domingo, 18 de dezembro de 2011

Como Santa Clara foi miraculosamente transportada, na noite de Natal, à igreja de São Francisco e aí assistiu ao ofício


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Estando uma vez Santa Clara gravemente enferma, tanto que não podia ir dizer o oficio na igreja com as outras freiras, chegando a solenidade da Natividade de Cristo, todas as outras foram a Matinas.

E ela ficou sozinha no leito, malcontente por não poder juntamente com as outras ir e ter aquela consolação espiritual.

Mas Jesus Cristo, seu esposo, não querendo deixá-la assim desconsolada, fê-la miraculosamente transportar à igreja de São Francisco e assistir a todo o ofício e à missa da meia-noite.

E, além disto, receber a santa comunhão e depois ser trazida ao leito.

Voltando as freiras para junto de Santa Clara, acabado o oficio em São Damião, disseram-lhe:

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Igreja Católica: a alma do Natal

Urna com o presépio de Belém, Santa Maria Maggiore, Roma




O Natal é comemorado em toda a face da Terra.

Mas, cada povo o comemora a seu próprio modo.

Por quê?

A Igreja Católica, vivendo na alma de povos diferentes, produz maravilhosas e diversas harmonias. Ela é inesgotável em frutos de perfeição e santidade.

Ela é como o sol quando transpõe vidros de cores diferentes. Quando penetra num vitral vermelho, acende um rubi; num fragmento de vitral verde, faz fulgurar uma esmeralda!

O gênio da Igreja passando pelos povos alemães produz algo único; passando pelo povo espanhol faz uma outra coisa inconfundível e admirável, e depois mais aquilo e aquilo outro num outro povo, num outro continente, numa outra raça.

No fundo é a Igreja iluminando, abençoando por toda parte. É Deus que na Sua Igreja realiza maravilhas da festa de Natal.

Canta a liturgia : “Puer natus est nobis, et Filius datur est nobis...”

“Um Menino nasceu para nós, e o Filho de Deus nos foi dado.

“Cujo império repousa sobre seus ombros e o seu nome é o Anjo do Grande Conselho”.

“Cantai a Deus um cântico novo, porque fez maravilhas”.

Veja vídeo
Vídeo: Igreja Católica:
alma do Natal
Aquele Menino nos foi dado — e que Menino! Então, cantemos a Deus um cântico novo.

O Natal do católico é sereno, cheio de significado, e ao mesmo tempo elevado como o interior de uma igreja!

A vitalidade inesgotável da festa natalina é sobrenatural, produz na alma católica uma paz profunda, uma sede insaciável de heroísmo, e um voltar-se completamente para as coisas do Céu.

No Natal, a graça da Igreja brilha de um modo especial na alma de cada católico. E de cada povo que conserva algo de católico na face da Terra inspirando incontáveis formas de comemorar o nascimento do Redentor!

Porque a Igreja é a alma de todos os Natais da Terra!

Video: A Igreja Católica: alma do Natal




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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Os três ducados

Era uma vez um homem como todos nós, nem melhor nem pior, um pobre pecador.

O que havia feito? Não sei. Uma falta talvez mais grave que as outras; um pecado maior que os outros, sem dúvida, quando Deus o abandonou à própria sorte. Deus, evidentemente, não faltou; foi ele que não correspondeu.

E estava sendo conduzido à forca da cidade de Toulouse. Acompanhavam-no os juízes e o carrasco, em meio a uma multidão atraída por curiosidade, para ver o que aconteceria.

Ora, exatamente nesse dia, passava por Toulouse o rei René com sua esposa, a formosa rainha Aude, que ele acabara de desposar na pátria vizinha. Passando em frente à forca, a rainha viu o condenado já empoleirado no banco, com a cabeça enlaçada pela corda. Não pôde conter um grito, e escondeu o rosto entre as mãos.

O rei deteve a todos, e fez sinal ao carrasco para que parasse. E voltando-se para os cônsules, disse:

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A princesa do castelo de Wangenbourg

Ruínas de Wangenbourg
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Num tempo longínquo morava no poderoso castelo de Wangenbourg, na Alsácia, um senhor muito encrenqueiro e de moralidade bastante duvidosa.

Ruínas de Wangenbourg
Voltando com seus companheiros de armas de uma expedição guerreira, ele viu uma bela donzela num prado florido.

Com ramalhetes de margaridas nos braços, ela resplandecia de beleza.

