quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O boi voador de Saint-Ambroix

Saint-Ambroix: a produção de vinho foi demasiada

Há muitos séculos – pois esta lenda se perde na noite dos tempos – a colheita de uvas foi fabulosamente abundante, mas excessiva e verdadeiramente incalculável, em Saint-Ambroix (Santo Ambrósio).

Pelo excesso de uva, não havia mais um recipiente livre na cidade. Era impossível guardar adequadamente todo esse vinho.

O que fazer?

A desavença tomou conta dos habitantes cuja única renda era o fruto da terra.

‒ “Se nós não fazemos algo, vamos perder tudo”, disse um deles.



‒ “Sim, é verdade, o vinho vai estragar”, disse outro.

‒ “É culpa de nosso governante”, disse um terceiro, apontando para a casa do prefeito, chamado Roustan.

‒ “Poderemos engolir todo esse vinho até ficarmos bêbados”, grunhu um maltrapilho deitado num banco.

Na cidade todo mundo bebia vinho. Mas é preciso ser moderado com essa bebida e a quantidade de vinho era verdadeiramente demais.

O prefeito vestiu-se de gala e anunciou uma festa
Formaram-se grupos de descontentes liderados por um santambrosiano cujo apelido era “Trinco-Puncho”. E a revolta começou a crescer em toda a cidade.

‒ “Eu tenho que achar uma idéia”, pensava o prefeito em face do motim.

‒ “E se nós organizamos uma....”, tentou sugerir sua mulher.

O prefeito pegou suas mais belas vestes e disse:

‒ “Eu tive uma idéia luminosa e extraordinária”, exclamou modestamente em seu belo traje.

‒ “Eu não esperava menos de ti”, acrescentou sua mulher.

O prefeito foi até a Praça de Foiral e, diante da enorme multidão de descontentes, disse:

‒ “Meus amigos, nós vamos organizar uma imensa festa”.

‒ “Esse é bem você! Quem virá à tua festa?”, berrou um peão corpulento.

‒ “Sim, Roberto falou certo, já tem festa em todas as cidades”, vociferou Joana.

‒ “Por que haveriam de vir as pessoas?”, berrou Mimila, mostrando uma faísca de inteligência.

‒ “Certo, certo, para fazer o quê viria alguém a nossa cidade?”, refletiu nosso prefeito, que não tinha pensado nisso.

Nessa hora, vendo um rebanho de gado atravessar a praça, uma idéia louca assomou em seu espírito.

O boi chamado Caïet salvou a concordia geral
Lembrando a história do asno de Gonfaron, ele tirou do rebanho um boi chamado Caïet e disse com toda certeza:

‒ “No próximo domingo haverá festa na nossa cidade, e o boi Caïet voará. E eu vos dou minha palavra de prefeito: todo o nosso vinho vender-se-á!”

A surpresa foi geral... todo mundo ficou mudo diante de semelhante afirmação. Mas o prefeito era sério demais para mentir!!!

Mensageiros foram enviados para anunciar o evento em toda a região e a população trabalhou duramente para preparar a festa.

No dia anunciado, milhares de curiosos acorreram dos quatro cantos.

Fazia tanto calor que o vinho saía em cascata das mãos dos habitantes de Santo Ambrósio, todos eles transformados em taverneiros.

Até hoje se comemora a festa do “Volo Biòu”
Por fim, após uma demorada preparação, o boi Caïet foi levado em parada, ornado com magníficas asas e acompanhado por toda a populaça.

Tendo chegado ao topo do morro, nosso bom boi foi jogado no ar sob aplausos e aclamações.

Mas, ....... ele ......... caiu logo no vazio e se espatifou, deixando seus restos um pouco por toda parte!

Falou-se de um fato misterioso acontecido na noite anterior. Beoulaigo, obstinado bebedor de água, teria tirado uma pluma de uma das asas para desequilibrar o boi voador.

Mas do vinho não ficou sequer uma gota!

O prefeito tinha razão!

Desde aquela data, nos dias 13 e 14 de julho é organizada em Saint-Ambroix a festa do “Volo Biòu” em que os habitantes tentam fazer um boi voar!!!




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