quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Poço do Diabo no castelo de Fleckenstein

O altaneiro castelo de Fleckenstein (foto ao lado) fica na Alsácia, França. Hoje a fortaleza medieval está em ruínas.

Mas ela tem um poço de mais de 70 metros de profundidade inteiramente entalhado na rocha. Essa façanha não parece humana e fez nascer a lenda do Poço do Diabo de Fleckenstein:


“O ponto débil de todo castelo é a água. Se ficar sem ela o inimigo podia exigir a rendição.

“Por isso o senhor feudal de Fleckenstein fiz vir os melhores entendidos em poços da região. E eles se puseram a trabalhar encarniçadamente. Eles queriam topar o desafio!

“Dia após dia, semana após semana, o poço se aprofundava, mas nenhuma gota d’água aparecia para refrescá-los.

“Após um ano de um trabalho de Hércules, eles tinham atingido uma profundidade “próxima do centro da terra”, como eles diziam.

“Ali, os raios do sol não podiam mais iluminá-los e eles trabalhavam numa obscuridade desconhecida.

“E nunca encontravam a água!

“Foi então que apareceu um estranho poceiro. Ninguém conhecia-o.




“E ele foi dizendo que ele, e só ele, poderia achar logo água cristalina e gostosa.

O castelo de Fleckenstein na Idade Média

‒ “Negócio fechado!”, exclamou o senhor feudal dando tapas nas costas do desconhecido num gesto que lembrou um pacto!

‒ “Tu terás o que queiras em troca da água”, acrescentou o dono do castelo.

“O curioso personagem pôs-se então a trabalhar diante dos poceiros extenuados e incrédulos.

“Ao cabo de algumas horas, ele declarou com certeza diante de uma multidão de olhares espantados que ele, por fim, tinha encontrado água “abundante e fresca”

“Ele, então, convidou o nobre senhor a descer com ele até o fundo do obscuro furo. Os dois homens subiram numa cestinha amarrada com uma corda e desceram lentamente.

“A cestinha descia e descia. Isso começou a durar demais e só havia trevas em volta.

“Quando pareciam ter chegado até o fundo do poço, o senhor de Fleckenstein começou a achar que estava vendo chamas.

“No meio daqueles luores enigmáticos ele percebeu que seu companheiro começava a se transformar.

“Seus pés iam se parecendo com o pezunho do bode, chifres cresciam na sua fronte e, no fundo do buraco, as chamas tentavam queimar-lhe os pés!

“Ele logo compreendeu: o estranho poceiro não era outro senão o diabo que o levava para os infernos !!!!

“O nobre cavaleiro, então, rezou a Nossa Senhora, clamou a Ela que lhe obtivesse a graça de Deus.

“E, enquanto rezava, o diabo pulou da cesta e lhe fez sinal de descer e entrar nas labaredas do seu sinistro, infeliz e eterno reino.

“Mas, o barão apavorado soltou poderosos brados de recusa. Os seus ajudantes, lá acima ouviram os gritos e começaram a puxar a corda.

“Ah! O diabo não ia deixar escapar fácil sua presa! Era dele! Ao menos assim pensava o bandido.

“Dependurou-se da cestinha e começou a balançá-la com toda sua força para que o passageiro caísse nas brasas ardentes de seu malcheiroso reino.

“Lá foram os dois brigando. O nobre invocando a Nossa Senhora se segurava com força da cestinha que para ele virou uma imagem da Igreja, a Arca de Salvação.

“O diabo blasfemava como um herege, chacoalhava a cesta, puxava-a para baixo e para todos os lados, e amaldiçoava a Mãe de Deus que era mais forte do que ele.

“Assim foram subindo até que começaram a ver os primeiros raios do sol.

‒ “Maldito sol! blasfemou o anjo das trevas. “Faz-me lembrar Deus! E São Miguel o dia que me aprisionou no fundo da terra entre enxofre e chamas!”

“A luta foi dura.

Diabo mascando precitos. Coppo di Marcovaldo, batistero da catedral de Florença.

“Alguns que ali estiveram garantem que saíam faíscas e chamas do poço...

‒ “Arrgh! O sol, a luz, tudo isso fala de Deus! Não agüento mais, bradou desesperado o pai da mentira, largou a cestinha e jogou-se no precipício.

“O dono do castelo foi salvo. Assim que ele pôs o pé em terra mandou derramar litros de água benta dentro do poço.

“Ainda hoje e desde aquele dia desce uma água clara e fresca para os habitantes da cidade vizinha. E ela vem do poço do castelo!”

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