quinta-feira, 24 de junho de 2010

Como São Francisco converteu à fé o sultão da Babilônia, e a cortesã que o induzia ao pecado

São Francisco foi converter o Sultão

São Francisco, instigado pelo zelo da fé cristã e pelo desejo do martírio, atravessou uma vez o mar com doze de seus companheiros santíssimos, para ir diretamente ao sultão de Babilônia.

E chegou a uma região de sarracenos, onde certos homens cruéis guardavam as passagens, que nenhum cristão que ali passasse podia escapar sem ser morto; como aprouve a Deus, não foram mortos, mas presos, batidos e amarrados foram levados diante do sultão.

E estando diante dele São Francisco, ensinado pelo Espírito Santo, pregou tão divinamente sobre a fé cristã, que mesmo por ela queria entrar no fogo.

Pelo que o sultão começou a ter grandíssima devoção por ele, tanto pela constância de sua fé, como pelo desprezo do mundo que nele via; porque nenhum dom queria dele receber, sendo pobríssimo; e também pelo fervor do martírio que nele via.

O sultão ouvia São Francisco com boa vontade
E deste ponto em diante o sultão o ouvia com boa vontade e pediu-lhe que freqüentemente voltasse à sua presença, concedendo livremente a ele e aos seus companheiros que podiam pregar onde quisessem. E deu-lhes um sinal com o qual não podiam ser ofendidos por ninguém.

Obtida esta licença tão generosa, São Francisco mandou aqueles seus eleitos companheiros, dois a dois, por diversas terras de sarracenos, a predicar a fé cristã; e ele com um deles escolheu um lugar.

No qual chegando, entrou em um albergue para repousar: e ali havia uma mulher belíssima de corpo, mas vil de alma, a qual mulher maldita convidou São Francisco a pecar.

E dizendo-lhe São Francisco: “Aceito, vamos ao leito”; e ela o conduziu para o quarto. E disse São Francisco: 'Vem comigo, levar-te-ei a um leito belíssimo”.

E conduziu-a a uma grandíssima fogueira que se fazia naquela casa; e no fervor de espírito despe-se e lança-se neste fogo por sobre tições inflamados, e convida a mulher para que se dispa e vá se deitar nesse leito tão macio e belo.

São Francisco ficou no meio das chamas sem queimar
E estando assim São Francisco por grande espaço de tempo com semblante alegre e sem se queimar, nem mesmo se chamuscar, aquela mulher por tal milagre assombrada, e compungida em seu coração, não somente se arrependeu do pecado e da má intenção, mas até se converteu perfeitamente à fé cristã, e tornou-se de tanta santidade, que por ela muitas almas se salvaram naquela terra.

Finalmente, vendo São Francisco que não podia obter mais fruto naquelas partes, por divina revelação se dispôs com todos os seus companheiros a retornar aos fiéis; e reunindo todos os seus voltou ao sultão e despediu-se.

E então lhe disse o sultão: “Frei Francisco, de boa vontade me converteria à fé cristã, mas temo fazê-lo agora, porque se estes homens o descobrissem matariam a mim e a ti com todos os teus companheiros: mas, porque tu podes fazer muito bem, e eu tenho de resolver certas coisas de muito grande peso, não quero agora causar a tua morte e a minha, mas ensina-me como me poderei salvar, e estou pronto a fazer o que me impuseres”.

O Sultão teve medo de todos serem degolados
Disse então São Francisco: “Senhor, separar-me-ei de vós, mas depois de chegar ao meu pais e ir ao céu pela graça de Deus, depois de minha morte, conforme a vontade de Deus, enviar-te-ei dois dos meus irmãos, dos quais receberás o santo batismo de Cristo e serás salvo, como me revelou meu Senhor Jesus Cristo. E tu, neste espaço, desliga-te de todo impedimento, a fim de que, quando chegar a ti a graça de Deus, te encontre preparado em fé e devoção”.

E assim prometeu fazer e fez. Isto feito, São Francisco retornou com aquele venerável colégio de seus santos companheiros: e depois de alguns anos São Francisco, pela morte corporal, restituiu a alma a Deus.

E o sultão adoecendo espera a promessa de São Francisco e faz postar guardas em certas passagens, ordenando que, se dois frades aparecessem com o hábito de São Francisco, imediatamente fossem conduzidos a ele.

Naquele tempo apareceu São Francisco à dois frades e ordenou-lhes que sem demora fossem ao sultão e procurassem a salvação dele, segundo lhe havia prometido. Os quais frades imediatamente partiram e, atravessando o mar, pelos ditos guardas foram levados ao sultão.

E vendo-os, o sultão teve grandíssima alegria e disse: “Agora sei, na verdade, que Deus me mandou os seus servos para a minha salvação, conforme a promessa que me fez São Francisco por divina revelação”.

Recebendo, pois, a informação da fé cristã, e o santo batismo dos ditos frades, assim regenerado em Cristo, morreu daquela enfermidade, e sua alma foi salva pelos méritos e operação de São Francisco.




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