O senhor quis seduzi-la de todas as formas.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Como São Francisco domesticou as rolas selvagens


Um jovem havia apanhado um dia muitas rolas e levava-as a vender.

Encontrando-o São Francisco, o qual sempre sentia singular piedade pelos animais mansos, olhando com os olhos piedosos aquelas rolas, disse ao jovem:

‒ "Ó bom moço, peço-te que mas dês, para que passarinhos tão inocentes, os quais são comparados na santa Escritura às almas castas e humildes e fiéis, não caiam nas mãos de cruéis que os matem”.

De repente aquele, inspirado por Deus, deu-as todas a São Francisco; e ele recebendo-as no regaço, começou a falar-lhes docemente:

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Importância dos contos e das lendas na vida medieval

Um elemento essencial da vida medieval foi a pregação.

Nessa época, pregar não era monologar em termos escolhidos perante um auditório silencioso e convencido.

Pregava-se um pouco por todo lado, não apenas nas igrejas, mas também nos mercados, nos campos de feira, no cruzamento das estradas; e de modo muito vivo, cheio de calor e de ímpeto.

O pregador dirigia-se ao auditório, respondia às suas perguntas, admitia mesmo as suas contradições, os seus rumores, as suas invectivas.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ladrão! Ladrão!


Um mercador voltava de uma feira, onde fizera grandes negócios. Colocara numa bolsa de couro toda a sua fortuna, em belas moedas de ouro. Ia assim por vales e montes.

Chegando à cidade de Amiens, passou diante de uma igreja. Como tinha por hábito, entrou para rezar diante da Mãe de Deus e pousou a bolsa ao lado. Quando se levantou, distraiu-se e partiu sem ela.

Havia na cidade um burguês que, ele também, tinha o costume de ir rezar aos pés da bendita Virgem.

Veio ele pouco depois ajoelhar-se no lugar que o outro acabara de deixar, e encontrou a bolsa, selada e guarnecida de um pequeno fecho. Compreendeu logo que devia conter moedas de ouro.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Carlos Magno e o abade de São Gall

Notker Balbulus, St Gall, contos e lendas medievais
Carlos Magno, numa de suas freqüentes viagens, viu o abade de S. Gall preguiçosamente reclinado sobre almofadas à porta da abadia.

Carlos gostava de homens enérgicos e ativos, e o abade era indolente.

Além disso, o Imperador tinha mais de um motivo de queixa contra ele.

— Bom dia, Sr. Abade. Ainda bem que o encontro. Tenho a submeter à sua esclarecida razão três perguntas, às quais terá a bondade de me responder em sessão solene de nosso conselho imperial daqui a três meses, contados dia-a-dia.

Primeiro de tudo, desejo saber o meu valor em dinheiro.
Em segundo lugar, quanto tempo levaria para dar a volta ao mundo.
Em terceiro lugar, que estarei eu pensando no momento em que V. Revma. vier à minha presença, pensamento que deve ser um erro. Trate de arranjar resposta satisfatória a tudo, do contrário deixará de ser abade de S. Gall, e terá de abandonar a abadia, montado num burro com a cara voltada para o rabo, se não o responder.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O milagre da Santa Mãe d’Aquele que andou sobre o mar

Esta é a história da mulher que passou grande perigo no mar levando seu filho pequenino nos braços, e Nossa Senhora Santa Maria a fez andar sobre as águas como se fosse sobre o chão...

“A Santa Mãe d’Aquele que caminhou sobre as águas pode obter do poder dEle que outro andasse sobre elas.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Como todos andavam atrás de São Francisco para confusão do mundo e graça de Deus

Quadro de São Francisco, Porziuncola

Estava uma vez São Francisco no convento da Porciúncula com Frei Masseo de Marignano, homem de grande santidade, discrição e graça em falar de Deus; pela qual coisa São Francisco o amava muito.

Um dia, voltando São Francisco de orar no bosque, e ao sair do bosque, o dito Frei Masseo quis experimentar-lhe a humildade.

Foi-lhe ao encontro e, a modo de gracejo, disse:

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Como Frei Leão só pode dizer o contrário do que São Francisco queria

Estando uma vez São Francisco, no princípio da Ordem, com Frei Leão em um convento, onde não havia livro para rezar o ofício divino, ao chegar a hora de Matinas, disse São Francisco a Frei Leão:

“Caríssimo, não temos breviário, com que possamos rezar Matinas: mas, a fim de passarmos o tempo louvando a Deus, eu direi e tu me responderás como te ensinar; e toma cuidado, não digas as palavras de modo diverso do que te ensinar’.

