos e fazia coisas tão heróicas, que o Rei mouro perguntava:
— Medra o no?
Respondiam os seus:
— No Medra, no"

Esse tal cavaleiro tinha já grandes riquezas, era senhor de vassalos, cidades e vilas, e o Rei de Navarra lhe acrescentou só pequenas coisas. Por isso o chamaram "medrano", procedência dos Medranos de Navarra, até hoje Velaz. Depois ganharam a cruz oitavada branca em campo colorido.



(Fonte: José Maria Jimeno Jurio, "Leyendas del camino de Santiago" - Diputación Foral de Navarra, 1977, pp. 10-11)




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