quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Os três pinheiros de Thann

Na cidade de Thann, na Alsácia, França, todos os anos, no dia 30 de junho, os habitantes queimam três pinheiros na praça central da cidade.

A festa vem de um fato curioso da Idade Média.

Na metade do século XII vivia na Itália um santo homem chamado Thiébaut. Ele era bispo da cidade de Gubbio, na Umbria. Ele viveu sempre acompanhado de seu servidor.

Um dia, se sentindo mal lhe disse:

‒ “Aproxima-te fiel servidor”.

‒ “Cá estou, monsenhor”.

‒ “Há muitos anos, tu me serves lealmente, eu devo te recompensar”.

‒ “Não, monsenhor, já é uma honra vos servir”.

‒ “Escuta em lugar de falar... Quando eu partirei desta terra...”

‒ “Não fale isso...”



‒ “Chega, escuta bem! Eu quero que quando eu morrer, tu fiques com meu anel de bispo... shh!... É uma ordem!”

Igreja de Thann

Foi assim que no ano do Senhor de 1160, o bispo São Thiébaut partiu para o céu.

Fazendo como lhe fora ordenado, o servidor foi tirar o anel do santo. Mas, quanto mais ele tentava tirá-lo do dedo do morto, tanto mais ele se recusava a sair. Ele puxou, puxou, puxou, até que arrancou o dedo.

Ele ficou totalmente perplexo, mas afinal acreditou se tratar seguramente de um sinal divino. Ele, então, encaixou “anel e dedo” no seu cajado de peregrino e voltou a pé para sua terra natal, a Lorena.

A rota é longa desde a Itália até sua cidade no leste da França.

Numa noite do ano 1161, ele chegou a Thann, cidadinha custodiada por um imenso castelo. Como ele estava fatigado, decidiu dormir na orla da floresta. Ele apoiou o cajado num pinheiro e dormiu.

Na manha seguinte, ele comeu rapidamente alguns pedaços de seu pão, e foi partir novamente. Aproximou-se do pinheiro para pegar o cajado.

Mas, aconteceu o mesmo que com o anel. Ele não conseguia tirá-lo do lugar. Ele puxou, puxou, e... nada! Seu cajado tinha deitado raízes.

Naquela hora o senhor do castelo de Engelbourg ficou pasmo vendo um curioso fenômeno que acontecia na orla do bosque. Ele viu três luzes que brilhavam encima de um pinheiro.

Ele acorreu para o local e encontrou o servidor que não conseguia tirar o cajado com a relíquia do santo bispo.

Os dois contaram tudo o que sabiam e concluíram que em tudo isso havia um sinal divino.

Um e outro prometeram construir uma capela no local. E então, o cajado ficou solto e a disposição.

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