Direi assim: ‘Õ irmão Francisco, praticaste tanto mal, tais pecados no século que és digno do inferno’; e tu, irmão Leão, responderás: ‘Verdadeira coisa é que mereces o inferno profundíssimo’

‒ E Frei Leão, com simplicidade columbina, respondeu: “Estou pronto, pai, começa em nome de Deus”.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O jogral da Virgem

Muitos peregrinos, vindos dos mais remotos confins da Cristandade, iam à romaria do Santuário de Nossa Senhora de Rocamador.

Era gente de toda espécie, desde mendigos ou empestados até fidalgos e grandes dignitários da Igreja.

Freqüentemente misturavam-se àquela turba alguns indivíduos aloucados, galhofeiros ou poetas, que tanto entoavam uma canção, acompanhando-a com qualquer instrumento, como embasbacavam o povo com malabarismos e trabalhos de saltimbancos.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A contagem dos pães

Dois homens que viajavam juntos sentaram-se à beira da estrada, para comer. Um tinha cinco pães, e o outro três. Quando colocaram diante de si a comida, passou por ali um homem e os cumprimentou. Eles o convidaram:

— Senta-te para comer conosco.

Ele se sentou e comeu com eles, consumindo-se durante a refeição os oito pães. O homem então se levantou e lhes deu oito moedas de prata, dizendo:

— Recebam este pagamento pela comida que me deram.

E continuou seu caminho.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A flauta do monge inocente

Igreja de Dégagnazès

Sabeis por que todos os anos multidões de peregrinos vão rezar em Dégagnazès? É que antigamente ocorreram lá as grandes coisas que eu vos contarei.

No bosque, no local em que os mercadores montam suas barracas no dia de peregrinação, havia um convento com trinta monges vestidos todos de branco.

Na realidade eram trinta e um, mas eu disse trinta, como todo mundo, porque o trigésimo primeiro não contava.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O velho abade cruzado e o jovem traidor

Montemor o Velho, lenda do abade de Montemor, ©Rui Ornelas
Numa fria noite de Natal, em pleno século IX, o abade Dom João de Montemor, superior de todos os abades de Portugal, regressava à sua casa depois de haver celebrado.

Ao passar por uma das igrejas que havia no caminho, ia persignar-se devotamente, quando o pranto de um menino o deixou surpreso.

Aproximou-se da porta de igreja, e viu que na entrada havia uma criatura que tremia de frio. Com muita compaixão, tomou o menino, arrumou-o bem e o levou consigo ao seu palácio.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Os dois irmãos: um no Purgatório e o outro... condenado?

Na vila de Roma, essa nobre cidade, mestra e senhora de toda a Cristandade, havia dos irmãos de grande autoridade: um era clérigo e outro senador.

Pedro chamava-se o clérigo, pois esse era seu nome, varão sábio e nobre, do Papa cardeal. Mas, entre as qualidades tinha uma mácula: ele tinha grande avareza, um vício mortal.

Estevão era o nome do segundo irmão, entre os senadores não havia mais jovem, era muito poderoso no povo romano, mas no “prendo prendis” usava bem a mão.

Era muito cobiçoso e de muito queria se apropriar. Falseava os julgamentos por vontade de possuir, roubava a todos os que podia roubar, prezava mais ter dinheiro que honradez.

Com falsos testemunhos seguindo seus caprichos tirou três casas oferecidas a São Lourenço, e por causa dele Santa Inês perdeu boas propriedades e uma horta que vale o ordenado de muitos senadores.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Pleito entre os frades menores e as formigas


Por vezes, fatos — reais ou imaginários — acontecem com tanto espírito sobrenatural que se diz serem "medievais".

É o caso do fato seguinte, acontecido no Brasil — que não teve Idade Média — narrado pelo Pe. Manuel Bernardes:

Foi o caso, conforme narrou um sacerdote dos Frades Menores da Província da Piedade, no Maranhão, que naquela capitania as formigas, que são muitas, e mui grandes e daninhas, para estenderem seu reino subterrâneo e encherem seus celeiros, de tal sorte minaram a despensa dos frades, afastando a terra debaixo dos fundamentos, que ameaçava próxima ruína.

E acrescentando delito a delito, furtavam a farinha que ali estava guardada para quotidiano uso da comunidade.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A flor mais bela


Vou contar-vos uma graciosa lenda persa que exprime uma grande verdade.

Deus, assentado no trono excelso de sua glória, chamou um anjo e disse-lhe:
— Vai àquele jardim, na terra lá em baixo, e traze-me a flor mais bela que encontrares.

O anjo, mensageiro de Deus, desceu ao jardim e contemplou a variedade e a graça com que milhares de flores ali se misturavam, como um mosaico admirável.

quinta-feira, 31 de março de 2011

O imperador e o bandido

Carlos Magno
Carlos Magno estava uma noite dormindo em seu palácio, não longe de Frankfurt, quando viu em sonho um anjo rodeado de uma auréola brilhante de luz sobrenatural. O anjo se colocou diante do Imperador, e o saudou com estas palavras:
— Levanta-te, grande Imperador, e escuta a voz de Deus que fala por meus lábios. É necessário que saias esta noite sem que ninguém te acompanhe, para fazer um roubo. Se queres viver, obedece.

Acordou Carlos Magno, estranhando muito o que havia visto no sonho. E adormeceu de novo com isto na cabeça. Outra vez viu o anjo, que diante dele ordenava:
— Levanta-te, ó rei, prepara-te para cumprir as ordens que te dei. É para o teu bem e salvação do Império. Deus se serve de mim para dar-te a conhecer a sua imutável vontade.

Carlos Magno acordou e ficou pensativo a respeito duas aparições, mas adormeceu de novo. O anjo do Senhor o despertou com redobrada insistência, e exigiu com energia que se levantasse e saísse para roubar.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A ponte do diabo de St. Guilhem-le-Désert

A ponte do diabo de St. Guilhem-le-Désert
Na região de Hérault, perto de Saint Guilhem-le-Désert, na França, há uma magnífica ponte.

Em tempos muito antigos, os pobres habitantes de Saint-Guilhem padeciam terrível isolamento. Era impossível atravessar o rio Hérault por causa dos abismos e dos redemoinhos. Por isso, eles tinham que enfrentar perigosas e longas travessias através das florestas e das montanhas.

Um dia, um dos habitantes teve que percorrer muitas léguas para contornar o rio.

Ele jurou então que faria tudo para evitar esses desvios.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Como Jesus Cristo bendito, fez fazer-se frade um rico e gentil cavaleiro, o qual tinha feito grande honra e oferendas a São Francisco

São Francisco, servo de Cristo, indo uma vez à tarde à casa de um grande gentil-homem poderoso, foi por ele recebido e hospedado, com o companheiro, como anjos do paraíso, com grandíssima cortesia e devoção.

Pelo que São Francisco lhe tomou grande amor, considerando que ao entrar em casa o tinha abraçado e beijado amigavelmente, e depois lhe havia lavado os pés e acendido um grande fogo e preparado a mesa com muito boas iguarias; e enquanto comiam, ele com semblante alegre os servia continuamente.

Ora, tendo acabado de comer São Francisco e o companheiro, disse este gentilhomem:

‒ “Eis, meu pai, ofereço-me a vós e as minhas coisas; quando precisardes de túnica ou de manto ou de outra coisa qualquer, comprai que eu pagarei; e vede que estou pronto a prover-vos em todas as vossas necessidades, porque pela graça de Deus eu o posso, porquanto tenho em abundância todos os bens temporais, e por amor a Deus que mos deu, eu os dou de boa vontade aos seus pobres”.

Pelo que, vendo São Francisco tanta cortesia e afabilidade nele e os grandes oferecimentos, concebeu tanto amor por ele que, tendo depois partido, ia dizendo ao seu companheiro:

‒ “Em verdade este gentil-homem seria bom para a nossa companhia, o qual é tão grato e reconhecido para com Deus e tão amorável e cortês para com o próximo e os pobres.

Deves saber, irmão caríssimo, que a cortesia é uma das propriedades de Deus, o qual dá seu sol e sua chuva aos justos e aos injustos por cortesia, e a cortesia é a irmã da caridade, a qual extingue o ódio e conserva o amor.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Como São Francisco explicou a Frei Leão a visão dos frades que se afogavam e dos que se salvavam

Uma vez em que São Francisco estava gravemente enfermo e Frei Leão o servia, o dito Frei Leão, estando em oração perto de São Francisco, foi arrebatado em êxtase e levado em espírito a um rio grandíssimo, largo e impetuoso.

E estando a olhar quem o atravessava, viu alguns frades carregados entrar naquele rio, os quais eram subitamente abatidos pela impetuosidade da corrente e se afogavam.

Outros iam até um terço, outros até ao meio do rio, outros ainda até à outra margem; todos no entanto, pela impetuosidade do rio e pelo peso que levavam às costas, finalmente caíam e se afogavam.

Vendo isto, Frei Leão tinha deles grande compaixão.

Mas subitamente, estando assim, eis que vem uma grande multidão de frades sem nenhuma carga ou peso de coisa nenhuma, nos quais reluzia a santa pobreza.

E entraram no rio e passaram além sem nenhum perigo.

E vendo isto, Frei Leão voltou a si. E então São Francisco, sentindo em espírito Frei tinha alguma visão chamou-o que Leão visto a si e perguntou-lhe que era o que tinha visto.

E logo que lhe disse Frei Leão, por ordem, toda a visão que tivera, disse São Francisco:

‒ “O que viste é verdade. O grande rio é este mundo; os frades que se afogavam no rio são os que não seguem a profissão evangélica e especialmente quanto à altíssima pobreza.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os gigantes de Nideck


O castelo de Nideck, na Alsácia, está composto por 2 ruínas sobre um morro muito inclinado.

Esta singularidade do local e a vizinhança de uma grande cachoeira muito rumorosa tal vez tenha gerado uma lenda transmitida de pai a filho após inúmeras gerações.

Ela conta que há muitos séculos vivia no castelo de Nideck um casal de gigantes e sua “pequena” filha.

Ela ficava entediada nos imensos salões do castelo e, um dia, decidiu sair para conhecer as redondezas. Ela vestiu de azul céu, arranjou seus cabelos para ficar bem bonita e partiu para descobrir o mundo de fora.

Com poucos passos, ela atravessou os morros e chegou até uma vasta planície que parecia deserta. Mas, lá embaixo, perto de seus pés, ela viu coisas que mexiam.

Pareciam minúsculas bonecas, entre as quais havia:

‒ uma boneca menino com bigode e um grande chapéu;

‒ uma boneca vaca que puxava uma charrete.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O anel do rei Santo Eduardo

Certo dia, o rei Santo Eduardo já velho assistia à cerimônia de consagração de uma igreja construída em honra de São João Evangelista.

Nessa hora, um homem muito pobre aproximou-se dele e mendigou-lhe uma esmola “pelo amor de São João”.

O grande monarca passou a mão na bolsa, mas não encontrou nem prata nem ouro.

Santo Eduardo, então, mandou vir seu tesoureiro, mas não foi localizado no meio da multidão. E o pobre seguia implorando esmola.

Santo Eduardo sentia-se muito mal à vontade. Nesse momento lembrou que trazia um anel grande e muito precioso. Então, ele o tirou do dedo, e pelo amor de São João o deu ao miserável, que lhe agradeceu gentilmente e desapareceu.


Eis o que aconteceu com o anel.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Como São Luís, rei de França, em pessoa, com o hábito de peregrino, foi a Perusa visitar o santo Frei Egídio

São Luís IX, rei da França
Indo São Luís, rei de França, em peregrinação visitar os santuários pelo mundo, e ouvindo a fama grandíssima da santidade de Frei Egídio, o qual fora dos primeiros companheiros de São Francisco, pôs no coração e determinou por tudo visitá-lo pessoalmente.

Pela qual coisa veio a Perusa, onde habitava então o dito Frei Egídio.

E chegando à porta do convento dos frades, como um pobre peregrino desconhecido com poucos companheiros, chamou com grande insistência por Frei Egídio, nada dizendo ao porteiro sobre quem fosse aquele que o chamava.

Foi, pois, o porteiro a Frei Egídio e disse-lhe que à porta havia um peregrino que o procurava: e por Deus lhe foi revelado em espírito que aquele era o rei de França; pelo que subitamente ele com grande fervor sai da cela e corre à porta e sem mais pergunta, ou sem que jamais tivessem estado juntos, com grandíssima devoção ajoelhando-se abraçaram-se e beijaram-se com tanta familiaridade como se há longo tempo tivessem tido grande amizade.